Tuesday, June 23, 2015

MANOBRE VOCÊ MESMO SEU DESTINO


Advertência

 Dentre as definições de “Manobrar”  escolhemos uma que é a mais bem adaptada à  nossa finalidade.

Manobrar é “empregar os meios e as diligências necessárias para se conseguir um determinado objetivo”: isto é, “para levar a bom êxito uma determinada empreitada”. Assim, “Manobre você mesmo o seu Destino” significa “empregue você mesmo os meios necessários para conseguir com bom êxito,  um certo objetivo,  mediante seu  Destino” .

          O Futuro não é arbitrário, podemos não saber precisamente o desenrolar dos acontecimentos,  mas, os casos simples em que sempre o acertamos em cheio,  indica-nos que, se  nosso Encéfalo fosse mais poderoso, saberíamos muito mais sobre o que ainda está por vir.

                Quem quer que tenha vivido o suficiente compreende que NEM TUDO NO MUNDO é OBJETIVAMENTE POSSÍVEL. As ações humanas deparam-se sempre com algum tipo de limitação. Algumas são contornáveis de imediato (1), outras, só podem ser superadas por meios que ainda nos faltam, no tempo e no espaço (2); porém, estes dois tipos de limitação não esgotam o conjunto dos fatores que impossibilitam transportar nossos desejos, com sucesso, ao domínio da prática: (3) existem ainda certos impedimentos que nós pressentimos que são, e haverão de ser sempre refratários a qualquer modificação, por maiores e mais bem aplicados que sejam ou possam tornar-se, os nossos esforços.

                Um  dos muitos benefícios  que este livro poderá levar aos Seus  Leitores é  ajudá-los  a discernir com bastante clareza, quando é que se está  diante de cada uma destas três situações  fundamentais  do Destino: Quando o Destino impede de atingir o Objetivo; quando os Meios Efetivos para alcançar tal Objetivo são vislumbráveis, faltando no entanto  tais Meios, no Espaço ou/e no Tempo.

                O  Ser Humano não é livre  para evitar  as consequências de seus  atos, mas Ele é dotado de uma  ESPONTANEIDADE  ELEMENTAR  pela qual  Ele é capaz de  escolher que caminho quer seguir.

                Todavia, para que Ele possa trilhar este caminho escolhido, Ele precisará estar -  consciente ou inconscientemente - irmanado com as Leis  da  Fatalidade Suprema,  sob pena de tudo falhar .


                 De algum modo, Ele precisará fazer com que a sua vontade dentro da sua escolha, e seja una, e esteja irmanada com a Fatalidade Suprema. De várias formas especificas pode o homem alcançar seu objetivo de vida; mas qualquer que tenha sido esta fórmula particular, para que esta formula seja eficiente, para que COM ELA se consiga de fato chegar, onde se PLANEJOU, será necessária uma rigorosa submissão aos Sagrados e Invioláveis ditames  da Fatalidade Suprema, acrescida das Leis de cada uma das Sete Ciências Básicas = Destino. E note-se bem: nem todas as escolhas que se possa fazer são compatíveis com a Fatalidade Suprema e com as Leis das Sete Ciências Básicas. Para a grande felicidade da Humanidade,  as escolhas egoístas são  rejeitadas  pela  Fatalidade Suprema e pelas Leis  de cada uma das Sete Ciências Básicas, que formam o Destino.

                Quando o homem nasce, encontra-se já diante de um Mundo  que o compele; que quase o arrasta  a um determinado fim. Nós não escolhemos, por exemplo, a maternidade onde nascemos, a casa onde iremos morar, a família que temos; não escolhemos a comida que iremos ingerir; a natureza dos ensinamentos e exemplos  de comportamento que nos serão fornecidos. Não escolhemos os Sentimentos,  que os outros terão em relação a nós, e nem o modo pelo qual haverão, em vista destes Sentimentos de tentar aceitar, compreender  e modificar nossa natureza. E nem pense que esta situação inicial restringe-se a fatores de ordem externa: nós também não escolhemos nossas deficiências congênitas, e nem a delicadíssima  estrutura do nosso código genético.

                Pois bem,  todo este conjunto de fatores exerce influência sobre nós;  de modo que a perspectiva de realização de um determinado caminho de vida  torna-se, em princípio,  mais difícil que outros.
                   Há um  conceito de Destino, segundo o qual estas circunstâncias determinariam de tal modo o nosso futuro, que nada poderíamos fazer para modificá-las: “pau que nasce torto morre torto” é um exemplo de aplicação ao domínio Moral desta ideia do Destino.

                Há também outro conceito de Destino, que o faz derivar inteiramente da vontade individual, como se esta não estivesse e nem precisasse estar adequada a nenhum principio, a nenhuma regra, a nenhuma disciplina. Esta concepção do Destino é muito bem retratada na presunçosa afirmativa: “Eu sou o dono do meu nariz”.

                A perspectiva Positivista do Destino representa um ponto de equilíbrio entre as necessidades de  Ação e de  Resignação, conforme pode ser visualizado, no trecho do diálogo que se segue, do Catecismo Positivista - Pag. 55 da  IV  Edição Apostólica - 1934 : adaptada  à linguagem mais  acessível.

A Mulher Pergunta: Meu Pai (...) julgo que a Fé Positiva (isto é, a Crença Fundamental de que todos os fenômenos estão submetidos ao Império das Leis Naturais), seja muito satisfatória para a inteligência, mas muito pouco favorável à atividade; que a Fé Positiva parece fazer subordinar tudo, à Inflexíveis Destinos. Mas como o espirito (inteligência) positivo surgiu da vida prática, não pode o Destino ser contrário a esta mesma Vida Prática; qual é, portanto a harmonia geral entre o Destino e a Vida Prática?

O Sacerdote Positivista responde: Para conseguir tal harmonia, minha filha, basta corrigir  a visão espontânea que faz considerar as Leis Naturais como imodificáveis ou imutáveis de modo absoluto.

Enquanto os fenômenos  foram atribuídos às vontades  arbitrárias ( no Fetichismo), a ideia de uma Fatalidade absolutamente Imutável, foi a única forma de atenuar uma ideia diretamente incompatível com toda ordem efetiva, isto é, com toda regularidade previsível, passível de ser planejada.

A descoberta das Primeiras Leis Naturais, tendeu depois, com o passar do tempo, (do  Fetichismo para o Politeísmo),a manter esta disposição geral, de uma Fatalidade  Absolutamente Imutável; isto se explica, porque tal descoberta, as Leis Naturais Iniciais, referiu-se aos fenômenos astronômicos, que estão, de fato, totalmente acima da intervenção e modificação humana.

Mas na medida em que o conhecimento do mundo exterior e do homem,  tem se desenvolvido, isto é, ocorrendo a Positividade Espontânea, notamos que a ordem que preside a tais fenômenos, tem sido considerada como Modificável, até por nós seres humanos; e tanto mais modificável, quanto mais os fenômenos se complicam.

Esta noção da Fatalidade Modificável ou Destino Modificável, isto é,   Manobráveis, vai hoje até a própria ordem celeste - Mecânica Celeste, cuja simplicidade superior, nos permite imaginar subjetivamente, com maior facilidade a sua harmonia, evitando assim, um comportamento de respeito excessivo, para não modificá-lo, embora nossos fracos meios físicos, não possam realizar tais sugestões de modificações.

Quais quer que sejam os fenômenos, sem excluir os mais complexos,  suas condições básicas são sempre imutáveis; mais por toda parte, as disposições secundarias podem ser modificadas, até pela nossa intervenção.

Tais modificações em nada alteram a invariabilidade das Leis Naturais, visto como  tais modificações nunca se tornam arbitrárias. A Natureza e a extensão destas modificações seguem sempre regras próprias, que completam o nosso domínio  científico.

A  rigidez total  do Destino, é tão contrária a própria noção de Lei Natural, que estas mesmas Leis Naturais se caracterizam   como a constância no meio da variedade.

Assim, a Ordem Natural ou Destino é sempre uma fatalidade modificável, ( os parâmetros  das  Equações, se modificam, no entanto as Leis Naturais são imutáveis) que se torna a base necessária das modificações artificiais. Nosso verdadeiro destino compõe-se, pois de Resignação e de Atividade. A Condição de Atividade, longe de ser incompatível com a condição de Resignação, repousa diretamente sobre ela.

Uma escrupulosa submissão às Leis Naturais é o único preventivo  contra o caráter vago e instável dos nossos desígnios quaisquer, permitindo-nos estabelecer segundo as regra secundárias de modificação, uma sábia intervenção.  

Eis ai como o Dogma Positivo consagra diretamente a atividade de um modo, como nenhuma síntese teológica o poderia fazer. Este desenvolvimento prático, torna-se inclusive o principal regulador  de nossos trabalhos teóricos relativos ao Destino ou Ordem Universal e suas diversas modificações.

Para algumas pessoas, mais que para outras,  a ideia do Destino está estritamente  associada à existência de Deus; o que se por um lado, tende a tornar o Destino menos ameaçador, o faz também menos compreensível: “Deus escreve certo por linhas tortas”- “ Meu destino só quem sabe  é Deus,”etc..

Estas Pessoas creem no Destino, chegam mesmo, como nós, a supô-lo benigno, visto como estas pessoas subordinam o Destino ao SUMO BEM ou DEUS; mas infelizmente não chegam ao ponto de querer investiga-lo mais a fundo, conhecendo sua  intimidade, visto que consideram o Destino incompreensível, supondo mesmo que o próprio desejo de perscrutar seus arcanos ou sentenças do Destino , seria  já  uma atitude  afrontosa para  com DEUS. 
 
Aliás, a concepção de Deus jamais preservou completamente o Homem do pessimismo com que, por vezes, encara o Destino: está  “Ao Deus Dará” equivale a estar numa situação desoladora, entregue à própria sorte, sem nenhuma ajuda terrestre, e  com uma duvidosa proteção celestial.

           Os  gregos da antiguidade concebiam que o Ser Humano já nasce com o seu Destino definido; a linha mestra da Vida já está traçada; e que para eles era imutável, representando o Destino               (MOIRA) o caminho da Vida.

          O Destino é o “Vetor Resultante”, que expressa à felicidade/sucesso ou infelicidade/insucesso, dentro do caminho da Vida que cada Ser Humano pode percorrer e atingir; considerando o seu Caráter ( perseverança, coragem e prudência), ao ser afetado  pelos 7 Sentimentos Egoístas; e, de acordo  com  o seu grau de Inteligência, define a “Resultante da Personalidade”, e pelos três  Sentimentos  Altruísta define a Sociabilidade; que ao ser introduzida no “Universo dos Vetores” formados pelas “Equações Paramétricas” definidas pelas 15 Leis Naturais Imutáveis da Fatalidade Suprema, complementados pelas Leis Naturais de cada uma das Sete Ciências Básicas = ao  Destino, vem a dirigir o fluxo do nosso Destino, segundo Augusto Comte que, as percebeu, e por alguns poucos compreendida e por muitos ainda desconhecida.

                O que apresentamos neste livro é a Fatalidade Suprema, que está correlacionado com o Destino, cujo estudo deixaremos para que as próximas gerações, que tiverem competência dentro do campo da Moral Positiva, deem prosseguimento, ou  se  tivermos tempo, para nos dedicar a este campo, daremos continuidade a este trabalho maravilhoso, que só trará beneficio a Nossa Espécie Humana, caminho este deslumbrado inicialmente  por  Augusto Comte.

                O que deixamos registrado é que os “Vetores”  da Personalidade e da Sociabilidade, de cada Indivíduo, de cada Família e de cada  Pátria , ao  serem  postos em  contato com o “Universo de Vetores”  formados pelas “equações paramétricas”, definidas pelas  15 Leis Universais  Imutáveis  e incrementadas  pelas  leis especificas de cada uma das 7 ciências básicas, afetam as “variáveis” destas “equações  paramétricas e de suas  respectivas equações restritivas”; e como todas esta estão concretamente falando relacionadas entre si, e por sua vez também moldam a Personalidade e a Sociabilidade, dando  como desfecho à grandeza de um “vetor resultante final”,  que é o Destino, de cada Indivíduo, de cada Família, de cada  Pátria e  finalmente da Humanidade,  em nosso  Planeta Terra.
                Como sabemos, a evolução da nossa Personalidade e da nossa Sociabilidade é possível;  quando de nossa  Educação por meio  dos Ensinamentos Sábiossobre os Sentimentos  e o  Nível de nossa Inteligência, na formação de nosso Caráter. Assim sendo, o aperfeiçoamento Moral Positivo, Intelectual e Prático da Espécie Humana, acompanha uma adaptação progressiva do conjunto da nossa Vida  às Leis Naturais,  ou seja, ao aspecto imutável da Fatalidade Suprema; bem como uma perfeita utilização das mesmas Leis  Naturais no que estas apresentam de modificável; ou seja o aspecto modificável desta mesma  Fatalidade Suprema, no que tange  aos seus  parâmetros .

       Finalmente, a Educação Positiva, por meio da Moral Teórica e da Moral Prática, trarão  condições fabulosas  para que haja  uma substancial melhoria  para a Sociabilidade da Espécie  Humana na Terra, algo percebido por Augusto Comte e Clotilde de Vaux e, que até hoje em dia, apenas, poucas pessoas conceberam.

        Este livro foi elaborado com bases científicas, isto é, nada de Ficção (Fetichismo e Teologismo) e Metafísica. São 375 paginas

        Desejamos  Sucesso na sua Leitura. Não pode ser comercializado – Propague de forma gratuita – Registro Fundação Biblioteca Nacional – Escritórios de Direitos Autorais -  121.936 – Livro 188 – Folha 5 – 04/11/1996
                                                    Saúde, com Respeito e  Fraternidade. 

Os Autores
Paulo Augusto Lacaz e Hernani Gomes da Costa

Nota: Fatalidade Suprema = Filosofia Primeira.
Ordem Natural = Destino = Filosofia Primeira + Filosofia Segunda (Fatalidade Suprema)               
 www.multimania.com/clotilde/urls.htm  o link na pagina de Clotilde está errado                                                                    

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Índice

1) INTRODUÇÃO  E ASPECTO ESTÁTICO E DINÂMICO DA ABSTRAÇÃO.
                1.1 - Considerações  Gerais sobre o Aspecto  Relativo e Subjetivo das Noções Positivas.
                1.2 - Conceitos Fundamentais.                
2) TEORIA  DINÂMICA OPERACIONAL DA ABSTRAÇÃO.
                2.1 A CLASSIFICAÇÃO  DOS  SERES  - SER  CONCRETO E  SER ABSTRATO
                2.2 O TRABALHO DE  ABSTRAÇÃO  OU OPERAÇÃO DE ABSTRAÇÃO
               2.3 COLABORAÇÃO DA INTELIGÊNCIA E PRINCIPALMENTE  DA CONTEMPLAÇÃO ABSTRATA
                2.4 O SENTIMENTO E  A AÇÃO  NA OPERAÇÃO DE ABSTRAÇÃO.
                2.5  ATRIBUTOS OU PROPRIEDADES / IDÉIAS OU CONCEPÇÕES / LEIS ABSTRATAS
                2.6  O ATRIBUTO OU PROPRIEDADE ABSTRATA
                2.7 IDÉIAS ABSTRATAS E TIPOS ABSTRATOS
                2.8 A EXPRESSÃO CIENTIFICA  DE UMA RELAÇÃO ABSTRATA
                2.9 DUPLO DESTINO DAS LEIS ABSTRATAS
3)  TEORIA DINÂMICA EVOLUTIVA  DA ABSTRAÇÃO
                3.1 O DESENVOLVIMENTO INTELECTUAL EM RELAÇÃO  A CAPACIDADE DE ABSTRAÇÃO.
                3.2  ABSTRAÇÃO NO POLITEÍSMO  E A  LÓGICA DAS LINGUAGENS.
                3.3  O MONOTEÍSMO E A MEDITAÇÃO
                3.4  A ABSTRAÇÃO NA DOUTRINA POSITIVA
                3.5 A LÓGICA POSITIVA
4)  A SEDE DA ABSTRAÇÃO
                4.1  A INSTITUIÇÃO  RELIGIOSA DO ESPAÇO
                4.2 AS HIPÓTESES PROVISÓRIAS
                4.3 ESPAÇO, A TERRA  E A HUMANIDADE.
                4.4 A CONCEPÇÃO OU A IDEIA DE ESPAÇO

5)  Parte   Anatômica e Estrutural  Do Moral e do Biológica no Encéfalo    
                5.1-  Aspecto Estático da Abstração Encefálica
                               5.1.1 - Órgãos da   Abstração
                5.2 - Aspecto Estático da  Biologia Encefálica
                5.3 - Os Oitos Sentidos  : As Impressões e as Sensações
6) Parte Fisiológica - Aspecto Dinâmico da Abstração - Moral Positiva do Encéfalo
                6.1 - Funcionamento Operacional  da  Abstração - Nível Individual
                6.2 - Funcionamento do Desenvolvimento  Abstrato - Nível Sociológico

7)  Parte Fisiológica - Aspecto Dinâmico da Biologia Encefálica.
                Dinâmica Operacional das Funções Orgânicas.
                Funções  Bio-Físico-Químicas do Encéfalo - Córtex etc..
                Sistema Límbico
                Programas  e  Sistemas do Encéfalo
8) Filosofia Primeira
                8.1 - Introdução
                8.2 - As 15 Leis Naturais e Universais - Quadro I
                8.3 - Enunciado das 15 Leis Naturais e Universais
                8.4 - As 15 Leis Naturais com as suas Aplicações
9) Filosofia Segunda
                9.1 - Introdução
                9.2 - Lógica ou Ciência do Espaço - Matemática
                9.2 - Física ou Ciência da Terra.
                9.3 - Moral ou Ciência  da Humanidade
                9.4 - Objetivos, Fins e Meios das  Sete Ciências

APÊNDICE          
                A) Alguns Artigos de Cunho Positivista.
                B) Apreciação sucinta  de alguns livros que tratam do tema Positivismo e Augusto Comte.
BIBLIOGRAFIA




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                  Dedicatória


Às Nossas Queridas Mães

Maria do Carmo Antunes de Oliveira Lacaz e Iara Nasri Isoldi Gomes da Costa

E
a Alfonsa Ana Orlando, Mulher de Paulo Augusto Antunes Lacaz, pelos méritos, devido aos estilos de comportamento, semelhantes aos de  Jeanne D’Arc, que muito tem colaborado para com o Positivismo; mesmo sendo ardorosa religiosa teologista.
                                  
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           Teoria  Positiva  da   ABSTRAÇÃO

                             ABS =  Para Fora   ( Prefixo )
                             TRAHO, axi, actum, ere = Puxar, Arrastar, Sacar com força. (Verbo Latino )

I) INTRODUÇÃO: 

Sobre  o Aspecto Relativo e subjetivo das Noções positivas

            Ao estudar-se a Teoria Positiva da Abstração, uma ideia fundamental precisa estar sempre presente ao leitor, pois sem ela, o conteúdo destas páginas não será tão bem assimilado.

Esta ideia fundamental, é a da  plena relatividade  e  subjetividade que o Positivismo estabelece para expressões tais como: objeto, corpo, coisa, ser, entidade, elemento, substância, estrutura, fenômeno, acontecimento, processo, evento, fato, propriedade, atributo, componente, essência, peculiaridade, característica, idiossincrasia, etc.

  Mas o  que quer dizer exatamente a  plena relatividade e subjetividade  destas expressões ?

                Em primeiro lugar queremos dizer que consideramos cada uma destas diversas expressões, acima relacionadas, como plenamente conversíveis; ou  seja,  podemos tanto considerar um Ser como um conjunto de fenômenos, quanto considerar vários fenômenos como representando as manifestações de um dado Ser .

                Em segundo lugar, queremos dizer que a escolha de uma ou de outra destas duas formas de considerar a realidade, varia em relação a cada questão que temos em vista solucionar, com os mesmos dados que dispomos.

             Enfim, queremos dizer que  a incidência específica de cada escolha particular, em detrimento da outra alternativa, provém do aspecto humano, que entra em jogo na resolução positiva do problema, onde estas expressões figurarem.

                Tomemos um exemplo: Nós  Somos  Seres   diferentes e separados  do Planeta Terra?

                Respondendo, diremos: se levarmos em conta que podemos nos mover livremente em Sua superfície;  se,  para a natureza do nosso problema específico, torna-se relevante a circunstância da nossa evolução pessoal poder dar-se com certa independência, das  transformações que se passam em pontos longínquos do Planeta;  se considerarmos ainda o fato do homem poder sobrevoar em Sua camada gasosa e de inclusive, já ter visitado outro astro; então, para esta questão, podemos postular que os  homens sejam  Seres diferentes e separados do Planeta Terra.

                Mas tal perspectiva, não é positivamente desejável para a totalidade dos problemas que a vida nos apresenta. Com efeito, existem questões cuja  solução positiva é encontrável com mais facilidade ( ou mesmo só pode ser encontrada), se adotarmos  a ideia de que o homem é uno com  seu Planeta;  e que os destinos humanos estão indissoluvelmente ligados aos destinos do Globo.
               
Aliás, diga-se de passagem, a própria palavra Humano, veio, em última analise, representar esta forma de considerar a  realidade, citada no parágrafo anterior; visto como HUMUS, não é outra coisa senão TERRA.
               
                Para não falarmos das duas bombas atômicas; se outro astro, por exemplo, estiver na rota de colisão com   nosso Planeta, de nada adiantará considerar-se que o homem pode  saltar ou voar. Ele será  atingido,  em virtude do planeta ter sido atingido.

Compreenda bem: não se trata de uma destas perspectivas ser, em si mesma,  mais  ou ser menos verdadeira; nem retratar mais ou retratar menos fielmente a realidade exterior que a outra; apenas cada qual está mais especialmente adaptada a esta ou `aquela questão, segundo as nossas exigências subjetivas de análise ou de  síntese*.Mas as duas são igualmente verdadeiras ao seu modo, e desde que não  consideremos  mais a pretendida forma com que cada uma poderia descrever melhor, e de modo absoluto a  realidade.
               
                A única diferença que nos cabe licitamente considerar, é a do grau de eficiência com que o problema proposto pode ser resolvido positivamente com o uso de uma ou de outra  destas  duas perspectivas; como  nossa subjetividade precisa optar por uma das duas; uma será considerada preferencialmente para todos os fins, Afetivos, Intelectuais e Práticos, da Humanidade, mais desejável que a outra, em relação `aquela questão particular;  eis como o Positivismo estabelece a posição geral de uma questão qualquer.

                Muitos outros exemplos análogos poderiam ainda ilustrar o que entendemos como a plena relatividade e subjetividade dos conceitos enumerados  no primeiro parágrafo deste texto, mas o caso que oferecemos, bem meditado, conduzirá facilmente a reconhecer a plena conversibilidade de todos  estes conceitos.

                Um aspecto desta plena conversibilidade dos conceitos acima enumerados, é a  substituição da mentalidade de Causa-e-Efeito pela mentalidade relacional, no que concerne à  Ciência propriamente dita. Tudo quanto a inteligência pode obter como resultado de suas operações interiores é a  constatação repetida de relações de sucessão e de semelhança cuja consideração de que são constantes,  nos levam à formulação abstrata das Leis Naturais que, por sua vez, correspondem a uma descrição generalizada dos diversos modos  de manifestação do  Mundo e do Homem.
               
                Em outras  palavras o que a Inteligência obtém por mais que haja, é sempre o “COMO ?”  e nunca o pretendido “POR  QUE ?” dos acontecimentos. Tal modificação na forma geral de  compreender o Mundo e o Homem é normalmente lenta, e só é obtida convenientemente, por intermédio de associações progressivas com as ideais que mais fácil e espontaneamente o indivíduo já conseguiu  positivar, ao menos no que concerne ao seu relativismo fundamental.

                Exemplo: Não cabe perguntar  por que um corpo cai; constatamos que ele cai; e a verificação repetida deste fato, dá-nos uma segurança íntima  tal, que nos sentimos confiantes ao afirmar que  no futuro os corpos continuarão apresentando esta mesma característica. Desde os mais arrojados e inéditos empreendimentos até aos mais simples e cotidianos dos nosso atos, repousam sempre sobre a crença na existência de uma fixidez elementar dos acontecimentos. Esta fixidez é o que no Positivismo se chama a Fatalidade Suprema acrescido das Sete Ciências Básicas formando o Destino.
       
                Nós não devemos afirmar que os corpos caem  por causa da gravidade; por causa da lei da gravidade; ou  por causa da força da  gravidade: as ideais de gravidade, de lei da gravidade e de força da gravidade,  consistem na descrição generalizada da própria queda dos corpos.  Dizer que  um corpo cai  por causa da força da gravidade etc., é a mesma coisa que dizer que um corpo cai por causa de que cai; isto não chega a estar “errado”, pelo menos não no sentido usual em que se considera que algo seja  logicamente contraditório; tais afirmações apenas  não acrescentam nada à  inteligência  sobre o comportamento dos corpos em questão: não é a queda  que faz o corpo cair. O corpo não cai porque tem peso ou massa, não é o peso ou massa que fazem os corpos caírem. É devido às observações seguidas  dos corpos em queda, que nós formulamos subjetivamente  as ideais de Lei da Gravidade, Força da Gravidade, Energia Cinética, Massa , Peso etc.; se forem usados para descrever o Mundo, são conceitos positivos, mas tornam-se metafísicos se forem usados para explicar por que o Mundo manifesta  tais atributos.

                A ilusão do espírito metafísico reside, pelo contrário, na suposição de que estaríamos  conhecendo algo de novo, ao recebermos a “informação”  de que  “o corpo cai por causa da força da gravidade”.

                Os conceitos sobre o Mundo e sobre o Homem, não são metafísicos  em si mesmos ; é o nosso modo de raciocinar sobre eles que os poderá tornar não só metafísicos, como teológicos ou positivos.

(*) Vale dizer (como adiante veremos), segundo a preponderância da atividade do órgão cerebral da contemplação abstrata ou do órgão cerebral da  contemplação concreta.

Um único e mesmo dado novo, que fosse simultaneamente apresentado à três indivíduos, cada um dos quais raciocinando segundo um destes três modos de compreensão do Mundo e do Homem, seria convertido, por um,  numa  concepção teológica;  por outro,  numa concepção metafísica, e pelo terceiro, numa  concepção positiva; em outras palavras,  o primeiro explicaria tal fato como o efeito  da vontade  Divina isto é, de  Deus;  o segundo , consideraria  este mesmo fato, como um efeito  de forças, fluidos, energias etc.; enfim, o terceiro consideraria somente o fato e apenas o fato; num  esforço  único de  conhecer a Lei Natural que lhe é peculiar, e , onde  tal fato poderia ser melhor enquadrado na Escala Enciclopédica (Matemática, Astronomia, Física, Química, Biologia, Sociologia Positiva e a Moral Positiva) .

                O  Positivismo não se propõe a explicar os fatos : sabemos que o que a inteligência faz, e as conclusões  a que ela chega são apenas  o elaborado reflexo subjetivo destes mesmos fatos;  dizer que as concepções  que formulamos  sobre os fatos, serviriam para os explicar,  é mais ou menos, como dizer que a imagem que o espelho reflete serviria para explicar o fenômeno que a sua superfície reflete.

                Não se trata como muitos mal curados metafísicos (Stuart Mill, Littré, Wirouboff, etc.) disseram: que esta causa, ou esta essência tenham sido por Augusto Comte descartadas de suas   considerações filosóficas por estarem além da nossa compreensão e acima de nossas forças; raciocinar assim  seria ainda raciocinar em termos  de causa , efeito e essência.

                A questão não é que nós não saibamos, propriamente  o que as coisas são, e quais são as suas causas; trata-se a positividade de um modo de raciocinar no qual  simplesmente não se precisa servir  de tais conceitos, senão de um modo que lhe é  todo peculiar,  e comum  outro objetivo , que não é o de explicar o Mundo e o Homem.  A sensação que se obtém ao nos libertarmos da metafísica e entrarmos em  plena posse do estado Positivo não é a sensação de  ignorância,  como se tivéssemos que renunciar a um conhecimento novo, porém inacessível; o que percebemos é que no modo de raciocinar absoluto, quer  teológico quer metafísico, as questões apresentadas em termos de causa, efeito e essência não nos acrescentam nada à nossa inteligência  em matéria de novos conhecimentos, sobre o Mundo ou sobre o Homem.

                É com esta percepção que se pode abandonar verdadeiramente a metafísica, e não, continuando a raciocinar  em termos de causa, efeito e essência,  apenas suspirando de resignação  por se imaginar  que  um  suposto conhecimento  estaria  eternamente  além do nosso alcance.

                Não se pode compreender bem este arrazoado senão na medida em que nós já o houvermos  vivido em um mínimo grau; e todos nós já passamos por esta experiência, pela simples razão de que  antes de termos recebido a metafísica, e a  teologia dos adultos, nós já raciocinávamos sobre o mundo e sobre o homem, segundo uma perspectiva que é, no fundo, a mais próxima do estado final do entendimento.

              Assim, é de grande auxílio em nosso trabalho contínuo e progressivo de positivação, evocarmos as recordações desta época de nossas vidas,  onde  inauguramos  nossas primeiras tentativas  de compreensão da realidade,  tentativas estas aliás,  realizadas  de um modo  incomparável  com qualquer outra fase de nossa evolução  individual.

                Não há dúvida  de que estas evocações da infância  não devem absorver o conjunto  da nossa atividade prática:  a Filosofia Positiva nos convida  a viver para outrem, não  para  ontem. Tais exercícios só devem fazer parte de nossa vida  na qualidade de um meio com o qual  nós nos haveremos de aperfeiçoar  mais e mais; e não podemos esquecer  nunca que o grau de aperfeiçoamento é aquilatado  precisamente  pela maior disponibilidade  de vivermos  para outrem.

             Outro fato digno de nota que verificamos quando passamos do estado metafísico ao positivo, é a imensa compreensão e admiração pelos esforços, que nos foram legados  pelos demais filósofos. Por menos que possamos comungar intelectualmente  com as suas opiniões, a comunhão afetiva com o seus esforços  torna   mais intima  a nossa ligação com eles, do que se  deles  nos tornássemos  os seus  mais  ortodoxos adeptos.

               Uma vez que se tenha compreendido profundamente que as respostas causais (os porquês ) não acrescentam nada em matéria de novos conhecimentos dos corpos, sendo apenas uma forma de caracterizar o seu próprio modo de ser espontâneo tal como a observação já nos havia diretamente  revelado. O espírito geral de nossa filosofia contudo, é o de sempre conservar  melhorando; assim , esta transformação  nos hábitos de raciocinar não deve corresponder `a universal excomunhão da palavra porque do nosso vocabulário; uma vez que isto constitua o nosso modo habitual de raciocinar, tornamo-nos  então, e só então, aptos para iniciar o reaproveitamento doravante subjetivo do porque; aplicando-o fetichicamente como representando a vontade peculiares aos corpos quaisquer: com efeito, um modo mais elegante, mais maduro de dizer que  “o corpo cai, por causa de que cai”,  é dizer que  o corpo cai,  porque quer cair.     
            
               Esta  modificação do entendimento humano não se limita a exemplos de natureza física; ela é extensiva  a todos os degraus da escada  enciclopédica - desde a Matemática até a Moral Positiva.
               
                Quando dizemos “que tudo é relativo, e que este é o único princípio absoluto”, não estamos com isto querendo dizer que tudo possa ser indistintamente certo ou errado; relativismo não é sinônimo de ambiguidade ou de indefinição; dizer que tudo é relativo,  também não é dizer que tudo é possível.
                            
           Tudo quanto queremos dizer com isto, é que  os acontecimentos estão relacionados uns com os outros e todos conosco. Em outras palavras, dizemos que  como tudo está relacionado com tudo, esta proposição torna-se a  única que  não esta relacionada a nada; pois se estivesse  relacionada  com algo; o  “ tudo” de que ela trata, já não seria tudo, mas apenas parte de um todo. Relativo é, portanto,  sinônimo de  relacionado.

       O processo de relativizar quaisquer dos nossos conceitos recebeu extraordinário desenvolvimento primeiramente com Copérnico, astrônomo polonês; e depois, com Galileu, astrônomo italiano, fundador da física e continuador das ideais de Copérnico contra as de Ptolomeu; estas ultimas usadas pelos doutores da Igreja, que faziam da Terra o centro do Universo.
{Vide algo mais recente a ser confirmado).
            Com efeito,  a compreensão de que,  na questão do  movimento, tudo consiste  em estabelecer  um referencial considerado fixo, e manter este referencial, ao longo de toda a descrição do movimento correspondente, foi o que marcou nitidamente a separação, que em breve se tornou  progressiva do  espirito teológico, em relação ao espirito positivo, então  emergente.

                É muito comum ouvir-se que Galileu disse: “ Não é a  Terra  mas sim  o Sol  o centro do sistema planetário”; decorrendo  desta sua proposição  toda a  antipatia  do Clero Católico de sua época. Mas,  a questão foi além disto, na realidade bem mais profunda: não se tratou  tanto de um novo fato que  viesse chocar  algum item do  Dogma Católico, muito embora o tivesse feito; o que Galileu realmente induziu, instituindo desta forma um novo modo de raciocinar, abrindo uma nova dimensão para o entendimento humano foi que, tanto faz  tomar o Sol, a Terra , ou qualquer outro ponto do Universo, como constituindo um referencial de fixidez, os resultados da descrição dos movimentos destes corpos,  serão sempre  equivalentes, uns aos outros, contanto que  não se mude, para cada caso considerado, o referencial  que  inicialmente se adotou.

                A escolha propriamente dita, do referencial, é puramente subjetiva, visto que como qualquer uma  destas escolhas é capas de descrever a realidade  do movimento dos astros  com  o mesmo grau de coerência interna, regidas pelas mesmas leis da astronomia. O que o Clero percebeu com profunda e lúcida clarividência, foram as mais remotas consequências deste novo modo de raciocínio , aplicado diretamente sobre a Divindade, visto como a relativização do movimento, conduz  necessariamente a substituição da noção de causa e efeito pela noção de relação ( Lei Natural), em tudo quanto esta  primeira noção dependa  do movimento.

                Se Deus, que é a própria  personificação do absoluto fosse considerado  relativo, tornar-se-ia  ipso facto contraditório em si mesmo, e, deste modo, o dogma teológico se ruiria, a começar por sua  própria base,  desmoronando todo o seu edifício sem excetuar os seus próprios princípios morais, que , mais longínquos e mais frágeis ficariam  mais diretamente expostos aos  sofismas de um  egoísmo cada  vez mais refratário à qualquer disciplina. Isto aconteceu, e cada vez mais vem acontecendo na  pratica. A teologia esfarelando-se com o tempo, vem provocando desta forma, mais e mais destes farelos,  que são as diversas  seitas protestantes.

                Uma outra característica do espirito positivo, é a compreensão de que  toda definição é no fundo  tautológica (uma repetição em outros termos daquilo mesmo que queríamos definir), de modo que  tudo quanto conhecemos são as nossas experiências subjetivas e que nenhuma palavra é efetivamente  capaz de substituir; conquanto  sirva-nos para evocá-las a nós mesmos e no ato da comunicação. A demonstração deste princípio é na realidade bem simples: Basta-nos considerar um Dicionári : uma palavra é sempre definida (quando não diretamente pela experiência sensível ) por meio de outras palavras; ora, o número de palavras com que a Humanidade se serve para se comunicar embora seja  crescente, é necessariamente finito; como de resto todas as suas produções. Assim o resultado final de uma definição qualquer, será sempre uma proposição na forma de um derradeiro dualismo, expresso como o que se  segue : a   é  b .

                Sendo o  a representado pela palavra que queríamos definir, e o b,  representado por todas as demais palavras do conjunto de todos os dicionários, de todos os tempos e lugares

                Como  não há nada  além de a e b, tanto faz definir a como b  e b como a estaremos sempre dizendo apenas que  a é a e b é b.

                E como definir é dizer o que uma coisa é; e dizer o que uma coisa é, para os metafísicos, pelo menos, significa supostamente conhecer a essência de que o Ser é constituído; segue-se que todas as   tentativas de estabelecer um conhecimento essencial, não é capaz de nos informar sobre nada de  novo, a respeito dos corpos; por mais que façamos, só podemos nos "informar", que um Ser é o que  é, isto é, ele mesmo; como alias, já "sabíamos".
               
                Pelo reconhecimento geral da validade deste raciocínio, fica então estabelecido no domínio das nossas quaisquer definições, um profundo espírito de relativismo, transformando o caráter geral das definições, de Objetivas em Subjetivas, tornando-as de essenciais em  relacionais.

                As nossa definições, por mais bem  elaboradas que possam ser,  apenas  nos serão capazes de dar  o conhecimento das relações que unem o Homem ao Mundo e o Mundo ao Homem; elas não explicam os acontecimentos, apenas o descrevem tal como são para nós. 

                Vejamos agora, como se dá operação da conversão de um a outro destes dois modos de raciocinar:
                 Em primeiro lugar, esta conversão é tudo menos instantânea: certas noções tornam-se, conforme a  natureza de cada indivíduo, mais ou menos facilmente transformáveis; havendo necessidade vital, sobretudo para nós que fomos educados no absoluto, de um contínuo exercício de aplicação dos princípios acima descritos às nossa noções quaisquer, com um particular esmero principalmente quanto  àquelas que  mais diretamente se ligam  ao nosso egoísmo, que são, não só as mais difíceis de  relativizar, como ainda  as que mais  oferecem obstáculos à relativização das nossas  outras noções.

                Em segundo lugar,  o pleno advento da  não-causalidade e da não-essencialidade  é, por assim dizer,  preparado  por uma  consideração  de caráter  transitório. Tal consideração transitória possui a característica de,  ao mesmo tempo em que  não chega a  eliminar a noção de causa, efeito e essência, prepara  o conjunto da nossa subjetividade (Sentimento, Inteligência  e Caráter), para esta mutação evolutiva, através da vida prática. Trata-se agora pois, de uma consideração de ordem essencialmente prática, assim como as considerações ilustradas pelos exemplos anteriores de Galileu e do Dicionário,  foram  de um caráter mais diretamente intelectual. O espirito prático encontra-se em permanente necessidade de deter suas especulações, mesmo quando justas, sempre que este acréscimo ameaça tornar-se ocioso, não correspondendo de fato a nenhum incremento  sensível de eficiência em suas operações. Assim, as ideais de causalidade e de essencialidade são, pelo espírito prático, detidas, contidas espontaneamente, para que a resposta de um por que não implique na prática, em  restabelecer-se a questão mediante  um novo por  que, acarretando   Dúvidas em cima de dúvidas. O mesmo tipo de raciocínio aplica-se à   pergunta -  O que é ? - correspondente à essencialidade. Estas considerações de ordem prática  não chegam, bem entendido, a  transformar plenamente  a forma de raciocinar teológica e metafísica,  na forma de raciocinar  positiva, mas são como que a antecâmara da positividade;  elas possuem a vantagem  de  oferecer um esboço de consciência e de  disciplina, aplicáveis desde já mesmo para aqueles cuja a inteligência ainda se encontra mergulhada no  absoluto. Esta consciência e esta disciplina  são oriundas da aceitação da finitude necessária das nossas concepções e sua meditação continua impõe em breve uma grande questão teórica, cuja  plena resolução  nós sentimos que, vai sendo gradativamente adquirida, somente na medida em que   algumas de nossas noções  já começaram a mobilizar-se rumo a  sua  transmutação final.

                Em terceiro  lugar, vem as considerações  de  caráter  diretamente afetivo, revelando-nos agora a ligação  que existe entre as noções absolutas  de causa,  efeito  e  essência,  aos instintos  egoístas; bem como a  ligação  íntima  das noções relativas de não-causalidade e de não-essencialidade com os instintos altruístas.     

                Até o advento do Positivismo Sistemático, tais questões vinham sendo abordadas sob a influência direta  da mentalidade e da sentimentalidade absoluta ( teológico-metafísica), que fazia-nos  crer na possibilidade de um conhecimento do mundo exterior independente das peculiaridades afetivas , intelectuais e práticas da nossa própria natureza; ou ainda mesmo, na crença de que tais  peculiaridades seriam os instrumentos por excelência de revelação  da realidade. Buscava-se assim um conhecimento da realidade  tal como ela é ; ao  invés  de um conhecimento da realidade tal como ela é para nós .Mas também é preciso não esquecer que este relativismo embrionário  sempre foi mais ou menos pressentido, faltando apenas  a coordenação explícita e generalizada destas sábias intuições  espontâneas.

                As filosofias anteriores ao Positivismo, tendiam, por assim dizer, a isolar os conceitos que enumeramos no primeiro parágrafo, e cuja  conversibilidade só Augusto Comte instituiu de modo completo ;  não é pois errado dizer  que  os únicos livros onde pode ser  encontrada a ciência em seu estado plenamente Positivo, são as suas obras; em todas as demais  haveremos de nos deparar, aqui e ali, com componentes  metafísicos mais ou menos  presentes e intensos.

                Embora  à primeira vista estas considerações  pareçam tornar mais nebulosos os nossos dilemas morais, as nossas questões teóricas, e as nossas resoluções práticas; uma análise mais minuciosa percebe logo suas imensas vantagens de todo gênero :

                Em primeiro lugar, este pleno relativismo evidência diretamente o papel necessário que as  emoções humanas desempenham não só na resolução de nossos problemas  quaisquer, como na sua própria formulação; minimizando assim os graves riscos a que, de outra forma, ficaríamos expostos na medida em que passássemos a imaginar que a inteligência, sozinha, sem a influência afetiva, pudesse  dar conta de todos os seus problemas.

                 Uma vez que  se torna  cabal esta participação afetiva, o próximo passo, que logo se segue, sob pena de um profundo desarranjo do conjunto de  nossa subjetividade,  é a descoberta da  natureza das afeições que, uma vez preponderadas, melhor prestam-se `a clarificação e resolução das nossas questões.  Vemos então, que o Amor  é sempre a chave mestra para a obtenção destas respostas; e que  a própria ideia de que  a inteligência  funciona isolada não foi nunca senão no fundo, um sofisma  inspirado,  sustentado e desenvolvido diretamente pelos sentimentos egoístas.
       
Exemplo : “ Amigos, amigos;  negócios à parte”; “Eu sou um profissional lllll !, deixei o sentimento em casa”. Deixou provavelmente o Altruísmo em casa, mas trouxe um grau elevado de egoísmo, para efetuar o trabalho.

                Em segundo lugar, a inteligência mesma,  torna-se diretamente estimulada, pois abrindo mão do  conhecimento absoluto, ela  reconhece o seu próprio modo de operação, devotando coincidentemente   todas as suas forças à  resolução do que corresponde de fato à missão subjetiva de seu trabalho espontâneo .

                Enfim, o Caráter, que  talvez pudesse  ressentir-se dessa interposição filosófica tão questionante da realidade, solicitando desta  forma uma sobre excitação da prudência, ( com consequente  implemento de perplexidade) recebe,  pelo contrario, do relativismo e do subjetivismo positivo, um poderoso impulso; graças à  profunda comunhão que o homem passa a adquirir com tudo que  o cerca: se o conhecimento não é senão a  relação  recíproca estabelecida entre o mundo e eu ; então, quanto mais intensa e vasta  puder tornar-se  esta relação, maiores serão  as possibilidades efetivas de conhecê-lo e consequentemente mais fácil e  sistemática poderá  tornar-se  a minha  Ação.

                Eis como Augusto Comte sintetiza tudo quanto viemos  expondo nesta introdução :     


        “ Subordinar o Progresso à Ordem, a Análise à Síntese, e o Egoísmo ao Altruísmo; tais são os três enunciados, prático, teórico e moral, do problema humano, cuja solução deve constituir uma unidade completa e estável, respectivamente própria aos três elementos de nossa natureza. Estes três modos distintos de pôr uma mesma questão, não são somente conexos, mas equivalentes, visto a dependência mútua entre a atividade, a inteligência e o sentimento. Apesar de sua coincidência necessária, o último enunciado sobre passa os dois outros, como sendo o único relativo à fonte direta da comum solução. Pois, a Ordem pressupõe o Amor, e a Síntese  não pode resultar senão da Simpatia: a unidade teórica  e a unidade prática são, pois, impossíveis sem a unidade moral; assim, a religião é tão superior à  filosofia quanto à  política. O problema humano pode finalmente se reduzir a constituir a harmonia afetiva, desenvolvendo o altruísmo e comprimindo o egoísmo: desde então,  o aperfeiçoamento se subordina à Conservação ( Ordem)  e o Espírito de Detalhe ( Analítico)  ao Gênio de Conjunto (Sintético) ” . Augusto Comte - Síntese Subjetiva – pag. 1.


        2) Conceitos Fundamentais.

        O SER CONCRETO  OU CORPO CONCRETO É O RESULTADO DE UM ARTIFICIO LÓGICO,  POR MEIO DO QUAL SIMPLIFICAM-SE AS OPERAÇÕES INTELECTUAIS, INCLUINDO AS OPERAÇÕES DE LINGUAGENS (CÓDIGO) DAS COMUNICAÇÕES TRANSMITIDAS, DECORRENTES DAS RESULTANTES DESTAS OPERAÇÕES INTELECTUAIS.

      Primeiramente deparamo-nos com as Sensações; tudo quanto a inteligência (entendimento) precisar considerar, por qualquer razão, como além destas sensações; este incremento necessitará ser compreendido pela inteligência, como uma elaboração de nossa subjetividade; considerando a existência Objetiva de uma Realidade Exterior, como um postulado teórico (fundamento teórico), plenamente válido e certo, mas ainda assim, um simples postulado teórico; que se destina a auxiliar  as nossas  elaborações  Afetivas, Intelectuais e  Práticas.
         
        Do contrário, recairemos ou  no Materialismo (1), isto é, no excesso de Objetivismo ;ou, então,  caímos no excesso de Subjetividade quer seja no Solipsismo do Tipo Górgias (2) , quer ainda nas Filosofias  do Bispo George  Berkeley e de seus discípulos (3).

            (1) O Materialismo - É uma pretendida Síntese Objetiva, que tomando por ponto de                                 partida a noção  de Ser, ao Invés  da  de Sensações, tende a substancializar de modo                             absoluto os Atributos, considerando-os, sob  forma Concreta, como Seres ou Corpos                             Concretos.
                                                               - O pensamento é uma  coisa que está dentro do cérebro
                                                               - A vida  é uma  coisa que esta dentro do Organismo
                                                               - A energia é uma  coisa  que esta  dentro dos  Corpos

                           Em síntese, podemos dizer que o Materialismo é uma das expressões filosóficas do                              coisismo , isto é, da tendência de considerar preferencialmente os atributos  como                                Seres Concretos , supondo que esta  tendência corresponda de fato a uma apreciação                            mais  correta, mais  autêntica, mais genuína e mais  verdadeira da realidade exterior.
                      
                          Fato digno de nota é que o Espiritualismo é um tipo refinado de Materialismo, haja                              visto como a alma , como entidade espiritual , queiram ou não os que nela creem , é                              sempre vista como um tipo de corpo; pelo simples fato de ser concebida como um                                Ser.
                       
             (2) O Solipsismo do  Tipo GÓRGIASGórgias, viveu a aproximadamente no Século 6 aC                     na Grécia ,tomou por ponto de partida  as Sensações; ele não efetuou contudo, a inferência                   necessária, por meio da qual, passamos a representar as Sensações, como provenientes de                    um Ser Hipotético, sempre quando isto nos for positivamente  mais conveniente; assim                        sendo, Górgias considerava que todo o Mundo era uma imensa alucinação dele - a                                Alucinação de  Górgias. Pois tudo que é dado  saber com  segurança existir  de fato, são as                   Sensações.


        (3) Filosofia do Bispo George  Berkeley  e seus Discípulos ; Segundo o Bispo Berkeley, que                   viveu  no Século XVIII, a Matéria  é um dos conceitos mais danosos  ao Homem, pois                          afasta-o de Deus;  com tal pensamento, procurou construir  uma  filosofia, na qual a noção                  de Matéria fosse dispensável à existência  Humana  e  à  compreensão dos acontecimentos.                  Postulou que a matéria não existe, sendo o que chamamos de   Mundo Exterior  é apenas                      uma ilusão, produzida  diretamente por Deus, em cada   alma, de modo que os únicos Seres                  de fato  existentes, são Deus , as Almas dos Homens e os Anjos (bons e maus)

Estas  duas Filosofias (2 e 3) estão,  num  certo sentido, mais próximas da perspectiva Positiva, pois partem como nós positivistas da Noção de Sensação, como elemento fundamental da Construção Filosófica . Considerados do ponto de vista  da coerência interna, cada uma destas duas Filosofias (2 e 3) oferece  respostas plausíveis e não contraditórias consigo mesmas. 

A escolha  da Síntese  Positiva (Síntese Subjetiva ou Subjetivismo Positivo) em  lugar  destas duas últimas (2 e 3), é uma prova  muito importante  e elucidativa  de como o AMOR  é  um elemento de caráter decisório, para a resolução de uma questão aparentemente tão  desvinculada de qualquer implicação emocional.

Com efeito, se os inconvenientes  intelectuais  tornam-se facilmente superáveis em cada um destes dois casos (2 e 3), os inconvenientes morais positivos que tais doutrinas encerram, foram de tal modo flagrantes, que jamais estas filosofias obtiveram um número expressivo de adeptos, tendo sempre que contar com uma ferrenha  Oposição  Universal.

Com relação à Górgias, os inconvenientes Morais de seus pensamentos  residem  sobretudo no fato  de que , se  só  EU  Existo, e tudo o que  me cerca  não passa de minha alucinação pessoal, ficará sempre ao critério  dos meus caprichos, modificar  tais alucinações , ao meu bel prazer, com a certeza, de que não estarei  de fato destruindo nada. ( Lógica Intelectual OK , mas Lógica  Moral  Negativa) - Isto está bem de perto  do que  conhecemos hoje, como  o  “brain-storming  Neo-Liberalista”.

Com relação ao Bispo Berkeley, os inconvenientes  acima citados, no caso de Górgias, valem também para sua filosofia; acrescidos ainda de que  Deus , que é  considerado por todos  os teólogos a Verdade Suprema, apareceria ai, como o Supremo Mentiroso, uma  vez  que levou  todas as pessoas, a crer  na existência  objetiva  de um  Mundo Exterior  Ilusório.

Quanto ao Materialismo, em suas diversas  modalidades ( do materialismo Matemático até  o materialismo Sociológico *) - Verificamos um inconveniente seríssimo, que é a presunção  de que um  elemento      absoluto da  realidade exterior, independentemente das relações  que esta realidade estabeleça para com o sujeito possa  servir como meio geral de explicação do mundo e do homem; um outro inconveniente estritamente  relacionado a  este, é a noção de que a unidade Humana, se estabeleceria por intermédio de um conceito Objetivo ou seja  relativo ao mundo exterior: A Matéria. A consequência disto ,é que  o Homem se torna, além dos justos limites, subordinado `a Matéria**. A Unidade Humana, pelo contrário, é obtida por intermédio do predomínio da Ideia de Humanidade que,  uma vez estabelecida,  permite formar, no devido grau,  o laço que une cada  pessoa  humana `a Terra e ao Espaço***

Embora o  Materialismo não seja  necessariamente concebido com esta finalidade egoística, torna-se ele muitas vezes a Doutrina que fornece o respaldo para que estes  instintos Egoístas,  sobretudo de posse ,  realizem um verdadeiro Culto Egoístico `a  Matéria  -  como o  Culto  Egoístico, por exemplo ao Dinheiro e aos bens materiais ( Capitalismo ).

Cumpre lembrar que o  Culto `a Matéria  persiste na  Síntese Subjetiva, mas  com enfoque Altruísta, sob a  noção de Culto ao  Gran Fetiche - a Terra - que  é a  base da qual emana o  Império Biocrático e também do Culto aos astros, animais e plantas.  Haeckel ao ler as obras de Augusto Comte , criou a palavra  Ecologia, tão em moda hoje em dia. Faltando-nos apenas   hoje, procurar atingir o que se poderia  chamar de Ecolatria (Culto) e de Ecocracia (Regime) ,componentes implícitos  da   Sociolatria  e  da Sociocracia, respectivamente.
       
        (*) por exemplo o Marxismo é um  Materialismo Sociológico; (**) o pensamento dos economistas constitui, via de regra, a expressão  desta tendência, mesmo quando chegam a entrever o aspecto afetivo das sociedades. (***) Vide na pagina 31, explicação para este termo.        
                        Pelo que vimos, devemos considerar plenamente lícita e desejável sob todos os aspectos, a inferência por meio da qual passa-se a considerar as Sensações, como manifestações de um Ser Hipotético, sempre que pressentirmos que esta consideração nos traga maior  facilidade em  resolver positivamente nossas questões ; e nunca nos esquecendo da natureza subjetiva desta Operação. Só quando se tenha estabelecido firmemente em nosso interior, tal relativismo e subjetivismo, é que  podemos passar a compreender o Mundo e o Homem,  sob  o ponto de vista  Positivo.
                Esta é uma das razões  pelas  quais  a Doutrina Positivista é denominada  Síntese Subjetiva
                Ser Concreto ou Ser Real  ou Corpo Concreto ou Corpo Real, é uma Suposição, (  o que se acredita ser uma realidade objetiva) ou Inferência (raciocínio, ou operação Cerebral elementar e espontânea), que o Encéfalo formula através das Sensações, baseadas nos oitos Sentidos ( Paladar, Olfato, Tato, Audição, Visão, Musculação, Calorição e Eletrição), interferindo na Inteligência, que vai frequentemente elaborando conforme a sua  experiência ou vivência ; e ao mesmo tempo vai coordenando as Sensações  e Grupos de Sensações , progressivamente registradas, formando a Ideia ou Concepção, oriundas das Imagens ou Informações  Objetivas do Exterior.
            Os Seres ou Corpos Concretos ou Reais e seus conjuntos de  Acontecimentos ou  Atributos ( ou propriedades, ou características , ou  especificações e os fenômenos etc.), que os caracterizam, nos levam  naturalmente,  num estudo sistemático a  separá-los.
          Este estudo das Propriedades  dos Seres Concretos ou Corpos Concretos, no Aspecto Estático ou no Aspecto Dinâmico, nas condições especificas ou generalizadas, é que nos leva a formar o que se denomina  Abstração. Assim  a coordenação destes Acontecimentos ou Atributos, independente dos Seres, isto é, já separados das suas sedes respectivas, constitui o Funcionamento Operacional da  Abstração .
           O Conjunto dos Seres Concretos ou Corpos Concretos, formam o Mundo . O Conjunto das 18 funções do Cérebro -(Psíquico ou Moral ) forma a  Alma do  Homem, que em conjunto com o Soma (corpo) , forma o Homem.
            Generalizando  a Instituição Mecânica  onde a Estática  representa  o equilíbrio -  a existência - e a Dinâmica representa o movimento; podemos conceber  a mesma idéia  de equilíbrio  e de movimento   extensiva a todo  o domínio enciclopédico. Estático quer dizer , na concepção Positiva, o arranjo, a estrutura,  a sistematização de elementos coexistentes, independente de qualquer  ideia de movimento. Na apreciação Estática de uma classe qualquer de atributo, conhecemos apenas  a ordem , a maneira pela qual o atributo é observado, independente  do seu deslocamento espaço-temporal.                                                                                                                        
                O Estudo  Sistemático  da Abstração, compreende Duas Partes, como pode ser visto no quadro II - Estudo  Sistemático da  Abstração.        
A Primeira  Parte(A)  é a da Anatomia e Estrutura, ou Aspecto Estático da Abstração, onde estudamos  a localização dos Órgãos ou Funções e suas interligações - Órgãos dos Sentidos, Nervos, Gânglios Cerebrais, Cérebro, Cerebelo e o Soma. Como a localização destes Órgãos não é perfeitamente visível, dependemos de estudos mais profundos de natureza subjetiva para a elaboração da Teoria Cerebral. 
O Positivismo utilizou-se de  Métodos  Subjetivos , baseados  na lógica e nas informações colhidas principalmente da sociologia, associadas às informações da anatomia. Hoje em dia os cientistas  estão muito preocupados  e dando somente muita    atenção, à constantes fatos soltos, colecionados pelas observações empíricas. Embora estas observações estejam de fato progressivamente submetidas à condições precisas de investigação laboratorial e mesmo tendam  já a um certo grau de coordenação lógica,  carecem ainda de uma  suficiente interpretação filosófica, capaz de as  ligar ao conjunto do edifício enciclopédico.
A Segunda Parte(B) é  a  Parte Fisiológica ou Aspecto Dinâmico da Abstração, isto é; o Estudo do Funcionamento Subjetivo dos  Órgãos por intermédio da manifestação de suas correspondentes  Funções.   
                                               Esta  Segunda  Parte está  dividida em duas Secções 

  •   A Primeira Secção (A), indica o Funcionamento da                                                                                           Operacional da Abstração, isto é, a Dinâmica Operacional   da Abstração.                                                  
  •    A Segunda Secção (B),  apresenta o Funcionamento do                                                                                  Desenvolvimento, isto é, o Aspecto Dinâmico Evolutivo da Abstração Humana.
Vamos nos deter  em  maiores  detalhes na Segunda Parte(B); e vamos deixar para o final  a Primeira Parte  (A).                                                                                                                                                            
# Segunda Parte(B) - Primeira Secção(A) - Dinâmica Operacional da  Abstração
 A  Dinâmica   Operacional   da  Abstração  se  processa diretamente em  três Órgãos  Distintos: -    Na Inteligência (1) (Contemplação, Meditação e Expressão), onde se registra a Imagem ; onde surgem as Ideias, que redundam no Pensamento; que influenciado pelos  Sentimentos (2) ( Egoístas e Altruístas)  e regulado pelo Caráter (3) ( Coragem, Prudência e Firmeza), define a resultante da Ação ou Execução, que é, codificado pelo Órgão da Inteligência chamado Expressão, que transmite ao exterior o seu estado Interior de Sentimento, Pensamento e  Projetos.            
         Abstrair é efetuar uma Operação Cerebral de separação das propriedades de cada Ser Concreto ou Corpo Concreto; e de  reunião destas propriedades às  propriedades semelhantes de outros Seres, ou Corpos Concretos fazendo de cada uma destas propriedades, um novo Ser ou Corpo à parte, que chamamos de Corpos ou Seres Fictícios ou Abstratos ou ainda de Fantasmas (alguns filósofos chamam de  Existência), e que isoladamente se estuda. A palavra fictícia, significa aqui, algo útil, que teve origem  em uma fonte de trabalho do cérebro. Devendo ser Real ou Utópica e não quimérica.
        Esta Operação de Abstrair  é a condição fundamental para que possamos efetuar qualquer estudo teórico ou prático de Procura ou Busca ou Pesquisa, para podermos descobrir as Leis Naturais que colecionadas  pelas sucessões e semelhanças dos atributos tratados, vão, passo a passo, construindo o edifício científico correspondente. Eis como entendemos as Ciências .
           Quando se estuda a Política Positiva de Augusto Comte - a palavra doutrina, não expressa só a Doutrina Positiva ( Culto, Dogma e Regime),  mas também  um elemento do binômio, que ela forma com a palavra Método. Nesta última significação a  palavra doutrina corresponde `as Leis Naturais que compõem  as Ciências. O  Método é a  modalidade de raciocínio, pela qual se pode chegar `a conclusão destas  Leis Naturais. A  Aplicação do Método a um Atributo cuja  Lei  se deseja conhecer, é dito Pesquisa ,ou Busca, ou  Procura.
      Estas Propriedades ou atributos, podem ser consideradas como as diversas  manifestações  dos Seres ou Corpos Concretos ; e, nesta significação, são os Seres ou Corpos Concretos em ação,   também conhecido como Fenômeno, isto é , provocados nestes Seres ou Corpos Concretos, devido aos seus atributos.
                Neste trabalho tivemos o cuidado de adaptar nossas expressões `a  linguagem corrente, de modo a não oferecer palavras  com uma significação diferente das usuais que o leitor  está espontaneamente   acostumado a usar . É assim que preferimos  não utilizar as expressões fenômeno e atributo, como sinônimos, muito embora  o aspecto relativo da Filosofia Positiva  permita-nos faze-lo sempre que desejável, como ficou demonstrado logo, no inicio deste trabalho. Nos textos  escritos por Augusto Comte encontramos  esta identificação.
Estas  Sensações  Abstraídas  podem ser generalizadas  e expressas na linguagem por :

  •  Adjetivos : que dão qualidades ao Ser -- quente, bruto, amoroso, redondo etc.
  •  Substantivos : palavra usada para determinar cada Ser-  livro, computador etc.
  •  Adjetivos Circunloquiais : que associam o adjetivo ao substantivo - Piriforme- de forma de pera  etc.    
  
  • Tudo que é relativo ao Mundo Interior do Homem, isto é, ao Sujeito que percebe o Mundo, chama-se Subjetivo.
  • Tudo que é relativo ao Mundo Exterior do Homem, isto é, ao Objeto que é perceptível pelo Homem, chama-se Objetivo.   
      A Abstração, de um modo geral, começa espontaneamente; mas só muito mais tarde, é que se torna  sistemática .
       A primeira  indução da espécie humana, consiste em representar  no cérebro, em caracteres gerais, de uma só vez,  todo  o espetáculo exterior, naquele instante.
                A  Operação de Abstração  é instituída como uma  necessidade de nossa inteligência, para poder estabelecer  as relações  de semelhança entre os atributos de vários Seres Concretos  e a relação de  sucessão destes  atributos  que se  ligam  entre si  pelas Leis Naturais.
                                                       
                Assim :Especulações Concretas se referem aos Seres ou Corpos (Concretos).
                Especulações Abstratas, se referem aos Atributos, ou propriedades ou características destes Seres  que se supõe como artificio lógico, existindo exteriormente.
                Desta distinção resulta a instituição dos domínios da Filosofia Primeira, que trata das Leis Naturais, comuns a todas as Classes de atributos, da Filosofia segunda ou Ciência Positiva, que compreende as Leis Abstratas a cada categoria de Atributo; e a Filosofia Terceira, que abrange as aplicações práticas , isto é , Aplicações Tecnológicas. 
                Uma  ciência concreta ( isto é, uma ciência correspondente à coleção das Leis Naturais referentes a cada objeto particular) é impossível. Vemos que a complexidade e as formas especiais das relações correspondentes existentes em cada Corpo Concreto,  revela-nos Atributos  que os distinguem de todos os demais Corpos do Universo. A propósito, uma Ideia qualquer não é dita abstrata ou concreta em si mesma, mas, em  comparação com uma  outra Ideia implícita ou explícita, que tenha sido tomada como uma espécie de critério subjetivo de aferição, para o problema específico que a inteligência  está tentando resolver; também, analogamente, temos que, na Música, uma nota só é designada bemol ou sustenido de acordo com as  circunstâncias peculiares de cada partitura em particular.                                                                              
                É impossível  a sistematização  completa, na realização de quaisquer dos nossos  atos mesmo  nos domínios  mais simples.
                Só a  ciência abstrata é plenamente  sistematizável, pois que , enquanto a apreciação concreta é sempre  especial ou específica, a  apreciação abstrata, permite inteira  generalização.
                Todos os elementos  que colaboram para nos revelar um Ser Concreto; todos os atributos que uma existência nos apresenta,  estão sempre  sujeitos às  Leis  Naturais, que são  comuns  a todos os Seres Concretos , em que se encontram  esse  acontecimento ou propriedade ou atributo.
                O conjunto das  Leis Naturais destes acontecimentos ou atributos ou propriedades,  que nos são conhecidas , constitui a Ordem Natural.
                A generalidade das  Leis Abstratas  nos permite as previsões seguras, o que não se verifica nos estudos concretos.    
                As  Leis Concretas,  puramente empíricas, que por ventura pudessem ser  obtidas, tomando como base as considerações  diretas  de assuntos  concretos,  só seriam verificáveis, para cada caso examinado e mesmo assim, com sérias limitações, visto como, a cada instante, o Ser  Concreto  se altera.
                Por maiores esforços que fizesse  nossa Inteligência, a procurar as diversidades dos casos  concretos, não só na existência  considerada como também nas circunstâncias externas com elas correlacionadas, obrigaria, em cada caso, a várias ou diversas deduções, o que tornaria totalmente impossível qualquer previsão.    
                Sendo a inteligência a função cerebral de nosso esclarecimento, para permitir a ação, ela deve necessariamente realizar previsões, o que exige como fundamento especial, o estabelecimento de  relações  gerais. Essa generalização obriga sempre a abstração dos Seres Concretos, nos seus diversos  atributos, para que estes sejam coordenados sistematicamente, a fim de constituírem os elementos necessários  ao estabelecimento  Indutivo  ou  Dedutivo das Leis  Naturais.
                Devemos considerar  como relativa a própria sistematização abstrata, em vista de afastar outros atributos, que influem  diretamente nos casos  concretos, sobre o  atributo estudado.
                Primeiramente as Sensações, e  em seguida as Imagens dos Seres Concretos é que constituem  sempre  a fonte  originária  onde  vamos buscar  todos os elementos para as nossas construções  abstratas. Na realização destas construções, temos de abstrair, desprezando  muitas vezes elementos  de influência real, na propriedade ou atributo considerado .
                Quando estudamos, por exemplo, as leis físicas da queda dos corpos, da dilatação; as leis  químicas,  da composição e da composição, etc. desprezamos sempre atributos cujas restrições se tornam indispensáveis na apreciação do caso concreto que se está investigando.
                Eis como a plena generalização nos afasta da realidade. O domínio da Filosofia Terceira  consiste no conjunto de conhecimentos concretos, em restituir àquela realidade, por meio de regras empíricas  ou coeficientes práticos destinados à conciliação entre  Abstrato  e o Concreto, de acordo  com o principio positivo da Síntese Subjetiva de Augusto Comte:  “ Para completar as Leis  são necessárias as Vontades”.
            As Leis artificiais instituídas pelo Homem para coordenar  as relações  de sua vida individual e social, devem sempre, e tanto quanto possível, refletir  as Leis Naturais do domínio biológico, sociológico e moral.         
            Os Economistas  encontram  nos Sistemas Sociais Adoentados pelo predomínio do Egoísmo, a manifestação da  pretendida  “Lei da Oferta e da Procura”, que mostra ou descreve um aspecto do Estado Patológico correspondente. Embora este aspecto do estado patológico possa ser plasmado em termos abstratos,  inclusive utilizando-se de recursos matemáticos, não é considerada tal expressão geral uma Lei Natural Positiva; inerente à natureza própria deste Sistema Social, e inextirpável deste; aplicável à pratica da tecnologia  Sociológica  Positiva, pois não expressa as condições do Estado Normal. Mas, a Sociologia Positiva  pode servir-se destas “ leis da Economia” ou, como seria mais acertado dizer, destes subprodutos de manifestações patológicas como indicações Sintomáticas do grau de perturbação  Egoística, presente  no Agrupamento Social considerado. A mesma lei pode se tornar Positiva, na medida em que o comportamento humano se torne mais Altruísta, alterando desta forma as suas variáveis, para que o resultado da utilização desta lei traga benefícios morais à sociedade, no seu todo, e possa representar doravante a indicação  de um estado de convalescença do Sistema  Social.
                 A  conhecida lei da Oferta e da Procura, não é uma Lei Natural; não expressa uma fatalidade inerente ao Modo de ser dos Sistemas Sociais; mas ela é uma ferramenta criada pelo homem, e que pode ser Positivamente utilizada como um indicador de sintomas de desequilíbrio social. Se existisse a preponderância do Altruísmo no grau em que a Filosofia Positiva  propõe e estimula, esta lei, bem como os seus fenômenos correspondentes, desapareceriam.
            Do mesmo modo, embora a diferença fundamental entre o estado geral de saúde e de doença seja uma diferença de grau, valendo tanto para um, como para outro destes casos, as mesmas Leis da  Vitalidade, notam-se alguns fenômenos  acessórios cuja a presença só é encontrável na doença; de modo que uma vez esta extinta,  extingue o fenômeno à ela associado.
                As Leis Naturais ou Relações  Abstratas, quer sejam  Indutivas  ou de Semelhança, quer sejam  Dedutivas ou de Sucessão, constituem, as bases  de todas as nossas previsões, e são as únicas que comportam a nossa Organização Intelectual. As limitações de nossa Inteligência, não nos permitem resolver diretamente os casos concretos e, por meio destes casos concretos, realizar previsões, que possam  facilitar  nossa Ação . 
                Temos por isso, que nos limitar a previsões gerais, baseadas  no conhecimento abstrato, e depois procurar a conciliação, em cada  caso concreto, com as circunstâncias especiais que o envolvem.
                A construção das teorias, a determinação da constância ou frequência no meio da variedade, para a indução e a dedução  das Leis  respectivas, exige como base ou fundamento, o trabalho intelectual de coordenação dos  atributos independentes dos Seres Concretos, isto é, a Operação ou Trabalho de  Abstração.  
                 Aspectos Dinâmico Operacional  e Evolutivo da Abstração.
                Verificada a necessidade da Abstração, passemos ao exame direto da maneira pela qual é realizada essa Operação Intelectual, bem como a sua Evolução, no que tange ao Desenvolvimento Humano.
A Dinâmica tanto Operacional (Moral ou Individual, efetuada no Cérebro do  Homem), quanto a Dinâmica  Evolutiva ( Sociologia  efetuada no  Cérebro da Humanidade), devem ser consideradas  como uma sucessão  gradual de  Aspectos estáticos.                                                                                                                             
O Progresso  das condições  anatômicas e estruturais, do Aspecto Estático  dos órgãos dos sentidos, dos nervos, dos gânglios, do Encéfalo e do Soma, repercutiu sobre       a capacidade { QA, QI e QC ( Quociente de Afetividade ; Quociente de  Inteligência; Quociente de Caráter)} e a competência  em seus diversos graus de intensidade.
No caso do Funcionamento da Dinâmica  Operacional de Abstração, o Aspecto Estático  representa  a unidade de Estrutura de Acontecimentos ( ou atributos, ou propriedades , ou características...) quaisquer ; e o aspecto Dinâmico Operacional, nos fornece o desenvolvimento desta Estrutura, isto é, uma pluralidade de estados sucessivamente modificados.                  
No caso da apreciação  da Dinâmica Operacional  da Abstração, esta nos mostra a inteligência preparando os materiais necessários  para o trabalho abstrato, decompondo os Seres Concretos, combinando e coordenando os acontecimentos ou atributos ou propriedades semelhantes, sempre sobre o mesmo aspecto  estrutural. 
A  Apreciação Dinâmica  da  Operação de Abstração nos apresenta as diversas etapas sucessivas que adquire o trabalho intelectual de Abstração, variando com as alterações que sofre o Conjunto  Geral das ideias ou Concepções Humanas, individuais ou coletivas que tem as suas origens  no Órgão da Contemplação Concreta ; com o maior grau de desenvolvimento da capacidade de abstrair, que vai aos poucos, sendo alcançado pela nossa Inteligência.
Para realizar, por exemplo, um raciocínio indutivo, o mais simples  da  geometria, necessitamos  proceder a um trabalho de Abstração, a fim de separar, por exemplo  a forma,  tornando-a independente de todos os outros acontecimentos ou atributos que acompanham o Ser Concreto. Na Realidade Exterior não encontramos Esferas e sim Corpos Esféricos.  Para estudarmos  as Leis Naturais Gerais  da forma geométrica em questão, precisamos  abstrair, separando,  nos Seres Concretos considerados,  a forma  esférica, e supondo inexistentes  a cor,  o peso,  e as demais propriedades físicas, químicas ou de qualquer outra  natureza, existentes nos Seres Concretos Observados.    
Do mesmo modo, o Funcionamento da Dinâmica  Evolutiva  da Sociedade Humana  se processa  por um caminho  análogo.
A passagem  da Inteligência  Humana pelos  diversos estados sucessivos de Fetichismo Espontâneo, Fetichismo Astrolátrico, Teologia Politeísta, Teologia Monoteísta, Metafísica Teológica, Metafísica Científica e Ciência Positiva, deveu-se também   a evolução  que ocorreu  no Aspecto Estático  , de cada órgão , moral ( Cérebro, etc.)  e o   Soma , durante estes milhões de anos que a nossa espécie vive aqui  no Gran Fetiche, transmitidos hereditariamente; à cada nova geração.
         II) TEORIA DINÂMICA OPERACIONAL DA ABSTRAÇÃO
  1)  A Classificação Subjetiva dos Seres - Em  Ser Concreto e Ser  Abstrato
                O trabalho  Intelectual de  Abstração ou  Operação de Abstração, como já foi dito, se baseia na Operação  de separação dos Seres Concretos, dos   atributos que se deseja estudar, para coordena-los  com os  atributos  semelhantes,  retirados  de outros Seres Concretos.
                Devemos, pois, para Abstrair, tomar previamente conhecimento dos Seres Concretos. E é por meio dos atributos ou propriedades que apresentam estes Seres Concretos, (cuja  percepção  está ao nosso alcance), que deles  temos uma Imagem, reproduzindo-os no nosso  encéfalo.                  
                As  concepções ou ideais, interiores do nosso cérebro,  que, com base nas Imagens dos Seres Exteriores ou  Concretos, forma parte da nossa inteligência, no órgão da Contemplação  Concreta e da Contemplação Abstrata, constituem os elementos fundamentais de toda a nossa Abstração. O Complemento da Inteligência, será feito pelos os Órgãos da Meditação (Indutiva e Dedutiva) e da Expressão. (Mímica, Oral e Escrita).
2) O Trabalho de Abstração ou Operação de  Abstração
                É a Operação ou Trabalho de Abstração puramente Subjetiva, realizada com a utilização   dos Seres  Concretos, reconstituídos   no Cérebro, de acordo com as Sensações ( ou dados sensoriais), que nos são fornecidas pelos  oitos Sentidos.
                Para compreendermos corretamente  o funcionamento do Cérebro, ao realizarmos  a Operação de Abstração, devemos em primeiro lugar, distinguir  3  Grupos de Funções : do Coração  ou do Sentimento Intelectual ou da Inteligência ; e do Caráter , isto é, da Ação ou Atividade. .
                As  funções Intelectuais ou da Inteligência,  dividem-se  em funções  de :
               Concepção (Ideia) e  de   Expressão      
      As Funções de Concepção são de duas Naturezas: Contemplativas e Meditativas
               Contemplativas, que realizam as operações passivas ou preparatórias em toda a construção                intelectual e as Meditativas, que constituem  a parte ativa  da realização da Inteligência.

              A Contemplação, tem por destino preparar convenientemente as Concepções ou Ideias, a fim                   de que a Meditação possa utiliza-las.
                               De duas  espécies é a  Contemplação : Concreta e Abstrata
                      A Contemplação Concreta, está ligada diretamente ao Exterior, por intermédio                       do Aparelho Sensorial. Os nossos sentidos são analíticos. Cada um transmite do                       exterior, para o nosso Encéfalo, uma das diversas qualidades ou acontecimentos,                      que o Ser Concreto apresenta e, com esses elementos, a Contemplação Concreta                        reconstitui subjetivamente  a Imagem de tal Ser Concreto , da forma  como nós                          o percebemos  no Exterior.          
                                  A Contemplação Abstrata, está ligada diretamente à Contemplação Concreta,                                      pois  é ela que capta  a Imagem e retira dela os atributos, formando a Ideia;                                            sistematiza este atributo, para que sirva de alimento à Operação de Meditação;                                      que pode ser Indutiva e Dedutiva.
3) Colaboração da Inteligência ( Principalmente da Contemplação Abstrata), na Operação  de Abstrair.
                Este exame sintético que acabamos de fazer  do Trabalho ou Operação Intelectual da Abstração, mostra-nos que toda a inteligência, colabora para a sua realização, cabendo, entretanto, ao Aparelho Contemplativo ( Órgão da Contemplação Concreta e da Abstrata), a parte mais importante ou principal, quer no preparo das Imagens e das ideias ou Concepções Concretas dos Seres, quer na Coordenação Abstrata dos seus  Atributos na Contemplação Abstrata.
                A Inteligência é caracterizada por essa coordenação Contemplativa, inicialmente sintética e depois essencialmente analítica, onde se formam as ideais de cada atributo. Tais ideias servem de alimento ou de base para o Aparelho da Meditação, inicialmente indutiva e finalmente dedutiva;  Aparelho este  onde  se formam  os diversos pensamentos (Aparelho é a reunião de dois ou mais órgãos, cujas funções gerais sejam análogas). Assim percebemos claramente que na Contemplação Abstrata está especialmente concentrado o trabalho da abstração, mas a nossa Inteligência não pode abstrair sem preparar as Imagens  dos seres concretos  isto é, sem os estímulos das  necessidades de  Meditação. 
        A Contemplação Concreta colabora para a Abstração, preparando as Imagens em que tal Operação se baseia. O Apoio da Meditação e da Expressão faz-se necessário como estímulo,  pois nossa inteligência não iria abstrair, se tal trabalho não consistisse,  por sua vez, no fundamento da Meditação.                 
O desenvolvimento da Meditação, tanto a Indutiva como a Dedutiva, necessita sucessivamente de novas ideias ou novas Concepções, principalmente Abstratas, que são solicitadas  `a contemplação. A Meditação amplia  e complementa  o  Trabalho ou  a Operação de  Abstração.
                A Meditação perturbada, como por exemplo, em um caso patológico, permanente ou transitório, reagiria  imediatamente  sobre  o trabalho da Contemplação, que sofreria, por sua vez,  uma perturbação da mesma natureza.
               
      O  Órgão Cerebral  da Expressão é aquele  que fornece  aos animais  o meio deles                      transmitirem  ao exterior  seu   estado interior: de sentimento, pensamento e projetos (ações).

              Este  meio deles transmitirem, ao exterior  o seu estado interior, depende também da abstração e consequentemente reage sobre ela,  estimulando-a. O objetivo  da  Expressão  é traduzir  o resultado de  nossas construções intelectuais e, portanto,  depende normalmente  de todas as Operações da Inteligência; (excetuados apenas os casos anormais de pura  coordenação de palavras).

             Constituindo a Abstração, uma das Operações Fundamentais da Inteligência, é  evidente a correlação que existe entre ela e a Expressão. Está, pois, a Abstração,  iniciada ,quando ocorre  a Contemplação Abstrata, ligada a todo o conjunto  da Inteligência, e desse conjunto,  vai depender sua  realização operacional.

A Inteligência  forma  um Sistema  onde  seus diversos  Órgãos  colaboram em conjunto, para uma mesma finalidade.

                Assim não se pode separar  uma função  do conjunto das outras; há sempre entre  elas           uma plena interdependência.
                4) O Sentimento e a Ação,  na Operação  de Abstração .
                Da mesma  forma  que  os componentes do Aparelho da Inteligência  ou Aparelho Intelectual, constituem  um Sistema, podemos afirmar que entre  os Órgãos da Inteligência,  os do Sentimento e os  da Atividade ou  Ação  existe completa correlação.
                Em todo trabalho ou operação Encefálica é sempre o Sentimento  que propõe  as questões que,  estudadas e esclarecidas pela inteligência, passam a ser,  quando aprovadas por esta última, executadas  pela  Ação  ou  Caráter ou  Atividade .
                A Operação Intelectual não pode, pois em caso algum, ser realizada independentemente  do Coração ou Sentimento. O Sentimento,  Egoísta ou Altruísta, exerce permanente influência, para provocar e manter o trabalho  intelectual,  das funções Afetivas e Intelectuais: que visam sempre a prática de determinado ato, uma vez que as Ações constituem o destino de toda nossa Operação ou Trabalho Encefálico.
                Além da Influência do Sentimento, é  necessário ainda considerar-se  a influência das  3  funções Práticas  ou do Caráter, que são: a  Coragem, a  Prudência e a Firmeza, que em toda e qualquer espécie de  Trabalho ou Operação Intelectual, entram para  impulsionar, conter e manter. Desta forma podemos dizer,  em resumo, que o  Trabalho ou Operação de Abstração, realizado por nossa Inteligência, preparado pela Contemplação Abstrata, necessita da colaboração Geral da Inteligência  e das contribuições Afetivas ou de Sentimentos e do Caráter, que reage sobre o restante do aparelho Encefálico. (Não podemos esquecer ainda do Soma, como elemento facilitador ou dificultador indireto da Operação da Abstração).

5)  ATRIBUTOS OU  PROPRIEDADES ; IDÉIAS OU  CONCEPÇÕES:

                                               LEIS ABSTRATAS.
O Trabalho ou Operação Intelectual de Abstração apresenta Três  Resultantes; os Atributos, as Ideias e as Leis Abstratas. O Principal Destino de toda Operação Intelectual é o estabelecimento das Leis Teóricas, que disciplinam nossa Inteligência e regulamentam nossas  Atividade ou Ações.
                Para chegar ao conhecimento da Lei Abstrata,  temos  necessariamente que passar por  uma  série de etapas preparatórias. A maior parte da preparação desta Operação Intelectual, se deve a Contemplação, ao passo que a Coordenação definitiva dos acontecimentos é realizada  pela Meditação.
                A primeira  fase da Abstração é  aquela em que  a  Contemplação  Abstrata, utilizando a Imagem do Ser Concreto, preparada pela Contemplação Concreta, decompõe esta Imagem, separando os diversos atributos ou propriedades abstratas. Sobre este atributos assim obtidos, a Meditação exerce agora a sua  atividade, coordenando-os para estabelecer as Leis Naturais ou Relações Abstratas. Como resultado intermediário do primeiro trabalho ou operação de coordenação, combina os atributos, formando as IDÉIAS ou as Concepções e os TIPOS ABSTRATOS ( ou IMAGENS SUBJETIVAS CRIADAS PELO ENCÉFALO ), sobre os quais  melhor se desenvolve nosso Raciocínio.
Assim , observamos por consequência,  três fases, bem definidas  no Trabalho de Abstração :
                1) A primeira, quando a  Contemplação  Abstrata separa os  atributos;
                2) A Segunda, quando institui as ideais  e os Tipos  Abstratos. 
               3) A Terceira,  quando a Meditação Coordena e estabelece as Leis Naturais.                                   
5.1) O Atributo ou Propriedade Abstrata
Durante toda a fase de alimentação cerebral, isto é, no período em que são transmitidas ao nosso cérebro as informações objetivas, por meio sensorial, informações estas que geram as Imagens, que vão servir de base `a nossa concepção ou ideia  intelectual, durante a recomposição interior dos Seres Concretos para  a Construção  de  ideais  (pela Contemplação Abstrata); toda a  combinação de  Imagens  se faz de  modo puramente concreto, inteiramente ligado e subordinado `a realidade objetiva, tal como a percebemos. Formam-se assim as Imagens Concretas dos Seres.
A Contemplação Abstrata realiza a seguir o primeiro trabalho ou operação de abstração, quando separa, na Imagem do Ser Concreto, seus diversos acontecimentos ou atributos ou propriedades, pondo em evidência  aquele atributo ou propriedade em que mais nós estamos  interessados .
Exemplo: Se desejarmos estudar a forma geométrica de uma figura, para tomar conhecimento de determinada relação ou lei, o  nosso trabalho preparatório de abstração consiste em separar,  nas Imagens dos Seres fornecidos pela Contemplação Concreta, esta Imagem que nós desejamos nos atentar, isto é, neste caso com a forma, afastando subjetivamente todos os outros atributos, por meio dos quais conhecemos o Ser  Concreto.
Abstrairmos, portanto  o peso, a cor  e  todas as propriedades  ou atributos físicos e químicos, etc. , que o Ser Concreto   possa apresentar,  para examinarmos  apenas  a sua Forma . A Forma, assim separada do Ser Concreto , constitui a propriedade ou atributo Abstrato.
Os atributos ou Propriedades Abstratas  são construções Subjetivas, retiradas portanto, da existência Objetiva, por meio de nossa Inteligência. Quando por exemplo, concebemos o peso dos corpos, estamos realizando um trabalho de abstração, separando dos corpos ou Seres Concretos; essa  propriedade peso, que isolada, não existe na realidade exterior; o que observamos objetivamente são corpos pesados, podendo entretanto, a nossa inteligência conceber  o  peso em separado das outras propriedades  que o Ser Concreto possui.                                               
5.2)    IDÉIAS ABSTRATAS  e  TIPOS ABSTRATOS.
Da comparação das propriedades  ou atributos abstratos, originários de vários Seres ou Corpos concretos, resulta  a  Concepção Subjetiva da Ideia, que formamos sobre este atributo; é a Ideia Abstrata  ou Concepção Abstrata, a qual por  sua vez , conduz a Inteligência  à  construção  dos TIPOS  ABSTRATOS, pois a Concepção Concreta, ou Concepção Objetiva da Ideia ou da Imagem  é aquela fase onde os atributos ainda estão unidos aos Seres Concretos correspondentes.
A Operação de decomposição dos Seres Concretos, para exame de suas propriedades ou atributos abstratos,  é exercido normalmente com muita intensidade pelo Encéfalo Humano, que obtém uma série de propriedades ou atributos semelhantes , retirados  de outros Seres Concretos diversos, para coordenar e induzir ou deduzir as relações  existentes  entre estas propriedades.              
Por exemplo:  A forma esférica  abstraída de um Ser Concreto, depois de muitos outros Seres Concretos  esféricos, nos conduz à  Concepção  de uma Ideia mais Geral: a esfera, independente de novo exame de corpos esféricos. Formamos deste modo em nossa inteligência, uma nova espécie  de Imagem Abstrata, em grau mais adiantado que a anterior, mas sem que tenhamos ainda induzido ou deduzido as Leis deste Atributo  ou desta  Propriedade. É a Ideia Abstrata.
A nossa inteligência armazena, então, uma nova Série de Imagens, de maior grau de abstração e mais complexas, isto é, as ideias Abstratas, como o peso, o calor, o triângulo, a esfera, a vida, etc., que não estão ligadas diretamente a nenhum ser exterior, mas que resultam da observação  de muitos Seres Concretos, onde  predominava, constantemente, um determinado Atributo.
A Ideia Abstrata constitui uma fase intermediária entre a simples decomposição dos Seres Concretos, pela Contemplação, e a consideração dos atributos abstratos, para se obter as Relações ou Leis Naturais, pela  Meditação .
Esta fase intermediária  apresenta   uma nova modalidade, mais adiantada, mais complexa  e mais subjetiva, que é representada  pelo Tipo Abstrato.
Por meio das Ideias Abstratas que formamos sobre os atributos  que constituem os Seres       Concretos, podemos agora, combinando estas ideias Abstratas, reconstituir abstratamente  o SER, obtendo assim o TIPO ABSTRATO .
               
         Com todas as Ideias Abstratas que criamos sobre os diversos atributos ou propriedades e com o conhecimento, que percebemos, por exemplo,  do Homem, reconstruímos, em  nossa inteligência , a imagem do homem, formando assim o correspondente Tipo Abstrato. Temos assim no nosso encéfalo a Ideia do que  seja um Homem; ideia que apresenta todos os caracteres  gerais, geométricos, físicos, biológicos, morais, etc. do Homem , e que  no entanto não está ligada a nenhuma  existência  real e particular de determinado Homem, nem apresenta  as características simples  das ideias Abstratas. É uma Ideia Composta, na   qual são abstratamente  reunidos  todos os atributos ou propriedades  que caracterizam o ser Humano. Do mesmo modo, as ideias  que formamos  dos animais, das  árvores, etc. , nos levam  `a  construção dos tipos abstratos. O cavalo, o cão, a árvore, que  imaginamos,  e que  permitem reconhecer  esses seres quando  se nos apresentam, na realidade objetiva,  são Tipos Abstratos, que  não estão ligados diretamente  a nenhum cavalo, cão  ou árvore de existência concreta.

     Tendo sido os Atributos, as ideias Abstratas e os Tipos Abstratos, adquiridos pela Inteligência, esta pode agora realizar a coordenação definitiva das propriedades ou atributos, induzindo e deduzindo as Leis Naturais, pela Meditação.
5.3) A Expressão Científica  de uma Relação Abstrata ou Lei Natural.
A comparação de atributos, semelhantes retirados por abstração ( pela contemplação concreta e abstrata) de grande número de seres concretos, conduz nossa Meditação Indutiva a verificar o que existe de comum no meio da variedade observada. Ao aproximarmos desta maneira os atributos, é estabelecida, como preliminar, a Relação Abstrata. Esta, uma vez reconhecida, serve diretamente para a instituição da Lei Natural, que é a constância no meio da variedade ou a expressão científica  da  relação abstrata.
As Leis Naturais são obtidas por duas modalidades de raciocínio : Indutivo e Dedutivo.
A Meditação Indutiva, primeiramente compara  as diversas Imagens Abstratas, aproximando-as entre si e procurando o que é de mais comum na variedade, para estabelecer as relações  abstratas, e por meio  destas  as Leis Indutivas ou de Semelhança. ( ou Leis Básicas Indutivas ).
Em seguida, a Meditação Dedutiva sistematiza as Leis Indutivas, coordenando-as, isto é, extraindo as consequências das Leis de Semelhança, que são  as Leis Dedutivas ou de Sucessão.
Da combinação das Leis Básicas Indutivas e de suas Consequentes Leis Dedutivas, resulta  a construção e Expressão final das Teorias Abstratas, referentes `as varias Classes de Atributos, desde os mais simples, da Matemática, até os mais complexos  da Moral Positiva.
5.3.1) Duplo destino das Leis Abstratas ou Leis Naturais.
                As Leis Abstratas ou Leis Naturais  são destinadas  a disciplinar  nossa inteligência  e a regular a nossa  Ação ou Atividade. As Teorias Abstratas, construídas pela nossa  Inteligência , preenchem , pois, dupla  necessidade da Espécie  Humana : Uma de Ordem Moral Positiva e outra de Natureza Prática.
                A de Ordem Moral Positiva  emana  da Unidade ( Integridade e Comunhão) , que deve ser instituída , para realizar a Harmonia Interior  das funções encefálicas e a convergência exterior  de todos os Seres Humanos. A disciplina  de nossa inteligência, pela subordinação da Análise à Síntese, resulta diretamente da Instituição Abstrata da escala de acontecimentos e da Convergência das diversas categorias de Atributos, para o conhecimento e o aperfeiçoamento da existência Humana, coletiva e individual.
                A de Natureza Prática  é a consequência  da  instituição  das Leis Abstratas, é  a que regula as nossas Ações ou nossas Atividades. Os conhecimentos abstratos são sob esse aspecto, encarados como  os  esclarecimentos de que necessita nossa  inteligência, para guiar nossas Atividades, na Modificação do Mundo e do Homem, e na submissão ao que os atributos apresentam  de imodificável.
                Realiza-se este duplo destino das Leis Abstratas instituindo-se a Filosofia Primeira, a Filosofia Segunda e a Filosofia  Terceira, que serão vistas a seguir.
III) TEORIA  DINÂMICA EVOLUTIVA DA  ABSTRAÇÃO
1)  O Desenvolvimento Intelectual em relação `a Capacidade de Abstrair.
                A Operação ou Trabalho Encefálico da Abstração é variável, em grau e em intensidade, conforme o maior  ou menor  desenvolvimento  intelectual, do indivíduo ou da coletividade social.
                Ao percorrermos as várias fases da evolução  coletiva da espécie humana veremos que a capacidade de abstrair, se apresenta cada vez mais desenvolvida. Também verificaremos que, nas diversas idades dos  indivíduos, há um gradual aumento da intensidade com que pode executar a abstração.
                No homem primitivo e  na criança,  o raciocínio concreto é preponderante observador, somente  começando a  esboçar-se  a  operação de abstração da inteligência, depois de grande preparo, e de um acúmulo de Imagens, em quantidade suficiente, para permitir um exercício mais completo das funções intelectuais ( Contemplação, Meditação e Expressão)
                Para bem apreciarmos o desenvolvimento da Abstração, na civilização humana, vamos acompanhá-la, resumidamente, nas suas principais fases de evolução.
                Durante a fase fetichista da Evolução Humana, verifica-se o desenvolvimento da observação e, portanto, da função intelectual da contemplação concreta. Inaugura-se nesta fase a Lógica dos Sentimentos.
                O Surto Gradual da Inteligência Humana, ligado naturalmente às outras duas partes de nossa Alma ( Sentimento e Atividade), teve necessariamente de  se processar  segundo  a ordem  em que as funções intelectuais  se  apresentam normalmente. Assim começou a predominar o desenvolvimento, em primeiro lugar o da contemplação, para em seguida acompanhar este processo ocorrendo a Meditação. Não poderia a Meditação prosseguir sem que,  preliminarmente, se  adiantassem as funções preparatórias  de seu trabalho ou operação, isto é,  as de Contemplação. Recebendo as  impressões concretas  fornecidas pelo mundo exterior, o homem primitivo, sem possuir ainda as reservas interiores de Imagens e ideias abstratas, para realizar comparações, teve forçosamente que raciocinar baseado nessas Imagens Concretas. Raciocínio este, ainda muito rudimentar e ligado às necessidades imediatas exigindo, entretanto, um aprimoramento sensorial, e consequente desenvolvimento do tino de observação, a fim de ir, aos  poucos, constituindo reservas de  Imagens e ideias.
                A  fase fetichista da evolução humana, caracteriza-se  pela instituição de uma  síntese, de uma unidade completa religiosa,  baseada na atribuição do  realizar-se todos os atributos, como a expressão das vontades  próprias dos Seres  respectivos, concebidos estes, como dotados dos mesmos atributos Morais, Intelectuais e Práticos que nós Seres Humanos.
                Assim, o Fetichismo é a Doutrina da  Lógica dos Sentimentos, que inaugura  e acompanha a evolução humana, não só durante a fase primitiva do  fetichismo espontâneo, mais ainda durante toda a fase astrolátrica, quando começa a esboçar-se mais intensamente o trabalho de abstração. Retirar a vontade dos seres  para  atribui-las a outros seres  mais afastados; os astros, exigindo um grande progresso  intelectual e um começo  acentuado de  sistematização abstrata
                A Lógica dos Sentimentos, é o recurso operacional por meio do qual o Conjunto das 18 funções cerebrais  ( Sentimento, Inteligência e Ação) procura coordenar os fatos, tendo em vista o estabelecimento de uma síntese  harmoniosa, sob o ponto de vista da preponderância de tais ou quais sentimentos; de maneira a fazer perceber em nossos pensamentos as implicações quaisquer de ordem moral, que eles implicitamente encerram. 
2)  A   Abstração  no Politeísmo e a  Lógica das  Imagens.
O Politeísmo desenvolve especialmente, em nossa Inteligência, a Contemplação Abstrata e funda  a Lógica das Imagens .

Lógica das Imagens, sendo o recurso operacional, por meio do qual o conjunto das 18 funções cerebrais ( Sentimento ; Inteligência e Ação) busca auxilio nas imagens subjetivas, aplicando tais imagens a conceitos que de outro modo careceriam de representação, como um recurso  para clarificar a resolução  de um problema pendente.
                A passagem da Astrolatria para o Politeísmo traz modificação radical para as concepções humanas, começando-se a síntese a basear-se em vontades exteriores cada vez mais abstratas. A instituição dos Deuses, como centro da unidade Moral, Intelectual e Prática da espécie humana, exige o desenvolvimento da contemplação abstrata que passa a preponderar sobre  as contemplações concretas, modificando  completamente  todo o aspecto geral do trabalho intelectual. Essa transição da síntese, de objetiva para subjetiva, somente se poderia realizar com o trabalho ou operação da Contemplação; agora muito mais aprimorado  ou adiantado,  onde as  Imagens não só se formam pela contemplação concreta e abstrata , como também são coordenadas  pela meditação indutiva e dedutiva, com vista a  constituição  dos múltiplos tutores fictícios, que guiaram a evolução humana durante as antigas teocracias e nas brilhantes  civilizações grega e romana,  fases estas extensas e de grande esplendor.
                Como consequência do surto  que adquire a contemplação abstrata e da transformação do sistema de raciocinar , apreciamos nesta fase a instituição  da Lógica das  Imagens. Com este segundo meio lógico, que vem se reunir  ao primeiro, da fase  fetichista,  a Inteligência Humana  adquire pelo desenvolvimento, o esboço da Lógica dos Sinais, que se completa na fase monoteísta, dando à inteligência todos os recursos, para que a evolução grega possa preencher seu papel  histórico, de preparar nossas forças  mentais, sob os três aspectos - Estético ou da Arte, Filosófico e Cientifico.
                A Lógica dos Sinais é o recurso Operacional, por meio do qual o conjunto das 18 funções cerebrais     ( Sentimento ; Inteligência e Ação) facilita a resolução de suas questões,  com a  formulação e o  emprego de símbolos, que possam evocar os seres ou as situações  nelas envolvidas, sem no entanto confundir-se com a representação direta  dos mesmos.
                A confusão recíproca da  Imagem com o Sinal é uma característica Marcante do Espírito Metafísico . Um exemplo deste tipo de mal entendido são as chamadas “ondas  cerebrais” ; tal concepção  proveio de  se considerar como uma Imagem os registros gráficos  fornecidos pelo eletroencefalógrafo.      
3) O Monoteísmo e a Meditação.
                Com o Monoteísmo, há o surto da Meditação, principalmente Dedutiva, que complementa  a Lógica, com a instituição  do terceiro  recurso lógico constituído pelos Sinais.
                A Contemplação devidamente preparada em seus dois aspectos, concreto e abstrato, permite, na fase monoteica, o progresso especial da meditação indutiva e dedutiva, bem como  a formação definitiva da  lógica dos Sinais. É nesta fase que a  Inteligência Humana  adquire  pleno  desenvolvimento lógico, de modo a poder na civilização moderna, construir todo o edifício enciclopédico.
                Se observarmos a maneira  pela qual  se constitui a Síntese em cada  uma  das fases preparatórias da evolução humana, vemos a coerência intelectual, formar-se em torno de entes cada vez mais abstratos, `a medida que  percorremos  a série constituída, primeiro pelos  fetiches terrestres, depois,  sucessivamente pelos astros, pelos deuses do politeísmo, pelos deuses das várias formas monoteístas, e finalmente  pelas entidades  metafísicas, primeiro ligadas a um aspecto teológico e, depois, cada  vez mais  abstratas e finalmente ligadas ao aspecto científico.
4)  A  Abstração  na Doutrina Positivista
                A Abstração  somente se torna  completa  no Estado de  Positividade dos nossos  sentimentos,  pensamentos e ações ,isto é; quando  os Três  Elementos Lógicos, o Sentimento, a Imagem e os Sinais,  se combinam.
                Durante a Evolução Preparatória, o grau crescente de Abstração que adquire a entidade coordenadora da unidade religiosa,  atinge  o seu  máximo de intensidade ao passar a espécie humana, do estado  teológico para o metafísico.
                No estado metafísico, a explicação de todos  os fenômenos é feita  atribuindo-se sua  realização  à entidades  puramente abstratas, criadas pelo cérebro humano, para provisoriamente  suprirem a falta  de conhecimentos das Leis Naturais, ainda  não descobertas. À medida que as relações cientificas são instituídas, vão desaparecendo as correspondentes entidades Abstratas.  A Abstração, na idade metafísica, não é sistematizada,  apesar do grau de intensidade que  ela atinge. Ao contrario, se torna mais confusa  que nas épocas anteriores.
                Mais negativo que qualquer outro, mais demolidor das instituições do passado, do que  construtor de novas estruturas, a Doutrina Metafísica é,  por isso mesmo, transitória, devendo ser logo  substituída pela  Doutrina Positiva.
                O Estado Positivo, combinando melhor os três meios lógicos, SentimentosImagens e Sinais, vem estabelecer as  Leis Abstratas, que regem  os Seres pelos acontecimentos.
                A Abstração é no estado Positivo, não só plenamente  desenvolvida como diretamente utilizada para a Indução das Ciências. Ocorre coordenação harmônica entre as  funções  da Contemplação Concreta e a Contemplação Abstrata  e  o entrelace  com a Meditação  indutiva e dedutiva,  donde resulta  a gradual instituição dos princípios  científicos, que  regem  as  existências  do Exterior e as existências do Homem.   
5) A Lógica Positiva.
A Lógica Positiva  é definida  como  colaboração  normal dos sentimentos, das imagens e dos sinais, para  nos inspirar concepções  que convém `as nossas  necessidades  morais, intelectuais e físicas”. Essa definição normal de lógica é dada por Augusto Comte na Introdução da  Síntese Subjetiva.-  pag. 25         
É a Lógica Positiva  a   única  completa, pois além de reunir os três  elementos  lógicos, Sentimentos, Imagem e Sinais, combina e coordena  esses elementos , para aplicar  ao raciocínio de forma conveniente às nossas  necessidades , não só intelectuais, mas também morais e práticas. Inaugura, portanto, a Doutrina Positiva, a plenitude de nossas disponibilidades intelectuais, reunindo e congregando, os diversos meios, separadamente preparados, pelo conjunto do passado humano.
A inteira madureza de  nossas concepções  intelectuais é  atingida no estado positivo, depois de passar pela longa Série preparatória de Sistemas Intelectuais, mais ou menos incompletas, das diversas  formas  fetichistas,  teológicas e metafísicas.
                A Lógica Positiva é sistematizada para regular o conjunto da  existência humana.
                As concepções são elaboradas pela Inteligência, sob o impulso do Sentimento e assistido                      pelo Caráter.
O método afetivo prevalece assim  sobre  os outros dois , em virtude dos  sentimentos constituírem ao mesmo tempo  a fonte  e o destino dos pensamentos e dos atos. Queiram ou não os Cientistas ou os Reis
     
    Os três meios Lógicos - Sentimento, Imagem e Sinal - correspondem, pois, aos três elementos fundamentais de nossa  constituição cerebral- o Coração ou Sentimento,   a Inteligência ou Espiritoo Caráter  ou Atividade  ou Ação. De acordo com  o Trabalho Cerebral, as Imagens Lógicas( Ideia)  e  os Sinais  devem  ser apreciados  como  auxiliares  dos Sentimentos  na  elaboração  dos Pensamentos. A Harmonia Lógica  inaugurada pelo  Doutrina Positiva, faz colaborar a força dos Sentimentos  com  a nitidez  das Imagens e a Precisão dos Sinais. Adquirem na Doutrina Positiva, os três  meios lógicos, completo desenvolvimento e sistematização, de  modo que o trabalho intelectual é realizado em toda  a sua plenitude e dignidade.
                Sob a influência  e a preponderância  sistemática do coração ( Sentimento), a Lógica Positiva adquire não só um grau elevado de dignidade, como também, uma  constituição verdadeiramente Poética.
A Sistematização  filosófica  vem, aliar-se à melhor disposição Estética ou Artística, isto é, a união de todos os  Aspectos  da Subjetividade Humana, que até então vinham sendo considerados como opostos.
IV)    SEDE   DA   ABSTRAÇÃO
          1) A Instituição Religiosa do  Espaço                                                                                                                                  
A  noção de Espaço é obtida como um subproduto das nossas Sensações, não sendo diretamente  revelado por nenhuma  delas, em outras palavras, o Espaço é  uma criação subjetiva destinada a facilitar  a Coordenação e  a Expressão das  Nossas ideias e Pensamentos. Todas as questões  que a nossa Alma ou Psique ou Mente  se depara, e que  envolvem o conceito de Espaço, podem ser transformadas, em questões  onde são apenas  consideradas as Variações,  das  diferentes  Sensações, sem  a necessidade de se recorrer a este conceito de Espaço; apenas a linguagem torna-se desnecessariamente mais complexa, prolixa e antipática.
                Assim, vemos pela comparação de um e de outro modo de considerar a questão, o quanto o  Espaço Simplifica a forma de se estabelecer as questões, onde  sejam  necessárias as Sucessões das Sensações.
 O Espaço  que nos referimos  é um Espaço Subjetivo dentro de cada cérebro.
 O Espaço mais uma vez é uma construção Subjetiva que o Ser Humano formula; que pode hoje em dia comparar do com o s softwares do tipo DOS ou em linhas gerais, como o conjunto de programas, que podem ser ou não ativados, pelo cérebro.
                Para dar sede aos resultados do trabalho Subjetivo de Abstração, em qualquer grau , concebemos, também  Subjetivamente, o ESPAÇO.
                 A fundação da geometria na antiguidade exigiu como uma necessidade da Inteligência  Humana, a Instituição do Espaço. As formas geométricas, apreciadas independentemente dos Seres Concretos, onde se apresentam, deviam ser colocadas em meios apropriados, por um trabalho subjetivo. Então, por este motivo teve a espécie humana, necessidade de realizar um  meio subjetivo , onde as ideias das  formas estudadas  fossem armazenadas ou colocadas ou arquivadas.
                A apreciação Positiva do Espaço, dá a este meio  por extensão, utilizada de como sede   das abstrações  referentes  aos  atributos  e fenômenos  físico e químicos. Aplicado também  aos estudos dos fenômenos  vitais , é o Espaço  suscetível de  comportar , todas as  Idéias  da Biologia, colaborando para  a apreciação das Leis  Anatômicas (referentes `as formas e disposições dos diversos órgãos) e Taxonômicas (Referentes `a Classificação das várias formas de organismos vivos). 
                A antiga instituição matemática do Espaço estende-se, portanto,  pela Doutrina Positiva, `a todas as concepções da Escala Abstrata até  Biologia Estática ( Anatomia e Taxonomia), tornando-se Inútil  apenas  às  concepções Dinâmicas da Biologia ( Fisiologia)  e aos  Estudos de Sociologia Positiva e Moral Positiva, onde  há necessidade  de  dar  aos  atributos uma  Sede Real . “ Aplicada dinamicamente, esta instituição torna-se estéril e viciosa. Pois funções vitais, tanto vegetativas quanto de animais, exigem sedes Reais, sem que seu estudo, possa utilizar os fantasmas emanados do meio Subjetivo” ( Augusto Comte-Síntese Subjetiva, pag 22).
2) As  Hipóteses   Provisórias.
                Antes  da Instituição  Positiva  do Espaço, desde a antiguidade,  várias tentativas  teológicas e metafísicas foram feitas  para localizar os  atributos ou propriedades sem sede.
              Utilizado durante a longa fase  de elaboração preparatória da Humanidade, o Espaço adquire sistematização definitiva na Doutrina Positiva.
                Esboçado na mais alta antiguidade, foi consagrado no Oriente, onde influências especiais conduziram a civilização chinesa à institui-lo, embora com um caráter concreto, algo fora do cérebro.  O culto do Céu pelos Chineses, representa a primeira forma  de  instituição do Espaço.
                A hipótese vaga do éter universal, instituído pela  metafísica, é  também no Ocidente, um preambulo ao Espaço.
                O Oriente  e o Ocidente,  com criações  provisórias, de natureza abstrata `as quais eram porem, atribuídas  existências objetivas, colaboraram para a formação do Espaço, esse elemento essencial à sistematização positiva de todos os  Atributos Abstratos.
8)         O  Espaço**,   a Terra e a  Humanidade. **É um Espaço dentro do Cérebro - Como se                   fosse uma placa de CPU.
                Todas as concepções  humanas, tudo o que a nossa inteligência pode compreender e assimilar, apreciando sob o Aspecto Relativo, Subjetivo e Positivo, está resumido nas Três  Existências - O Espaço , A  Terra e a  Humanidade.
                O Espaço - é o  meio onde  localizamos  os acontecimentos  Abstratos, é  a Sede Universal dos Seres Abstratos sem sede; é a construção fundamental de nossa inteligência, para realização de seu trabalho abstrato. A existência puramente  Subjetiva do Espaço, evidencia bem o seu destino lógico  e sua origem, ao mesmo tempo estética ou artística e científica.  **É um Espaço dentro do Cérebro - Como se    fosse uma placa de CPU.
                A Terra compreende  o conjunto  do meio objetivo  em que vivemos, a sede  de nossas ações. Compõe-se com seu duplo envoltório  líquido e gasoso, como centro subjetivo que é do Sistema Solar, e os  Astros que  sobre ela  influem diretamente.
               A Humanidade, é finalmente, formada  pelo conjunto de Seres Humanos passados, futuros  e presentes . Nesse conjunto estão  compreendidos apenas  os seres  verdadeiramente  convergentes .
                Esta trindade  formada pela  Humanidade,  a Terra e o Espaço,  sintetizando  tudo o que é  positivamente apreciável  pela inteligência humana, constitui o verdadeiro guia  de nossas  concepções morais ,intelectuais e práticas.               
                Compreendendo a Teoria  da Natureza Humana, esses  três elementos  representam, respectivamente  o Sentimento , a Inteligência  e a Atividade.
                O  Primeiro Ser, a  Humanidade, é o  mais próprio para representar o sentimento, porque o coração é o elemento preponderante,  pelo impulso que dá a todos Pensamentos, como também a todas as  Ações. Assim podemos dizer que a Humanidade, melhor representa o Sentimento, por que no Ser Humano, convergem os Sentimentos, pensamentos e atos, podendo assim o primeiro adquirir plena  eficácia e representação.
                O Segundo, a Terra, corresponde  em  nossa natureza, à atividade,  que  representa o  meio  Objetivo, onde  se realizam as nossas Ações; além  de constituir o reservatório universal de todas as nossas provisões materiais.
                O Terceiro Ser,  o  Espaço, é o elemento que melhor corresponde  ao sentimento,  como sede  Subjetiva  de todas as Abstrações.  
9) A Concepção ou Ideia do Espaço.
                O Espaço deve ser idealizado e concebido, como privado de inteligência e de atividade, porém dotado de sentimento, que é  laço Universal  de todos os Seres Objetivos e Subjetivos; além disso, o Espaço deve ser concebido com a cor branca, sinal universal da Paz.
                A Humanidade é dos três elementos fundamentais de que estamos tratando, aquele que  sintetiza a existência, isto é, o único dotado simultaneamente dos três atributos da Alma Humana - Sentimento, Inteligência e Ação .
            A Terra  é dotada  de dois atributos somente - Sentimento e Ação, faltando a Inteligência.                  
                Quanto ao Espaço, de existência  puramente Subjetiva,  criação interior de nossa inteligência, tem que ser concebido sem atividade, nem inteligência,  pois quaisquer destes dois elementos,  que viéssemos atribuir-lhe  viria perturbar  complemente nossas concepções Abstratas, pelas modificações que espontaneamente  tenderia a introduzir nessas concepções. Nenhum inconveniente, entretanto, resulta de lhe atribuirmos o Sentimento.
                Idealizado o Espaço, como elemento também dotado de sentimento, o laço afetivo torna-se  a União Simpática e Natural de todos os Seres, tanto Objetivos como Subjetivos,  apreciados ou concebidos pelo  Cérebro do Homem. 
                Este estudo da Abstração é de importância crucial para  a compreensão da Doutrina Positiva, ele representa  a  antecâmara  da Filosofia Primeira , que corresponde  às  15 Leis  Naturais Universais ou Fatalidade  Suprema;  representada sinteticamente  também pelo Espaço ou Gran Meio. Somente a Filosofia que trata  das Leis Naturais dos  Atributos, é que forma a Ciência Positiva.

A Filosofia que estuda a finalidades praticas; leis dos seres concretos (  gráfico de uma perda de carga de cada  bomba , por exemplo) , está  excluído do campo teórico - subjetivo ou científico, e faz parte do domínio técnico ou aplicação tecnológica.   


ÓRGÃOS DA ABSTRAÇÃO                          
             A palavra Alma representa no sentido em que a empregaremos aqui, o conjunto das 18 funções do cérebro, ou melhor, do encéfalo. Alma ou Psique ou Mente. E se existem funções com certeza existe Órgãos.
                Livre de qualquer misticismo esta preciosa expressão  Alma, corresponde aos fenômenos mais eminentes da natureza Encefálica. Se a vida, como se afirma desde Hipócrates é constituída por um  consensus, já que  no organismo  tudo colabora,  tudo contribui e  tudo consente,  esta harmonia interior  deve residir, principalmente, no aparelho encefálico, que é seu regulador supremo.                                                    
O estudo Positivo ou Científico das funções do encéfalo, derivou diretamente de uma série de trabalhos anatômicos relativos ao encéfalo, instituídos desde  a Escola de Alexandria, por Hierófilo e Erasístrato e, desde o XVI século, por  Andreas Vesálius, um sábio-anatomista-biólogo, e seus continuadores, Bartholomeu Eustáquio, Fallópio, etc ; em segundo lugar, a atenção dos filósofos e dos  naturalistas, para  o problema  concernente às faculdades morais, intelectuais e práticas  do Homem e dos  outros  Animais.                                                                                                  
Destacam-se nesta linha de meditações os filósofos da escola de  David Hume ( Século XVIII), cujas concepções lançaram as primeiras suspeitas da  Inateidade dos Instintos Simpáticos, isto é, de seu aspecto inerente à nossa natureza animal, sob o fato que o Homem  e os outros  Animais, nascem com o instinto  que os levam à viver para outros.

           O Naturalista,  Jorge Leroy ( Século XVIII)  refutando o que ainda existia  de  automatismo nas concepções de Descartes , relativas aos animais, afirmou  mediante  uma série de engenhosas observações que nestes existia  não só inteligência como também sentimentos  desinteressados.    
                                                    
            Firmado nesta dupla  preparação e não esquecendo os apanhados empíricos que a sabedoria popular acumulou a respeito; um pensador germânico, Franz Joseph Gall (1825) abordou de  um modo positivo, o problema  das faculdades  encefálicas, criticando vigorosamente o espírito metafísico, senhor até então , de um tal domínio especulativo.
                                                                                                                                                                                                                                                                                                            
         OS trabalhos  fisiológicos até então elaborados, definiam o Encéfalo como um órgão único, cujas  funções  se ligavam  diretamente  à sensibilidade e à  motricidade.
                A Inteligência que sucede às Sensações,  era  por completo entregue à  metafísica  reinante  como  faculdade humana por excelência.
                Quanto as  funções afetivas estas eram em grande parte  localizadas nas vísceras, segundo uma velha tradição;  e espíritos, já bem avançados, como de Pierre Jean Georges  Cabanis  e mesmo  Xavier Bichat,(cuja  morte  prematura não o permitiu  meditar sobre tal assunto), ainda assim acreditavam; O Fígado era a sede da Ira - o que na verdade era o encéfalo que no estado emocional de Ira, afetava o fígado e por conseguinte a própria digestão:  no entanto, hoje sabemos, que há uma intima ligação entre os nossos estados emocionais e a operacionalidade  das Vísceras, cuja a interface é feita pelos nervos e conhecida  como Sistema  Nervoso Autônomo, que é afetado pelos Sentimentos
                Quanto ao método,  este  se baseava  na observação interna a qual estreitava, por demais,  o campo das especulações, por isso que só se podia aplicar ao estudo do homem adulto, sem eficácia, como diz o Médico Broussais, com  relação às idades,  nem aos estados patológicos e  ainda menos,  como observa  Augusto Comte, poderia  estender-se aos outros animais, os quais,  como as crianças e os loucos,  nunca nos  dariam conta  do  resultado destas  observações.
                Gall baseou sua construção em dois princípios filosóficos: 1) que são inatas as diversas disposições fundamentais, afetivas, intelectuais e práticas; 2) Que são múltiplas as faculdades  essencialmente distintas, radicalmente independentes, umas das outras, embora  a concretização dos atos correspondentes   exija   ordinariamente, a sua colaboração  mais ou menos complexa. 
                Considerada Anatomicamente esta concepção fisiológica do Encéfalo, corresponde à sua  repartição num número de órgãos parciais, simétricos , como os órgãos da vida  do Soma, os quais,  embora  contíguos, e mais  semelhantes uns com os outros, do que os órgãos  de qualquer outro sistema; sendo por conseguinte, mais simpáticos,  e mesmo  mais  sinérgicos,  são porém essencialmente distintos e independentes uns dos outros,  assim como,  com relação aos gânglios,  respectivamente  relacionados  aos diferentes sentidos externos.
                O Encéfalo é, pois um aparelho em vez de um órgão único; Gall, portanto  reconheceu  a menos de 172 anos, o direito de cidadania na fisiologia ao Sentimento ao lado da Inteligência.
                Em oposição a uma unidade absoluta do “Eu”  metafísico, ele verificou  a multiplicidade da natureza humana  e animal,  a qual é assim  solicitada em diferentes sentidos,  por afeições distintas, cujo equilíbrio se torna penoso quando qualquer delas  não prepondera o suficiente.
                Gall, foi o inspirador de todos os trabalhos científicos sobre o Encéfalo, que se sucederam aos seus,  e embora esquecido na melhor de suas produções ( pois foi, e é tido apenas  por um  cranioscopista) , toda a doutrina  das  localizações Encefálicas, se inspirou em seus  geniais  trabalhos.
                Embora Gall , muito se adiantasse  como profundo pesquisador e  conhecedor da anatomia do Encéfalo ( Flourens um grande anatomista da época, admirava-se ao vê-lo dissecar este órgão) ,  foi Gall principalmente  um  fisiologista.
                Instituindo ao seu modo o Encéfalo,  como   sede das faculdades, não há dúvida que ele já estabelecia  hipóteses positivas,  verificáveis;  eram  relações  entre órgãos e funções  que ele estabelecia, independentemente  de  quaisquer considerações sobre  a existência  de  um ser imaterial - Alma- que   fosse o responsável direto e último, da manifestação  destas funções psíquicas, como supunham e supõem os Espiritualistas.
                Os fisiologistas contemporâneos de Gall tentaram determinar a sede da inteligência, pelo método objetivo, experimental, mas este, não é o processo lógico que mais convém a tal domínio especulativo.    
                Muito restrito é  o seu uso,  no que  diz respeito aos fenômenos  mais eminentes da vida , como são os acontecimentos Encefálicos.
                Instituíam-se experimentos em que se  mutilavam Encéfalos de animais  superiores,  aves por exemplo, subtraindo-lhes  porções, e deste modo, procuravam ligar  os  sintomas  decorrente de tão graves lesões, como a inaptidão para a marcha, para o vôo,  à função  da parte  que havia sido removida.
                Diante, destes experimentos em que se tratava, com fragrante menosprezo à integridade orgânica, precisamente no mais  harmonioso dos   aparelhos, dizia Gall (Século XVIII -XIX): “ Quando se leem as experiência dos nossos fisiologistas, sobre o cérebro,  parece que todo o sistema nervoso,  mormente  o Cérebro e o Cerebelo, são concebidos por eles,  como formados  de  fragmentos de cera aplicados uns contra os outros” . E,  após sensata crítica,  estabelecia Gall os seguintes  princípios : “ É  efetivamente impossível impedir a  influência recíproca das diversas partes do sistema nervoso, e  isolar as  irritações, as mutilações, obtendo  resultados distintos e específicos. É uma pretensão absurda, querer aplicar às faculdades Morais e Intelectuais do Homem, os resultados vagos arbitrários  e  inconstantes,  tanto quanto estão  mal observados  nos  galos , nas galinhas, nos pombos, nos coelhos etc” . 
                A pesar da justa autoridade de Gall, e de suas vistas de tão elevado alcance filosófico,  prosseguiram  os fisiologistas, em tentar determinar as sedes  das faculdades mentais e demais funções Encefálicas,  por meio de experiências objetivas . Aos cortes e mutilações  sucederam as aplicações de correntes elétricas , mormente com  os trabalhos de  Fritche e de Hirtzig  na Alemanha e Ferrer na Inglaterra.(Século XIX)
                As discordância  e as contradições  entre os operadores-anatomistas  não cessaram de proclamar  a veracidade das conclusões de Gall. Referindo-se  às  vivissecções  efetuadas no Encéfalo,  chegou o médico Positivista D. Bridges a proclamá-las tão inúteis,  como a  inspeção das entranhas das vítimas, pelos Augúrios romanos - ou Sacerdotes  Adivinhos; As Pitonisas - feiticeiras que  previnham o futuro ; na Grécia,   os Oráculos, que adivinhavam o futuro.
                A  Sede da Inteligência no Lobo  Frontal, como  concebeu Gall e corroborado por Augusto Comte emancipa assim, de qualquer  entidade ontológica - a Alma - bem como a faculdade da Expressão; esta também  localizada no Lobo Frontal,  como uma função encefálica única - a exceção  da discordância,  quanto  à sua  localização-  constitui um legado de Gall .
                Devemos porem assinalar que em face  das decepções  do método experimental, uma reação se despertou em prol da observação patológica como fonte de esclarecimentos  para a  fisiologia encefálica . Existem, com   efeito,  vantagens   em semelhante processo nos estudos biológicos, uma vez que as moléstias  são  verdadeiras experiências espontâneas, no entanto  hoje temos  modernas técnicas  de neuro imagens; tomografia computadorizada por ressonância nuclear magnética e tomografia computadorizada , por emissão de   pósitrons.
                Lançando as Bases  Positivas do problema Moral do Homem e dos outros Animais, não lhe deu todavia,  o pensador germânico,  a solução completa.
                O Filósofo que por lhe haver apanhado o alcance dos trabalhos, salvo-o do esquecimento, recomendando-o à  mais remota  posteridade, foi  Augusto Comte ; Broussais, por este estimulado, terminou a sua gloriosa carreira acolhendo a Frenologia ou doutrina de Gall.
                Cumpre-nos agora mostrar  os  aperfeiçoamentos que o fundador  do Positivismo imprimiu na Obra de Gall ; exporemos num apanhado sucinto a Teoria das Localizações  dos Órgãos Encefálicos segundo Augusto Comte.
                Como já vimos, Gall  inaugurou a Doutrina Encefálica  Positiva, mediante a  distinção entre  o Sentimento e a Inteligência, proclamando ainda a seu modo a preponderância do Sentimento sobre a Inteligência. Sobrepujando assim  as diversas aberrações teóricas  que neutralizavam a sabedoria popular.
                Apesar disto foi defeituosa  a sua distribuição, dessas  faculdades  elementares; e, classificando-as, ele as multiplicou arbitrariamente.  Mas as faltas mais notáveis de Gall,  referente as funções da inteligência, onde sua análise se  tornou empírica e incoerente.
                Reagindo contra as concepções  metafísicas de  Condillac, quanto à preponderância dos sentidos,  Gall transportou aos  órgãos cerebrais, atribuição dos gânglios, da visão e do orgão auditivo,  como, por exemplo,  o talento especial para  a  pintura, a musica etc. 
                Gall isolou o Encéfalo do Soma, esquecendo as  suas mutuas interdependências, a pesar do trabalho de Cabanis, que melhor compreendeu a verdadeira integridade vital.
                A existência individual, em seus acanhados limites, não podia  oferecer espaço suficiente, para uma completa meditação  sobre o problema moral e intelectual. Foi preciso portanto, que o  construtor da doutrina cerebral, tivesse concebido em suas meditações, o espetáculo histórico,  contemplando, deste modo, em seus grandes resultados coletivos, os atributos mais nobres do Homem. Assim, não se pode obter da observação  pessoal,  mais do que  a verificação de leis descobertas através da evolução social. Mas uma tão preciosa  confirmação, só poderia ser bem estabelecida em relação aos animais, nos quais as disposições inatas estão bastante isoladas  das  modificações adquiridas.
                Dotados  das mesmas faculdades que o homem, quaisquer que sejam as diferenças de grau, servem os demais animais de ponto de partida, pois se a apreciação humana complicada pelas influências sociológicas, nos dá funções elementares, que não se encontram nos animais ditos superiores. Devemos por isto, crer que se tornaram como irredutíveis, funções verdadeiramente compostas. Combinam-se deste modo  em Augusto Comte  os dois aspectos, o Biológico e o Sociológico, para formar o Moral.
                Quanto a parte Biológica, o princípio da construção da Teoria Cerebral de Augusto Comte, consiste  em sua  instituição  subjetiva, isto é, na subordinação sistemática  da anatomia à fisiologia.
                Já os fisiologistas  conhecem  o valor deste processo;  é assim que se  distinguem os  nervos sensitivos ( ou aferentes) dos nervos motores ( ou eferentes) , bem como os diversos modos  de perceber a sensação, contidos no  feixe nervoso da  tactilidade. Anatomicamente falando,  estes diferentes nervos são de uma  natureza homogênea. As determinações dos órgãos cerebrais devem constituir, portanto, um complemento  e resultado das práticas de observações  fisiológicas.
                Determinar semelhantes órgãos pelo método experimental, órgãos morais e intelectuais é inexequível. Poder-se-ia fazê-lo mediante o Método Patológico,  fundando deste modo uma Teoria Cerebral ou Encefálica, que  possivelmente poderão ser  reforçadas  por  práticas hipnóticas .
                O Método Patológico ordinariamente utilizado referindo-se às diversas afecções somáticas,  consiste  em  inferir  as  funções  de um órgão, comparando sucessivamente  um organismo são, com outro organismo doentio,  naquele  órgão que se deseja conhecer a função correspondente.
                Com o mesmo tipo de raciocínio  inferido pelo Método Patológico aplicado ao Soma, procurou-se  aplicar a mesma sistemática ao Encéfalo . O Grau de dificuldade surgiu em virtude de não se possuir  os padrões  de saúde, afetiva, intelectual e prática, determinados  com suficiente precisão, conquanto o conjunto das religiões,  jamais houvesse esquecido de apresentar, verdadeiros  modelos  de  virtude , sabedoria e abnegação. Além disso, ficou faltando, considerar as influências negativas e positivas  que os órgãos do Encéfalo podem exercer sobre o Soma;  Saúde ou Doenças  Orgânicas , hoje em dia  irreversíveis   e que no futuro  sob a  orientação da medicina psicossomática, se abrirão para o Homem; os “milagres”  da sobrevivência  quase eterna,  pelo domínio do Soma ou Corpo pelo Encéfalo; e pelo domínio do Encéfalo pela Humanidade, regido pelo Amor e esclarecido pelo Conhecimento Cientifico das Leis Positivas , que regem o Mundo  e o Homem, em sua existência e desenvolvimento Altruístico.
                  Em função desta dificuldade, o grande gênio Augusto Comte, necessitou haver primeiro concebido a filiação histórica, isto é,  o método da Ciência Sociologia; para projetar no futuro  o ideal de um Ser Humano ( Homem e Mulher) e de uma sociedade, plenamente  sadios do ponto de vista afetivo, intelectual e prático, para servir como  modelo subjetivo para as comparações  com os diversos  casos  objetivos  individuais e coletivos.
                Esta  questão foi solucionada  com a grande ajuda  de Clotilde De Vaux , uma mulher terna e pura , inteligente e ativa , que  mostrou a excelência do sexo afetivo permitindo a Augusto Comte superar todos os preconceitos do seu tempo e conceber com nitidez o Ideal Feminino e não feminista; Simultaneamente  os próprios progressos  que  esta  Musa determinou no conjunto do psiquismo do Mestre Augusto Comte ,permiti-o por seu turno  idealizar  com mais  nitidez  o Homem  Mentalmente  e Moralmente  Sadio, para servir de Padrão  Abstrato, para as comparações com os diversos  indivíduos.
                Esta união veio ainda consubstanciar um capitulo da Moral Positiva, que se refere a  um assunto de importância vital  para a sobrevivência  unitária e social  da nossa espécie ;  ou seja,  harmonização recíproca do Homem com a Mulher, pela utilização  sistemática da complementaridade natural que existe   no conjunto dos seus atributos  psíquicos- afetivos , intelectuais  e práticos - com base na lei de Aristóteles- Príncipe dos Filósofos : “ Separação dos Ofícios e Convergência dos Esforços”.
                Continuando: o método patológico é realmente  uma fonte de averiguações,  mas sem que  possa o  observador  dispensar uma ação filosófica que o guie . Em assunto complexo como é o da Alma, sem uma Teoria Positiva do Cérebro Normal, criada por Augusto Comte,  a qual não dispensa  a observação social, os dados importantes passam desapercebidos, assim como fatores meramente  circunstanciais são tidos na conta de indispensáveis. Não se  daria mesmo uma  noção exata da loucura. A observação servira para modificar, até certo ponto, as hipóteses, as quais  devem ser instituídas  sempre as mais  simples,  estéticas  e simpáticas  de acordo com os dado  adquiridos.
                A determinação dos órgãos cerebrais, ou melhor, dos Encefálicos, Morais (Sentimentos), Intelectuais (Espirito) e Práticos (Caráter),   realiza-se  em duas operações: 1)  a sua  enumeração e 2) a sua disposição. Uma e outra operação dependem por sua vez de : a) Uma perfeita observação  nas faculdades elementares do encéfalo:  Morais ou Sentimentais, Intelectuais e Práticas; de modo que, cada uma delas, sendo irredutível, corresponda à uma sede estática, isto é, um pedaço do Encéfalo;  b) uma classificação destas mesmas faculdades, visto como a  disposição dos órgãos tanto Biológicos, como os órgãos de Abstração ou Psíquico, se deve conformar  com as  verdadeiras relações  das funções correspondentes,  afim de permitir a  harmonia geral do encéfalo.
                Quanto ao volume e a  forma de cada órgão, Augusto Comte  considerou uma  questão secundaria, em sua elaboração, o que dependerá do   Método Objetivo,  anatômico  ou direto à ser posteriormente  instituído, que até hoje ainda beiram dúvidas.
.              Augusto Comte manteve , consolidando e desenvolvendo a distinção anunciada por Gall, entre o coração (sentimento) e o espírito (Inteligência), isto é , entre o  Sentimento  e a Inteligência, consagrando  a preeminência  do primeiro com uma verdade  aforada  à ciência moderna, para localizar estes dois atributos gerais , procedeu o filósofo `a hipótese mais simples, que o caso podia comportar. Assim,  colocando o problema encefálico em seu ponto inicial, já se conhecia  os dois aparelhos externos, com os quais o encéfalo se comunica, o aparelho sensitivo ( órgãos do Sentidos) e o aparelho motor ( o conjunto dos músculos), estes dois últimos , hoje em dia, conhecidos como Grandes Vias Aferentes  e Grandes Vias  Eferentes , respectivamente.
                Ora são os órgãos intelectuais ou da Inteligência, os que  entretém relações diretas com os sentidos,  cujas as funções externas  eles concentram  e complementam ; nestas condições , fica a massa encefálica, dividida  em duas grandes porções, uma frontal, correspondente a Inteligência  e outra  posterior (baixa, média e alta), correspondente aos  Sentimentos ( Coração) .
                A palavra Simpático (Simpatia e Afeição) sofre uma divisão entre o Sentimento propriamente dito e o Caráter,  porque,  ao passo que o primeiro designa o impulso , a palavra caráter isolada  representa o conjunto das qualidades de execução,  qualidades práticas , das quais dependem os resultados efetivos mesmo no encéfalo dos pensadores -Cientista, filósofos ,escritores , músicos etc.
                Cedendo à  justa autoridade de Gall, Augusto Comte  acolheu, em sua filosofia, uma distinção entre  Sentimento e Pendor, nos quais o filosofo acabou reconhecendo apenas a  expressão de dois modos alternativos de toda  força positiva,  principalmente vital  e sobretudo animal. Cada função afetiva, portanto, representa um pendor, isto é, uma inclinação ou tendência ou propensão, quando se torna ativa;  e um  Sentimento, quando se torna passiva.
                Quanto ao termo Instinto, este, em sua verdadeira acepção exprime todo o impulso,  espontâneo para uma determinada direção; e tanto constitui  uma função em qualquer animal como  especificamente no homem. Mas tal termo, é mais usado para representar  os pendores mais grosseiros e mais enérgicos  da natureza animal, como o pendor nutritivo ou o sexual.  Ainda há quem use a palavra Instinto para exprimir as tendência para os atos, nos demais animais à exceção do homem; como se fossem impulsos mecânicos, distinguindo-os assim das ações do homem. Isto porém representa resquícios do  automatismo de Descartes, o qual  já não se pode mais admitir depois de  inúmeras e judiciosas observações de Jorge Leroy, as quais  já nos referimos (Cartas sobre os Animais)  e de outros que o sucederam.
                O pendor mais grosseiro e mais geral  na escala dos seres  zoológicos é o nutritivo. Os pendores mais nobres surgem à medida que se sobe na escala zoológica,  sendo mais raros  o número de       seres  a que estes   pertencem.
Anatomicamente o encéfalo representa uma expansão da medula, ele se desenvolve de traz para adiante. Na serie  vertebrada, as partes superiores  e anteriores rudimentares no peixe, desenvolvem-se até os mamíferos mais eminentes.
                Determinando as sedes para os dois grupos de tendências  egoístas e altruístas,  a Teoria Positiva  dá a  extremidade  anterior da região afetiva `a  sociabilidade ( Occipital Alto) - na parte  traseira, da parte mais anterior  do Lobo Posterior ou do Lobo Occipital - Região da Moleira da Criança. Para uma massa mais considerável, a  Personalidade, reservando-se as porções  mais posteriores, isto é, ( Lobo  Occipital baixo e médio) aos instintos mais grosseiros (nutritivo, sexual, materno, destruidor, construtor, orgulho e vaidade).
                Deste modo, parte-se  anatômica ou estaticamente  falando, debaixo para cima, isto é , da parte  posterior  e inferior do encéfalo - occipital baixo, para sua porção  ântero-superior (occipital alto); do mais grosseiro egoísmo, (que confina com o corpo ou soma, pela medula),  para o supremo altruísmo,(que limita com a   região da  mentalidade ou intelectual).
                Semelhante disposição estática consolida a harmonia entre os dois  grandes atributos - A Inteligência e o Amor( Apego, Veneração e Bondade - O  Altruísmo).
                Com efeito, mais do que o egoísmo, é o altruísmo apto para dirigir  e estimular  a inteligência.
                Sobre este texto podemos citar  Augusto Comte :
      “ Ele ( O Altruísmo) fornece-lhe (à inteligência) um campo mais vasto,  um fim mais difícil,  e mesmo uma participação mais indispensável. Sob este último aspecto, sobretudo,  não se sente bastante que o  egoísmo  não tem  necessidade de nenhuma inteligência,  para apreciar  o objeto  de sua afeição, mas  somente para descobrir os meios  de satisfazê-la. O Altruísmo pelo contrário,  exige além disso, uma assistência mental,  afim de conhecer o Ser exterior, para qual ele tende sempre. A existência social não faz senão  desenvolver ainda mais  esta solidariedade natural, em virtude da maior dificuldade  em compreender o objeto coletivo da  Simpatia. Mas já a vida doméstica  manifesta a sua necessidade constante, em todas as espécies bem organizadas.” Política Positiva - Tomo I - Pag 694.
     Assentada  a base da Vida Moral no dualismo assinalado, egoísmo e altruísmo, uma  operação intermediária  transforma-o numa progressão ternária, interpondo entre o egoísmo propriamente dito e o altruísmo ( Apego , Veneração e Bondade), uma ordem de Sentimentos de caráter duplo, pessoais quanto a origem e fins, e sociais quanto aos meios, pois a satisfação a que dão lugar depende dos laços entre cada indivíduo e os seus  semelhantes.
                A sede dos instintos Egoístas de Transição ( Instinto de Aperfeiçoamento + O Instinto de Ambição) ficam sendo uma,  a qual deve  ocupar partes progressivamente mais  altas do Lobo Occipital.
                Consideremos cada um dos três grupos, Moral, Intelectual e Prático das funções psíquicas ou abstratas do Encéfalo.
                As funções psíquicas ou abstratas referentes ao interesse direto, que constitui o egoísmo fundamental, dividem-se em duas ordens de instintos, da conservação  e de aperfeiçoamento.
                Os primeiros, que são os mais enérgicos e mais universais, comportam igualmente uma distinção, segundo se referem à conservação do indivíduo ou  da espécie.  O primeiro - conservação do Indivíduo, é mais geral; o segundo - conservação da Espécie, revela-se nos seres onde sexos são separados; o primeiro é chamado instinto nutritivo, devido à sua principal atribuição, devendo-se não esquecer que ele está ligado a tudo que se refira, direta ou indiretamente à conservação material do indivíduo.
                Gall eximiu o instinto nutritivo, de uma sede especial no Encéfalo. Haja visto como nos animais destituídos de encéfalo, como por exemplo os protozoários, verifica-se a manifestação do instinto Nutritivo. Mas , se a mais ínfima animalidade,  pela falta completa de diferenciação, comporta a  ausência de sede especial,  para o mais  fundamental dos instintos - o Nutritivo, a determinação de tal localização,  é tanto mais imprescindível, quanto o animal cresce em dignidade, isto é, quanto mais  ele se aproxima do Ser Humano,  a qual  solicita pendores mais variados, cujos os diferentes impulsos desviariam o Ser, dos cuidados da  conservação,  se um órgão particular, para o instinto Nutritivo  não lhe proporciona-se  uma  garantia  preponderante.
Comecemos agora  a enumeração dos órgãos dos instintos Egoístas ou Pessoais, isto é :
                O Instinto nutritivo se localiza assim, na parte  cerebral  mais inferior, e mais próxima possível  do aparelho motor e das vísceras vegetativas.
                O Órgão  destinado ao instinto nutritivo é o cerebelo onde estão as funções  Motoras  do equilíbrio entrelaçadas com os dos Movimentos; Movimentos estes os Voluntários, em sua parte mediana, ficando as porções laterais dedicadas à sede  do instinto sexual ou reprodutor, ao instinto de conservação individual, onde Augusto Comte denominou nutritivo em virtude de seu principal atributo. Mas convém notar e não esquecer nunca os outros atributos deste instinto; é ele, por exemplo, que nos impele a tudo quanto pode  assegurar a conservação da nossa existência; assim , é o instinto nutritivo, que suscita todos os movimentos que asseguram os nossos equilíbrios, ele é ainda o que nos submete às vezes a dores, a grandes sofrimentos para salvação da nossa vida. É o instinto verdadeiramente universal na escala zoológica, existindo até nos tipos mais rudimentares. Mas, a conservação da espécie,  além do instinto sexual, compreende o instinto materno, o qual, prende o animal aos produtos e aos filhos; primeiro destes instintos, isto é, o sexual, é mais enérgico e  mais geral, pois  se verifica  nos animais de sexos já separados,  sem que ainda se  revele  nenhuma solicitude da parte dos progenitores  para com os filhos.
                Assim, a localização conservadora  forma a progressão ternária: Instinto Nutritivo, Instinto Reprodutor e Instinto Materno. Estaticamente sucedem-se as três sedes: Parte Média do Cerebelo, ( Órgão Impar); seus Lados (Órgão Par); Porção Médio Posterior do Cérebro Inferior (Órgão Impar), respectivamente.
                Comparados os dois instintos  da Conservação da Espécie, ou seja, o instinto sexual e o materno; verifica-se que um, o sexual,  é mais  grosseiro, prepondera  no sexo masculino; e o outro, o materno, é mais nobre, e prepondera  no sexo feminino.
                Seguem-se aos dois  citados  instintos dos Aperfeiçoamentos, um por destruição e o outro por  construção .
                Ao passo que os instintos da conservação se referem à  vida vegetativa ou de nutrição, estes concernem à vida animal ou vida de relação; mais elevados, embora ainda colaborem como satisfações  pessoais.              .
Os instintos do Aperfeiçoamento são dois, Instinto Destruidor ou Militar; e o Construtor ou Industrial.
                Os dois termos Militar e Industrial traduzem as duas tendências na espécie humana em que, de fato, eles atingem seu termo supremo; o primeiro, o Instinto Militar pela conquista permanente, preparando a Paz; e o segundo, o Instinto Construidor, preparando a  Indústria coletiva.
             Quanto ao papel dos dois pendores do  aperfeiçoamento, um impele a destruir os obstáculos;  o outro,  a construir os meios; o primeiro,  mais indispensável, mais fácil,  mais universal, que o segundo. Este  porém existe, em todos os animais em que  os  instintos de conservação, mormente o materno, exige trabalhos especiais, donde emanam as tendências construtoras dos animais, sobre a influencia da maternidade ; como as aves, que preparam os ninhos, etc.
                A sede do instinto construtor,  reside ao lado do órgão materno, devido às relações  dinâmicas  entre dois pendores, o instinto construtor e materno ( órgão par);  a sede do instinto  destruidor, acima do órgão materno ( Órgão Impar); as tendências intermediárias , de caráter ambíguo, compreende os dois pendores- o Orgulho , isto é, a necessidade de domínio;  a Vaidade  isto é,  a  necessidade de Aprovação.
                Ambos dependem em suas satisfações, dos laços sociais, sendo que a Vaidade é sob este aspecto,  superior ao  Orgulho.
                Apreciados, na Espécie Humana, os dois instintos, Orgulho e Vaidade, eles caracterizam os dois poderes - o Temporal e o Espiritual respectivamente; e o que  comanda e o que aconselha respectivamente;  um tende ao comando,  ao ascendente pessoal pela força; o outro, pela persuasão ou convencimento, respectivamente.
      As respectivas sedes acham-se colocadas: a do Orgulho ao lado do Órgão Industrial ( Órgão Par- Instinto Construtor ), o da Vaidade, acima do  mesmo órgão (Órgão Impar). Termina assim a região afetiva  fundamental  por um órgão mediano, como aquele que a começou.
Completa-se assim , a Progressão Estática fundamental,(Parte  Anatômica e Estrutural da Abstração - Órgãos da Abstração) a lógica das interfaces  e interdependência , grupando os 7 pendores pessoais, comuns a quase todos os animais superiores,  de acordo com as atividades ou funções.
        Passemos agora aos Sentimentos que nobremente determinam a vida Moral; os Altruístas.
                Eles são menos enérgicos e mais eminentes, e formam uma progressão ascendente; formam pluralidade segundo as determinações de  Gall, disposta em progressão ascendente :
                                                Apego, Veneração e Bondade.
            Em sua fraqueza encontram  estes pendores  uma compensação em sua índole eminentemente social; permitem a colaboração, livre de conflitos, em que os seres podem saborear  as mais profundas e agradáveis  emoções.
                O primeiro (Amizade ou Apego) é mais enérgico, liga sempre dois seres, a um tempo; é o instinto da igualdade, e é a base da vida doméstica, ligando os cônjuges, os irmãos e os amigos entre eles.
       
A Veneração aplica-se aos superiores; aos pais, aos mestres, aos antepassados, aos Grandes Vultos da Humanidade. E a todos os fenômenos que estão fora de nossa intervenção. - Poder da Terra, dos stros, as órbitas dos astros, o nascer  e o pôr do sol;  as erupções, os degelos, as tempestades,  as tormentas etc.
                O caráter essencial da Veneração é o da submissão voluntária; animais há, como o cão eminentemente dotados deste  sentimento.
                A Veneração estabelece transição para a Bondade, ou o amor universal,  esboçada pela teologia na caridade cristã . A bondade prende-nos aos inferiores; sua destinação é geral, enquanto que a dos dois  primeiros é especial.
                De acordo com Augusto Comte:
                “ Seu caráter (da bondade) consiste, com efeito, em uma destinação coletiva qualquer que seja a sua extensão. Desde o amor da tribo ou da povoação, até o mais vasto patriotismo, e mesmo até a  simpatia para com todos os seres  assimiláveis,  o sentimento não muda de natureza;  ele se enfraquece  e enobrece, segundo a lei, comum de minha série  afetiva” - Política Positiva Tomo I - Pag 703.
                Retificada pelo filósofo Augusto Comte, algumas opiniões de Gall quanto à  localização dos três instintos Altruístas, acha-se  esta  do seguinte modo determinada: a da Bondade, na mais elevada porção mediana do cérebro occipital; a da veneração imediatamente atrás da Bondade. O Apego, porém, reside  em órgãos pares  aos lados  do órgão da veneração. O Apego,  inclinado de ante para traz,  vem ligar-se, em baixo , ao órgão da Vaidade, mantendo assim  a continuidade total da vida afetiva.
Termina deste modo  a região afetiva do Encéfalo por um órgão par, Apego e dois impares (veneração e bondade)   
Passemos agora apreciar as funções concernentes à Inteligência:
                Distinguem-se duas funções mentais:  Uma relativa à  Concepção  e  a  Expressão . Existe uma grande conexão entre as duas, como o provam  certos termos;  a palavra lógica  oriunda de um  termo grego , quer dizer palavra, e aplica-se ao raciocínio. A pesar de ligadas, as duas funções  da concepção e da  expressão, permanecem independentes, como o provam os casos de moléstias, que exaltam uma,  deprimindo outra; e o desenvolvimento da linguagem, durante a infância o qual precede o  desenvolvimento do raciocínio.
                Augusto Comte, portanto adota a opinião de Gall, que elegeu um órgão especial para a Linguagem, não só no homem como em todos os animais  superiores.
                Quando as relações animais são ainda embrionárias; a simplicidade orgânica, não permite  mais que dois órgãos: um para cada função, a expressão e a concepção. Desde que o  cérebro se desenvolve ,  que as relações animais se ampliam, com o surto do instinto materno, pode-se dizer que o aparelho intelectual se complica, pela divisão da  faculdade  de concepção, enquanto que a da expressão, permanece simples.
                A Concepção divide-se  em ativa e passiva, embora harmônicas.
                A primeira qualifica-se de Contemplação,  a segunda de Meditação.
                Residem  as respectivas sedes:  a da Contemplação, na parte inferior  do Lobo Frontal; e a da                 Meditação, na parte superior do mesmo.
                Augusto Comte faz resultar tal determinação anatômica de duas ordens  de considerações subjetivas: há necessidade de aproximar dos órgãos  sensitivos à função cerebral, que é a única que  se liga diretamente as suas  operações ( Contemplação ), e por outro lado, a obrigação de  fazer suceder à  região afetiva, o órgão intelectual que, em virtude dos dados que fornece ao exterior, tem de apreciar  a conveniência final dos impulsos, que emanam dos  diferentes pendores (meditação). Resolve-se assim, o dualismo mental, em uma  serie ternária : a  Contemplação,  a Meditação e a  Expressão.
                A Contemplação e a Meditação sofrem por seu turno, uma divisão, para que se chegue às  funções verdadeiramente  irredutíveis. Assim, a contemplação  ou  é concreta, referente aos seres, ou abstrata referentes aos atributos.
                À semelhante divisão, correspondem órgãos também distintos; o órgão da contemplação concreta está mais ligado às impressões exteriores, do que o da  contemplação abstrata.
                Menos aproximada dos sentidos, do que a observação concreta, a sede da observação abstrata, representa um órgão impar, colocada na linha mediana como alias exige a solidariedade mais intima de suas duas metades.
                O Órgãos da  Contemplação concreta é par, do qual uma das partes, se acha acima do olho correspondente e tendendo para a  orelha vizinha.
·         Aparelho  da  Meditação compõem-se de dois Órgãos ;
o da Meditação  Indutiva e o da Meditação  Dedutiva.
      O Órgão Meditação Dedutiva é impar, e ocupa o meio da parte superior do Lobo Frontal. O Planejar depende sobretudo dele .A sua sede fica deste modo, em contato com a dos pendores mais nobres; a ordem contígua ao AMOR ( é preciso que o órgão que liga intelectualmente os acontecimentos ( Meditação Dedutiva),  resida perto do instinto que afetivamente ligue  os Seres - (Órgão da Bondade).
                O Órgão da Meditação Indutiva é par, e cada metade  está em contato com o  órgão observador - (Contemplação Abstrata) , que lhe fornece  os dados  habituais - Idéias .
                Resta-nos o Órgão da Expressão:  a função deste órgão consiste em  inventar  os sinais  para comunicação  dos sentimentos e dos  projetos .
                No início da escala  zoológica, a linguagem cifrava-se nos próprios atos, os quais traduziam e traduz  os impulsos, de onde dependem.
                Quando a relações morais dos animais se complicam, a expressão  se torna artificial, formando-se então, pela decomposição dos gestos e dos sons, os sinais ;  no primeiro caso estes  são  representados pelos  gestos  e pelos movimentos, mais expontâneos, correspondentes às paixões ; no segundos  institui-se  a linguagem verbal.
                A  Teoria Cerebral dá, como sede da expressão, cada extremidade  lateral  da região especulativa, ( Lóbulo Frontal- local da Inteligência), estendendo-se depois, para as frontes, ficando, assim  equidistante  do olho e do ouvido, seus principais auxiliares; e por outro  lado,  fica esta sede  contígua à região ativa do cérebro - Caráter, da qual esta região contém um laço  imediato com o conjunto do aparelho - o conjunto dos três (coragem, prudência e perseverança).
                Vejamos agora a aptidão prática ou as funções do caráter.
Todo Ser ativo, diz Augusto Comte, deve ser dotado de coragem, para empreender; de prudência para executar; e de firmeza para realizar.
                As sedes destes atos  devem confundir-se com a região afetiva e com a especulativa , do que depende  a eficácia  de sua atividade, igualmente útil a vontade e ao conselho.
Para a Firmeza  ou Perseverança , fica  destinado um órgão médio , já assinalado por  Gall, atrás da  Veneração  e na frete  da sede  atribuída por Augusto Comte  à Vaidade.
                Aos lados  (órgão par)  reside a Prudência , inclinada para adiante , até a região intelectual, e   cruzando, no início com o órgão do Apego, que pende em sentido inverso.
O órgão da Coragem fica colocado  ao lado do órgão impar da Vaidade. Os três órgãos da atividade ou caráter,  acham-se colocados  na mesma ordem, segundo o crescimento em dignidade, e o decréscimo em generalidade; dispondo-se os órgãos, da coragem  para a perseverança , de traz para adiante  e de baixo para cima.
Apresentamos, no quadro I, o esquema  cerebral,  não algo  que se ache  nas obras de Augusto Comte; ao contrário, segundo o próprio,  a sua  Teoria Cerebral  não comporta, nenhuma representação gráfica, pois a forma  e a grandeza  de cada sede ficam ai indeterminadas (Vide Política Positiva - tomo I ; pag. 730).
Em vez de  escrever as funções cerebrais  num quadro esquemático, indicamos aqui sobre um desenho de um cérebro, segundo a ordem estabelecida pelo  Filósofo, sem a mínima pretensão de localizar, os órgãos com precisão ; a precisão fica somente apontadas segundo as suas mútuas  relações.  
Em função da evolução da ciência  aos dias de hoje , vamos neste momento trazer algumas novidades , apenas como mera colaboração intelectual, para   mostrar   aos leitores , que Augusto Comte , não foi contestado  em suas proposições positivas, mesmo com avanço da ciência ao nível  de hoje.
O cérebro humano  e o seu processo operacional , ou melhor dizendo , seu Processo Mental,  tem sido para nós, o mesmo que o mistério  em torno  da Existência do Planeta Terra , no que diz respeito as dúvidas  sobre o Universo.
          Embora o cérebro, tenha  permanecido  muito mais distante , que a questão da “terra incógnita, no conhecimento  humano, no entanto  recentes progressos  nas ciências  Biológicas, particularmente na Biologia Celular, tem trazido  um incremento aos entendimentos  ou compreensão do que  acontece com o Cérebro - local este, constituído de mais de 30 bilhões de células altamente sofisticadas e  especializadas.
                As estruturas primitivas, envolve na sequência que comanda as Células Humanas , como se fosse interessado com as funções  reguladoras do corpo, tais como  a respirações,  a circulação do sangue e o  sono. Estes centros  são  hoje  bem conhecidos as suas localizações,  na  medula e na coluna vertebral.
                Nas folhas seguintes  , de numero  xxx e www  , apresentamos uma visão sintética de todos os órgãos, componentes do Encéfalo Humano, com bases  nos Critérios Anatômicos(A) e  com base na Segmentação ou Metameria (B), respectivamente.


    Após esta visão Estática, vamos analisar o Aspecto Dinâmico da Abstração , pag yyy

A) Parte Anatômica e Estrutural - Aspecto Estático Biológico 
                                        --  Órgãos Biológicos --
    Divisão do Sistema Nervoso  Com Base em Critérios  Anatômicos.
            I) Sistema Nervoso Central
                  1) Encéfalo                   
                        1.1 Cérebro
                                   1.1.1 Telencéfalo
                                               1.1.1.1 - Lobo Frontal - ou Anterior ou Dianteiro
                                               1.1.1.2 -Lobo Temporal - Lateral Próximo do Frontal*     
                                   1.1.1.3- Lobo Parietal -Lateral Próximo do Occipital*                                                      1.1.1.4 -Lobo Occipital - ou Posterior ou Traseiro             
                                               1.1.1.5 -Lobo Central ( Ínsula) - Dentro do Cérebro
                                               1.1.1.6 - Face Medial             *No texto do Livro
                                                           1.1.1.6.1 - Corpo Caloso   usamos a expressão                                                                                        1.1.1.6.2 - Fórnix   Parietal, para incluir
                                                           1.1.1.6.3- Sépto Pelúcido Temporal e 
                                               1.1.1.7  - Córtex  Parietal propriamente.  
                                               1.1.1.8 - Massa Branca                        
                                               1.1.1.9 - Hipocampo
                                               1.1.1.10 - Ventrículo
                                    1.1.2 - Diencéfalo  
                                               1.1.2.1 - Tálamo
                                               1.1.2.2 - Hipotálamo
                                               1.1.2.3 - Eptálamo
                                               1.1.2.4 - Subtálamo
                                               1.1.2.5 - Glândula Pineal
                                               1.1.2.6 - Glândula Hipófise
                                               1.1.2.7 - Corpo Mamilar      
                                               1.1.2.8 - Corpo Caloso         
                                               1.1.2.9 - Fornix          
                                               1.1.2.10- Pituitária   
                                   1.1.3 - Núcleos da Base e Centro  Medular -
                                    1.2 - Tronco Encefálico
                                   1.2.1  Mesencéfalo
                                   1.2.2 - Ponte
                                   1.2.3 - Bulbo
                        1.3 - Cerebelo
                 2) Medula  Espinhal
             II) Sistema Nervoso Periférico
                   1) Nervos
                        1.1 Espinhais
                               1.2 Cranianos
                  2) Gânglios                                                   
                  3) Terminações  Nervosas                                 

A) Parte Anatômica e Estrutural - Aspecto     Estático Biológico.
Divisão do Sistema Nervoso  Com Base na Segmentação  ou Metameria.
                                          Ou
                            Conexão com Nervos.

1) Sistema Nervoso Segmentar - Pertence ao Sistema Nervoso  Segmentar  todo o    Sistema  Nervoso Periférico , acrescido  as partes do Sistema Nervoso Central  que estão em relação direta  com os Nervos Típicos , ou seja  a Medula Espinhal e  Tronco Encefálico.

2) Sistema Nervoso Supra - Segmentar - Pertence ao Sistema Nervoso Supra           Segmentar o Cérebro e o Cerebelo

                                               #############################

Esta divisão põe em evidência as  semelhanças estruturais e funcionais  existentes   entre a medula  e o tronco encefálico(1) em oposição  ao cérebro e cerebelo(2).

·         Assim nos Órgãos do Sistema Nervosos Supra- Segmentar(2), a substancia cinza se localiza por fora da substancia branca , formando uma camada fina, o Córtex, que reveste toda a superfície do órgão. 

·         Nos Órgãos do Sistema  Nervoso Segmentar(1), não existe Córtex , e a substancia cinza pode se localizar dentro da branca , como ocorre na medula.

·         O Sistema Nervoso Segmentar surgiu na evolução antes do Supra Segmentar e pode se dizer  funcionalmente  que lhe é subordinado.

·         De um modo geral, as comunicações  entre o Sistema Nervoso Supra Segmentar (2)  e os órgãos periféricos  receptores  e efetuadores  se fazem através  do Sistema Nervoso Segmentar(1)

Com base nesta divisão, pode-se Classificar os Arcos Reflexos  em :

                               Supra Segmentares - Quando o componente Aferente  se liga ao Eferente, no                                                                                    Sistema Nervoso  Supra Segmentar.

                      Segmentares - Quando o componente  Aferente  se liga  ao Eferente , no                                                                                              Sistema Nervoso Segmentar.

Os Nervos  Olfatório  e Óptico  se ligam ao Cérebro , mas não são Nervos Típicos.


(B) PARTE FISIOLÓGICA - MORAL POSITIVA - ASPECTO DINÂMICO DA ABSTRAÇÃO

As Funções Sentimentais ou Afetivas determinam os motivos de ação; delas emanam os desejos; são mais espontâneas; as funções intelectuais são consultivas, apreciam as conveniências dos desejos, bem como esclarecem o fim exterior,  para os quais tendem os atos, que as funções práticas efetuam; estas últimas, de fato,  representam a aptidão para realizar as indicações ou desígnios, assentados ou definidos.
                As Funções Práticas ou de Caráter ou de Ações ficam deste modo mais  ligadas às funções Intelectuais ( de Conselho ou de Espirito). A sua sede deve portanto  ocupar uma zona intermediária entre a do Sentimento e a da Inteligência;  mais aproximada  do, órgão Frontal  do que do  Cerebelo.
                Composta inicialmente de  Coração e de Espírito ( Sentimento e Inteligência), oferece-nos agora a Alma Humana , uma sucessão ternária, Sentimento  propriamente dito, o Caráter e a Inteligência. Do mesmo modo, o dualismo anatômico  inicial, resolve-se  na sucessão normal , uma parte posterior  para o sentimento ; anterior para a inteligência  e média para o caráter.
                Ficam as regiões Abstratas principais do cérebro ou melhor do Encéfalo, assim harmoniosamente ligadas, por meio de uma  Análise  Metodológica  Subjetiva.
                O que constitui a unidade cerebral ou encefálica é o Sentimento, Centro Normal de Nossa Vida Moral. Os órgãos, que lhe são destinados, não se comunicam diretamente com o exterior, permanecendo assim ao abrigo de seus estimulantes diretos. A zona Afetiva ou de Sentimento do Encéfalo, se comunicando com as  zonas da Inteligência e do Caráter, recebe de uma  as informações lógicas  de que dependem as suas Emoções, e, à outra  comunica os impulsos, que nascem  de seus Desejos espontâneos,  e é  recitada pelos Atos ou Ações .
                As regiões da inteligência e do caráter mantém relações normais com o exterior, para conhece-lo e modificá-lo, mediante os aparelhos sensitivos e locomotores .
                Como a Atividade, sobrepõem o Apego  e o Entusiasmo, à Inteligência, e estes, o Apego  e o Entusiasmo, estimulam e fertilizam  a Inteligência ou espirito, lubrificando  e iluminando os raciocínios.
                Augusto Comte caracteriza  a harmonia  fundamental da Alma, no seguinte verso, sistemático:
                                               Agir  por Afeição e Pensar para Agir     
                Os atos ou ações  sem um estimulo e um fim afetuoso, são uma desregrada e estéril  atividade.
                O consenso total da vida ou o principio de unidade,  tem o seu regulador supremo no cérebro. Mas durante o sono,  em que a vida Encefálica pode adormecer por completo, desaparecem o consenso  e a continuidade da existência animal ?
                A pergunta corresponde a uma questão rebatida entre os  metafísicos,  sobre  se as  mais elevadas funções da Alma são contínuas  ou intermitentes.
                A solução que oferece a Teoria Positiva do Cérebro , elaborada por Augusto Comte, baseia-se na  conexão  estabelecida por Gall entre a  simetria dos órgãos da animalidade  e a intermitência  de seus respectivos atos; e , por outro lado, na preeminência das  funções afetivas , formando o  centro da unidade e a fonte da  continuidade do Ser ;  não houve uma descontinuidade  de Existência Subjetiva.
                Os órgãos mentais e práticos estão sujeitos a Lei da Intermitência( que será vista mais à frente no texto deste livro),  tanto quanto  os aparelhos externos , com os quais se comunicam, pelas  sensações e pelos  movimentos. Os órgãos afetivos, porém mantém a sua atividade continua, mediante o exercício alternado de suas partes simétricas.( Hemisférios  cerebrais)
                O sono que entorpece as impressões externas e os movimentos, devem entorpecer por igual as faculdades centrais que lhes correspondem, mais as funções morais, para manterem a unidade e a continuidade da Alma velam sempre.
                É preciso ainda  manter a assistência à vida vegetativa,  que está  ligada aos principais  instintos de  conservação.
                Disse Augusto Comte, na Política Positiva- Tomo I - Pag 690.
           “ Sob este  duplo título , a região afetiva do cérebro pode funcionar mais no sono do que                     durante a  vigília, em virtude do repouso das outras duas. A inércia destas, só raramente                  permite a manifestação de tais  operações afetivas  que, quase nunca deixam traços                          distintos e duráveis. Nos sonhos ou delírios, que comportam  uma tal apreciação, esta                       fornece o melhor indício  das inclinações dominantes, então libertadas  de todo o embaraço               exterior 
O Enredo do Sonho, fornece  indicações  sobre os  Sentimentos preponderantes  do Indivíduo; desta forma, a Teoria Cerebral  criada por Augusto Comte , veio antecipar-se  à             uma das conclusões  centrais  da Psicanálise de Freud.
                Em outras palavras, isto acima  dito por Augusto Comte é a expressão positiva  do que               metafisicamente se entende por inconsciente.
A vida afetiva ou de Sentimento comporta por sua vez,  uma divisão : Personalidade (Egoísta) e  Sociabilidade (Altruísta).
Tal distinção lança a base natural da vida moral, esboçada  em biologia. Ela traduz-se  no conflito tão celebrado na natureza  humana, entre  o bem e o mal , ou a  Natureza e a Graça do  Catolicismo; ou entre o Egoísmo e o  Altruísmo, após sua  consagração Positiva.
A Personalidade ou o egoísmo é mais enérgico que a Sociabilidade ou Altruísmo, e domina  na existência  individual; o estado social tende a inverter esta ordem individual, desenvolvendo as   tendências mais nobres e mais fracas e comprimindo as mais grosseiras e fortes. Tanto a personalidade como a  sociabilidade,  os dois aspectos gerais  de nossa existência moral, dividem-se em diferentes tendências elementares,  segundo a regra  taxonômica da dignidade crescente e energia  decrescente.
A Veneração e a Bondade, que formam as funções mais complexas de  Sentimentos compostos de  Inveja, Ciúme, Gratidão, etc, nem os impulsos que levam  a certos atos ou ações  complexas, como o furto,  o assassinato etc. Analisando porem estes sentimentos e atos  complexos através do Quadro Sistemático da Alma -  descortinam-se as tendências irredutíveis que lhes formam a  essência. No entanto nestes sentimentos compostos não  figuram no quadro cerebral de Augusto Comte.
                A Inveja, por exemplo, representa o desejo de prejudicar, de destruir o Mérito, e até a própria vida de outrem, sob os influxos  de um dos pendores egoístas  exaltado e chocado. Assim , semelhante sentimento nasce da união do instinto  destruidor, com um dos outros, desde o  instinto conservador do indivíduo, e da espécie ( no caso formando então o ciúme) até o  orgulho e a vaidade.
                A Gratidão representa uma  inclinação simpática por alguém que nos  alimentou  o interesse , geralmente o instinto da  conservação . Este  instinto de conservarão excita particularmente a veneração; é com efeito, comum venerar a quem  de qualquer modo,  nos ampara materialmente,  moralmente ou intelectualmente. Relação entre estas  duas tendências constitui o fundo orgânico do pendor dos  folhos  pelos pais. Também o apego e a bondade, podem como a veneração  ser estimulados  pelos pendores  egoístas .
                A Vaidade excitada desperta o Apego. A Gratidão muitas das vezes só dura  enquanto se mantém o  egoísmo satisfeito ; nas melhores naturezas , porem, apesar da retirada deste  egoísmo, mantém o afeto , entregue ao próprio delicioso exercício. A sabedoria popular costuma aferir o Mérito Moral, pela gratidão. De fato, quem não é capaz de amar nem sob o estímulo de um egoísmo satisfeito, muito menos  o fará pelo único gozo de amar.
                Sob  outros aspectos , os sentimentos pessoais, muito mais enérgicos  servem de estimulantes ao Altruísmo; como por exemplo o Instinto Reprodutor : Uma união iniciada sob sua influência,  pode acabar consolidada pelo mais desinteressado amor, o qual  continua então  a se manter  à  custa de  seus próprios encantos, vide ; “ Amar e ser Amado, de Pierre Weil ”. O Orgulho, igualmente, reage sobre as tendências Simpáticas. Conhece-se grandes estadistas  que galgaram  sempre o poder  pelo desejo de domínio, fazendo dos estímulos pessoais satisfeitos, um  instrumento para a felicidade da Pátria, como também se observa , no entanto, nem sempre isto ocorre. 
                A sabedoria humana por estas disposições de nosso encéfalo, pode transformar até as nossa fraquezas , o nosso próprio egoísmo, em fontes  de aperfeiçoamento. Como escreveu são Francisco de Sales - 1622 - no livro  a Arte de  Aproveitar-se dos Próprios  Defeitos.
                Certos instintos, como o materno, pela suas fáceis reações , principalmente influenciado pelo progresso social, confunde-se muitas vezes, com as  simpatias que despertam. O Instinto materno é muito comumente confundido com  o Altruísmo, que a ele se associa. Mas, a observação zoológica  evidencia a  natureza egoísta  deste pendor, já bem caracterizado em espécies  nas quais  ele  não se subordina à afeições  superiores. Presencia-se isto mesmo em nossa espécie,  dadas certas índoles morais. Está  na mesma condição o instinto sexual, que  sendo intrinsecamente  um pendor egoísta , pode no entanto despertar  o  Apego ou a Bondade.
                Reconhecida a multiplicidade dos instintos, a harmonia em uma natureza complexa, só pode resultar  da subordinação das tendências  espontâneas à  um  móvel impulso ;  este  motor único , pode ser egoísta ou altruísta . Apreciado através da Teoria Cerebral, a segunda modalidade  de unidade, isto é, a modalidade Altruísta, é a única compatível  com a existência real; é o único durável e completo .
                Os impulsos pessoais são múltiplos, e sendo todos mais ou menos enérgicos, geraram conflitos,  tornando-se  dolorosamente penoso o equilíbrio cerebral. Só a subordinação normal da conduta   por motivos externos,  mediante os laços que nos  unem aos outros, pode determinar  um estado duradouro  e feliz de unidade.
                Segundo Augusto Comte - Catecismo - Pag 50 - 4 edição em Português. :
                              
Todo aquele homem ou animal que nada amando no exterior, não vive realmente se não   para si, acha-se, só  por isso,  habitualmente condenado a uma desgraça alternativa  de  triste  fadiga,  agitação desregrada , trepidação ”.
Existem certos fatos, de  ordem  intelectual, que  também não figuram na classificação de Augusto Comte, como a memória, o juízo, etc.,  e que a velha  metafísica reputava  faculdades simples.
                É que a memória, o juízo,  a imaginação  etc., representam faculdades  compostas , em  que entram as diversas funções simples e irredutíveis da inteligência. Quem recorda um fato, uma  situação, quem imagina, ou  que  ajuíza, estabelece, incontestavelmente, uma colaboração de  faculdades simples, contemplação, indução e dedução.
Ligando-se as funções da atividade às do aparelho muscular, verifica-se que os atos do animal,  dependem de uma contração ou descontração (coragem), da permanecia desta contração ou descontração (perseverança) ou de uma retenção  a contração (prudência)
                As funções simples Abstratas do Encéfalo que acabamos de expor; Morais, Intelectuais e Práticas, concorrem todas na ação complexa da vontade, ou desejo, que é gerada  pelo Entusiasmo, com fundo Emocional; porque querer, segundo a teoria positiva, a Ação propriamente dita, cuja determinação afetiva  ou moral, já foi sancionada pela inteligência; querer, portanto, traduz, a um tempo, sentir ou desejar, pensar e agir; que pode ser resumido em uma máxima de Augusto Comte :
                                               “Agir por afeição e pensar para Agir”.
                Isto tudo que foi dito , no campo da  Teoria Cerebral de Augusto Comte, tal como ela  é expressa  em seu  Tratado de Política Positiva, Primeiro Volume.
Ao terminando esta parte, registramos as palavras do Médico Psiquiatra Positivista, brasileiro, Jefferson de Lemos:
                “Como vimos, tudo começa  no estudo  Científico da Alma Humana, as tremendas  devastações  morais e sociais  desta nossa época contemporânea , cujas consequências desastrosas  todos nós sentimos  e que tem sempre posto este assunto na ordem do dia. No entanto a dificuldade do problema só tem permitido  soluções  empíricas  e materialistas, quando se afastam das soluções provisórias, hoje  profundamente desacreditadas, instituídas pelas religiões teológicas , que guiaram os primeiros passos da Humanidade. Com o nome de psicologia, de ética ou moral,  segundo o aspecto mais teórico  ou mais prático por que se apresentam, estes  estudos pecam  por falta da necessária base  científica, única capaz de  dar-lhes a solução definitiva, segundo as exigências  de nossos dias. Confundindo-se educação com simples Instrução, em virtude da preeminência que se dá  à inteligência sobre os sentimentos; os psicólogos  e pedagogos ainda  tem  suas  vistas  voltadas  mais para a parte intelectual  de nossa natureza, como se basta-se  forma-la e desenvolve-la, para que o problema fique resolvido. Nisto ficam  muito inferiores às doutrinas  teológicas  quaisquer, que sempre se preocuparam com o cultivo do sentimento, dos quais deve decorrer a disciplina normal  da inteligência, segundo  a máxima  do grande  místico  do catolicismo, quando disse na Imitação, com toda a realidade, que os “erros do espírito provem  dos  vícios do coração” . Isto foi ainda acentuado  pelo grande moralista  Vauvenargues ao afirmar que “os grandes pensamentos vêm do coração” .
Estes apanhados empíricos, fizeram com que  Augusto Comte , mostrasse que “não pode haver pensamentos gerais sem  sentimentos  generosos” .
Não basta, pois,  para levantar a alma humana do caos em que se encontram hoje, preparar a inteligência da criança  e do jovem; não será apenas deste modo que se hão de formar cidadãos aptos à vida social. O que é preciso é firmar-lhes o sentimento, que constitui o fundamento de nossa natureza moral, exercitar-lhes sentimentos generosos, corrigir lhes os defeitos egoístas, a fim de que a sua inteligência  e as suas ações se libertem  da escravidão aos maus pendores  que constituem os nossos vícios originais ".

                 Vide  Esquema da Teoria Cerebral de Augusto Comte - Anexo I -

A seguir, com base nos órgãos que  compõem o Encéfalo, apresentamos as funções  operacionais com  suas   atribuições específicas, confirmadas  cientificamente  de forma objetiva até a data de hoje. 

(D) PARTE FISIOLÓGICA -ASPECTO DINÂMICO DAS FUNÇÕES ORGÂNICAS  -     FUNÇÕES  OPERACIONAIS FÍSICO QUÍMICAS DO ENCÉFALO - SISTEMA  LÍMBICO - PROGRAMAS E SISTEMAS DO ENCÉFALO -

(D) Parte Fisiológica - Aspecto Dinâmico Operacional das Funções Orgânicas - Funções Operacionais  Físico-Químicas . Principais Funções dos Órgãos  do Sistema Nervoso Central e Periférico já Confirmados Hoje em dia - 1997 - não contrariando as  indicações  contidas nas Obras do Filósofo Augusto Comte.

I) Sistema Nervoso Central        

1) Encéfalo

1.1 Cérebro

                                   1.1.1 Telencéfalo

                              1.1.1.1 - Lobo Frontal - Área Motora Principal do Cérebro - Caráter e                                                                                          Inteligência  - Centro Cortical da Palavra Falada.Sentimento - ligado ao Sistema Límbico e Hipotálamo     
                                                             Raciocínio -  Olfato.  Parte não Motora do  Lobo Frontal- Ligado ao,                                                                                                                                                    Sistema  Límbico - Raciocínio , Memória .                                                                                                                                                                                                                                                                                   
                   
                              1.1.1.2 -Lobo Temporal - Parte importante do Sistema Límbico e controle do Sistema                                                                                     Autônomo.Memória Recente.  
                                  
                              1.1.1.3 - Lobo Parietal - Área Septal - Prazeres                                                                                        
                  1.1.1.4 - Lobo Occipital - No Córtex - Ligação com  órgãos      visuais                                                                                                    
                              1.1.1.5 - Lobo Central  -  Ínsula

                              1.1.1.6 - Face Medial
                                                          
                                      1.1.1.6.1 - Corpo Caloso - Conecta áreas corticais dos dois Hemisférios, exceção das                                                     do lobo Temporal.; o corpo caloso permite a  transferência  de conhecimentos  e informações                                               de um hemisfério  para outro, fazendo com que eles  funcionem harmonicamente; seção cirúrgica                                             faz  a    incapacidade  de descrever  objetos  colocados  na mão esquerda, embora os reconheça.                                                                                                                                                                                     
                                       1.1.1.6.2 - Fórnix - Órgão que faz a ligação do Hipocampo aos Corpos                                                                      Mamilares - ligado ao Sistema Límbico.      
                                                                                                                                                                                                            1.1.1.6.3 - Septo Pelúcido - Nada encontramos sobre a sua funcionabilidade

                                                                                   
                   1.1.1.7 -Córtex - Substancia  cinzenta que se dispõe numa camada fina , na                                                superfície do cérebro e do cerebelo; o córtex é  funcionalmente  heterogêneo:                                          possuindo áreas  sensitivas , motoras e de associação                                                                                                                          .
                    1.1.1.8 - Massa Bran

                    1.1.1.9 - Hipocampo - Estrutura do Sistema Límbico relacionada principalmente
                                 com a estabilização do comportamento da “Alma”.                                                                                                    
                    1.1.1.10 - Ventrículo -  São espaços
                                                                      
1.1.2 - Diencéfalo

1.1.2.1 - Tálamo - Função de Sensibilidade - Todos os  Impulsos sensitivos ou      sensações , antes de chegar ao córtex , param em um núcleo talâmico, fazendo exceção  apenas os impulsos olfatórios ; o tálamo distribui às  áreas  especificas  do córtex; Sensações                que recebe das  vias lemniscos, integrando-os e modificando-                     os. Algumas sensações como os relacionados à  dor, temperatura e tato protopático, já são  interpretados em nível talâmico . O tálamo possui  função motora, emocional, e com a ativação  do ativadora do córtex. Mas a sensibilidade talâmica, ao contrario da  cortical não é discriminativa, e não permite  o reconhecimento da forma e do tamanho  de um objeto pelo tato Estereognosia  

1.1.2.2 - Hipotálamo- Possui funções muito numerosa  quase todas ligadas a Homesostase , isto é,  com a manutenção do meio interno , dentro de limites compatíveis com o funcionamento adequado  dos diversos órgãos de controle do sistema nervoso autônomo ; regulador da temperatura  corporal; regulador do comportamento emocional; regulador do sono  e da vigília;  regulador da ingestão de água e de alimentos; regulador da diurese;  regulador do sistema  endócrino; regulador  e gerador   dos ritmos  circadianos.   

1.1.2.3 - Eptálamo- Possui formações  Endócrinas e não endógenas  ; a formação Endócrina  mais importante é a glândula Pineal ; as formações não endócrinas , pertencem ao Sistema Límbico; se relacionando com  o comportamento emocional e o reflexo consensual . A glândula Pineal excreta o hormônio Melatonina; as funções deste órgão são  ainda controvertidas ; inibe as gônadas ; regula os ritmos circadianos; o “relógio interno” ; regula  a atividade  imunológica.
                                              
1.1.2.4 - Subtálamo - Regula a Motricidade Somática.  Lesões do Núcleo Subtalâmico, provocam uma  síndrome  conhecida  Henibalismo; caracterizada  por  movimentos  anormais das extremidades . Estes movimentos  são muitos violentos  muitas vezes, não desaparecem nem com o sono, podendo levar o doente a exaustão.

                                               1.1.2.5 - Glândula Pineal - Vide  Epitálamo
1.1.2.6 - Glândula Hipófise - Tem ação Primordial  sobre os testículos e os ovários, produzindo certos tipos  de hormônios excruciais  à reprodução, tanto          feminino como  masculino.                                      
1.1.2.7 - Corpo Mamilar - Nada obtivemos neste momento sobre  a sua ação  funcional
1.1.2.8 -Pituitária - O controle  do crescimento  e  alguns distúrbios corporais           são causados  pelos hormônios gerados  nesta glândula


1.1.3 - Núcleos da Base e Centro  Medular - Núcleos da base do Encéfalo- influência sobre as áreas motoras do córtex  no movimento voluntário já iniciado, e pelo próprio planejamento do ato motor- a degeneração de suas células provoca a Síndrome de   Alzeimer (demência Pré Senil)  onde ocorre uma perda de memória e de raciocínio abstrato subjetivo - Área do centro do cérebro- linguagem.

1.2 - Tronco Encefálico- O Papel  do tronco Encefálico é  agir basicamente na  Expressão das Emoções.
1.2.1  Mesencéfalo- A substância cinzenta  do mesencéfalo possui papel  regulador   de certas formas  de comportamento  agressivo.
1.2.2 - Ponte- Atua nos nervos faciais -Síndroma  de  Millard-Gubler, impedindo o movimento dos olhos ; afeta também o nervo Trigêmeo
1.2.3 - Bulbo- Afeta a  metade da língua;  afeta  os músculos  da faringe e laringe; afeta a metade do corpo, Síndroma de  Wellemberg ; Provoca a perda da sensibilidade térmica;  perda da sensibilidade dolorosa da metade do corpo.

1.3 - Cerebelo - Manutenção do equilíbrio  e da postura , controle do tônus muscular,  controle  dos movimentos  voluntários  e aprendizagem motora.
                       
2) Medula  Espinhal -Possuem  neurônios responsáveis pelo sistema respiratório;  quando agredidos por vírus que destruam  os neurônios motores , temos a este. Responsável pelo sentido de posição e movimento; responsável pela perda  do tato ; responsável pela perda da sensibilidade vibratória.


            II) Sistema Nervoso Periférico

                              1) Nervos
1.1 Espinhais: São aqueles que fazem  conexão com a  Medula  Espinhal , e são responsáveis pela enervação do Tronco, Membros e parte da Cabeça. São em número de 31 pares, que correspondem aos 31  seguimentos  medulares  existentes.
1.2 Cranianos: São os que fazem conexão com o Encéfalo. A maioria deles se liga  ao tronco encefálico, excetuando-se  os nervos olfatórios  e  ópticos que  se ligam  respectivamente  ao Telencéfalo  e ao Diencéfalo.

2) Gânglios : Com relação a alguns nervos e raízes nervosas , existem dilatações constituídas  principalmente de corpos de  neurônios;  conhecidos como  os gânglios . Do ponto de vista funcional  existem os gânglios  Sensitivos  e os Gânglios Motores Viscerais.

3) Terminações  Nervosas : Nas extremidades das fibras nervosas, situam-se  as terminações nervosas, que do  ponto de vista  funcional  são de dois tipos : Sensitivas (Aferentes) e Motoras (Eferentes)


(D)  Parte Fisiológica – Orgânica Divisão do Sistema Nervoso  Com Base em Critérios  Funcionais

Podemos  dividir o Sistema Nervoso   em Sistema Nervoso de Vida de Relação ou Somático,  e o Sistema Nervoso da Vida Vegetativa ou  Visceral.

1) Sistema  Nervoso  Somático - É aquele que  relaciona  o Organismo com o meio ambiente, por meio de impulsos.

                                   1.1   Aferente
                                   1.2   Eferente
                       
       2) Sistema Nervoso Visceral -  É aquele que se relaciona  com a inervação e controle                                                            das estruturas viscerais.
                                                                      
                                   2.1 Aferente
                                   2.2 Eferente  ou  Sistema  Autônomo

                                                            2.2.1 Simpático
                                                            2.2.2 Parassimpático

(D) Parte Fisiológica - Aspecto Dinâmico
              Organização  Morfofuncional
                                      do
                      Sistema Nervoso

Nos mais primitivos dos seres Vivos , sempre existe a necessidade  deles se ajustarem continuamente  ao meio ambiente para sobreviver. Devido a esta necessidade, três propriedades do protoplasma são essencialmente importantes : irritabilidade, condutibilidade e contratilidade. Isto acontece  até em  Sociedade, a começar pela célula  a Família.

                        As células responsáveis por estas operações são conhecidas como neurônios, isto é, células nervosas, com prolongamentos  designados oxônios, cujas as extremidades desenvolve-se   uma formação especial   conhecida como receptor. O receptor transforma vários tipos de estímulos  físicos ou químicos, em impulsos nervosos ou sensações, que podem então serem transmitidos  ao efetuador ( músculo  ou glândulas).
                        Nos animais superiores existe  uma união de  neurônios, de diversos tipos   unidos  de formas diferentes ,para formarem  elementos nervosos avançados  e sofisticados,  cujo  grupamento  se forma o Sistema Nervoso Central.

                        Este sistema nervoso recebe impulsos nervosos ou sensações , vindos de certos tipos de células nervosas - Neurônios Aferentes, conhecidos também por  neurônios sensitivos- que através do seu Axônio , cujo o terminal  a Sinapse, que está acoplado a um outro neurônio receptor - conhecido como Neurônio Eferente, se for de um músculo- é codificado como, neurônio  motor se for de um Glândula - promovendo uma contração ou uma  secreção. Estes  Neurônios pertencem  ao Sistema Nervoso Autônomo .

                 Estes elementos envolvidos formam o que conhecemos por Arco  Reflexo Simples 

     Cabe aqui deixar registrado  que existe  um tipo de  neurônio, o de  Associação , que  promoveu  nos vertebrados  um grande numero de   Sinapse,  aumentando a complexidade do sistema nervoso  e permitindo   a realização   de padrões  de comportamento  cada vez mais elaborado.

Os  Neurônios Sensitivos ou Aferentes, cujos corpos estão nos Gânglios Sensitivos, conduzem para a medula ou para o tronco encefálico (Sistema  Nervoso Segmentar)  impulsos nervosos ou sensações que tiveram as suas origens nos receptores, situados na superfície - na pele, ou no interior  - vísceras , músculo e tendões do animal.

                Os prolongamentos centrais destes neurônios,  ligam-se  diretamente (reflexo simples)  ou por meio de  neurônios  de associação aos neurônios motores (somáticos ou viscerais), os que levam  o impulso ou sensações aos músculos  ou as glândulas, formando-se assim , arcos reflexos  mono e polis sinápticos.

                Exemplo :
                Tocamos a mão em uma chapa quente. Neste momento, é importante  que o sistema nervoso  supra segmentar  - Cérebro e  Cerebelo, seja  “informado”  do ocorrido. Assim os neurônios sensitivos ligam-se  a neurônios de associação,  situados no Sistema  Nervoso  Segmentar.  Estes  neurônios de associação levam estas  sensações ou impulsos ao cérebro , onde o mesmo é interpretado, tornando-se consciente e manifestando-se como dor. O Primeiro é a sensação de calor - a caloração, depois vem a retirada reflexa, e por fim vem a dor. A mão é retirada devido a caloração.

                As fibras que levam  ao Sistema Nervoso  supra Segmentar  as informações recebidas do Sistema Nervoso Segmentar, constituem as grandes vias ascendentes do sistema nervoso.

                As Ações Subsequentes  após a dor,  demandam  uma série de movimentos que envolverá  a execução   de um ou vários atos motores  voluntários. Neste momento, os neurônios do Córtex Cerebral enviam uma  “ordem” ou melhor   “Ordens Codificadas” , por meio das fibras descendentes, aos neurônios motores, situados no Sistema  Nervoso Segmentar,  informações  sobre o grau de contração e descontração tridimensional  e, envia por meio de vias descendentes complexas, impulsos capazes de coordenar a resposta  motora,  via cerebelo.        


(D) Parte Fisiológica - Aspecto Dinâmico Operacional   Físico-Químico e Biológico                      
                          Do
                                    Sistema Límbico
 Na fase medial de cada Hemisfério Cerebral observa-se  um Anel  Cortical contínuo constituído  pelo Giro do Cíngulo, Giro Para-Hipocampal e Hipocampo.  Este Anel Cortical , contorna as formações   inter-hemisféricas e foi  considerado por Broca , como  um Lobo Independente  , o Grande Lobo Límbico( de Limbo = Contorno) . Este Lobo é Filogeneticamente muito antigo, existindo em todos os vertebrados.

                O Lobo Límbico, está  relacionado ao Hipocampo e Tálamo, unidos no circuito de Papez. Desempenham funções, como a elaboração do processo subjetivo central da Emoção, mas também   participa da  expressão  de tais emoções . O Lobo Límbico pode ser conceituado como um Sistema  Relacionado Fundamentalmente com a regulação dos processos  Emocionais  afetando o sistema nervoso autônomo.  

(D) - Parte  Fisiológica   da   Alma ou Psique ou Mente

                        Áreas Encefálicas Relacionadas com a Alma. 

Introdução :
            O comportamento do estado da Alma, isto é, das 18 “Funções Vetoriais do Encéfalo”, indicadas por Augusto Comte, afetado internamente, primeiramente  e primordialmente  pelo “órgão” do Sentimento (10) (3 altruístas e 7 egoístas), que gera o Estado Sentimental, que por sua vez é acompanhado, subjetivamente, por um vetor Subjetivo E , que externa a harmonia ou desordem entre os Sentimentos  Altruístas e o egoístas ; cujo o grau  de oscilação, deste vetor subjetivo E, que definimos como Emoção, isto é, o seu conjunto expressa o Estado Emocional do Ser :  complementando: é a  forma ou modo de externar os Sentimentos.

            Esta Emoção também  ocorre acompanhada simultaneamente de um componente do “órgão” da Inteligência”, a Expressão (mímica, oral e escrita), cuja a intensidade e facilidade de Comunicação gerada, vai depender do nível de Pensamento, que por sua vez  depende da lucidez do conjunto das ideias, que estão armazenadas  nas Memórias.

            Isto tudo  acoplado ao Caráter ( prudência, perseverança e coragem) .

         Esta parte dita subjetiva da interligação  do Sentimento, com a Inteligência  e com o Caráter  do Ser, a Medicina Moderna, codifica  de “ Conjunto Emocional Central Subjetivo”, que para os Positivistas  é  um velho conhecido, e explicado, pela Teoria da Abstração - por meio da Contemplação e da Meditação.

            E por outro lado, a Expressão (oral, escrita e mímica) gera a Comunicação , que a Medicina Moderna  codifica  como “ Conjunto Emocional Periférico, cuja a ação  recai sobre  o Soma (somático), sobre as Vísceras (visceral) e podemos dizer agora, com certeza,  sobre  a Sociedade (social) .

            Os distúrbios ou as harmonias viscerais , provocadas pelas Emoções, promovem por sua vez, outros distúrbios  ou outras harmonias, que inicialmente não constavam  do Soma,  do próprio Encéfalo e da Sociedade,  de forma patológica  ou de saúde.

            Como não havia Prêmio Nobel em 1825, Gall ( 1757 – 1828)  não foi agraciado  e somente mais tarde, quase 120 anos depois,  Hess veio a confirmar o que Gall já havia escrito nos seus  6 volumes- Sur les Fonctions du Cerveau et Sur  Celles de Chacune de ses Parties-  a respeito dentre outras coisas, de que o cérebro  era um aparelho e não  um único órgão.

            Sabemos hoje que a “Alma”  ocupa  territórios  bastante grandes  do Telencéfalo  e do Diencéfalo, nos quais  se encontram  as estruturas que integram o Sistema Límbico, a Área  Pré-Frontal , o Hipotálamo, o Tálamo e o Tronco Encefálico - que participam  da  formação e das atividades  de  nossa “Alma” -

            Existe uma teoria que admite que  o Encéfalo seja  formado de diversos Sistemas de Programas-Software, semelhante ao que ocorre com os computadores, que participam de diversos Órgãos - Hardware ; segue a ideia de alguns “programas”:

1) Viver e Escolher ;2) - Crescer , Reparar e Envelhecer;  3) Pensar; 4) Evoluir ;5) Controlar e Codificar ; 6) Repetir ; 7) Despregar, desdobrar ; 8)  Aprender , Recordar  e Esquecer ; 9) Tocar, Sentir e Lastimar ; 10) Ver ; 11) Necessitar, Nutrir e  Avaliar ; 12) Amar e Cuidar ; 13) Temer , Odiar e Lutar ; 14) Ouvir , Falar e Escrever ;15) Saber e Pensar ;16) Dormir Sonhar e  Estar Consciente ; 17) Ajudar , Ordenar e Obedecer; 18)  Desfrutar , Jogar e Criar; 19) Crer e Venerar ; 20) Concluir e Continuar etc.

            Do ponto de vista neuroquímico, os territórios encefálicos relacionados, com a “Alma”, são afetados pela alteração da concentração de alguns dos seus componentes, aqui  não eletrônicos de uma placa de CPU de computador mas, de produtos químicos, que alteram o Estado Emocional; estes produtos  ativos ou melhor, estas substâncias  ativas, onde podemos destacar os peptídeos, os opiláceos e as monoaminas, estas últimas originárias em grande parte nos neurônios do Tronco-Encefálico. A riqueza destas áreas em monoaminas, em  especial, noradrenalina, serotonina e dopamina, é muito importante, tendo em vista  que muitos medicamentos utilizados em  psiquiatria  para tratamento de distúrbios do comportamento(ação) e da afetividade(sentimento), agem modificando o teor de monoaminas encefálicas. Recentes pesquisas provam que  algumas monoaminas e o opioide endógeno beta-endorfina, exercem uma ação moduladora  sobre a memória. 

                Augusto Comte, ao escrever  o Quarto volume da  Política Positiva  ou   Tratado de Sociologia , Instituindo a Religião da Humanidade , concebeu a coordenação das Leis Naturais  formando os  domínios próprios da Filosofia Primeira, da  Filosofia Segunda ,  da Filosofia Terceira; instituindo ainda  A Moral Teórica , a  Moral  Prática e o  Quadro Geral  dos Progressos Humanos - isto é, O Estado Normal, do Sentimento, da Inteligência e das Ações  Humanas, entrelaçando, O Trabalho, A Produção, O Salário , O Capital , A Propriedade, A Religião, A Arte, A  Filosofia e A Política  .

Vejamos agora  as 15 Leis  da  Filosofia Primeira ;e as definições positivas de cada uma das 7 ciências básicas, cujo conjunto forma a Filosofia Segunda,  esclarecendo assim  seus respectivos objetivos, que são por sua vez estabelecidos em termos  de regras práticas, isto é, princípios de ação, na Filosofia Terceira ou Tecnologia. Mas primeiramente, achei por bem relembrar didaticamente e sinteticamente a Teoria da Abstração, para consolidar esta base da estrutura da Doutrina Positivista. 

Teoria da Abstração :

 Como vimos em detalhe A Abstração é a operação cerebral, pela qual separamos as Propriedades de cada Ser e,  reunindo  subjetivamente suas  propriedades às  propriedades semelhantes de outros Seres; fazemos de cada uma delas  um Ser a parte, que isoladamente estudamos. 
Propriedades são as diversas manifestações dos seres, isto é , são  os Seres em Ação , também conhecida como, atributos ,isto é ,  efeitos desses  Seres .

Aqui, o Ser ou corpo é a pessoa, o animal, a planta, a rocha, o calor, choque elétrico, etc alguma coisa que o cérebro percebe através dos seus oitos sentidos ou indiretamente a partir de sentidos correlacionados, ou ainda com apoio instrumental que correlacione o fenômeno e suas correspondentes variações de intensidade, a um ou mais dos nossos oito sentidos.

O conjunto dos Seres forma o  Mundo.

 O conjunto dos cérebros  humanos e de animais  formam a Sociedade Pensante ou Inteligente .
Tudo que é relativo ao Homem, isto é, ao sujeito que percebe  o Mundo,chama-se Subjetivo. Tudo  o que é relativo ao Mundo, ao objeto percebido pelo Homem, chama-se Objetivo .

A operação de Abstrair  compreende   duas fases :

        1) A  PRIMEIRA  É  A  FASE  DE SEPARAR AS  DIVERSAS PROPRIEDADES DO SER
        2) A SEGUNDA  É A FASE  DE   REUNIR  E ESTUDAR  AS PROPRIEDADES  COMUNS .

Na primeira fase temos  a contemplação  e na segunda  a meditação

Exemplo :  Um copo de  Cristal - Contemplação Concreta.

             Notamos desde logo neste corpo uma existência  quantitativa, notamos  que ele  é uma unidade - um ; que é mais ou mesmos longo, largo e espesso, tem forma definida,   bem como suas dimensões são bem determinadas .Notamos, quando o largamos de nossa mão, que ele tende a mover-se, em direção à Terra, tende a cair, se o não detivermos impondo algum obstáculo; o que quer dizer  possui movimento e por conseguinte peso. Percutido  ele soa. Ao contato, ele indica  que é mais ou menos frio; ao ser visualizado, que ele reflete luminosidade, ele é mais ou menos luminoso. Atritado  com alguns outros corpos, adquire a propriedade de  atrair  os mais leves , manifesta assim o que chamamos de eletricidade estática, possui um efeito elétrico .E nos evoca  fatos  ligados a  nossos Sentimentos, manifestando assim o efeito do Amor. .

            Se tomarmos como exemplo uma barra de ferro, concluímos que as mesmas observações  se repetem .

           Passando-se dos corpos inanimados  aos Seres Vivos, notamos que ainda se reproduzem  fatos análogos, e mais profundamente o sentimento de Amor é aguçado.

            Quando estamos contemplando uma Rosa   e um  Beija - Flor, eles   revelam  aos nossos sentidos, um atributo  de amor, um atributo numérico e um atributo dimensional; demonstrando poder mudar, em parte ou totalmente seus atributos, intenções  amorosas, e as suas posições no espaço, vindo a evocar maior ou menor, êxtase amoroso ; maior ou menor liberação de calor, maiores ou menores movimentos; o odor que possuem é mais ou menos ativo; refletem luz; manifestam energia eletrostática e bioquímica e além disto tudo, expressam uma qualidade nova, a Vida .

      Em geral todos os seres , em maior ou menor grau, mostram parcial ou integralmente  estas qualidades ou atributos que acabamos de enumerar; o número, a dimensão, o movimento, o peso, o calor, a luz, o som , a eletricidade, a Vida, o Amor são atributos  reunidos em cada Ser , que o fazem conhecido . Sem eles não há  Seres Reais .
     
     Vimos também que os atributos isolados  são  Seres Fictícios .

  São um conjunto de Propriedades que chegam aos nossos órgãos sensitivos, com os quais compomos nosso quadro do Universo Sensível, de acordo com nossas necessidades  afetivas , intelectuais e práticas .
Os  fenômenos de magnetismo e de radioatividade, por exemplo, não fazem  parte diretamente do nosso  Mundo  Sensível, sendo percebidos indiretamente.
Terminada a parte inicial da Abstração, fase esta em que se separam os efeitos diferentes  revelados por cada  Ser, começa  a Segunda Fase , em que  se combinam  as propriedades semelhantes  dos diversos Seres .

            Nesta  segunda fase os encéfalos dos animais e dos seres Humanos comparam as variações da mesma propriedade isto é,  fenômeno, ou  propriedades diversas, buscando as relações constantes que existem entre estes fenômenos (ou propriedades). ( Operação  Cerebral de Meditação) .

            Assim, tomando os fenômenos de forma ou de dimensão , temos:

A circunferência  e o diâmetro de um círculo ; comparando entre si  estas duas propriedades (ou fenômenos), encontrou  o gênio de Arquimedes .
            O perímetro do círculo  é maior que  3 vezes, e menor que 4 vezes  seu respectivo diâmetro;  ou igual ao número  incomensurável, conhecido como PI = 3,141592653589793298462643............ .

       Procedendo analogamente com outros fenômenos, novas e semelhantes relações se  descobrem:  mas nem todas estas relações podem ter  a mesma precisão :

            Por exemplo, Bichat  descobriu que na vida animal  toda função intermitente ( descontínua)  tende a tornar-se habitual ; isto é , uma relação entre fenômenos (ou propriedades) vitais, tão certa como a relação encontrada por Arquimedes entre a circunferência e o diâmetro; mas a relação reconhecida por Bichat é incomparavelmente  menos precisa que a anterior; pois  na lei de Bichat não se pode determinar o coeficiente  numérico  fixo (espaço) e constante(tempo) que  interliga a frequência intermitente  à  habitualidade contínua, que  definiria  o tempo preciso , para que  um destes fenômeno se transformasse no outro. Mas em ambos os casos, (de Arquimedes e de Bichat)  ocorreu a descoberta  de uma relação invariável entre propriedades (ou fenômenos):

            O perímetro do Círculo e o seu diâmetro, na relação de Arquimedes ;

            A  Intermitência e o Hábito( costume) , na relação de Bichat .

Estas relações denominam-se  Leis Naturais ; são relações  constantes entre  fenômenos (ou propriedades, ou atributos) variáveis, ou o modo regular de variação de um fenômeno (ou propriedade) por meio de outro .
O conjunto das leis dos atributos constitui o que se chama  a teoria destes atributos. Temos assim:
                                   a) Teoria do Número                          
                                   b) Teoria das Dimensões
                                   c) Teoria do Movimento
                                   d) Teoria do Peso
                                   e) Teoria  do Calor
                                   f) Teoria  da Luz
                                   g) Teoria da  Som
                                   h) Teoria da Eletricidade
                                   i) Teoria do Magnetismo
                                   j) Teoria da Radioatividade                                                 
                                   k ) Teoria  do  Olfato ou Odor
                                   l) Teoria do Paladar              
                                   m) Teoria do Tato     
                                   n) Teoria da Composição e da Decomposição Química
                                   o) Teoria da Vida Biológica- Biologia
                                   p) Teoria da Vida  Social - Sociologia                                  
                                   k)  Teoria do Amor
                                   r) Teoria da Inteligência
                                   s)  Teoria da Ação - Caráter
                                   t)  Teoria do Sono - Hipnose

            Neste momento,  estão em estudo  à procura   de fenômenos   ligados ao encéfalo, com intuito  de esclarecer certos fatos ditos mágicos , às vezes muito explorados por charlatões ,  uma possível  ligação direta   de um encéfalo com o exterior  ou com outro Encéfalo- Telepatia - Telecinésia - e outras, mas por enquanto, nada comprovado. Por isto nada ainda  de Positivo. 

            O conjunto das Teorias forma a Ciência; assim,  toda a ciência é  essencialmente  Abstrata; de modo que sem o conhecimento da Teoria da Abstração, jamais se poderá instituir regularmente o ensino Científico. 

Filosofia :
            A definição geral de filosofia ,é aquela cujo enunciado é  capaz  de envolver a totalidade  dos diversos sistemas, isto é ,das diversas formas de  pensamento  existentes , do passado e do  futuro e do presente , esclarecendo-as .Esta  definição não poderia pois, se caracterizar por nenhuma  particularidade  de  qualquer  corrente  de pensamento ; ao contrário,  seu enunciado deve poder   encerrar  o que há de verdadeiramente comum  à todas elas .

                 Exemplo  : São Tomás de Aquino , procurou  uma definição geral de Filosofia , mas falhou        nesta  tarefa , por falta de princípio de  generalização e de relativismo :  Dizia que Filosofia era      o ramo do conhecimento que tinha por finalidade o estudo das causas primeiras  e finais  dos   acontecimentos .
                   Ora,  nem todo o sistema filosófico , propõem-se  a investigação deste tipo de conhecimento ; logo esta não pode ser a definição  geral  de Filosofia.

Era como definia Aristóteles e nós Positivistas comungamos.

Filosofia é  o “conjunto de concepções  Gerais  sobre o Mundo e sobre o Homem”,  interligados e entrelaçados.
               
Filosofia Primeira ou Fatalidade Suprema
            Ela consiste no conjunto de  15 leis Naturais verificáveis e  aplicáveis sob diversas formas à matemática, à astronomia, à física, à química, à biologia, à Sociologia Positiva e à Moral Positiva . A Filosofia Primeira  trata de leis  mediante as quais, as Leis das Diversas Ciências são estabelecidas ; daí dizer-se que a  Filosofia Primeira é o  Núcleo  gerador das 7 Ciências. Estes quinze princípios gerais são ainda  intuídos  em diversos fenômenos Particulares de cada Ciência, constituindo este, aliás, um outro aspecto da  Universalidade destes quinze princípios.


Filosofia Segunda
            Corresponde ao conjunto das  Leis Particulares de  cada uma das 7 ciências - Matemática ,Astronomia, Física, Química, Biologia, Sociologia e a Moral, acima  enumeradas e das demais Ciências de “Interface” - Bioquímica ; Biofísica ;          Físico-química; etc

Filosofia Terceira      
                        Corresponde às regras práticas que decorrem da aplicação das Leis das Filosofias Primeira e Segunda, ao domínio concreto, isto é, dos Seres: A  Tecnologia
               
            É bom lembrar, neste momento, que a Doutrina Positivista adota como científicas somente as Concepções Positivas, isto é, as que possuem estes  sete seguintes atributos, simultaneamente:

· Realidade - é o oposto, àquilo que está em contradição aberta com o conjunto dos fatos observados sobre o Mundo Objetivo e Subjetivo.                                                                    

· Utilidade - é aquilo que encontra aplicação para o aperfeiçoamento Geral da Ordem Universal.

· Certeza - é a capacidade de segurança que oferecem as nossas concepções quanto à sua realização futura.

· Precisão - refere-se a determinação justa das coordenadas - espaços /temporais - dos acontecimentos futuros.

· Organicidade - sinônimo de concatenação, coerência consigo mesmo e com o conjunto das demais concepções que formam a totalidade do Sistema Harmonioso.

· Relatividade -  Relativo significa relacionado a/ou relacionado com; tal palavra designa oposição ao Absoluto, ou seja, àquilo que supostamente independeria de quaisquer relações Objetivas e Subjetivas.

· Principalmente Simpatia-  é o Altruísmo ou a Sociabilidade.

         Após a compreensão da  base da Doutrina Positivista, no que tange a Teoria da Abstração vamos conceber  o que realmente trata a Filosofia Primeira, isto é, a Fatalidade Suprema, como parte do Dogma da Doutrina Positivista. Vide os detalhes no Slide 19 e 20   bem como mais informações no Livro: A Palestra sobre Positivismo de P. A. Lacaz e no Livro "Augusto Comte para Todos".


         Este último objetivo é certamente o mais essencial para a  felicidade  Individual e Coletiva, bem como, o mais difícil  nestes tempos revolucionários onde o Homem tende a se revoltar  e  a se tornar amargo ante os  menores  embargos à concretização dos seus  caprichos.      

            Assim, apresentaremos sempre ao final das explanações enciclopédicas,  um exercício subjetivo  referente  à cada Lei que está sendo  tratada. Visam estes exercícios,  arrematar a instrução teórica  mediante uma  orientação  de ordem pratica, segundo o principio  do Positivismo: Agir Por  Afeição e Pensar para Agir.



AS LEIS DA FATALIDADE SUPREMA 

I)SEÇÃO MAIS SUBJETIVA -  GRUPO - TANTO OBJETIVA COMO SUBJETIVA  


- 1ª SÉRIE  - 
                 7.4.1)  1.1) Lei das Hipóteses ou Lei da Relatividade- Formar a Hipótese mais simples, mais                                      simpática e mais estética que comporta o  conjunto  dos dados a representar .
(                                             ( Augusto Comte)
                Chama-se Relatividade, a propriedade do que é relativo.  Opões-lhe o atributo do que é Absoluto.
                Relativo é tudo que resulta de Relações e Absoluto, o que supostamente  independe  de qualquer relação.
                Assim os seres  extraterrestres , os sobrenaturais, os anjos , os demônios , os espíritos, as fadas , a Branca de Neves , os Sete Anões , etc. são seres puramente Subjetivos- Absolutos, e  os  Seres Terrestres , os  Homens , os Animais , as Plantas , são Seres Objetivos- Relativos.  Como só  os  segundos são Reais - (da existência deles ninguém duvida)   e os últimos são fictícios , (as suas existências  embora  admitida por muitos , não o é por todos  , nem  é provada , mesmo para os que admitem,  como são comprovadas as dos outros); assim, só o conhecimento dos últimos é o conhecimento real. Mas como a ficção tem  origem na Realidade,  os próprios seres extraterrestres  lembram  essa origem ; todo Ser , seja real ou fictício, é essencialmente relativo , nasce entre relações, entre o homem  e o mundo. “Tudo é Relativo: eis o único  princípio Absoluto” - é o aforisma, em que  se baseiam,  todos  os nossos  conhecimentos. É o princípio do Relativismo, formulado por Augusto Comte, no início de sua carreira Filosófica.

                Dizer que tudo é relativo, é dizer  que tudo são hipóteses. Nada sabemos  fora  dos limites  impostos pelas  contingências  humanas  e terrestres .Todas as noções que possuímos sobre os seres   e os fenômenos,  são  imagens  aproximadas  da realidade  objetiva ou subjetiva. Ora  essas imagens  recordam entes  e atributos  objetivamente reais, ou  ora,  entes e atributos  fictícios, que só são subjetivamente  reais.

                Sempre, em todos os casos, nossos  conhecimentos  são  hipóteses , que se tornam  mais ou menos aproximadas  da realidade objetiva ou subjetiva , conforme  o maior  ou menor  número  de elementos fornecidos  pela  observação.

                Examinando as hipóteses, verifica-se o trabalho do espírito ou inteligência humano, fazendo  estas hipóteses,  simples , simpáticas  e belas.

                     Percorrendo toda a escala dos fenômenos, apreciando os fatos  astronômicos, sociais e morais, acessíveis  a vida  doméstica  e a vida  cívica, os acontecimentos   elementares  , como os mais transcendentes, sempre se nota   a veracidade da Lei :

                “A Inteligência espontaneamente faz a  hipótese mais simples , mais estética e mais    simpática, de acordo com  os dados adquiridos.”

                Induzida da contemplação do Mundo, no tempo e no espaço,  constituindo um princípio, geral, base fundamental  e eterna  de todos os conhecimentos, essa lei, pode ser enunciada, como regra, ou norma, pois conhecida   por  Lei  da Subjetividade, isto é, sua forma de ser, segundo a qual se  raciocina, ligando o Objetivo  ao Subjetivo; é, pois natural  que se constitua  uma norma a seguir; para guiar ordenadamente a formação dos pensamentos, sistematizando a espontaneidade inicial, por uma fórmula  que  a  exprima  e prescreva explicitamente.

Daí teremos o  enunciado que  converte a espontânea Lei Natural em uma sistemática regra de conduta :

“Formar a hipótese mais simples, mais estética, mais simpática, que comporte  o conjunto dos dados a representar”, segundo a Augusto Comte  ou Fazer a  hipótese mais simples , mais  estética e mais  simpática , de acordo com os dados adquiridos .

          Regulando a formação  das hipóteses , a lei  da relatividade  , regula  todas nossas                          concepções  reais e fictícias.  Daí a distinção entre as hipóteses Verificáveis e as                                 Inverificáveis.

1). As  Hipóteses Fictícias   se referem à criações  puramente subjetivas , que podem ser  puras quimeras , como  os deuses  e  as entidades espirituais; ou artifícios lógicos , como  o espaço, a inércia, a matéria, a força  etc.
                              
2)   As Hipóteses Reais, compreendem as leis naturais, as hipóteses propriamente ditas ,isto é, as leis  efetivas que expressam as relações  entre  fenômenos, realmente encontrados, e as leis antecipadas que se supõe poder existir entre alguns  fenômenos.
                                              
                                               2.1) estas primeiras são hipóteses  verificáveis   e verificadas
                                              
                                               2.2) estas segundas são hipóteses  verificáveis mas não  verificadas  

Exemplo: “A soma  dos ângulos  de um triângulo  plano retilíneo , é igual  a dois ângulos retos”
                              
                               É uma hipótese  verificável e verificada ; é uma lei  Natural .

                               Certas proposições  , tais como , certos  planetas  descrevem parábolas , cujo                                 foco é o sol  ; é uma  hipótese verificável , mas até o seculo XIX não era verificada.

                Além dos Artifícios  Lógicos  ou Hipóteses Lógicas  e das  Hipóteses Científicas , temos que  também considerar, os ideais estéticos  e os planos  técnicos : isto é, As Hipóteses Afetivas e as Hipóteses Práticas. 

Os Seres e os Fatos  imaginados  pela poesia verbal , sonora ou plástica, são hipóteses afetivas, isto é, artifícios estéticos.

O Projeto de uma máquina  ou de uma fábrica , os seus planos industriais, são hipóteses  práticas , isto é, artifícios  técnicos.

Em resumo, temos que,  abstraindo-se  das  puramente quiméricas e,  bipartindo-se as hipóteses científicas  em  verificadas e inverificadas, podemos classificar as hipóteses em  Lógicas, Estéticas ou Afetivas ; Científicas e  Práticas ou Técnicas.

Todas estas Hipóteses  obedecem  invariavelmente  a Lei da Relatividade . Como as nossas leis não passam  de hipóteses aproximadas  da realidade , a lei da relatividade  pode ser chamada  de Lei da  Hipótese.
               
                                 Assim podemos visualizar  , na sinopse abaixo , que :
                                           1) Lógicas


HIPÓTESES...............   2) Estéticas ou Afetivas

                                                                                               Verificadas ( Leis Naturais)
                                           3) Científicas .........................    
                                                                                                    
                                                                                               Inverificadas ( Hipóteses propriamente  ditas)

                                           4) Práticas ou Técnicas   


Vamos, neste momento, evidenciar a universalidade da Lei das Hipóteses, verificando sua presença em  todas as ciências positivas :

                Na Matemática: Conceber que a Redução Ordinária da Fração  Decimal da Constante  Pi a 0.14  não altera o resultado final  do problema desde que  este arredondamento , tenha sido  predeterminado pelo grau de  precisão  , previamente definido  com +/_ x % . Verifica-se pois a elaboração da hipótese mais simples, mais simpática  e mais estética  no assim chamado arredondamento; a propósito,  esta característica geral da nossa subjetividade,  expressa na primeira lei da filosofia primeira, pode ser compreendida  como uma adaptação  humana  à inequívoca predileção  da fatalidade, pela qual  intuímos, por parte do Mundo, em inúmeros fenômenos , uma correspondente  tendência expontânea à beleza, à simpatia e à simplicidade. Basta-nos considerar  algumas constantes  tão freqüentes  nos  fatos  matemáticos, como os três  exemplos abaixas  .

                O número áureo Ø,  encontrável nas equações de  espirais, corresponde  ao número

            fracionário 1+ 1          
                                          1+       
                                                  1+ 1
                                               ...............          
                Outro exemplo é a base  dos logaritmos Neperianos - ( ln) ;

                               O Número   =  2 +_1_  
                                                                         1+1__       
                                                                               2+2__
                                                                                    3+3 
                                                                                              ...........

                E ainda o Número  Pi  =  3 + 1_
                                                                 7+1_
                                                                    15+1___
                                                                         31 +1____               
                                                                                 63 + 1
                                                                              ...............

               
                Na Astronomia :

                                Exemplo 1: Conceber os astros  como  compondo uma espécie  de  cúpula mesmo sabendo estarem  eles  a  distâncias   diferentes  em  relação à Terra . Para fins práticos  supomos que estejam numa  mesma  superfície da  abóbada. A  primeira ideia  foi de que os astros estavam todos engastados firmemente  em uma mesma cúpula, daí se usar na época o nome de Firmamento.    
                                                               
          Exemplo 2: Vejamos, a forma de  acerto, que esta tendência, tem demonstrado; primeiramente  foi a Terra considerada  um plano - A  mais simples de todas  as superfícies , depois  uma esfera - O mais simples  dos  sólidos  curvos, e por  último  um esferoide  -  O mais simples  deste último, após a esfera . 
                              
                              
        No início  , quando os primeiros observadores  estavam  mais   juntos ao solo,  e não tinham  elevado   seus olhos aos  céus , as extensões muito limitadas  que   percorriam  ,davam-lhes  a impressão de um  plano .

       Mais tarde, devido à contemplação do céu, o homem percebeu, ao caminhar para o Norte, que  a estrela Polar , se elevava  cada vez mais ,revelando que  o caminho  percorrido , devia  ser curvo e não reto ; desta forma imaginaram, ser a Terra  uma esfera. Finalmente, observando que esta elevação, não era a mesma , segundo a   direção do caminho  percorrido, concluíram que a curvatura não era  uniforme, e sendo  a Terra  não propriamente  uma esférica,  mas sim  um esferoide.

        Em todos estes casos , variando os dados , variavam as hipóteses ; mas, sempre se                    fez a hipótese  mais simples , de acordo com os dados disponíveis . Não  só a  mais                     simples ,como também  a mais simpática, e a mais bela .
                          
Notemos , que o plano  é,  a imagem geométrica das planícies  verdejantes , das águas tranquila  ,dos lagos  e dos rios , onde encontramos os mananciais  de amor e beleza.. A  esfera, recorda a abóbada  celeste , abarrotada de estrelas , onde  estão presos o Sol e a Lua, os dois astros mais belos e mais amados , que surgem aos nossos olhos  , como um disco de fogo, círculos luminosos , como forma análogas  á  curva geratriz  da esfera.. O  esferoide , imagem apenas deformada  da esfera ,     sugere , as mesmas considerações , da forma   de onde tem sua origem, apenas atenuada , pela  falta de  uniformidade da curvatura ,  e por outro lado  não elimina a sua beleza  e a simpatia da hipótese.

               
Na Física  :  Conceber que  a capacidade de  reconhecimento  das cores dos objetos(  quando estes são  ocultados  por uma   lente colorida), esta capacidade de reconhecer  a cor do objeto , não fica comprometida ; pois  não só  não  esquecemos a tonalidade da cor do objeto, quando o   havíamos  observado  sem as lentes ; como ainda  ao observarmos outro objeto com a mesma lente , concluímos   que a mesma tonalidade   expressa a mesma cor do outro objeto , desde que os   dois objetos tenham a mesma cor . Só por observação e inferência  se conclui; hipótese mais simples, mais  simpática e mais estética. Não há necessidade de  se procurar técnicas complexas e sofisticadas, para se chegar a  uma conclusão deste tipo. 

        Na Química : Conceber , para todos  os fins  práticos, como sendo constituída  de corpúsculos                indivisíveis  a  matéria  dos corpos  que se oferecem  ordinariamente à composição .


                Na Biologia : Conceber a morte  como fator não ligado  à Vida :  embora a morte  jamais          tenha    faltado   aos  corpos vivos .

                Na Sociologia : Conceber como  prejudiciais todas as tentativas de  enxertar  o passado da      história  humana  no presente ,além do  limite próprio a que  exigem nossas necessidades    afetivas , para  venerá-lo; nossas necessidades intelectuais , para compreendê-lo ;e nossas       necessidades práticas,  para desenvolvê-lo,  melhorando-o .O que for além deste limite é     Retrogradação, e o que for aquém deste limite é  Anarquia( baderna- desordem) .  

                Na  Moral

                        Exemplo 1)

                     Quando  nós  somos  apresentados  a um  ser humano ,em princípio admitimos que   ele                     não é indecente , trapaceiro  e manobreiro.  Mas sim  moralizado , integro e parceiro,                          isto é amigo..
                              
                        Exemplo 2) Hierarquia dos sexos :
                              
                               Ora um, Supera  o outro , num determinado  aspecto ; mostremos,  que o homem                                   e  a mulher se complementam.

               Na fase inicial  da Conquista da Terra  pelo homem, a preponderância da força física, colocou o sexo masculino no primeiro plano. A  maternidade não era algo tão importante na união conjugal: assim os filhos eram bem   mais considerados filhos dos pais, que  das mães. Na Bíblia, o primeiro filho teve pais  e não teve mãe Eva, nasceu de Adão; a mulher do  homem.  
               
               Na mitologia grega, concebe-se  a filha sem mãe: Minerva  nasceu de  Júpiter.
               Nas coortes  celestes, os deuses dominam as deusas. Júpiter supera  Juno.
             No céu de todas as religiões, a divindade  suprema é  sempre masculina.

             Só após  uma longa evolução começou um movimento favorável  ao  sexo  feminino, especialmente, quando o Catolicismo  mostrou a necessidade  de desenvolver  as  forças morais. A Mulher deixou de ser considerada  um ser  desprezado , para ser considerada  a mãe  de um Deus: Jesus é filho de Maria; ainda assim  existe a preponderância do homem  ; Jesus precede a Maria,  na Hierarquia celeste.

            Embora o desenvolvimento da Humanidade, tenha  subordinado a força  bruta às forças Morais, isto não bastou  para deslocar  a posição  do sexo masculino, pois este continuou  a manter  o cetro do espírito ou da Inteligência. O desenvolvimento intelectual  é diretamente  uma obra do homem, no que esta representa de mais  sensacional, através das criações científicas , estéticas e  industriais.

                  Foi necessário  o gênio  de Augusto  Comte, para  demonstrar  que a evolução espiritual  ou  da inteligência, está ligada  ao predomínio do sentimento, isto é, do sentimento altruísta, e que à Mulher,  nós devemos  diretamente a  formação  da Alma  humana: o Homem  faz as grandes Obras  e a  Mulher  os Grandes Homens.  Fazer Grandes Homens, no sentido não só  de  pari-los, mas, principalmente de Educá-los, no que se refere aos Sentimentos; subordinando o egoísmo ao Altruísmo. Não falaremos em Instrui-los, cientificamente em outra oportunidade.


                Em carta ao  Dr.  Audiffrent , de 24 de março de 1857, Augusto Comte assim escreveu:

                   " Eu faço a Educação ir até à concepção( fecundação), aperfeiçoando a presidência materna (a supremacia educativa da mãe) e a influência social que ela  transmite". (...) Este verdadeiro começo sistemático da Educação (...)não poderia tornar-se jamais plenamente normal sem ir até à concepção, de modo a compreender o estado pré-natal. Todas as outras fases da vida humana tem mais ou menos suscitado cuidados especiais, mas aquele(o estado pré-natal)nunca foi objeto de uma solicitude regular, mesmo da parte das Mães, embora tal fase deva ser certamente influir mais que qualquer outra sobre o conjunto de nossa evolução, principalmente até o fim da virilidade, como tão bem vós o sentistes."  

          A vanguarda  da psicologia  atual, somente hoje começa perceber estas profundas    influências do organismo da mãe sobre o embrião.

Com as  obras  intelectuais  oriundas  diretamente  de Mulheres  Excepcionais  e a revelação pública de talentos femininos, cada vez mais numerosos  em todos os ramos,  formulou-se hoje em dia a hipótese de  que a Mulher  é igual ao Homem.             
               
Mas  o estudo profundo  do comportamento  cerebral da Mulher  no tempo  e no espaço , revela  irrefutavelmente que os dois  sexos  não são iguais , mas  diferentes  e complementares ; queiram ou  não, as mulheres possuem menos qualidades práticas que os homens, mais qualidades afetivas que eles,  e força intelectual semelhante , em sua intensidade, e de natureza complementar e não oposta  - a expressão  sexo oposto é profundamente infeliz, pois as diferenças que existem entre os dois sexos, longe de colocá-los numa pretendida oposição formam a base  de uma complementaridade natural. Ao se analisar as 18 funções  do encéfalo em cada um dos sexos , nota-se que a Mulher é mais sintética e o homem mais analítico. O homem  tem a sua inteligência mais  de contemplação abstrata e meditação dedutiva; a mulher de meditação indutiva e contemplação  concreta. O Homem é mais sonhador, planejador e a mulher mais  tática do que estratégica. A Mulher é voltada mais para as pessoas humanas , já o homem é mais voltado para o mundo material.A Mulher não gosta de correr risco, tem mais prudência, na formação do seu caráter.

Com a evolução Social do Mundo  vão se tornando cada vez menos progressivamente importantes  as  funções encefálicas preponderantes  no sexo masculino, e cada vez mais importantes as funções encefálicas  que  preponderam espontaneamente no encéfalo feminino.

Em todas estas três hipóteses , a Mulher  é inferior ao Homem a Mulher é igual ao Homem - A mulher é superior ao Homem ; destaca-se não só a simplicidade, mais ainda a simpatia e a beleza, com que são constituída, de acordo com os dados  de cada momento  histórico.

A Mulher primitiva , como a fêmea  dos animais, era um ser sem atrativos , e incapaz  de defender a coletividade pela  única força  útil , preponderante na época , a força física ; era  um animal feio e fraco; ao passo que o homem , era , ao contrário , belo  e forte. Daí a hipótese mais simples e mais bela :  a Mulher é inferior ao Homem.

Com o correr dos tempos, adquire a Mulher qualidades físicas capazes de aproximá-la mais do companheiro, senão em força, sim em beleza, mostrando ainda  aptidões  mentais  que dele a tornam rival. Esse movimento de dignificação da Mulher, que se prolonga  pelos nossos  dias, determinou a segunda hipótese, a da igualdade dos dois sexos: a Mulher é Igual ao Homem; o feminismo contemporâneo não defende outro aforismo, mas pode-se verificar que hoje sobretudo, tal feminismo é que corresponde de fato ao verdadeiro masculinismo;  visto como são as atividades masculinas , e as caraterísticas  psíquicas  e mesmo físicas do sexo masculino, que são tomadas  por padrão  pelas maioria das mulheres, principalmente burguesas.

Mas a ciência Positiva  demonstrou a mais de 150 anos , que em nossos dias , de acordo com os dados adquiridos , mediante a contemplação sistemática do espetáculo histórico ,  em conjunto com a análise da alma feminina ,isto é,  o sexo da beleza  e do amor ;  aquele que representa melhor  as qualidades  estéticas e simpáticas, é o  sexo feminino ; de sorte  que a hipótese  mais simples , mais simpática  e mais estética , sobre a hierarquia  dos sexos  é que a Mulher  é  superior ao Homem, pelo enfoque de grandeza “vetorial”, correspondente do somatório Vetorial das 18 funções do Encéfalo feminino, quando comparada a este mesmo conjunto no Encéfalo masculino. É por isto que se diz que  se existisse uma civilização somente de homens e outra somente de mulheres, as das mulheres teria menos atrito e por isto  muito mais sociável, mesmo que fossem educadas, com os mesmo padrões de educação da outra civilização teórica acima indicada.

                Vide conventos dos padres  e freiras, e vide ainda  alojamentos femininos e masculinos             das atuais universidades.

                Mas cada um, no seu lugar, “ cada macaco no seu galho”  . “A separação dos Ofícios e              convergência dos Esforços”, eis a chave da  harmonia  dos  sexo masculino e feminino, isto é,      dos sexos naturalmente complementares. Leiam os links até o final.

http://sccbesme-humanidade.blogspot.com.br/2013/01/president-obama-is-counting-on-you.html

http://palacazgrandesartigos.blogspot.com.br/2014/02/sex-in-human-degeneration.html

http://sccbesme-humanidade.blogspot.com.br/2013/02/reduzir-violencia-armada-nos-eua.html
http://sccbesme-humanidade.blogspot.com.br/2013/05/thank-you-for-your-message.html
               

7.4.2)    1.2)  Lei da Imutabilidade . Conceber como imutáveis as leis quaisquer  que regem os         seres  pelos acontecimentos , posto que  só a ordem abstrata  permita apreciá-las .
                (Augusto Comte)

                Chama-se  Imutabilidade,a propriedade  do que é  imutável. Imutável é tudo o que não muda; é constante;  não sofre variação.
Em um determinado momento, a contemplação do Mundo  e do Homem   dá-nos  impressão  diversa.  Em torno de nós, tudo varia.

                O espetáculo celeste, os  acontecimentos  terrestres , os fatos sociais, são múltiplos e variados . Para a criança e o selvagem, para o indivíduo e a espécie , no principio da sua evolução,  essa impressão imediata de mutabilidade toma o aspecto de verdadeira confusão. No principio, segundo a enérgica expressão Bíblica tudo é caos .

                Mas a medida que a criança e o selvagem crescem e se desenvolvem, que o homem e a  Humanidade infantes  evoluem, vai  pouco a pouco,  desaparecendo a confusão inicial, do caos primitivo.

                No meio da  variedade confusa de entes e  atributos, começa a  notar-se  alguma  coisa de constante. Volvendo os  olhos  aos céu ,  se as nuvens permanecem confusas e multiformes,  se às vezes encobrem totalmente a abóbada  azulada  e outras  desaparecem de todo, o mesmo não ocorre com o Sol e a Lua. Descobre-se que o primeiro destes astros , nasce e cresce periodicamente, que o segundo muda de forma  também em períodos regulares; que o movimento diurno e as fases da lua  seguem certa ordem; que um  e outras  estão sujeito a relações determinadas;  de modo tal  que se pode antecipar  a posição  de cada um destes astros na esfera celeste, para períodos longínquos, séculos e milênios além de nós.

                O que se descobre assim  entre os atributos celestes  vai pouco a pouco  se descobrindo também entre os outros atributos; os atributos  físicos, químicos, biológicos, Sociológicos e  Morais isto é, psíquicos. Mas ,  assim como na  contemplação do céu achamos Ordem, Constância, Imutabilidade, apreciando o movimento diurno e as fases da lua, e desordem, inconstância, mutabilidade, no movimento das nuvens,  assim também percebemos modificações  no que concerne a todas as outras  propriedades dos Seres . Em todas as propriedades  há  as que  estão subordinadas  a relações fixas, de modo a poderem ser   feitas previsões mais ou menos precisas,  conforme o grau de complexidade delas, e as propriedades  que  nenhuma relação nos apresentam, escapando-nos às nossas previsões.

                As relações constantes  existentes  entre os atributos, descobertas  pela  Genialidade  da Humanidade, isto é, a Inteligência de nossa espécie, representada  em cada momento histórico por grandes  individualidades , tendo sido plenamente verificadas  a maior parte das vezes  pela previsão  dos respectivos atributos e pelas aplicações  industriais, políticas  e  morais, e tendo, aumentado dia a dia o número dos atributos que, a principio independentes entre si, se reconhece afinal estarem também sujeitos a  relações constantes, e como estas relações são sensivelmente as mesmas  em todos os lugares  e em todos os tempos, isto levou o gênio de Augusto Comte, a concluir por indução que tudo está sujeito à  relações ou equações, que não variam  nunca; tudo está sujeito à  leis naturais. Acaba assim o reinado da confusão e do arbítrio.

                Enunciada como preceito ou regra,  a Lei  da Imutabilidade pode também ser   formulada em termos   de um  princípio:

                Nossa Subjetividade, isto é,  ou Nossa ALMA  tende espontaneamente  a conceber  como imutáveis  as leis quaisquer  , que regem os seres  segundo os acontecimentos, visto como  só  a ordem abstrata permite apreciar estas leis.

                Verificada  a  Imutabilidade na variação regular dos atributos, nasceu a indução de que  todas as leis  Naturais são imutáveis . Em quaisquer dos casos  verifica-se um arranjo real, no meio da aparente confusão ,  comprovando-se assim, a cada nova vez,  que ao invés  da desordem  impera  a ordem universal.

                Esta indução,  tendo dependido da elaboração  milenar  de todas as ciências não pôde ser formulada nitidamente  até que houvesse  terminado  o estudo científico de todas as categorias de  atributos. Por isto mesmo  só depois que Augusto Comte  submeteu à  Leis científicas,  os atributos mais complexos da sociedade e do homem , pôde ser então formulada a Lei da  Imutabilidade.

Vamos, neste momento, evidenciar a universalidade da Lei da  Imutabilidade, verificando sua presença em  todas as ciências positivas .

Na Matemática

                  Exemplo 1) A equação  explícita  ou expressão  da  relação algébrica  do segundo grau , ax2  + bx + c = 0  retrata   uma única e imutável  correlação entre as variáveis (a,b,c) e a incógnita (x) .
                                                              
           Exemplo 2) O teorema de Pitágoras: O quadrado da Hipotenusa é igual à soma dos quadrados  dos catetos; expressa um aspecto imutável das existência dos triângulos retângulos quaisquer.
                                                              
Na Astronomia: Os antigos  astrônomos consideravam fixa a inclinação do plano da eclíptica, sobre o plano do equador, mas as observações mostraram que esta  inclinação varia  mui lentamente, variação só apreciável após vários séculos. Durante longo período, portanto, esta inclinação poderia ser  considerada como  fixa  ou imutável. As leis relativas ao movimento dos astros, decorrem de observações de  períodos muito longos  mas não se pode afirmar que  em prazos ainda maiores, estas  relações não sofram pequenas  modificações, ou pequenos acréscimos. Em princípio  porém, estas leis devem ser consideradas imutáveis, para que seja possível  fazer previsões. 

Na  Física O ciclo de Carnot, introduzido por  Sadi Carnot em 1824 , este ciclo   determina  o   limite de nossa capacidade de   converter  calor em trabalho. O ciclo de Carnot será  sempre constituído  de duas transformações reversíveis, duas isotérmicas e duas adiabáticas. Os coeficientes desta  transformações variam, mas o ciclo sempre terá duas transformações reversíveis isotérmicas e duas adiabáticas, que  serão sempre imutáveis.

Na  Química: Dadas as condições definidas  de  temperatura,  pressão  e concentração dos reagentes, e as características físicas do reator, tem-se  determinada  a constância do  rendimento da reação .
                              
Na Biologia : O Exercício conveniente  de um órgão, o desenvolve; aprimorando-se  ainda sua respectiva função ;  a falta de atividade ou inércia deste mesmo órgão  o atrofia,  bem como degenera sua  correspondente função. Isto  é chamado  na  biologia de Lei do uso e do desuso.

Na  Sociologia :  O  Amor  é  o fator imutável  que  provoca , mantém e desenvolve  a   instituição da Família, da Pátria e da Humanidade. 
                                  
Na   Moral: Os  nossos atos  e as nossas concepções estão sempre sob a influência  dos  nossos  sentimentos, este é um fato  imutável do nosso psiquismo: podemos ter  sempre a  certeza  de que   ao depararmo-nos , com qualquer  ação ou pensamento , nosso ou de terceiro, verifica-se  e maneira Clara (explícita) ou Velada (implicitamente) a presença dos  impulsionadores afetivos isto é, dos  Sentimentos.

                              
7.4.3)  1.3) Lei da Modificabilidade- As modificações quaisquer  da Ordem Universal, limitam-se sempre à intensidade dos  fenômenos, cujo arranjo  permanece inalterável .( Broussais)
                                              
                Podem os fenômenos  ser considerados  sob dois aspectos: o da sua intensidade e o da sua conexidade. Sob o primeiro aspecto o estudamos  de per si,  sem os comparar com outros da mesma ou de diferente natureza,  apreciando-lhes  apenas a variação isolada ; sob o segundo aspecto, comparamos dois ou mais atributos entre si, estudando-lhes as conexões e sua variação simultânea.

Vamos, neste momento, evidenciar a universalidade da Lei da  Modificabilidade, verificando sua presença em  todas as ciências positivas .


  Na Matemática : As variáveis que compõem as equações , que expressam  as leis ,podem                        sofrer variação de intensidade, mas a equação permanece inalterada .
                                              
                Considerando-se o triângulo como  um  fenômeno ou seja  ,                                                                   considerando-o como a  triangularidade, vemos que ele é                                                                      variável apenas na  intensidade de suas  arestas ( podem ser                                                         concebidos triângulos maiores ou menores ) , mas, o  arranjo                                                 dos seus diversos componentes é sempre o mesmo. Como por                                                               exemplo a soma do seus ângulos internos.
                                              
                                                                              Como disse Tales de Mileto :
                                                              
" Em qualquer estudo  que se fizer  , a soma dos ângulos                                                                          internos  de um triângulo  é  igual  a dois  ângulos retos ,                                                                        queiram  ou não  os Deuses  ou os Reis
                                              
 
Na Astronomia : Se a Terra se movesse isoladamente em torno do sol, verificaríamos nitidamente a execução da Lei da Gravitação universal,  sem nenhuma consideração particular.Mas  se admitirmos outro planeta  com  a Terra ,  já o movimento se altera   em virtude da mesma lei; a presença dos dois planetas associa-se à modificações previsíveis dos seus respectivos movimentos*. A lei é a mesma, e pode ser sempre  constatada, o que altera é a intensidade dos  fenômenos; e ao invés de dois planetas  supusermos um planeta e um satélite ,as alterações recíprocas serão outras , mas  a lei da  Gravitação será sempre a mesma : Tudo se passa como se a Matéria atraísse a  matéria  na razão direta das massas e na razão inversa do quadrado da distância , disse Isaac Newton .
* Metafisicamente falando, corresponderia dizer  que  estes planetas exercem ações                                recíprocas, uns sobre os outros. Esta ação reciproca é uma suposição, um artifício                         lógico nosso; que,  bem aplicado, e principalmente aplicado  de modo consciente, como                       tal ,  e nada mais ; pode ajudar  nosso discurso, tornando-o menos prolixo, isto é,  mais                              sintético; toda via ,   quando ela é usada para  explicar a causa do fenômeno ou atributo                          incorre-se na tautologia que analisamos logo no início deste livro.


Na Física :  Com relação  à queda dos corpos encontramos perturbações que à                              primeira  vista, parecem  invalidar as leis de  Galileu -1638, mas que bem                                           investigadas  as  confirmam, quando consideramos os coeficientes de atrito ; de                        modo que mais uma vez, o que se verifica, em termos de modificação, é que estas                            modificações estão  limitadas de fato unicamente à intensidade do atributo                                                respectivo.
                                                              
Cada par de corpos  estabelece entre si um coeficiente de atrito que                                                    afeta seu movimento , no entanto estão regidos  pela mesma                                                                    equação  de movimento .               

                                Na Química :  As substâncias  químicas, orgânicas e inorgânicas  que entram nos  organismos vivos , são compostos dos mesmos elementos químicos, encontrados em outras  partes da natureza, mas  sendo absorvidos pelo  organismo, são metabolizados pelas reações bioquímicas , e  catalisados pelas enzimas . Caso estas enzimas forem sintetizadas  fora do organismo vivo e  colocadas ao lado dos regentes  in vitro,a reação se processará, gerando os mesmos produtos  que o organismo vivo metaboliza.     


Na Biologia:  As  Doenças são a expressão , por via  de Excesso ou de Falta, nas                             intensidades das        variáveis  que compõem a   Equação  de Saúde .O Estado  que                                corresponde ao equilíbrio  desta equação  é conhecido como  Saúde ou Higidez
                                                                          
                                                                           O Câncer e a Necrose , são a reprodução celular manifestada em seu                                                                superávit  e  em seu déficit   respectivamente.

                                                                           O médico  Broussais , contemporâneo de Augusto Comte , foi quem percebeu                                                                            este comportamento.  


                                                            Na Sociologia :     A Equação do Relacionamento Social , que conduz  à Guerra pelo                                                                 incremento das grandezas das variáveis relacionadas com o Egoísmo , é a                                                                                   mesma Equação, que conduz  à   PAZ, quando  prevalece o  incremento das                                                                                    variáveis ligadas ao Altruísmo.               
                           

                                                            Na Moral   :   A Equação que rege  os fenômenos morais no Santo  é a mesma que                                                                    preside  aos fenômenos  morais  do criminoso;  Entre o Santo e o Criminoso  a                                                                             diferença  está em que, no  Santo a  variável cuja intensidade  decide  o seu                                                                                 comportamento é o mais            eminente altruísmo; e no caso do criminoso , a                                                                                            variável  é o Egoísmo em Excesso.
                                                                          
                                                             Os estados  mentais  de  loucura e de  idiotia , são  o resultado do  predomínio                                                                          das variáveis  , respectivamente  subjetiva  e  objetiva na  equação que expressa a                                                                      razão ;              Na loucura a subjetividade  desconhece, ou procura desconhecer, as                                                                                 indicações  da objetividade ; e na idiotia é a variável ligada a objetividade  que                                                                        predomina .

                                            Em  Biologia, Sociologia e Moral , onde se encontram  a palavra Equação , fica uma                                                                 importante ressalva :
                                            Por um lado o grau de complexidade destas ciências ,e por outro lado as limitações  inerentes                                                           a própria natureza humana , impedem  que  estas equações sejam  configuradas                                                                     matematicamente ; e nem  esta matematização é necessária ou deve ser procurada , pois só                                                 viria a causar perturbação da ordem natural ,induzindo os pesquisadores  a resultados                                                     esdrúxulos e  artificiais , que por sua vez poderiam  predispor à  grandes aberrações                                                                           Biológicas , Sociológicas              e Morais. Vide  os Sistemas Econométricos com as  suas Metafísicas .                                                   
            
                                            As três  leis  acima exemplificadas  são , ao mesmo tempo , objetivas e subjetivas .
                                            Embora  devam essas leis referir-se ao mundo  exterior ( incluindo-se nele o homem) , sua                                                    formulação contém forte dose de Subjetivismo, porque  os fatos que estas leis expressam                                                      correspondem à  forma de ser  natural  do entendimento humano; forma esta  que é uma                                                  conseqüência expontânea  de nossa organização cerebral .

               


II)SEÇÃO MAIS SUBJETIVA - 2º GRUPO - ESSENCIALMENTE SUBJETIVA  


- 2ª SÉRIE  - 
                                           LEIS ESTÁTICAS DO ENTENDIMENTO
               
7.4.4)   2.1)Lei da Construção Subjetiva  -  Subordinar  as Construções  Subjetivas aos  Materiais Objetivos .   
                              
Aristóteles -" Nada existe na  Inteligência , que não provenha da  sensação,” complementado por Leibniz , que disse:  a não ser a própria  inteligência. " (Aristóteles /Leibniz/Kant) .

                A Construção subjetiva é o que o nosso encéfalo elabora. Tudo o que  pensamos , partindo  de nós , provindo do sujeito, é por isso criação nossa, criação subjetiva. Mas tal construção não surge espontaneamente ; não é inata. Resulta de elementos que ao Homem fornece o Mundo; provém de objetos introjetados, pelo sujeito;  nasce de materiais  objetivos. De sorte  que toda construção  subjetiva  promana de uma correspondência  entre  dois mundos:  o exterior objetivo , e o  interior  e subjetivo.  Toda  concepção  depende  do Homem e do Mundo , do sujeito e do objeto.

Devemos ao criar, criar explicitamente com base nas informações exteriores .

Vamos, neste momento, evidenciar a universalidade da Lei da Construção Subjetiva, verificando sua presença em  todas as ciências positivas .

Na Matemática : Em uma superfície plana, a linha reta  é o caminho mais curto entre dois pontos .Formula-se uma proposição oriunda da realidade refletida com relativa exatidão. A observação  direta e precisa  dos fatos geométricos,  leva-nos a  tal  postulado .

Na Astronomia : A observação  telescópica de certos fenômenos  astronômicos , levou alguns cientistas   a formularem modelos matemáticos, levando-os a conclusões  subjetivas, que depois foram comprovadas  praticamente

Na FísicaAs observações objetivas realizadas em termologia  levaram o Cientista Kelvin , por  extrapolação à  concepção  teórica ( subjetiva)  do  zero absoluto , temperatura esta que corresponderia  ao esperado estado  de ausência total  de movimento da matéria ( moléculas e sub partículas). 


Na Química O químico  Kekulé , ao estudar a fórmula estrutural do benzeno , observando os macacos  se “divertindo “  no zoológico, deparou-se com a seguinte cena : as  duas mãos de um determinado macaco seguravam  o rabo do outro , foi  ai que se  deu o estalo  subjetivo - insight - imaginando   com sua inteligência e raciocínio, as ligações  duplas e simples alternadas  do   C6H6 ( Benzeno) , comprovando ai existência do carbono  tetravalente: ajustando depois sua hipótese  à experiências objetivas.


Na Biologia  : Observando-se a  dependência Objetiva  de uma espécie  em relação a outra concebeu-se a noção de rede alimentar ; esta  noção serviu de base  para interpretações  subjetivas de um  equilíbrio ecológico absoluto, em que   todas as espécies  desempenhariam  um papel crucial, isto é,indispensável para com o restante do sistema ; todavia,  deve-se   ajustar  esta ultima concepção Subjetiva,  de modo a evitar  exageros absurdos , tais como o de  não eliminar-se espécies danosas , que provocaria  uma  elevação do tempo de vida  das espécies positivas e convergentes.
                                                              
Na SociologiaAs observações  ( Objetiva) da Condições Morais, Geológicas, Geográficas, Econômicas, Culturais, de Fé, de Linguagem e de Educação, dependendo de suas intensidade e  correlações, apontam a resultante , por  análise Subjetiva, do encaminhamento, isto é, da tendência de uma sociedade, indicando  os fatos futuros que poderão ocorrer, desde que  não hajam  significativas oscilações nos fatores  anteriormente observados;  esta perspectiva uma vez dada vem regular-se por sua vez com o próprio encadeamento dos fatos.

Na  Moral  :   As observações   sobre as  ações   de um determinado indivíduo  ( objetiva) , nos leva  subjetivamente a indicar  a resultante  do seu  futuro  comportamento, em casos  em que não foram  observados  anteriormente  sob forma objetiva.  Extrapolando inclusive  para grupos de indivíduos  de moral semelhante; e o acompanhamento da sua evolução  pessoal  vem, por sua vez regular a hipótese  primordialmente formulada.


          7.4.5) 2.2) Lei das Imagens Interiores - As  Imagens  Interiores  são  sempre menos vivas e menos
                 nítidas,  que as impressões  exteriores ( Augusto Comte/ David Hume/ Denis Diderot)-

                Nota: Não estamos falando aqui das    “miragens” ou    morganas  de refração - estudada na  óptica
 cuja  natureza é objetiva, podendo ser observada  sempre por muitas pessoas  simultaneamente. Reflexo    de imagens em gotículas de água em suspensão, tipo nuvem, onde  pode ser visto figuras , projetadas e de maior grandeza de  corpos  situados  às vezes  a muitos quilômetros de distância , parecendo algo do outro mundo

A quinta Lei da Filosofia  Primeira, segunda lei  estática do entendimento, regula a diferença de intensidade  entre  as  impressões  exteriores e as imagens interiores.  Como  explica Reis Carvalho  , para melhor entender  a diferença  entre impressões e imagem  : “ Assim olhando  a Lua  tem-se  a impressão  do astro;  fechando os olhos , a sua Imagem” .

 Vamos, neste momento, evidenciar a universalidade da Lei das Imagens Interiores, verificando sua presença em  todas as ciências positivas .


      Na Matemática :A imagem subjetiva de  um sólido geométrico é menos nítida que a  visão objetiva de um corpo da mesma forma
                                              
Uma formula matemática pode ou não expressar  um fenômeno, pelo erro humano ; quando ela expressa nitidamente um fenômeno, ela expressa a imagem do fato real, ela reflete  a imagem exterior -objetivo, as outras expressões matemáticas obtidas  no trabalho mental da procura da lei natural deste fenômeno , serão consideradas expressões de imagens Interiores, não são nítidas, não expressam a verdade  daquele  fato objetivo.


      Na AstronomiaA visão subjetiva  de  um astro é menos nítida  que a observação  objetiva do          mesmo.

                              
       Na Física  :  As  intensidade das cores  são mais nítidas nos  corpos objetivos  que  nas imagens                       subjetivas  que  fazemos deles.    


       Na Química : Toda  reação química  exotérmica , que libere  calor  com intensidade de  chama  ,                      a  intensidade da chama objetiva é bem mais nítida que a construção subjetiva                          correspondente.             
                              
                              

        Na Biologia :A observação da  cena microscópica  de   uma lâmina contendo  glóbulos brancos                     fago citando  um antígeno  é mais  nítida  que a composição da mesma cena quando                             puramente subjetiva.


      Na Sociologia : A Vivência de uma Solidariedade  Social  como  por exemplo, os  Anjos do Asfalto, é muito mais nítida quando estamos envolvidos  no fato objetivamente,  do que quando  subjetivamente  o construímos, com base em informações  indiretas .


       Na  Moral :

Exemplo 1) São Paulo teve  no caminho para Damasco, uma   grande   Comoção  Cerebral.  Ele ouviu  exteriormente  mais forte  imagens auditivas nítidas  de Cristo,  que já estava morto; a  imagem auditiva de  Cristo era tão nítida  como a dos que o cercavam  realmente . Chegou a  "escutar" o que Cristo lhe disse ; isto se chama  Alucinação -(no caso uma alucinação auditiva). Ele foi levado a um estado de  excitação  das imagens interiores (Subjetivas ), ficando até cego.
                              
Se Você imagina que está  conversando  com alguém  ; vendo alguém  exteriormente  , e  na verdade esta pessoa  não  está  presente , você   está  com  seu sistema nervoso  excitado , exaltado , alterado.
               
                 Isto se torna um fato criativo  se  não existe nada no exterior,  e ao mesmo tempo  você sabe que aquela imagem é criada por você mesmo , no interior do  seu encéfalo .   
               
                Acaba o assim risco de loucura; então você pode  cultivar livremente aquelas imagens, pois    sabemos, com toda certeza, que elas vem de nós mesmos, e não de fora como Augusto Comte  aconselhava, para exercitarmos, procurar  conversar subjetivamente com os nossos entes queridos que  já morreram, ( e com os que estão vivos) , como uma prática do culto individual a estas pessoas .Principalmente  com aqueles que nos  trouxeram ou nos  trazem  o amor , nos ensinaram e nos ensinam o altruísmo etc..

Cabe aqui uma explicação:

                O idiota não é louco; com o idiota ocorre   o contrário da loucura ,ou seja, a falta de subjetividade;  ele não raciocina nada ; não cria nada, ele vê mas não "observa", houve mas não escuta, cheira mas  não distingue   etc..  e nada acontece - Não raciocina nada, não conclui nada. O estado mais grave de idiotia  é o autismo.

                Quando  a imagem subjetiva se iguala  em  nitidez  à da imagem objetiva , atingiu-se  o estágio de alucinação  e pode  entrar-se ou não  no estado de loucura , dependendo principalmente  se tal alucinação,  é oriunda de um sentimento de  maldade (egoísmo =  vaidade , orgulho etc. ) ou  se,  ao contrario a imagem teve origem em  um  sentimento  de  Amor (Altruísmo = Humildade  etc.), neste último caso nada  acontece de mal.



Pode haver Alucinações sem  Loucura  , bem como Loucura sem  Alucinação . Há uma diferença flagrante entre as visões dos  Místicos  e as  Alucinações dos Loucos.  Entre estas duas, temos a Concepção Positiva da Vida Subjetiva; no primeiro caso tem-se uma personalidade  moldada  numa rígida  disciplina Moral; cuja  conseqüência principal  consiste  na Hiper-sensibilização  dos  Pendores Altruístas .

De um modo geral , é esta mesma  Hiper-sensibilidade  que preserva o Místico  da loucura ; reduzindo seu  erro à crença  de que as aparições estariam  provindo do mundo exterior(Objetivo) .

Quando contudo o excesso de Egoísmo, determinando a complicação das hipóteses, atua diretamente sobre o conjunto do aparelho Cerebral, então sim ; há um grande risco  de se adquirir este estado  Mórbido , denominado Loucura .

Por  sua  vez , a  Concepção  Positivista  da vida  Subjetiva, consiste  na  plena  satisfação  das  nossas recordações queridas, avivadas pela imaginação, ao ponto de figurarem  como que exteriormente . A Doutrina Positivista, longe em ver em tais  fenômenos   um  sintoma  de  Loucura;  convida-nos diretamente  a cultivá-los, e em um grau  que nenhum teologismo  poderia conceber;  visto como o medo impede o Amor .   

Nada do que acabamos de  descrever acima  sobre o processo alucinatório , confunde-se com   loucura ou  mesmo é  diferente do que nós  estamos acostumados a fazer na vida de nosso cotidiano. Exemplo :  Um Arquiteto vai até  um  terreno e lá,  antes de fazer qualquer  coisa ,  fica  projetando na sua mente, com a  sua imaginação criativa, as concepções do prédio a ser ali construído; ei-lo já realizando uma parte da fase alucinativa; e conforme seja a sua capacidade alucinativa pode até, conceber "visualmente-subjetivamente "  o prédio   na forma  arquitetônica  a  ser no futuro objetivado.

Hoje em dia , na falta  destes  "Pré dotados Arquitetos da Mente ",e com a tecnologia  computadorizada , através  da Realidade Virtual , muitos  não dotados, passaram a fazer  com o computador o que todos nós precisamos aprender a fazer com nossa  própria  Mente.

Hoje o estado  mental médio das pessoas  está  muito mais próximo da Idiotia, pois  tem medo de mergulhar  nas imagens interiores  geradas   pelo seus encéfalos ,e  não tendo  coragem de cultivar  este grande instrumento de competência do Ser Humano, pensado que estes fenômenos sejam  sobrenaturais , descambam  para o extremo oposto, bem mais “seguro”:   o excesso de  objetividade. E  ai  ficam até o fim da vida,  todos  sem imaginação, sem criatividade sentimental, com a tendência a se tornarem altamente materialistas, egoístas  etc, por falta deste  encantamento que só o cultivo  consciente  das imagens subjetivas  pode proporcionar.

O que pode ocorrer  é que está sendo dado àqueles que  não tem base Moral,  uma extraordinária  ferramenta de criatividade, deixando um terreno fértil para que estes venham a colocar os seus  absurdos não éticos  , ao nível de uma  maioria às vezes totalmente ignorante , provocando a maximização do  egoísmo  e desta forma criando obstáculos à   implantação do  " Viver para  Outrém "-
 .
Exemplo-2) - Hipnose Coletiva.

                        Não confundir com Hipinose , que é  a baixa taxa de  fibrina no sangue.

            Na  Hipnose Coletiva,  seguida de  alucinação coletiva, isto é, uma sugestão  dada  a um certo número de pessoas , que se encontrem em um  estado  de alta  receptividade, à comandos  ou à  aceitação e de pleno relaxamento,  pode determinar simultaneamente para todos os envolvidos,  Imagens , de vários tipos, com alto grau de nitidez; mas o caráter subjetivo destas alucinações coletivas, patenteia-se inequivocamente pela  quase total  incapacidade  das pessoas envolvidas, chegarem a um  comum acordo,  sobre  a seqüência  dos  supostos acontecimentos  que, experimentaram, bem como, a igualdade  nas Imagens, por eles criadas  subjetivamente.

           
            7.4.6)   2.3) Lei da Imagem Normal - A  Imagem  Normal  deve  ser preponderante  sobre                          aquelas, que a agitação cerebral faz simultaneamente surgir.( Augusto Comte)
                                              
Quando se contempla o mundo, recebemos  múltiplas  impressões, que são as sensações, que se transformam  em outras tantas imagens . O trabalho interior  da elaboração destas imagens, resultantes da contemplação  e da meditação ,é o que constitui  a agitação cerebral . Dentre estas imagens criadas  , uma delas  predomina  , esta  que predominou, a eleita, recebe o nome  de  Imagem Normal, antes  de ocorrer a abstração.                     
               
                Como foi dito, o cérebro recebe das  impressões , por meio dos sentidos , através das sensações  , estas se transformam em Imagens  e no meio das imagens uma predomina sobre as outras . Todo este trabalho de entendimento se fez, se fará, e se faz, sempre assim; é comum à todas as épocas . É um trabalho subjetivo  e representa a  estrutura fundamental  do entendimento.
               
                Ora quem regula a primeira operação, isto é, recebimento da impressão - é a lei das Construções;  a segunda, a formação das imagens - é a lei das Imagens; e a terceira, a preponderância de uma imagem  - é a lei da Imagem Normal ; logo todas estas leis são realmente subjetivas  e estáticas  ; são chamadas leis estáticas do entendimento.

Vamos, neste momento, evidenciar a universalidade da Lei da Imagem Normal, verificando sua presença em  todas as ciências positivas .


                Na Matemática :

         Exemplo 1)Uma igualdade matemática  expressa em  derivada parcial, por equações, cuja as            figuras algébricas são desiguais. Se um ou mais  dos membros
da igualdade for  desmembrada por uma seqüência correta ou normal,comprova  a igualdade ou não ;caso realmente seja uma igualdade é dita Imagem  Normal; seja por qualquer         caminho não venha  comprovar a igualdade , não é Imagem Normal.
                                                              
          Exemplo 2) Na aritmética : ao se efetuar uma adição com muitas  parcelas ,sendo estas                     constituídas  por números da ordem de grandeza de milhares, elege-se uma imagem sequencial          de operações que passa a servir  como via  preferencial de resolução, adicionando-se                         primeiramente  os números que   nos sejam mais  fáceis de somar;  e esquecendo-se de todas as          demais inversões que, matematicamente falando, são tão satisfatórias quanto aquela que a                    princípio  se escolheu.                                                         

Na Astronomia :Exemplo 1) Dentre os 5 princípios da Mecânica Celeste ,  que surgiram     com base em muitas    observações  , encontramos  , o Teorema  dos Movimentos  Cinéticos , foi eleito uma    relação  que mais expressa a  realidade  , isto é,a relação dita  Imagem Normal  :

O movimento cinético  , relacionado ao ponto  “O”,com base em um ponto demassa   “m”  que está em movimento, com uma velocidade   V, fornece o produto vetorial    @ = OP  ^ mV .  Demonstramos assim que   a derivada em relação ao tempo  deste   vetor @  , é igual ao movimento das forças  aplicado   à P   quando este está se            referindo ao ponto “O”.

                                                          d @ / dt  =  PO  ^  F                       F= força                                   

                               Exemplo 2): a Imagem Normal de um fenômeno da mecânica celeste , obtida por                        intermédio da escolha de um referencial considerado fixo, deve preponderar  sobre as                             imagens que a agitação cerebral faz simultaneamente surgir, quando aparece outros                           pontos que poderiam ser tomados como fixo


                Na Física   : Foi com  J.C. Maxwell (1831-1879)   por experiência, detectou que existe     uma relação entre  os fenômenos de eletricidade e de magnetismo e concluiu a  equação  para cálculo da velocidade de propagação de um  fenômeno ou atributo  eletromagnético, no vácuo. Esta é a Imagem Normal.
                                                                                                      
                                                                             
                                               v  =   (  Ko  / Co ) 0,5 

                           Ko =    Constante de Coulomb  e     Co  =  Constante de  Biot-Savart


                Na Química :Exemplo 1) Após várias experiências  Lavoisier elegeu a seguinte lei,                          que  é uma Imagem Normal :

" A SOMA DOS PESOS  DE DOIS CORPOS QUE SE COMBINAM  É IGUAL  AO PESO  DA COMBINAÇÃO  FORMADA "
                       
          Exemplo 2) A escolha de um critério para a  Nomenclatura Química , de um                                     determinado composto ,  precisa preponderar sobre os outros critérios  que                                                surgem em virtude , da nossa preocupação  em classificá-lo.

                Na Biologia :  Uma vez fixados os caracteres salientes  de uma espécie biológica, formando-se com tais caracteres  a  Imagem Normal da mesma, para classificá-la  taxonomicamente, tal Imagem precisa  preponderar sobre as que a  agitação cerebral fizer simultaneamente  surgir , estabelecendo desta forma,  outros critérios  baseados  em outras características salientes, que poderiam  fazer com que  esta mesma espécie, pertencesse a um outro grupo taxonômico. exemplo o PANDA; ele é um elemento da família dos Ursídeos , ou não?                                


                Na Sociologia:  As interligações dos fatos históricos , que se possam estabelecer ,  devem   estar subordinadas a um fato que é o mais saliente, servido este  , de Imagem Normal do                    conjunto geral de fatos correlacionados: A Revolução Francesa,  tem como Imagem Normal a   Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão.


                 Na Moral   : Exemplo 1)Em um baile , onde estão várias moças solteiras  a escolha dos      seus pares ; o do sexo    complementar  ,  no mesmo estado de sentimento , para encontrar um amor . Dentre todas  selecionamos uma  . Esta  selecionada  é dita  de maior Sentimento , a Normal .     
                                              
                               Exemplo 2)   A escolha espontânea  ou sistemática  de determinadas  palavras   que nos servem  para transmitir um pensamento deve preponderar, como Imagem Normal                   sobre as palavras  que a agitação cerebral faz simultaneamente surgir associando tais                    palavras a outras definições, tornado vago o nosso discurso. 

                               Por isto,   Augusto Comte, afirma que devemos  dosar os detalhes, para melhor     conceber o conjunto . Qualquer orador , ou escritor , que desejar ser sintético , ou     pelo menos não ser prolixo , faz por conservar os Pensamentos   fundamentais  do que pretende expor, utilizando-se apenas , acessoriamente, dos Pensamentos esclarecedores  do assunto principal .

      Essas  disposições , próprias das concepção e da expressão do pensamento, caracterizam  o estado normal  da razão humana . A prolixidade, a princípio, e a preponderância das imagens  acessórias,  caracterizam  finalmente   o estado de  loucura . Mas  a plena continuidade existente  entre a  razão  e a loucura, exige grande   ponderação para distinguir  um estado do out

Olhamos  passivamente para tudo  , mas só vemos aquilo  que nos despertou  a atenção; da  a diferença caracterizada  pelos verbos  olhar e ver , ouvir e escutar ,  indicando o estado passivo e ativo  dessas  sensações,  conforme assinalou Gall.

 Tais considerações  servem de fundamento  a este princípio  , que permite tornar sintético  o pensamento. É  a sistematização  do que a  sensação  e a percepção  nos  espontaneamente.


III)SEÇÃO MAIS SUBJETIVA - 2º GRUPO - ESSENCIALMENTE SUBJETIVA  


- 3ª SÉRIE  - 
         LEIS DINÂMICAS DO ENTENDIMENTO 

7.4.7)   3.1) Lei da Evolução Intelectual  ou Lei dos Três  Estados- Cada Entendimento oferece  a sucessão de três estados: Fictício, Abstrato e Positivo, em relações  às nossas concepções  quaisquer, mas com uma velocidade proporcional à generalidade dos fenômenos  correspondentes. (Augusto Comte) .
                   
          Da Matemática para a Moral aumenta a complexidade Objetiva e ao mesmo tempo diminui a generalidade Subjetiva.

   Da Matemática para a Moral diminui a complexidade Subjetiva e aumenta a generalidade Objetiva.

  A Descoberta desta  Lei  é baseada na Contemplação do  Espetáculo  Histórico  e da Análise  da Subjetividade  Humana.

Augusto Comte, aos 20 anos de idade, em 1822, após 80 horas seguidas  de meditação, com pequenos cochilos, estudando  a Sociedade das diversas Civilizações  e o Homem, descobriu  o princípio  da Variação  da Inteligência, isto é,  a Lei da  Evolução   Intelectual, que é  conhecida  como a Lei dos  Três Estados.

                Existem os seguintes Estados:

          Fictício: é o Estado onde se explica a Natureza  mediante  a concepção  de vontades arbitrárias dos corpos ou da   influência  de deuses e mais  adiante, da influência de um Deus concebidos como existindo Objetivamente.

                {fetichismo e teologismo (politeísmo e monoteísmo)}correspondem ao Estado Fictício
                Fetichismo =  Feitiços = Feiticismo

Abstrato ou Metafísico: É o Estado intermediário ,conhecido como  Regime das Entidades, onde a causa dos acontecimentos é atribuída  a forças , fluidos, energias ou  vibrações.

Positivo ou Científico : É o Estado onde se  percebe a tautologia das questões causais  e essenciais, operando assim  a inteligência  uma transformação geral , pela qual  ela procura única e conscientemente constatar  a existência  de Leis Cientificas  Gerais ,coordenando-as em seguida, para formar com seu conjunto um sistema filosófico, e considerando estas leis, como a expressão  de uma vontade  não arbitrária  e imanente, peculiar aos corpos. 
                  
Quanto mais geral forem os fenômenos , mais rápido se passa  do Estado Fictício para o Estado Positivo , fluindo  pelo estado transitório  ou  dito  Metafísico ou Abstrato.

Quando se estuda a origem dos povos, verifica-se  que todos eles  começam explicando o Mundo  e o próprio Homem  por meio de vontades arbitrárias, inerentes a todos estes Seres; concebendo-se  que cada um  quer os atos que pratica , bem como podendo praticar todos os atos  que deseja , com base em experiências diárias ainda insuficientes, e ignorando a regularidade profunda que preside aos menores fenômenos (ou atributos); os homens     primitivos  são levados a assimilar  todos os  fenômenos  como  atos ; e todos os seres,  a seres  dotados de vontades Arbitrárias ou Caprichosas, independente de tudo mais, sem   considerar qualquer circunstância.


           Fictício  
 
Fetichismo: Se o homem bebe , é porque tem vontade de beber ,não bebendo caso não deseje, então;  se a pedra cai, é porque tem vontade cair, não caindo  se não desejar. Tudo o que sucede , parta de  onde partir, resulta da vontade arbitrárias dos seres , das coisas, das plantas    ou dos animais.  E como muitas destas vontades são  úteis ou nocivas ; muitas boas, ou muitas ruins; os seres  correspondentes, adquirem supremacia uns sobre os outros, e tornam-se alvo do respeito, da admiração, e do Culto dos Homens.

Tudo é então Fetiche  ou feitiço.  Adoram-se, animais, plantas, pedras  e astros, como seres dotados de vontades inteligentes e  arbitrárias, é  sem dúvida  o período de maior comunhão religiosa do homem com o mundo que o cerca.

Teologismo(Politeísmo/Monoteísmo) - Depois, a proporção  que os primitivos começam a  contemplar  melhor a si mesmo  e ao mundo, depois que  uma longa observação  lhes ensina  que o homem dormindo  não tem vontade, e que durante os sonos  revelam, nascer-lhes a ideia  de que a vontade  não é inerente aos seres, mas se encontra  em alguma coisa, que os acompanha  na vigília  e dele se afasta  quando dormem. É essa alguma coisa   que  se chama de ALMA, num estado  físico subjetivo volátil  - Assim cada Ser possuiria  uma alma :         existem as almas das coisas,  das plantas,  como as almas dos homens. São elas que tem vontades. De modo que as vontades manifestadas pelos seres superiores  assumem a função de alma, de espírito superiores, pairando acima das almas , das entidades inferiores. São aquelas almas ,aquelas entidades superiores que governariam o homem e o mundo. Cada grupo de atributos cósmicos  e humanos   estaria  sob  a dependência  dessas entidades , dessas almas. E como na vida social são homens  os que governam, aquelas almas ,aquelas entidades  assumiriam  forma humana, constituiriam uma plêiade de super-homens,  sobrenaturais , conhecidos  por  deuses. Além disso,  paralelamente,  a comunhão humana com o mundo no fetichismo se fazendo mediante a identificação do exterior ao interior, o Homem tendeu a representar  graficamente os fenômenos que o cercavam sob forma humana. Com o correr do tempo, sua atenção foi  se voltando cada vez mais  para  seus  desenhos e para as suas esculturas, invocando-os de preferência, mais que diretamente  ao próprio fenômeno que estas obras de arte primordialmente representaram; este processo  contínuo determinou a gradual dissociação estas imagens humanizadas,  do fenômeno correspondente; é quando então, se estabelece  o Politeísmo.
Agora as vontades já  não são mais  interiores , mas exteriores  aos seres, permanecendo, contudo, inteligentes e arbitrárias .

           Não são mais fetiches, são deuses  que dirigem os homens  e o mundo.

Então não se adoram mais o sol , a lua, os planetas , as plantas , os animais , os homens, mas o deus  do sol , o deus  da lua , os deuses dos vários planetas   e os deuses que regem as        diversas manifestações  da vida  dos  Homens.

Mas como  nas assembleias humanas há sempre um chefe, nas divinas  ocorre o mesmo; de modo que com o passar dos tempos,  esse chefe  dos deuses,  passa a ser o único deus. Em vez de o governo   do mundo  e do homem   depender da vontade arbitrária  de muitos deuses ,                 agora dependerá  da  de um só deus; exemplo Jeová, Alá, Jesus.

Em todo este  regime  de vontades arbitrárias ( interiores  ou exteriores) aos seres, destaca-se  o caráter comum a todos eles : a ficção .Nem os fetiches nem os deuses, e nem o deu; são seres reais, todos eles provém como não podiam deixar de provir, da realidade, mas não a refletem  com grau de exatidão  necessária  para expressá-la. São seres fictícios. Ficção Religiosa.

Mas a medida que a sociedade evolui , passando de uma a outra fase teológica , observa-se  que  certos atributos  são  explicados  sem a colaboração dos deuses.

Assim, enquanto  a vida  e a morte, a guerra  e a moléstia eram fatos sujeitos  ao arbítrio das divindades , as primeiras combinações  numéricas já  eram independente delas.

Na China  fetichista, como na Grécia  politeísta,  e na Judeia monoteísta, não se recorria ao Céu ,a Zeus ou a Jeová  para somar, diminuir e multiplicar ou para saber que,  independente das vontades  do fetiche chinês, e dos deuses gregos  e judaico , dois mais dois são quatro  e a ordem dos fatores não altera o produto.

Isto quer dizer que, se estudando  as propriedades a mais elementares dos seres, comparando-as entre si ,combinando-as,  abandonou-se  a preocupação  de as explicar  por vontades arbitrárias  interiores  ou exteriores, e se começou  apenas a determinar as relações  que entre elas existem, isto é, achar as suas leis. Assim se ficou sabendo  que sem a  intervenção de vontades arbitrárias,  os atributos numéricos mais simples podiam ser explicados. Graças as essas explicações, podiam ser previstos e modificados .Assim conhecidas as parcelas  podiam- se determinar  a totalidade delas, como conhecida a soma  de duas  parcelas,  e conhecendo-se uma delas, podia-se  conhecer a outra. E  como  esses e outros casos, outros casos semelhantes começaram a surgir ,onde se tornava inútil  a intervenção  dos seres Fictícios ou Teológicos.

Continuando a evolui, novas relações foram achadas . Às relações numéricas, juntaram-se as  geométricas  e mecânicas . Apreciando  a extensão  e o movimento, respectivamente,   foi-se  achando  as primeiras leis que os comandam.

Comparando os  ângulos  de um triângulo  ao ângulo reto , Tales  de Mileto , achou a relação constante  que os   liga :   a soma dos primeiros é sempre igual ao dobro do último . É  o teorema angular , base da geometria .

Arquimedes apreciando o efeito de pesos nas extremidades  de barras, constatou que para  equilibrar  um deles,  era preciso  que o outro  fosse tanto maior ou menor  quanto menor  ou maior  era a distância  deste ponto ao ponto fixo  da barra; de sorte  que se   lhe  desse  um     ponto  de apoio, o grande geômetra  poderia suspender  o mundo. É o princípio da alavanca; um dos teoremas fundamentais da mecânica.

Hiparco, por uma série  de observações  do espetáculo celeste, notou que a volta do Sol  à mesma estrela  variava  entre   dois equinócios  de uma quantidade constante , isto é , que,  partindo do Sol  e a estrela  de um mesmo ponto do céu , o chamado ponto veral , depois;  do aparente movimento anual  o Sol  precedia a estrela  de 50”, 3 , de sorte que  só  no fim de vinte e cinco séculos se repetia  a coincidência  inicial .É a grande Lei da Coincidência dos Equinócios, é a  consequência e  o fundamento  das outras leis  da astronomia , que Hiparco assim  fundava.

Continuando  a evolução , novas relações  matemático-astronômicas  são descobertas  e começam  a aparecer  também  as  reguladoras  dos  fenômenos  físico-químicos . Galileu, 14 séculos depois de Hiparco , estudando o movimento  dos corpos  sobre o plano inclinado , verifica as  distâncias percorridas , como a série  dos números  ímpares  ou que  os  espaços  percorridos são proporcionais  ao quadrado  dos tempos. É a lei da queda dos corpos  , início da Física. Vem Lavoisier dois  Séculos mais tarde , operando composições  e decomposições   de corpos , e descobre  a lei da conservação dos pesos: o peso do composto é sempre igual  à    soma  dos pesos  dos componentes.

                 Bichat, pouco depois , proclama a vida física , vegetativa  e  animal , como propriedade             inerente aos tecidos  dos corpos  organizados , independente  de almas e de  fluidos.
Gall, demonstra   na mesma época que a vida moral ou psíquica (afetiva, intelectual e prática) , é um conjunto de simples  atributos, isto é, funções  do  cérebro ou melhor dizendo, do encéfalo. 

Finalmente, Augusto Comte,  descobre  as relações mais transcendentais, e  demonstra   que os fatos históricos, os  fenômenos políticos, como todos os outros, são regidos  por leis naturais, sem a necessidade de  recorre-se a  fluidos e  nem  a vontades arbitrárias.

Assim a medida que o tempo passa  vão os fenômenos  se desprendendo  da tutela dos deuses  e caindo  sob o caminho das relações  imutáveis. Não são os deuses,  mas  as leis Naturais, que  melhor representam  os atributos  de todos os corpos , brutos ou organizados , mortos ou vivos,     individuais ou coletivos. É este regime  das leis Naturais, que constitui o  Estado  Científico , isto á, Positivo da Humanidade. 
  
Mas  do regime provisório  das vontades arbitrárias, a Humanidade não passou logo  para o regime positivo da Leis Naturais . Houve um período Intermediário, um estado transitório , o Regime das EntidadesEntão, os fenômenos não se explicam  por vontades fictícias e nem são simplesmente descritos abstratamente em termos de  leis Naturais, mas  por Abstrações   Materializadas.

Assim, a queda dos Corpos  não resulta  teologicamente   da vontade dos deuses, mas da ação  de uma suposta entidade  que o arrasta  para  o  centro da terra: a gravidade. Os corpos  são   quentes , luminosos ou  elétricos , não mais porque  os deuses  lhes dão calor , luz, eletricidade, mas porque há fluidos imaginários  que os produzem , como o calórico,  ou resultam  das vibrações  de um meio  ideal , o éter. Os corpos vivos  não são dotados de    fenômenos  que os caracterizam, senão  porque  o fluido vital  os anima .  O  homem  ama, pensa e age  porque há nele uma substância , a alma , dotada  dos atributos  intelectuais  e morais.

Este estado  de transição  entre  o estado  Fictício e  o Científico ou Positivo , é conhecido como Estado Metafísico ou Estado Abstrato  da razão humana.

É o estado metafísico,  um estado Equívoco, porque  as entidades  são abstrações , que podem  ser consideradas, ora  como imagens das  vontades fictícias  ou Teológicas, ora  como simples  enunciados dos fenômenos, equivocadamente utilizados para explicar a produção destes mesmos fenômenos,  conforme  o espírito humano  estiver  respectivamente mais  próximo  do estado Fictício ou do estado Científico(Positivo). Assim  a   gravidade   é   uma   pura   ficção Fictícia, se considerada como a imagem  materializada  de uma vontade  exterior dos corpos, e uma abstração científica  se tomada  como o  enunciado do fenômeno  real  da queda dos corpos; e a alma  outra  ficção fictícia, entendida  como a substância  imaterial , dotada  de vontade,  que anima  o homem  e o faz amar, pensar e agir, ou,  abstração científica ,   designando  o conjunto  das funções  do encéfalo.

Em resumo, o espetáculo histórico  revela-nos a passagem  sucessiva  das concepções humanas  por três estados; fictício ou teológico , metafísico ou abstrato e científico ou positivo.

Isto não quer dizer  , que essa evolução  se verifica  simultaneamente  em relação  a todos os fenômenos; não. Primeiro  dá-se apenas quanto aos fenômenos mais gerais e depois  aos mais especiais , de maneira  que na mesma  época  da história, bem como num mesmo  encéfalo, apresenta-se ao mesmo tempo  concepções  Fictícias , metafísicas ou abstratas  e científicas ou positivas, relativamente a diferentes fenômenos.

Hoje por exemplo  os povos modernos , especialmente os do ocidente   ou ocidentalizados  , pensam em grande parte cientificamente  em relação aos  fatos astronômicos , físicos,  químicos e teológica e metafisicamente,  em relação  aos fatos  Sociais e Morais. Ninguém acredita  mais que os deuses  ou Deus   façam de um círculo um  quadrado, ou que evitem a ocorrência do eclipse, mas uma grande maioria , letrada  ou  não, acredita que Deus  possa evitar ou atenuar as guerras  e as moléstias  e que a alma  imaterial  e a soberania popular regem  ou comandam o Homem e a  Sociedade. É pois alarmante ainda existirem Intelectuais, que acreditam  ser a atual Política-Econômica uma Ciência - É uma bela Metafísica, e nem com muito esforço, se tornará  uma ciência. Com muito favor já é uma  arte do bom, acoplada a uma aplicação prática  com base no egoísmo. A Economia-Politica, quando se tornar  uma Sã-Política com base na  Moral Positiva e a Economia  for  considerada uma aplicação pratica da Ciência Sociologia Positiva, ocorrendo ai sim,  a Economia -Moral Positiva . Esta sim, será uma aplicação tecnológica com Base em ciência estruturada em Leis Naturais. Desta forma, a economia colaborará como uma tecnologia, descrevendo e caracterizando  o destino social do capital.

Contemplando o espetáculo histórico  observa-se  que o regime das leis,  surgiu primeiro  entre as propriedades numéricas , para  ir pouco a pouco  penetrando  entre os outros atributos  menos  gerais:  a extensão, o movimento , os fatos  astronômicos  e físicos, fenômenos químicos, os vitais , os fatos  políticos e morais.

Não é só o espetáculo  histórico  que nos demonstra  a lei dos três estados, ela também se verifica  na evolução  individual .

A  criança é  fetichista . Tudo, para ela é animado de  vontades  arbitrárias, assim como  ela própria supostamente o seria. Quando  ela cai, e sofre uma contusão  batendo  em um objeto , procura castigar o objeto que o contundiu , pois supõe , que as coisas são  dotadas de vontade,  foi o  objeto que a feriu, que desejou feri-la. Mais  tarde, são as vontades  arbitrárias exteriores que a guiam. Acredita em anjos , fadas , demônios , almas  do outro mundo, em deuses e deus; todas estas  crenças  se fortalecem  e continuam mais ou menos durante  na  adolescência , e na juventude, se para tal, a educação  doméstica e cívica para isto colaborarem. Só muito mais tarde , pelo meio  em que se desenvolve , começa a criança a  substituir a razão  teológica e metafísica , pela  positiva; em alguns casos passando  ou    ficando da fase da sua  própria consciência, isto é, na  fase de plena metafísica e  consequente democracia e liberalismo individualista.

E se não se liberta plenamente  das crenças  primitivas  em relação a sociedade   e ao  homem ,fica livre  delas, no que se refere  aos fatos  de ordem  mais geral (matemática, astronomia, física e química)  , e com  tendência  cada vez mais  acentuada para atingir  a completa libertação.
 
Assim a evolução individual  reproduz  a evolução  coletiva; e em  ambos os casos  se chega   à mesma  lei da evolução. Tanto o espetáculo histórico como a análise  da alma , demonstram  que a razão humana  apresenta três estados , que se sucedem,  com velocidade proporcional  a generalidade  dos fenômenos .

Os fenômenos matemáticos são objetivamente os mais gerais , depois vem os  fenômenos astronômicos, depois os físicos, os químicos, biológicos, sociológicos  e finalmente  os Morais .
A matemática se tornou  positiva , muito antes   da Moral  Positiva , que já é uma  Ciência   Positiva , no entanto só agora,  que a sua existência está  sendo propagada  e por alguns entendida.
               
Vamos, neste momento, evidenciar a universalidade da Lei dos Três Estados, verificando sua presença em  todas as ciências positivas .

                Na Matemática :
                              
              Matemática  Fictícia : As operações  aritméticas ocorrem  porque elas querem  ocorrer . Por Isto, adoramos os Símbolos  e as  Operações; Depois  vem  o   enfoque que; As Operações aritméticas  ocorrem  porque  os Deuses ou o Deus   assim  determinam ou determina .Adoramos os Deuses ou o Deus .


 A evolução desta  fase, no que concerne a Matemática evoluiu da seguinte forma :

Sendo os corpos segundo o fetichismo Primordial dotados de vontades arbitrarias, quaisquer fenômenos matemáticos a tais corpos associados , seriam também dotados destas mesmas vontades arbitrarias, e, uma vez personificados como seres concretos,  de acordo com a mentalidade  concreta preponderante de então, os números passaram a figurar como verdadeiros deuses, sendo invocados quer diretamente como símbolos de  proteção, esconjuro ou temor, quer indiretamente participando da  estrutura  das  orações. Acrescente-se ainda  a concepção  dos números da sorte  e dos números  azarentos; tal concepção é  uma evidente humanização  dos números,  visto como  se atribui a eles , as peculiaridades humanas de  bondade e maldade; é o caso da palavra mágica “abracadabra” provável corruptela de  abraxas, termo sagrado dos Europeus Gnósticos, de origem grega. Na numeração grega, as sete letras  da palavra abraxas, denotam o número 365, (os dias do ano solar), representando um ciclo da ação divina. Além disto, 365  era supostamente  a soma total dos espíritos que emanavam de Deus. Os ocultistas acreditam que a palavra abracadabra tenha poderes de encantamento, quando gravadas em pedras e usadas como talismãs ou amuletos, sobretudo, na  seguinte disposição:

    ABRACADABRA
    ABRACADABR
    ABRACADAB
     ABRACADA
       ABRACAD
       ABRACA
       ABRAC
       ABRA
      ABR
      AB
                                                                                    A             



A presença da Lei dos  Três Estados  na evolução  das concepções filosóficas  referentes à matemática é também bastante sensível na ocasião da passagem do politeísmo ao monoteísmo; é quando então, as operações numéricas se acham em estrita dependência de Deus; a concepção católica do Mistério da Santíssima Trindade, revela muito bem tal subordinação de um fenômeno matemático à  arbitrariedade das vontades sobrenaturais,  visto como aí      1+1+1 é  = 1 ( três pessoas distintas numa só verdadeira) ; Galileu sintetizou muito bem esta mentalidade, quando afirmou que  os  números são o alfabeto com o qual Deus  escreveu o Universo.

                Matemática Metafísica : As operações matemáticas se processam  devido a uma  entidade chamada Número,  uma  abstração Materializada- Na Escola de Pitágoras -Tudo é              Número; um Ser, uma Coisa. O Estado Metafísico é também denominado estado Abstrato, visto como trata-se  de um estado onde personificamos e, substancializamos as nossas Abstrações. No estado Positivo, tal personificação            persiste porém plenamente relativizada, visto a  inteira correspondência entre  as noções de Ser e de fenômeno (ou atributo), tal como vimos  no inicio deste livro.
Matemática Positiva : Na Matemática Positiva, devidamente refetichizada,  os Números evocam  todas  as suas  propriedades  objetivas e  subjetivas. Por um lado, eles resumem o ideal  de certeza  e de precisão  que convém  à todas as nossas concepções;  e  por outro,  eles nos evocam a beleza, o encanto  e o respeito por sua admirável  influência subjetiva, espelhando-nos a Harmonia Universal, pelas Leis Naturais onde figuram; é quando então, que  percebemos a preponderância  dos números  1,2, 3, 5,7, 13,  etc , Números estes verdadeiramente Sagrados
     As operações numéricas se juntaram às operações geométricas  e mecânicas ; Dois e dois são quatro , e a ordem dos fatores não altera o produto; Conhecendo-se as parcelas  pode-se determinar o seu total .Pois se conhecendo  a soma de duas parcelas , e uma das parcelas pode-se determinar a outra parcela. Apreciando  as dimensões  e o movimento   surgiram as    primeiras leis . Tales de Mileto  propôs que  a soma  dos ângulos internos de um triângulo  é  sempre  dois retos , queiram ou não os deuses ou  os reis.

                Na Astronomia ;

Astronomia  Fictícia:  O Movimento dos Astros é concebido como a expressão  de suas próprias vontades arbitrárias ou , das vontades arbitrárias de cada um dos seus deuses respectivos; ou ainda da vontade arbitrária  do Deus único.
Os cometas se deslocam em órbitas bem definidas  porque eles querem se deslocar, podendo ainda mudar arbitrariamente, caprichosamente  seu percurso. Os astros se movimentam em orbitas bem definidas, porque eles querem se movimentar . Por isto Adoramos os Astros e os Cometas. Depois os cometas e os astros se movimentam-se em órbitas bem definidas porque os deuses  ou o Deus assim desejam ,com suas vontades  arbitrarias, por isso adoramos os deuses ou o Deus  .

Astronomia  Metafísica: No  Estado Metafísico a causa dos movimentos dos astros é explicada  por fluidos, energias, forças , vibrações, etc.,  até  pelo espaço personalizado de maneira concreta, como por exemplo, os buracos negros, sendo concebidos  como gerados  por deformações  no espaço.
A trajetória  ou orbitas dos  astros  eram definidos , por uma  entidade que definia  aquela trajetória. No caso do sol  era o Zodíaco.
                                                                                                                                                                                                                                  
Astronomia  Positiva : A Astronomia Positiva caracteriza-se  pela  constatação do movimento dos astros  de modo a  permitir-nos previsões  do aspecto do céu em um futuro mais  ou menos longínquo. Não procuramos explicar  nem por forças, nem por fluidos,          nem por energias, nem por vibrações  e nem por deformações do espaço ( buraco negro); tais conceitos são para nós , apenas artifícios lógicos que nos auxiliam a melhor visualizar o que se passa , e não  para explicar a causa  pela qual estes acontecimentos se dão. Em virtude da incorporação do fetichismo ao positivismo, explicamos poeticamente estas ocorrências pela  vontade inerente aos astros, não arbitraria, e cuja regularidade se expressa em termos de Leis Naturais; os astros tem uma vida que se expressa nas peculiaridades  do seu dinamismo próprio.

Hoje pela leis de Kepler, obtidas através de observações , no que se refere a trajetória, demonstra-se   claramente  pelas fórmulas matemáticas, as órbitas  dos astros. Hoje  através de três observações  é possível  definir as órbitas. (Método de       Gauss e  Método de Laplace).

                Na Física

Física Fictícia :  A pedra cai porque tem vontade de Cair .Adoramos a pedra; ou porque os deuses ou o Deus assim desejam, podendo tais entidades transformar quaisquer propriedades da pedra ao seu bel-prazer ( milagre) , e assim  amamos os deuses ou o Deus. A queda da  pedra é concebida como uma consequência  de sua vontade  arbitrária, caprichosa que lhe é própria ; não tendo tido ainda tempo suficiente  para caracterizar  a queda da pedra , os fetichistas, concebendo-lhe uma vontade própria tornaram tal vontade tão flexível  quanto pode ser  a  vontade humana;  daí  eles  conceberem para a pedra,  propriedades  que ela de fato não manifesta nunca.  A pedra cai, porque os “astros” desejam que ela caia.     
                              
Física Metafica ou  Física AbstrataA pedra cai por  existir  uma entidade, a Gravidade, ou força da gravidade, ou energia cinética, que o atrai ; estas  entidades são personificadas na Metafísica e usadas  para explicar a causa , ou  a razão da ocorrência do fato.

A pedra cai porque existe uma força que a atrai e define o seu peso, que foi  codificada como  Força da Gravidade.

Um ponto material de massa  m, nas vizinhanças da superfície da terra , sofre  em  relação a um triedro fixo de referência, várias acelerações produzidas  pelas atrações da terra, da lua , das demais estrelas, etc.

Como  as atrações são inversamente proporcionais  aos quadrados das distâncias; as ações  dos demais astros   podem ser    desprezadas, em primeira aproximação ,em presença da ação da Terra. Nestas condições, esta massa m nas vizinhanças da superfície da Terra ,  sofre influência :
                                                               a) da ação  da atração terrestre .

                                                               b) da Força Centrífuga, que decorre do                                                                                     movimento de rotação  da terra .( desprezível)

c) da Força de Inércia Complementar, também chamada  força centrífuga composta , que decorre da aceleração de  Coriolis*, a qual existe no plano  horizontal, dirigida de oeste para  leste  e cuja a expressão  é :  2 g t w.cos f ( onde  w sendo a velocidade de rotação da terra  e f  a latitude).*Trocou cartas com Augusto Comte.                                  
A ação da atração da terra associada  à força  centrífuga decorrente do seu movimento  de rotação  é o que se chama         peso da massa m . A aceleração correspondente  é chamada  aceleração da   gravidade g. Assim, e em resumo, as  acelerações  de uma massa  m,  nas vizinhanças  da superfície  da Terra  são:             
I)  g - aceleração da  gravidade , que resulta  da ação  da atração  da terra, associada  à  força centrífuga , e que é dirigida para o centro da Terra .
II)  2g t w cos f -aceleração complementar  ou de Coriolis, dirigida de  oeste para leste , e perpendicular  ao meridiano do ponto onde está a massa  m .

A cada aceleração corresponde uma força, formulado por Galileu , que resulta do produto da massa  , do ponto , pela aceleração desta parte,    enunciado por Newton .              
Deste modo, um ponto com massa m , nas vizinhanças  da superfície    da Terra, está  sujeito a duas forças  :  
                             
                            I)  P = m g
                                              
                           II)  FC =  2 mgt w cos f   - referente a estudos sobre                                                                                   Cinética  do Movimento Rotativo

Esta última expressão é nula quando o corpo está  em equilíbrio . É muito  pequena  em qualquer caso , devido a velocidade  de rotação da Terra .Daí resulta , para os habitantes da Terra , tudo se passa, com  bastante aproximação, como se a massa m  estivesse sujeita  a uma força única, orientada para o  centro da terra, e que se chama  peso  da massa m.

Física Positiva: Constata-se que a atividade subjetiva da  inteligência consiste em registrar, o mundo exterior. As concepções humanas derivam da observação, de modo    que, o que as concepções fazem, não é propriamente explicar, o por que ; mas em descrever  o como, dos  atributos; reaproveita-se  o antigo “porque” , em termos de um aperfeiçoamento estético e doutrinário da Síntese Filosófica, concentrando sua expressão, na espontaneidade elementar do modo de ser  de todos os corpos.     

As  diversas expressões matemáticas  e definições  do parágrafo referente a  Física Abstrata  ou Física  Metafísica , servem no Positivismo apenas pelo que de fato correspondem, em termos  de seu papel, para  que a  inteligência possa  descrever, por meio de um raciocínio lógico abstrato ,a  representação  das diversas sensações ( dos 8 sentidos) com as quais nossa  subjetividade  edifica  a sua  concepção da realidade.

Quando porem estas definições e formulas, esquecidas a sua  origem experimental,    passam a representar na inteligência, não a  derivação de observações, mas  o            princípio que  produz os  acontecimentos observados , cai-se  na  metafísica 

                               Do ponto de vista prático, o Positivismo modula a razão humana, coordenando-a       sempre ao que pode corresponder, a um conhecimento  de aplicação prática; não há            dúvida que, ao realizar-se uma investigação científica de cunho utópico e não quimérico, nem sempre  pode se pensar em termos de uma aplicação imediata. Porém,  o assunto sobre o qual está se investigando, sendo de interesse humano próximo, poderá servir  para alguma utilização futura.

                    Isto quer dizer , que se no exemplo metafísico, das formulas e definições, ao servirem de base para especulações , plenamente subjetivas, criando uma enormidade de conclusões artificiosas, que somente o papel aceita, e que não são possíveis de serem confirmadas praticamente, estas conclusões não serão consideradas Positivas.


Na Química
                              
                               Química Fictícia : No fetichismo os fenômenos  que posteriormente  vieram a                                      classificar-se  como fenômenos químicos ,  foram concebidos à  nossa  imagem  e                             semelhança; sendo os corpos  quaisquer  considerados no  fetichismo  inicial, como                              dotados  do conjunto das nossas  características   psíquicas;  e, concebidas estas                              características  como arbitrárias, as composições e decomposições  foram  supostas                                provenientes  de vontades inteligentes  e caprichosas  dos corpos   envolvidos na                             reação .  Quando  o Forte Odor de Ozônio ( mascarado como odor de enxofre),                                  surgia após grande descarga elétrica entre duas nuvens , fortemente carregadas, era                         porque assim as Nuvens  desejavam, por isto amamos  as Nuvens. Depois  o odor de                           ozônio surgia ,porque os deuses ou o deus assim desejavam, por isto amamos os                                                    deuses  ou o deus; ou Satanás assim desejava, ou odiamos o Satanás. 

Química Abstrata : No estado metafísico  as reações químicas são concebidas como o efeito  da  ação peculiar de forças ,  fluidos,  energias  e vibrações ; a matéria tende a ser concebida  como inerte (passiva) tal como  nos estados  politeísta  e monoteísta, e tais  entidades  são  imaginadas como  desencadeadores  das composições  e        decomposições das substancias.  O  Odor de ozônio aparecia  porque entrava em ação o éter , no  momento em que as duas nuvens carregadas se encontravam.
                              
Química Positiva : A Síntese Subjetiva caracteriza-se, como vimos, pela perspectiva  segundo a qual os conceitos de matéria, átomo,  molécula, substancia  e demais  equivalentes foram usados como artifícios lógicos,  que tinham a  única  finalidade de  simplificar, simpatizar e embelezar as nossas operações  intelectuais como desejavam os metafísicos lançar a quintessência* do Universo.  A descarga elétrica  de alguns milhares de volts, associa-se à reação química de:
                                                                                2 O2  ----------> O3  +   O
Gerando o ozônio [O3] , que  mexe com a mucosa do nariz  levando as  Impressões ao  nosso cérebro, que lá serão  subjetivadas  em termos de um  odor específico   *é o elemento fundamental, do qual tudo ou todos  os corpos, seriam  compostos em ultima análise.
                       
No entanto hoje em dia, podemos comprovar cientificamente, por meios de instrumentos a existencia de átomos , moléculas etc.
               
Na Biologia :

Biologia Fictícia: No fetichismo, a vitalidade  dos  organismos era concebida como  derivada  de suas  vontades arbitrárias ; os animais e as plantas eram tidos como   possuidores  do conjunto  dos atributos psíquicos humanos, assim como de resto  todos os outros corpos;  o caráter oscilante da vida  como então  era imaginada revela-se, por exemplo na crença de que os animais e as plantas podiam  metamorfosear-se ou   transformar-se à vontade.  A comestibilidade, isto é, o caráter de ser  comestível  ou  venenoso dos vegetais  era suposto ser estabelecido  como uma forma  do vegetal  manifestar  respectivamente sua  amizade  ou inimizade  pelos humanos. Por exemplo: A cana de açúcar  floresce, com os seus pendões , no mês de maio, no hemisfério sul    no trópico, porque é assim que ela deseja florescer, podendo faze-lo em qualquer época  se assim o desejar; e podendo não florescer  se assim não quiser. Por isto, amamos  a planta cana ; ou porque os deuses ou o deus deseja ( no politeísmo e no monoteísmo), e por isso amamos os deuses ou o Deus. Como o mês de maio é o mês de Nossa Senhora é devido a ela que a cana de açúcar  floresce , por isso amamos  Nossa Senhora.

Biologia Abstrata : Na metafísica  a vida é explicada  como  o efeito sobre a matéria  dos corpos,  dos organismos  de fluidos, forças , energias, vibrações. Por exemplo: A cana de Açúcar Floresce no mês de maio  porque  entra em ação, dentro dela  o seu Fluido Vital que, a  anima e a   faz gerar as sementes , para   manter a espécie.

Biologia Positiva : Os fatos  são descritos  e  generalizados em termos de  conceitos  elementares  e  leis naturais, mas não são  propriamente explicados. Constata-se, por exemplo,  que   a cana de açúcar  Floresce  no mês de maio , no hemisfério sul  tropical; o que  coincide com  a modificação  da inclinação  da posição do eixo da Terra, modificação esta,  por sua vez,  associável  à menor duração dos dias, sendo estes mais curtos . A luminosidade por unidade de tempo é a mesma, no entanto, considerando-se  o dia, a luminosidade que chega é menor, comparada aos dias dos  outros meses do anos.*;constata-se que se   a touceira da cana possuir  uma superfície foliar  de s m2, ela se sensibiliza  e seu  metabolismo é deslocado no   sentido de transformar o máximo de sacarose, para  elaboração  da semente, ou melhor do pendão . Ocorre nesta mesma planta o fenômeno dito de Isoporização -

                  Predomina na haste a fibra, ficando a cana imprestável, para  a indústria de  Álcool e  Açúcar. A fetichisação do Positivismo permite, em termos  de uma  linguagem concreta, caracterizar  o comportamento vegetal e mineral , em termos de vontades, que se expressam  abstratamente  em termos de  Leis Naturais;  completando-se  o ciclo peculiar da Lei dos  Três Estados. 

                               *O que acabamos de descrever é dito em termos metafísicos, que   a  quantidade                                  de   energia que chega  do sol, sob forma de quanta, por unidade de dia  é menor.
               
                Na Sociologia


Sociologia Fictícia :No fetichismo a organização  familiar liga-se ao Culto,  a certos fetiches  particulares , que passam a representar  o laço  que une as pessoas  à  uma mesma  família  ou clã; as leis naturais  da  organização social  no fetichismo  são desconhecidas,  o que não obsta  a que  tenham sido empiricamente   pressentidas.

O arbítrio com que se concebia a vontade humana  foi sendo no fetichismo                                     gradualmente disciplinado  pelo  culto dos  fetiches  domésticos, representados por objetos pertencentes a um membro memorável, ou a objetos diretamente evocativos da situação  doméstica.

                   Exemplo:   Os homens vivem  em Família  porque eles tem vontade, isto é, querem viver em Família , por isso  amam a Família  . Os homens vivem  em Família porque  os deuses ou o deus  assim desejam , por isto amam os  deuses ou o deus.

 Sociologia Abstrata : Os homens vivem em Família  por que um Fluido  mais que Vital predomina  catalisando e Amalgamando  esta  Célula Social . Um interessante exemplo desta concepção é  a suposição de que  os gêmeos  sofrem, um, a dor do outro. A sociologia metafísica se caracteriza mais pela  tautologia com que explica seus conceito. Exemplo: Os Judeus tornaram-se monoteístas  por serem  de raça monoteica. Vide semelhante tipo de raciocínio da propaganda de um biscoito,( por que vende mais - porque está sempre fresquinho - por que está fresquinho ; por que vende mais.)       com a vantagem de que  neste caso  conseguiu-se evidenciar  o  sentido de duplo fluxo da   explicação causal, que é exatamente  uma das razões pelas quais  a ideia de causa, pode ser superada  pela inteligência humana; Se uma coisa é explicada por outra , e  esta outra  é explicável pela primeira, chega-se a conclusão  de que  o que  está revelando, é na verdade, uma relação  constatada e não uma explicação. A metafísica é a adolescência da Inteligência.
                                         
Sociologia  Positiva : Na Sociologia Positiva  o aspecto constante  que subsiste sempre  em meio a todas as  variações secundarias  pelas quais passou  e passa a instituição  da Família, por exemplo, pode ser  descrito, abstratamente,  em termos de Leis Naturais, que uma vez conhecidas, tornam-se o modelo  em torno do qual são edificados os costumes do estado Normal. Tendo os Humanos, sentimentos que os levam a viver para outrem, a Família, se estabelece tanto mais solidamente  quanto  mais intensos forem tais sentimentos altruístas;e uma vez que  esta situação  espontânea seja uniformemente reconhecida, torna-se possível unificar a Educação  fazendo-a convergir, mediante  o conhecimento do Dogma Positivista- Ciências - para os princípios de ação  que melhor exercitem este altruísmo.
               
                Na Moral
           
Moral Fictícia : Concebe-se a influência objetiva dos fetiches sobre  a mente  Humana; que passa a  sentir, pensar e agir de acordo com  o Feitiço - A bruxaria não é outra  coisa se não o acordo do feiticeiro com o  fetiche  para produzir sobre outrem, um determinado efeito benéfico ou não. (magia negra ou magia branca; a Umbanda e a Quimbanda) . Na verdade o que ocorre é que  o outrem  no estado de  está  se auto sugestiona  e admite  está sendo influenciado e na  verdade é  ele mesmo, que se auto  condiciona. Achando que tudo vem do  Feiticeiro . O Homem  pré-histórico e o silvícola atual, caçavam , levavam a caça para a tribo,  já sabendo que esta seria dividida por todas as famílias .Era um,  fazendo o bem de todos.Agradecem e amam a  Natureza pela a sorte  de poder levar   a caça  aos seus  pares,que estão em outra atividade, sem cobrar nada por isto.(Comunismo Primitivo);  Atitude de querer bem  a  todos, para que todos façam o seu bem .

 Politeísmo e Monoteísmo: A influência sobre  a subjetividade humana era concebida  como a ação  dos  deuses, de demônios   ou de Deus  sobre a Alma; a revelação e a possessão  explicavam  por exemplo,  a inspiração artística, o êxtase, as intuições da inteligência, e os entusiasmos oriundos dos sentimentos,  expressos  pelo caráter. Com o passar do tempo, por exemplo os índios brasileiros , tinham a mesma atitude dos fetichistas , a vontade de ajudar aos demais, para poder se usufruir do que os demais lhe   davam em troca;  só que em vez de , agradecer a Natureza, agradeciam aos espíritos do Bem , ou ao deus Tupã. A Moral estava ligada, as normas religiosas, aos  Mandamentos das leis de Deus , no Catolicismo. Graças a DEUS !   
                                                              
Moral  Abstrata ou Metafísica : Os fenômenos de  sentimento, pensamento e ação  são explicados na metafísica  como  sendo  o efeito  de fluidos, forças , energias, vibrações  da alma ou sobre a Alma. E Esta é concebida   como um  ser à parte,  cuja existência  objetiva  não dependeria  da existência  do Corpo. Exemplo de atitudes de Moral Metafísica :  Cada um por si e Deus por todos , oscila entre os estremos.Cada um faz a sua moral de acordo com a sua consciência .Moral democrática. O grande absurdo em que vivemos. Parentes , parentes , negócios  à parte. Não preservam  nem  os familiares - são altamente egoístas .
               
 Moral Positiva: Os fenômenos de sentimento, pensamento e ação , são concebidos, na Moral  Teórica , como funções do Encéfalo;  e os fenômenos  de  Santidade, Genialidade e Heroísmo são concebidos na Moral Prática como o  resultado do exercício dos órgãos  correspondentes  a tais funções.  O Positivista  desenvolve a sua vida afetiva de sentimento resultante de emoções; de inteligência  e de ação   em torno, respectivamente do Culto ( pelas Artes do Belo e do Bom) do Dogma ( pelas 15 Leis Naturais  e pelas  Leis Naturais das  7 ciências)  e do Regime ( pelas Disciplinas), do Gran-Ser : Família , Pátria e Humanidade, sustentada pela Terra  e  Envolvida pelo Espaço. “ Amar,  Conhecer e Servir  ao Gran Ser Social  eis o  destino  da  Humana”.

                               
                   
            7.4.8)    3.2) Lei da Evolução Ativa ou Prática  - Esta é a Segunda Lei Dinâmica   do Entendimento, que regula individual ou coletivamente  a evolução da atividade humana . Tal Lei é  enunciada abstratamente do seguinte modo: “A atividade é  primeiro conquistadora, depois defensiva e enfim industrial” . ( Augusto Conte/ David Hume/ Chales Dunoyer)
    Esta lei relativa  à evolução  da Atividade , semelhante a evolução  intelectual, como pode ser abaixo visualizada, nas suas três fases, para melhor entendimento  e compreensão .

        Conquistadora ou Preparatória, ou Guerreira,Defensiva,Em Curso,Estado de Alerta,Industrial ou Cooperativa ou  Pacífica
                       
                               Egoística                                           Equivoca                                     Altruística

                               Fictícia                                               Metafísica                                    Positiva

                               Primária                                           Transitória                                  Científica               

Em 1822, no seu “ Planos de trabalhos científicos para organizar a sociedade” Augusto Comte, já esboça a distinção entre os estudos preparatórios e o final, definitivo  da evolução prática. É deste trabalho o seguinte trecho: “A única maneira  de por fim  a esta tempestuosa  situação  de superar a anarquia, que esgota dia a dia a sociedade , em uma palavra,  de reduzir  a crise a um simples movimento moral, é determinar as nações  civilizadas  a abandonar a direção crítica, para tomar a direção orgânica, a empregar todos os seus esforços  para a formação  do novo sistema social , objeto definitivo da crise , e para o qual  tudo o que se faz  até agora  é somente preparatório”. Système de  Politique Positive, vol. IV, ap.gén

                E mais adiante continua: “ Por outro lado  só existem  dois fins  de atividades possíveis  para uma sociedade, por mais numerosa que seja , como para um indivíduo isolado. tais são a  ação violenta  sobre o resto da espécie humana, ou a conquista  e a ação sobre a natureza , para modificá-la em beneficio do homem, ou produção.  Toda sociedade que não seja nitidamente organizada para um ou outro destes fins , será uma associação bastarda  e sem caráter . O fim militar  era  o do outro sistema , o  industrial é o do novo” .

                A atividade humana  manifesta-se  de duas maneiras , conforme das ações musculares,  resultem  sinais para exprimir  estados interiores  ou movimentos  destinados  a provocar modificações  exteriores.

        Quando a nossa inteligência é  posta em contato com a realidade exterior  para esclarecer nossa Ação, é o aparelho sensorial  que transmite as sensações , oriundas dos sentidos , ao interior  do nosso encéfalo , no órgão da contemplação concreta, que por sua vez  cria as imagens ; e logo em seguida  por meio da contemplado abstrata , geram as Ideias , que influenciadas  pela meditação indutiva e dedutiva e pelos  Sentimentos , disciplinados pelo caráter ; geram os pensamentos ; que por sua vez geram as expressões; mímica , oral e escrita ; este últimos destinados a exprimir  os estados interiores de nossa alma ou psique ou mente, dando a conhecer  não somente  o plano  elaborado para determinada modificação do mundo  ou da própria natureza humana, mas também os sentimentos que os inspiram. Quando ao contrário, desejamos  exercer  diretamente  a ação modificadora  do exterior, principalmente se tratando-se  de fenômenos do mundo , os movimentos musculares  são dirigidos  nesse sentido, sempre influenciados pelos sentimento e guiados pela inteligência, que esclarece e assiste  permanentemente  a Ação, de modo a sistematizá-la  tanto quanto possível , isto é,  tanto mais , tanto maiores  os  esclarecimentos  prévios  com que  houver contato para a elaboração do plano. Esta ação ou caráter é composta de três  funções prática - coragem, prudência e perseverança.


Vamos, neste momento, evidenciar a universalidade da Lei da Evolução Prática, verificando sua presença em  todas as ciências positivas .

                  Na Matemática :

                               Fase Preparatória: Os Números, as Formas  e os Movimentos

                               Fase  Em Curso    :  Operações  Aritméticas , Algébricas , Trigonométricas 

                               Fase  Definitiva   :   Exemplo : Programação Linear – Números Primos
                Na  Astronomia :
                               Fase Preparatória : Observações  Astronômicas - Coletas dos Dados
                               Fase Em Curso    : Leis de Kepler
                               Fase Definitiva    :  Satélites Artificiais - Comunicação , etc.
                Na Física :          
                               Fase  Preparatória :  Teoria da Relatividade
                               Fase  Em Curso     :  Preparo do Urânio Radioativo
                               Fase  Definitiva     : Aplicação Pacífica da Radioatividade – Energia Nuclear.
                Na Química :
                               Fase  Preparatória :   Síntese Orgânica  - Síntese da Vitamina C
                               Fase  Em Curso     :  Purificação  -  Purificação da Vitamina C
                               Fase  Definitiva  :     Aplicação     - Remédio
                Na Biologia  : 

                               Fase Preparatória  :  Concepção Animal ( Óvulo + Espermatozoide)- Nascimento
                               Fase  Em Curso     : Alimentação -Defensiva contra as Doenças -  Saúde
                               Fase Definitiva:  Prolongamento da:  A  Morte

                Na Sociologia :

Qualquer evolução passa  por três  fases, sendo a segunda  de transição  entre a          primeira e a terceira , a atividade é em princípio  Guerreira   e Conquistadora    passando depois a Defensiva   , antes de se tornar  inteiramente Pacífica .Deste modo         a guerra defensiva  é estado transitório  da atividade guerreira  para   a atividade industrial . Estes três estados   correspondem  plenamente aos  Estados  Mentais  da  Humanidade : Fictício ,Metafísico  e Positivo.

                A Guerra  só  se harmoniza  plenamente  com o estado Teológico , assim como a           Indústria  exige  o estado Positivo, pacífico. Entre o regime Guerreiro  e o Industria ,          há uma situação instável  , em que a guerra é apenas defensiva  , porque  desejamos                o estado  Pacífico .

                Nesta  situação  da atividade , a inteligência  também flutua  entre a ficção   e a             plena positividade.
               
Desconhecendo ainda o suficiente a realidade do Mundo, o homem primitivo  só          encontra   um gênero  de atividade coletiva : A Guerra ; guerra contra os animais              ferozes , guerra contra tribos  que disputam igualmente  as condições  favoráveis  da            mesma região  do meio cósmico, e finalmente guerra pela preponderância   de uma    tribo sobre as outras.
                O Passado  Histórico  revela , perfeitamente  , os três estados  , nas três partes                               sucessivas  em que se divide   a História Geral :

                                                               História  Antiga
                                                               História da Idade Média  e
                                                               História  Moderna
               
Militar ou Preparatório

                               Militar Conquistadora: O homem começou com a  atividade militar                                                                                                    conquistadora - Os Romanos - Antiguidade
   Militar Defensiva: Carlos Magno , construiu castelos  ,para se                                                                                                           defender dos germânicos - Idade Média            
 Industrial ou Definitivo       
                        
                               Industrial Pacifista:   A sociabilidade surgiu com a industrialização,                                                        com  todos os seus problemas  , ainda árduos . Idade Moderna
               
                No Ocidente, a antiguidade foi preenchida pelas guerras de conquista, que terminaram  na preponderância   do povo  mais apto  para assimilar os outros, manter a Paz  e divulgar  os resultados  sociais  da evolução  comum; este o povo foi o  romano.

Na Idade Média, manifesta-se  claramente  a transformação  da guerra  de conquista  em pura defesa.  Aliás, no final da antiguidade Romana já os grandes Chefes Guerreiros sentiam e prenunciavam o regime final da paz  e da  atividade Industrial. As nações conquistadas pelo povo romano  formaram o cenário político onde se desenvolveram, duas culturas preparatórias da civilização Final  - O Catolicismo e o Feudalismo . 
       
                O Catolicismo cultivou  extensivamente os sentimentos  relacionados à Pureza; já o Feudalismo  desenvolveu o mais alto grau de Ternura , através dos sentimentos  cavalheirosos.  
Com efeito, a civilização  antiga  formou  o cidadão, dando-lhe  civismo  e bravura, mas deixou graves  lacunas  no que  se  refere  a Pureza  e a Ternura.

A antiguidade  instituiu   a escravidão  para  o serviço  da terra, tendo como consequências , morais e sociais, evitar a matança  dos prisioneiros  de guerra, e tirar  a mulher  do mais pesado  serviço  da vida doméstica . A escravidão foi a regra  normal  da primitiva  base  da  Economia Social; hoje trata-se de uma anomalia monstruosa, que vai sendo gradativamente expurgada, em vista dos ideais espontâneos de cooperação humana.

A Idade Média transformou  a escravatura  em servidão  da gleba , e terminou  extinguindo-a  lentamente e preparando  o regime  industrial  moderno, com a instituição das cidades livres .

No  fim da Idade Média, terminou  o Regime Guerreiro,(a guerra era parte da vida social, a palavra BELLUM , que definia Guerra  hoje etimologicamente  evoluiu e expressa BELO) e  deixou para os tempos modernos  a solução de um problema que tem conturbado   a  Ordem Social , e que no momento , preocupa as mais  eminentes  inteligências, servidas pelos melhores corações :  A  Incorporação  do Proletariado à Sociedade .

É o desenlace  da evolução, que transformou  o Prisioneiro de guerra  em Escravo; o Escravo em Servo da Gleba; Servo da Gleba em Mercenário, e o Mercenário (Hoje) em Trabalhador Livre.
Todos os elementos ativos da sociedade  devem colaborar  para a sua felicidade  Material, organizados tão sistematicamente , como fazem hoje para a guerra.

Assim  a sociedade futura,  ficará composta de três elementos :

                    Elemento Ativo :   Constituído de  pelo Proletariado , tendo a frente o Patriciado;
            Elemento Intelectual : Tendo como guia um sacerdote  emancipado  das concepções                    provisórias do Passado que serviram apenas para formar o Dogma  Positivo .
                    Elemento  Afetivo :    Representado pela Mulher

                O Regime  Final da Humanidade - O Pacífico -  para o qual tende  irresistivelmente  a parte  mais avançada  da Sociedade  Moderna , já está plenamente  caracterizado  e com os seus elementos principais  constituídos. Há entretanto, uma fase de transição, na qual serão transformadas  as instituições aptas  a subsistir, suprimindo-se outras, por inúteis  ou perturbadoras.
Esta  transição tem sido retardada  pelos elementos de desordem  e retrógrados , que agem sobre o meio social  influindo para  mudar  o rumo natural  da evolução, ou fazê-la voltar   a um dos estados anteriores , ou  finalmente  , permanecer no estado atual .

 “O Homem se agita  e a Humanidade o conduz” ,visto como a Humanidade é um conjunto que vive  segundo Leis  Naturais , que atuam  sobre o Indivíduo. Por isto  nessas condições, está sujeita, como  qualquer sistema, à Lei de Galileu, generalizada  por Augusto Comte

               Ecológica-Informacional  :  Agora no Século - XX  , iniciamos a era “Ecológica-     INFORMACIONAL " , provocando um novo humanismo, que aglutina pela globalização, a aceleração para o bem estar  social, tão preconizado por  Augusto  Comte . É   bom   lembrar   que antes que o Industrialismo desenfreado  houvesse  produzido  quaisquer danos  Ambientais, o  nosso Mestre  já  falava no IMPÉRIO  BIOCRÁTICO , é o que chamamos hoje de " Eco-    Sistema ".

A Concepção  Religiosa da  Terra , hoje esboçada na Hipótese Gaia, de James Lovelock (1919 -  , teve origem de forma sistemática em  Augusto Comte ,correspondendo  tal  concepção a  primeira formulação Ecológica. Cumpre lembrar aqui,   que Ernst Heinrich Philipp August Haecke (1834 – 1919) (criador da palavra  Ecologia , leu a Filosofia Positiva  de  Augusto     Comte e recebeu de Juan Enrique Lagarrigue - Chileno, uma carta sobre a Doutrina Positivista, onde  já havia  uma expressão – BIOCRACIA – Bio = Vida e Cracia  = Governo.  Governo da Vida.

https://books.google.com.br/books/about/Lettre_%C3%A0_M_Ernest_Haeckel.html?id=MiZmHAAACAAJ&hl=pt-BR

        Entende-se por hipótese Gaia, a tentativa moderna, baseada nas próprias necessidades humanas afetivas, de  um retorno ao  Fetichismo, ou de uma tentativa de incorporar  o  sentimento  fetichista, em relação à  Terra, por intermédio de uma nova interpretação dos fenômenos  que se passam  em nosso Planeta. Considerando o nosso Planeta  dotado  de uma vida própria ,semelhante a dos seus habitantes . É preciso  notar  que existe uma diferença entre esta  concepção e  a concepção religiosa da  Terra, segundo a incorporação do Fetichismo ao  Positivismo. Os  Positivistas não concebem a Terra  dotada de inteligência, do contrário,  nós  não teríamos como explicar  que, um Ser ou melhor  um corpo  tão poderoso  e inteligente, criasse e sustentasse  tantas dificuldades,  à sobrevivência não só da   Humanidade - Isto tudo começaria a entrar em choque, com  o próprio  desenvolvimento da  Afetividade - Se nós tivéssemos que conceber a Inteligência Atual  do Nosso Planeta, haveria naturalmente  uma  revolta , pois se ela fosse inteligente deveria nos proteger muito mais do que faz . É preciso pois  que a atividade da Terra e os Sentimentos   que nós  concebemos que  ela tenha, sejam destituídos atualmente de inteligência. 

                Na Moral :

                Podemos dividir a Moral em:                   

                                                                                              Teórica
·         Moral  Preparatória ou Conquistadora ou Guerreira..........................................................EGOÍSTA
                 Moral Fictícia                                                  Prática

                                                                                              Teórica
·         Moral Transitória ou Em Curso ou  Estado de Alerta.........................................“EQUÍVOCA”
                Moral  Metafísica - Ou da consciência de cada Um.                                       (Egoísta/Altruísmo)
                                                                                              Prática                                
                                                                                              Teórica
·         Moral  Cooperativista ou  Pacífica ou Industrial...............................................ALTRUÍSTICA
                Moral Científica ou Prática         Moral  Definitiva
               
                Caso venhamos  acompanhar  as ações  de cada  Ser Humano, desde a Infância  à Madureza(21 anos) , notam-se  diversas formas de comportamento, e aí entra  a  Educação , para moldar as atitudes,  e exercitando primeiramente os bons sentimentos,  nutrindo a inteligência , para ações altruístas; e depois nutrindo de  alfabetização. Até a instrução científica e tecnológica. Na fase transitória em que nos encontramos será necessário ainda complementar tal educação por meio do  aprendizado concreto ,isto é, teatrinho, dos maus exemplos e comportamentos amorais, que os Seres Humanos , na fase  0-14 anos de idade,   poderão se deparar, afim de  saber distinguir  os Verdadeiros  Altruístas, os que estão no caminho do altruísmo e dos falsos altruístas. Educar, para que aqueles que estão em treinamento possam também distinguir os Egoístas dos Altruístas.  

                A criança quando já é capaz de agir  por si mesma , normalmente   age com mais ou menos violência , contra tudo que a contraria; quer satisfeitos todos  seus  caprichos  sob pena de chorar, gritar e esbravejar, de destruir as coisas e  até bater nas pessoas. Para acalmá-la  é necessário ceder com educação, convencendo ou reprimindo , mostrando as consequências , ou se nada disto der resultado reprimir com penalidade, estes acessos de cólera.  Isto tudo   resulta do  desejo de posse   não satisfeito.
                É um brinquedo que não lhe pertence  e que quer possuir . É  um bombom  que  deseja  comer  e não  lhe  deixam. Se não o impedem, apossam-se  deles  à força , pensando que procedem muito bem. Se não os educamos, ele, o garoto  ou garota,  opera  assim   uma posse  forçada; faz uma Conquista Egoística, com base em uma Moral Individualista  ou Preparatória.

                Mais  tarde, ao chegar a mocidade , suas atitudes serão menos agressivas, devido a uma educação recebida , ou lapidado pela  suas atitudes  na vida, no entanto guardam ainda  violências . Sem querer usufruir  exclusivamente pela  força  o que é de outrem , como tendem a fazer  as crianças ,  procura  o moço  defender-se  do  que dele   querem  tomar,  o que julga ser seu. Assim por exemplo , se os  objetos  que aos falecidos pais  emprestaram  lhe reclamam  , nega  entregá-los  apesar de não serem seus. Inventa  ardis  para o fazer  e chega a ameaçar  com atos  de força  ao reclamante  cujo direito por falta de provas  só se baseia  em razões  de ordem  Moral Transitória ou Equívoca. Essa Atitude é um processo Militar  embora menos enérgico ; não é mais conquista , não é mais  ataque ;  é  defesa. 

                Chegando ao maior grau de desenvolvimento, reconhece que  sua ação sobre  o mundo  deve ser praticada  sem violência  para obter  o que não possui  ou conservar   o que lhe pertence.

                A dádiva e a troca, são meios  rudimentares  de transmissão, anteriores à própria  conquista  ou com ela   concomitantes, tornam-se, em plena Madureza, exclusivamente  usados . É a atividade puramente  Pacifica, sem emprego da força  e da fraude, para adquirir  ou conservar ; não há mais luta ativa ou passiva  , ataque ou defesa; há  paz , há trabalho, com base na Moral Positiva ou Moral Definitiva ou Moral Científica - Cooperação Pacífica Industrial , de cunho Altruísta . A Força  não se exerce diretamente  ou indiretamente, sobre as pessoas  em favor de outras , mas  sobre algumas  coisas em favor  das pessoas. O Homem na Maturidade  dá ou troca  pacificamente os bens , sem violência  e sem fraude , ocorrem as parcerias. Isso porem não quer dizer que anormalmente  não haja  crianças  pacíficas  e adultos  belicosos. Mas  num e noutro caso , confirma-se a lei, porque  se trata  de  exceções, isto é, de anomalias.

É certo  também que nos meios  civilizados , dada a influência  secular  da educação , essas fases são bem pouco diferenciadas  nos  indivíduos;  de sorte que muito antes da madureza  , ainda  na adolescência , o homem já  atingiu  o último  grau da atividade prática, salvo  os  remanescentes das fases  anteriores, que   aparecem  muitas vezes  entre  as  manifestações  do estado final .  


7.4.9)  3.3)Lei da Evolução Afetiva  - A terceira  Lei Dinâmica - “A sociabilidade  é primeiro  doméstica, depois  cívica  e enfim universal ,segundo   a natureza peculiar de  cada  um  dos três instintos simpáticos : ( Apego(amizade) ,Veneração  e Bondade) ( Augusto Comte)
Assim como  a Inteligência  e a Atividade , o Sentimento oferece  a sucessão de Três Estados.
                A evolução afetiva ou sentimental, que é a mais importante das três , resulta das duas              primeiras , que se combinam  para tal fim ,  de modo a constituírem  a base,  material e intelectualidade cada um dos estados sucessivos da existência social.
Os três termos da progressão  afetiva ou de sentimento , são objetivados  no grau cada vez mais aperfeiçoado , mais complexo  e mais extenso  da sociabilidade, devido ao prevalecimento, em cada um , de um dos três sentimentos altruístas.
Primeiro o apego, depois a veneração e finalmente a bondade, presidem respectivamente  aos             três estados  de evolução  da sociabilidade.
Sendo a sociabilidade  revelada  por um conjunto de atos  convergentes da existência coletiva.

                                A FAMÍLIA, A    PÁTRIA   e    A    HUMANIDADE   
                               Apego                         Veneração                                  Bondade
                               Doméstica                    Cívica                                         Universal
                Vejamos de que forma refletiram,  evoluíram  e colaboraram  e colaboram  as Ciências dentro das etapas  da  Sociabilidade  ,isto é , como a matemática , a astronomia , a física, a química, a biologia, a  própria  Sociologia Positiva e a Moral Positiva , evoluíram e  evoluem  através  das  três fases  da  Afetividade.

Vamos, neste momento, evidenciar a universalidade da Lei da Evolução Afetiva, verificando sua presença em  todas as ciências positivas .
Na Matemática
                 Matemática na fase Doméstica, na fase  Cívica e finalmente na fase  Universal .
                Jamais a Matemática  e as outras  ciências passaram  da fase Doméstica diretamente                para a fase  Universal.
                                Doméstica: Compra  e venda de alimentos  , isto é , as quatro operações
                                Cívica:  Compra e venda   de gêneros em geral  dentro da própria Pátria..
                                Universal : Compra e venda de  gêneros em geral   entre  Pátrias .  
 Na Astronomia
                Doméstica:  Observação dos astros, Sol , a Lua , as Estrelas
                Cívica:  As estrelas  como indicadoras  de orientação  da  rota  dos viajantes em curtas                                   distâncias.
                Universal   : As estrelas e os astros em geral,  nas  grandes  Navegações .

Na Física
                Doméstica : Viagem da  casa ao trabalho , em uma fazenda , em lombo de animal .
                Cívica:  Viagem de   Avião    entre duas cidades de uma mesma  Pátria
                Universal:  Viagem entre duas  ou mais Pátrias e até viagem interplanetárias.
Na Química
                Doméstica: A química Moderna  , iniciou na Casa de Lavoisier.- Foi na Cozinha
                Cívica:  As primeiras experiências tecnológicas  foram na Pátria Francesa.
                Universal: A química se alastrou pelo Mundo.
 Na Biologia
                Doméstica: As primeiras  Higienes  Médicas e curativos foram feitos no Lar .
                Cívica:  Nos  Hospitais e nas escolas médicas da Pátria
                Universal:  Pela Cruz Vermelha e outras organizações  mundiais da Saúde, etc..

Na Sociologia

                Todo homem desenvolve  primeiro o apego ,  gostando  da Família  em que nasceram . A Família é um conjunto de pessoas, em torno de uma mulher - A  Mãe . A Mulher dirige a Família e o Pai dirige a Pátria. A Pátria  é um conjunto de Famílias  e  a Humanidade é  um conjunto de Pátria ;  hoje já temos  os Grandes Blocos, um  conjunto de algumas  Pátrias, União Europeia , e bem logo teremos a Globalização  , ainda com o cunho predominantemente econômico de início   com  o enfoque ecológico e por fim pela grandeza da  Fraternidade .

Não devemos nunca esquecer  a Veneração pela Nossa  Pátria  e  o sentimento de  Bondade  pela  Humanidade  ou Globalização ,no entanto uma globalização que forme uma amálgama  onde o            “Mercúrio” desta “liga” seja  a Fraternidade .

                Doméstica:  AMOR  à FAMÍLIA  - APEGO  - amor  entre os Iguais.

                A Família, a primeira agremiação humana, foi a mais restrita, porém a mais enérgica, porque  teve como base  um dos mais fortes  instintos  animais  - o da conservação  da espécie , que em intensidade, só é superado pelo instinto da conservação individual. Sob a  preponderância  do instinto  sexual , associado ao instinto materno, formou-se a família das outras espécies animais , que dura, normalmente, apenas o tempo necessário  para a criação da prole, dissolvendo-se logo após. Na espécie humana, os instintos altruístas criam a sociabilidade  dilatando e prolongando  essa instituição , que se tornou permanente. Iniciada com o par fundamental, prolonga-se   através dos filhos , netos, bisnetos , etc., e dilata-se   colateralmente  pelos tios , cunhados, primos, etc., levando-se em conta , as condições  características da vida  primitiva.

                Esta simples  consideração  , não só distingue  a família das espécies homo  , das demais  famílias do reino animal , mas caracteriza  o desenvolvimento   crescente da sociabilidade humana.. Em breve outra  associação mais extensa  e também  mais forte   naturalmente  aparece : a Pátria
É de a observação cotidiana  assistir o afeto   das crianças pelas  pessoas   que imediatamente a cercam : os pais, , os irmãos  , os parentes.

Os estranhos  tende as lhes dar medo e repulsa. Só quando percebem  a acolhida  que               os seres  caros , a esses estranhos   dispensam , é que  as crianças   a eles  estendem  o seu  afeto , amando-os  como os pais , a  irmãos e parentes . As afeiçoes das crianças  se limitam  à família.
                Na infância  o homem  ama sobretudo  a Casa  e a Família .

Com o decorrer da idade  , aumentam os círculos das afeições,  e chegando  à idade adulta, começa a ter o sentimento  de seres  coletivos superiores à  família : são  a terra  em que nasceu  e vive , gente que fala a mesma língua  e habita o mesmo solo ; ama então a cidade  e a Pátria , como amava a casa e a família , às  afeições      domésticas juntam-se as afeições cívicas .
Mas é bom lembrar  , que se formaram  outras agremiações  , entre a Família e a Pátria, cada vez mais extensas  , preparando a  Pátria.

                Cívica:  AMOR A PÁTRIA -  VENERAÇÃO  - Amor dos inferiores aos Superiores 

                               Na Mocidade o Homem   ama    sobretudo  a  Cidade e a Pátria .
                Durante muitos séculos, a sociabilidade humana  não ultrapassou  os limites   da                          Pátria. Os Povos em geral não conseguem levar  mais longe os seus sentimentos ,                  considerando os povos vizinhos como inimigos , cada  qual  procurando  dominar                        pela força .                                       
                Infelizmente, neste  particular , a situação  hodierna  pouco se  alterou, apesar   das                    iniciativas generosas, que se   vão se sistematizando cada vez mais e  infelizmente  o                                ser humano ainda  não  registrou , por mutação genética, estes padrões básicos de                     comportamento de sentimento, pensamento e de caráter, que melhor asseguram a                     harmonia social  e que só tem ficado em nível  de cultura.

                Mesmo com algumas grandes  barbaridades ,  com  os espíritos  de escol, podemos                    dizer  que começam    desde cedo,  a sentir  a necessidade  da associação  dos povos,                                para formar  a unidade da espécie  humana.

                   Universal:  AMOR À  HUMANIDADE - BONDADE  - AMOR DOS  SUPERIORES  AOS INFERIORES -
                             
                             Na madureza, o Homem Ama a Humanidade, a Terra e o Espaço.

A princípio, pensava-se que esta unidade se obteria pela conquista  de todos  os  povos, subordinando-os  à  preponderância   de um só. Essa foi a opinião de vários               guerreiros da antiguidade, como por exemplo, Ciro, no Oriente , Alexandre, no          Ocidente  Grego , e muitos outros  conquistadores romanos.
O apogeu do altruísmo  será quando o homem, isto é,  quando a população da terra                 estiver realmente controlada , e ao mesmo tempo, se estenderem   às afeições,   às          seres coletivos mais complexos , isto é , além  da cidade  e da pátria, o adulto  se         afeiçoa às Párias de  mesma língua, onde  existem instituições  similares , e assim de              grau em grau, se chegará  a  abrange , no seu afeto , a Terra inteira e o Espaço,            considerando todos os povos, como uma só família , uma só pátria, todos os              homens como irmãos: será o apogeu do Altruísmo , assim o indivíduo atingirá o grau     máximo  da Sociabilidade: a Sociabilidade Universal.   

                               Contemplando o espetáculo histórico , verifica-se  evolução análoga  .

Os povos primitivos  , ainda imersos no fetichismo , limitam os afetos a família , o único ser coletivo  que realmente conhecem  :

                A sociedade por eles constituídas  é essencialmente  uma sociedade  familiar, fundada  no Apego.  Como podemos ver na Civilização Chinesa, onde o fetichismo, perdurando   excepcionalmente , organizou  uma sociedade  política  e religiosa , baseada  exclusivamente  nos sentimentos domésticos. As relações existentes dirigentes e dirigidos, tem o mesmo caráter  das que  existem  entre pais e filhos, antes da revolução de 1911 , que acabou  com o regime monárquico  e instituiu  a República da China , o Chefe do  Estado   o Imperador , era considerado  o pai  e a mãe  de seu povoAmor de Apego.

                Estendendo  as afetividades, das famílias, à tribos, às castas, nas sociedades teocráticas , formaram-se  por fim as grandes aglomerações  de povos incorporados  por meios militares. Surgiu a noção  de Pátria:  isto é , conjunto de famílias , ligadas por um mesmo governo  político , em  torno de uma cidade preponderante . O Império Romano  é o tipo do novo ser coletivo :  conjunto de povos congregados  em  torno de Roma  , sob  o ascendente  de um  mesmo  governo .Nascido na Espanha , na Itália e  na Gália  , os  habitantes do Império Romano , quando  adquiriam  a qualidade de cidadãos, não  o eram  como  espanhóis  , italianos ou gauleses mas como romanos, filhos  da cidade  de Roma. Civis romanaus sum,  era  o grande título  de glória  para  o habitante  do   Império, que o possuísse. Desta forma assistimos à expansão  extraordinária  de um sentimento mais elevado , mais extenso, mais cívico, ancorado  na  Veneração

                Finalmente, com o advento do Monoteísmo Cristão, ligado por uma crença comum, as pátrias  oriundas da fragmentação  do Império  Romano , aparece um novo sentimento social  ainda  mais elevado, extenso e nobre -  a  Cristandade . Com Saulo de Tarso, genial pensador, de profundo espírito Social, hoje conhecido, como São Paulo. Ao analisar o problema religioso, viu desde logo, que pela ciência, propriamente dita, não poderia alcançar o intento: haja vista como a ciência se limitava  , então , à  parte elementar da matemática , da astronomia , e aos princípios da biologia, que tinham origem na obra de  Aristóteles. O Objetivo seria, contudo, alcançado pela teologia, não politeica, porque esta estava inteiramente gasta e  desprestigiada, no entanto o caminho seria pelo monoteísmo.

                Sendo judeu, suas ideias eram naturalmente   voltadas para  o monoteísmo judaico,  mas este se afigurava impróprio  para os povos de origens  e crenças  diversas, geralmente politeicas. Além disto, a concepção  judaica  estabelecia , entre  a divindade e o homem  , relações demasiado grotescas , pois  algumas lendas bíblicas  já eram assunto de motejo , para os  espíritos meditativos .  
Pensou então associar o monoteísmo à filosofia grega.

                E , sem desprezar totalmente a origem judaica  do monoteísmo, dirigiu a atenção  para o pensamento aristotélico.

                Aristóteles, embora   emancipado da teologia , reconheceu  que a evolução natural  , levava os povos  para o monoteísmo, antes de serem completamente empolgados  pelo espírito  positivo , mas receava  que as construções monoteicas , embora  emanadas   de pensamentos individuais , ( ao contrário das politeicas , que eram  de origem popular), ainda tivessem caráter  politeico. Receava que a divindade, posta em contato  demasiado íntimo com  os homens, como acontecia  no politeísmo, tornasse  assaz ridículo esse conchavo. Nessas condições, concebeu a divindade em situação tão elevada, que  nenhum contato houvesse  com os homens;  submeteu  o mundo  e o homem  às leis  naturais, e entregou  o seu governo  a dois ministros metafísicos, o Destino , já muito familiar  aos politeístas, representando o conjunto das leis conhecidas, e a  Fortuna, compreendendo as leis  desconhecidas.

                Em  tais condições , o espírito  positivo  , ficou inteiramente livre  para a  pesquisa das leis naturais , porque, longe  de  contradizer  a existência de Deus  , procurava apenas  a legislação  por Ele  dada  ao Mundo e ao Homem.

                Mas ainda  tirava de Deus  a responsabilidade  dos males  que  frequentemente  ocorrem  , quer   dos homens com a Natureza quer dos homens entre si.

                São Paulo aceitou essa concepção , modificando-a  ligeiramente , no que  era  indispensável  para  a sua construção  religiosa.  Atribuiu à Deus  a faculdade de  suspender , ocasionalmente , o domínio das leis naturais e o governo perpétuo do homens;  daí a ideia de milagre  , introduzida no catolicismo.

                O próprio Aristóteles, reconheceu  a contradição  existente   entre a sua teoria  do  entendimento humano, inteiramente  positiva , que não dava   existência  exterior  às  concepções  puramente espirituais , e a concepção de um Deus  material ,  existindo realmente fora de nós.

                Esta ideia contraditória, que não escapou á sua  eminente inteligência, patenteou-se, mais tarde, ao pensamento  dos próprio católicos, quando, um  tanto arrefecidos ,  do instinto social , começaram a meditar profundamente  sobre  tais assuntos. Daí as graves discordância  sob  as  denominações  de realismo  e nominalismo,  iniciadas na  Idade  Média.

                Os realistas colocados no ponto de vista de Pitágoras e de Platão, que  propositadamente  haviam dado realidade  objetiva               às  concepções  do espírito, afirmavam  a existência , no mundo  exterior, de  tudo  quanto  o espírito religioso  havia concebido.

                Os nominalistas, porém, convictos  de que tais ideias, não  passavam de  concepções do espírito, isto é, de simples nomes, sustentavam  que nenhuma  realidade  exterior podiam ter .  Deste modo, solapavam  completamente  todas as lendas , todos os mitos e ficções,  em suma todo  o apoio  de qualquer teologia, mesmo   monoteísta , dando origem  à contradição  irremediável, que  cada  vês mais  se acentua, entre  a teologia e a positividade.

                Os pensadores católicos, que  negavam  a realidade exterior   das ficções  e concepções subjetivas , davam  à sua  teoria do entendimento humano, isto é, a  teoria  aristotélica, a denominação  de  conceptualismo, de meros conceitos.

                Tal foi a discussão sustentada  entre Abelardo e  São Bernardo . Este  compreendeu  que o conceptualismo ou nominalismo solapava  inteiramente  o teologismo  e, por conseguinte, o catolicismo.
                Subordinando a Inteligência  à Fé, e adaptando  a crença  às  necessidades  morais  e sociais  do momento, condenou irrevogavelmente  a concepção positiva do pensamento  humano.

                Embora  construindo  de acordo com a filosofia  grega , ensinada  por Aristóteles, exceto neste  particular , o Catolicismo  entrou  em conflito  com a ciência moderna , logo  que  pensamento  dos filósofos retomou  o caminho  aberto  pelos gregos; eis como , o Clero  Católico, pioneiro  da Positividade  na Idade Média,    tornou-se opositor   pertinaz , nos tempos modernos.

                Esta discordância tão  prejudicial no Catolicismo -  a tendência de dar  realidade  objetiva  as meras concepções subjetivas  - se  observa , também  , nos  cientistas modernos,  que  confundem  artifícios lógicos  com leis naturais. Confundem, assim na Ciência, os andaimes com o  edifício em construção .

Enquanto o  Amor  da  Pátria  reunia  famílias  diferentes  , a Cristandade  congregava  pátrias  diversas.
                Foi este novo afeto coletivo, que  superando  as  divergências  posteriores  do Monoteísmo Cristão  , bipartido em Catolicismo  e Protestantismo , se mudou da  Ocidentalidade  , e estendido do  Ocidente para o Oriente,  abrangendo todos os povos da Terra , constitui  o sentimento de união  Internacional   , que hoje se apregoa  e é o precursor da  Sociedade  Universal do  Futuro  , com base na Bondade . 

                Na  Moral :
                Compõem-se  a alma humana  de motores  afetivos  , faculdades intelectuais  e qualidades práticas . Todas tem por  sede o encéfalo , de sorte   que ,  sem discutir a natureza  da alma  , sem indagar se  é apenas uma propriedade do cérebro  , como nos ensina a ciência   , ou uma entidade estranha   que o toma por instrumento , como pensam os metafísicos  , o certo é que sem cérebro não há alma ; donde   temos a definição positiva  : “alma”,  é o conjunto  das 18 funções do encéfalo.           
                Dos três grupos de funções psíquicas, que são a fonte de nossos afetos, dos nossos pensamentos,  e de nossas ações , as primeiras  , isto é , as funções afetivas  , não tem relação direta com o mundo exterior  -- a paixão é   cega , já diz a sabedoria popular ---  e determinam o impulso que estimula o  pensamento , produto  das  funções  intelectuais  e provocam  os atos ,  produzidos pelas funções práticas . Não há dúvida  que toda a nossa vida psíquica   depende   fundamentalmente  dos  nossos sentimentos .

                                 “Para  Pensar e Agir é preciso   Sentir” .  Augusto Comte

              No entanto  os sentimentos  emanados  dos nossos  órgãos  afetivos  são de duas categorias  :  uns nos levam a  amar a nós  mesmos  , e outros  a  amar  a outrem .Por uns vivemos para nós , por outros  vivemos para  outrem . Constituem os primeiros os egoísmo  e os  segundos  , o altruísmo .
       Dependendo  dos sentimentos , todas as nossas ideias  e todas  os nossos atos  , serão alguns  mais ou menos egoístas  e outros mais ou menos  altruístas , conforme predominarem  os instintos   pessoais   ou os móveis  da Sociedade.

                Quando predomina  o excesso de egoísmo  temos a  existência puramente de um homem  hiper doentio , isolado , altamente problemático, revoltado, mal caráter,  muitas vezes canalha , etc. , mas quando  predomina  o altruísmo  , a tendência para a  existência humana  é de um homem  , de grande sociabilidade  , passa a ser um Ser Coletivo. 

                A vida  plenamente  social, só é   compatível  com subordinação  do egoísmo ao altruísmo.

Tende a perturbar-se  ou extinguir-se  , quando esta subordinação  desaparece  pela igualdade  da colaboração ,  ou pela preponderância do egoísmo.

                Para demonstrá-la basta contemplar  o espetáculo histórico  e apreciar o desenvolvimento  dos indivíduos,   desde a infância  à madureza, do seio da família - Doméstica  até  a fase Universal , por meio das disciplinas  a serem atingidas .

Doméstica - Moral  Doméstica Positiva – A Moral Social desenvolve o homem formado pela Família.  

Cívica  - Moral  Cívica Positiva – Educar o Homem para a Pátria.
                Universal  -  Moral   Positiva do Ocidente & Moral Planetária Positiva –

A Moral  Positiva  do Ocidente  tem por fim  dirigir  a existência  de suas diversas populações , solidárias desde  Carlos Magno, e que compõem  a República Ocidental , imaginada por Augusto  Comte  e hoje   iniciada com  a União Europeia .
A Moral Planetária Positiva, tem por finalidade  consolidar  sistematicamente as tendências  universais  para a unidade terrestre. 
Vamos aqui abrir um parêntese  e  tecer comentários  sobre a:

Relação entre as três Leis da Evolução Humana:
Afetiva , Intelectual e  Ativa ou Prática.

Depois desta visão das três leis  da evolução  individual  e coletiva , vejamos as suas principais  correlações .
 O Fetichismo lançou espontaneamente os fundamentos da ordem humana, estabelecendo a preponderância do sentimento sobre a inteligência e sobre  a atividade;  subordinou o homem ao Mundo  , e  abriu caminho para a evolução social da Humanidade ,  instituindo a vida sedentária, fundando definitivamente a família,  e lançando as bases  da ordem  futura, pela instituição do sacerdócio.
O Fictício, harmoniza-se  melhor  com a guerra  do que com a Indústria,  porque  aquele regime  é mais  espontâneo que o Industrial,e também  a guerra  é a maneira mais  natural  de congregar os homens ,  no começo de sua evolução.

O regime politeico apresenta  duas formas  características :

                               Politeísmo Conservador Teocrático e  Politeísmo  Progressivo ou Militar.
Somente a fase politeica do  teologismo  se  harmoniza com a guerra  de conquista ,  sendo o politeísmo  uma concepção de origem popular, não provoca  a incompatibilidade que se observa nas  diferentes formas  do monoteísmo, provenientes , cada uma , de um pensador.O Politeísta adora  os Deuses , conhecidos ou desconhecidos, ao passo  que o monoteísta  adora  um só Deus, aquele que  conhece  e  admite, com exclusão dos demais,  que  despreza. Esta adoração ao seu próprio Deus , só é admitida    segundo a forma  instituída  pelo filosofante. Dessa discordância  surgiram as guerras  e ainda  surgem   , entre  os  monoteístas  católicos,  maometanos, protestantes e judeus.

Essa observação mostra a  priori , que  o politeísmo se  harmoniza melhor com a  guerra de conquista, enquanto o monoteísmo se torna  impróprio para a   assimilação  dos   povos  conquistados, destruindo-os completamente , quando  não  alcança  a conservação  pela Fé  , geralmente impossível , dada  a situação mental   dos povos vencidos. A confirmação do que acabamos de   expor  , está  no empate irrevogável ,do monoteísmo  Islâmico e Católico. E o conflito de hoje em dia entre o monoteísmo maometano  e o monoteísmo judaico. Estas  aberrações ainda existentes  , provam o desconhecimento dos  dirigentes políticos  e  religiosos , para pôr  fim a estas  loucuras, de incompreensão que o Ser Humano ainda em certas áreas do globo terrestre , procura pela guerra resolver o problema, que por este caminho jamais terá solução. Nenhum nem outro, se subordinará ao outro . A região da Palestina   no Oriente Médio se comporta  no estado de evolução Humana , violentamente atrasado, já superado por muitos  povos  no Mundo.

O Positivismo considera  a batalha de Lepanto, como sendo o termino  final  do  verdadeiro  regime  guerreiro, pelo combate  dos dois monoteísmo , cuja  irredutibilidade  nenhum deles  poderia então compreender.

O regime Industrial, exigindo, cada vez mais, o conhecimento da ciência, só se pode harmonizar  com o espírito positivo . Por outro lado , esse gênero  de atividades  ultrapassa  hoje  os limites  das antigas castas , alcançando  todos os povos  e todas as pátrias.  Exige colaboração tão  extensa  e intensa , que só a sociabilidade  final , isto é , a  confraternização universal  pode  conseguir.
Já utilizamos,  hoje  em dia, intensamente ,  para as necessidades pessoais , domésticas e das  pátrias , os produtos  elaborados em todas as partes do Mundo. As Indústrias nacionais, carecem de matéria prima  de todos  os continentes , e muitas  vezes ainda recorre  as   experiências  e  aptidões  especiais,  estranhas as nacionalidades.  A felicidade de cada povo  depende, sempre mais, da colaboração de todos  os povos, e as  aptidões, cada vez mais, decorrem  do passado. Nenhum regime Social  caracteriza melhor  a íntima  ligação  com o conjunto dos  povos que  o regime Industrial, mas que já está em crise hoje em dia. Como pode ser  visto  no livro “The Crisis of Industrial Civilization”- The Early Essays  of  Auguste Comte ( Edited and Introduced by  Ronald Fletcher)- 1974 .

A evolução ativa , portanto, não se prende , apenas , à evolução intelectual , mas também a evolução afetiva. Se o  regime  industrial moderno se relaciona , intimamente , com a confraternização  dos povos, o estado mental , que  se estende  do monoteísmo à metafísica, harmoniza-se com o regime militar  defensivo, conservando, entretanto , o núcleo ,  que traz consigo os mais  seguros elementos de progresso.

As considerações que acabamos de fazer , não se deve inferir  , que a sociedade  moderna  , mais avançada , a sociedade  ocidental ,  ou  sequer  os povos que atualmente  se  reputam  supercivilizações, hajam  percorrido todos os  degraus sucessivos  da evolução  intelectual, ativa e  afetiva  da humanidade. Esse percurso foi feito, apenas, por  alguns  espíritos de escol  destes povos.

Isto quer dizer, que o mesmo pensador, o mesmo cientista , podem  estar atualmente , em graus diversos  da evolução  intelectual, conforme  o assunto que  está se tratando . No estado  positivo, quando cuida da matemática, da  astronomia , ou até da  biologia;  no  estado  metafísico em Sociologia, sendo teologista em Moral. Esse mesmo cientista, em  matéria de sociabilidade, geralmente,  não atravessa as  fronteiras  da Pátria, considera inimiga as outras Pátrias, e aspira  preponderância  universal de sua nacionalidade. Quanto a  afetividade, vai  pouco além da própria família, cujo número muitas  vezes  restringe, cedendo ao egoísmo pessoal. Os admiráveis surtos, de sensibilidade  de afetividade, que  observamos na sociedade moderna, resultam  da atuação   de espírito de Escol (Elite).  A demonstração  irrecusável dos  instintos  altruístas,  inatos ao homem, está na liderança,  sobre as naturezas  vulgares  desses elementos  excepcionalmente avançados da sociedade Moderna.

Abordemos agora, sumariamente  os  transtornos , ou melhor as dificuldades, que se opõem  à  massa popular , para  seguir  os impulsos dessas  naturezas  excepcionais .

                Como anteriormente abordamos, a evolução humana  decorre muito da evolução  intelectual, porque   esta faz conhecer o Mundo  e a Sociedade, modulando  as Suas Afeições.

                As grandes dificuldades opostas  à   mentalidade , no passado, e até  mesmo no presente , para  compreender  a teoria do   entendimento humano  de Aristóteles,  emancipando-se  das ficções teológicas , do domínio da Moral e da Religião , impedem  , ainda hoje , a plena  aceitação  das concepções  Morais  e  Sociológicas  Positivistas deixada por Augusto Comte .

                A este  obstáculo intelectual, hoje  superável,  juntam-se  outros de natureza ética, criados  pelo orgulho e pela vaidade  individual , ou nacional , sem falar  na ação da Lei da Persistência , generalizada a todos os fenômenos.


                É muito penoso para  o Orgulho e Vaidade do Cientista  moderno ,  que se presume  omnisciente, reconhecer  o atraso  de sua evolução intelectual. Também é  irritante  , para  o Orgulho Nacional , reconhecer  que outra nação , de menor  potencial militar   e pequeno desenvolvimento  industrial , assimilou os elementos intelectuais , mais adiantados da  Civilização Moderna .
                Para o espírito humano é mais difícil de corrigir  erros inveterado, do que descobrir verdades novas , e ainda  mais dificultoso  modificar sentimentos  e costumes apoiados em  ideias antigas , adaptando-os  a novas  concepções .Dai os   enormes embaraços  encontrados   pela grande renovação  contida  na Obra de Augusto Comte.

                Não é de se  estranhar  , que justamente , no mundo intelectual , se  originasse a maior  oposição  ao surto  e ao  desenvolvimento  desta obra  incomparável.

                O Elemento Científico, mais que o teológico, tem colaborado   para  estagnar esta evolução.

O Fato não é de se estranhar  .

                Embora  fictício , o  elemento  teológico  visa principalmente  a manter  a ordem  humana,  no que diz respeito  à moral  e ao bem social , ao passo que  o elemento intelectual , quase sempre divorciado da moral  , não hesita  em afastar-se  , também , da razão ,  sob o intenso impulso  da vaidade e do orgulho.

                                A Instituição da Ciência Sociológica, em condições  inteiramente Positivas, como fez Augusto Comte, deu aos governantes  luz tão intensa, isto é, bases sólidas e científicas, como a astronomia  ao navegante, e a biologia ao  médico .Tão  complicadas  são as relações   sociais e tão  difíceis  os problemas  modernos, que não basta  o simples  empirismo  inteligente  para  dirigi-los;  são necessários  os esclarecimentos  sistemáticos, as luzes teóricas , para resolver  os seus intrincados problemas. O resultado desta situação, reforçada pela ignorância do público. Que desconhece   existir  para os fenômenos  Sociais , uma  ciência tão positiva , como as outras  , e  por  conseguinte, os princípios básicos dessa própria ciência  -  é que   os povos  modernos   ficam inteiramente expostos  à ação  de Políticos  Aventureiros, como tem ocorrido e ocorre em nações , que  se presumem Supercivilizadas . Essa nações   são hoje  o maior flagelo  da Humanidade.

                Os principais  causadores  da calamidade  em que vivemos  , os principais responsáveis  pelos seus crimes , são  os representantes  da Ciência  Acadêmica , que se  esforçaram , a  princípio , por  morrer  de fome  o Renovador Moderno , e  acabaram abafando, na  conspiração do silêncio, sua obra regeneradora, para que  as gerações  presentes  e vindouras ,  por muitos séculos , ignorassem sua existência , de modo  que  a anarquia  e a  Retrogradação caminhassem  livremente, satisfazendo os seus caprichos e apetites individuais. Nestas condições os povos modernos se acham  expostos à  exploração  de qualquer  aventureiro, mais ou menos  hábil,  mais ou menos paranoico, criadores de ideologias obscuras  e fantasiantes , os  meros  gozadores do poder, incultos e sem Moral Positiva. No entanto agora com  a Internet, será possível  alimentar   a obra de  Augusto Comte , este será o grande trabalho, para o bem da Humanidade, em conjunto  com muitos  colaboradores.

                Resumindo, podemos afirmar, que as operações encefálicas  realizam-se  invariavelmente  segundo as leis                  Estáticas do Entendimento . No entanto seus resultados ,  variam com o tempo , tanto no Indivíduo como na  Espécie, isto é na Sociedade .

                Sentimos,  Pensamos e Agimos  ;  observando a subordinação  do subjetivo ao objetivo ;  a vivacidade e nitidez  das impressões  relativamente as Imagens ,  e a  preponderância  da Imagem Normal.
                Mas as Ideias , os Atos , e os  Sentimentos   que  daí provêm :
                               Ora são Ficções , Conquistas  ou Afetos Domésticos ;
                               Ora são Entidades  , Ações de Defesa  e  Afeições  Cívicas ;
                               Ora , finalmente , Verdades Positivas , Trabalho e Amor Universal.

                De sorte que,  a par das leis que regulam  o equilíbrio, existem as leis que regem  o movimento  do aparelho encefálico;  a par das Leis  Estáticas, há as Leis Dinâmicas do Entendimento. São as Leis da Evolução ,em número de três: A  Lei Intelectual , a Lei Ativa  e a Lei Afetiva. Todas as Três Leis podem ser codificadas  harmonicamente, segundo  designação  consagrada à primeira  delas ,  Chamando-lhes de Leis dos  Três Estados :

                               a) Leis dos Três Estados  Mentais
                               b) Leis dos  Três Estados  Ativos
                               c) Leis dos Três Estados  Afetivos.

Estas três Leis  constituem  a Lei Universal  da Evolução  Individual  e Coletiva. do Ser Humano.


IV)SEÇÃO MAIS OBJETIVA - 3º GRUPO - PRINCIPALMENTE OBJETIVO


- 4ª SÉRIE  -
 A MAIS OBJETIVA DA FILOSOFIA PRIMEIRA

7.4.10) 4.1) Lei da Persistência - Todo estado estático ou dinâmico, tende a persistir espontaneamente, sem nenhuma alteração, resistindo as perturbações exteriores (Generalização universal do principio de  Johannes Kepler)


                O enunciado é claro e preciso, pois esta Lei  nos mostra  a tendência natural  de todo o estado estático  ou dinâmico, isto é,  de equilíbrio  ou de movimento, a conservar-se  indefinidamente, a  persistir  sem nenhuma alteração,  resistindo  às perturbações exteriores .

                Esta lei  evidencia em primeiro lugar  a necessidade de se distinguir  os estados estático e dinâmico.  O primeiro é caracterizado pelo equilíbrio, pelo arranjo natural de todos os elementos  que o  constituem;  o segundo, o dinâmico, representa o movimento, a sucessão espontânea de estados estáticos.

                Em qualquer dos dois, e de modo geral , em todas as transformações  observáveis, há a tendência natural destes estados a persistirem  espontaneamente, sem nenhuma alteração , resistindo as perturbações exteriores .

       A tendência própria ao fenômeno, é  portanto a de continuar  indefinidamente  a verificar-se  no mesmo estado de equilíbrio  ou de movimento, sem nenhuma alteração, resistindo as perturbações exteriores

Vamos, neste momento, evidenciar a universalidade da Lei da Persistência, verificando sua presença em  todas as ciências positivas .

Na Matemática - A Lei da Persistência é a generalização da Lei de Kepler - Augusto Comte a estendeu universalmente a todos os fenômenos , donde resulta  o estabelecimento da lei da Persistência .
                 A Lei complementar de Carnot, estendendo ao caso do equilíbrio, constitui mais uma prova da lei da  persistência no domínio matemático.

Na Astronomia - A Lei da persistência  revela como  os corpos celestes , mantém-se  indefinidamente  em movimento ,  sem necessidade , para tal fim de qualquer ação exterior. O movimento regular dos astros, há  milênios observado , é suficiente para  mostrar a tendência natural  deste estado dinâmico a continuar  indefinidamente. Não encontrando  perturbação exterior                apreciável que possa modificá-lo,  o movimento de translação da terra  em torno do sol , por  exemplo,  tende espontaneamente a  persistir  sem nenhuma  alteração  e é assim observado  em  todos os tempos desde  de as eras mais remotas  da existência humana.
                  
Na Física - Nos diversos estados físicos em que  se encontrem , os corpos tendem a persistir até que seja modificado esse estado por influência  exteriores.
As passagens  de estado constituem na física  uma consequência direta  das variações  de intensidade de pressão e de temperatura. São, portanto,  variações exteriores , que colaboram para a passagem de um estado físico para outro. Normalmente o corpo tende a se conservar indefinidamente  em um mesmo estado, isto é,  Sólido, Líquido , Gasoso , resistindo            às  perturbações             do meio.

Na  Química - No domínio da Química  utilizaremos para exemplo , desta lei , o  estado              estático dos corpos, que mantém a sua constituição e propriedades , enquanto não influir o      meio  para modificá-las.

O fenômeno químico é caracterizado  pela composição e decomposição resultante da ação molecular  e específica  das diversas substancias , naturais ou artificiais , umas sobre as outras- reações químicas.

O estado estático em química, é representado pelo conjunto de propriedades , que uma substancia ou elemento apresentam que constituem suas propriedades   características , diferenciando-o  de todos os outros - Vide Tabela  Periódica dos Elementos , estabelecida  por Mendeleiev . Tal estado estático tende a persistir espontaneamente resistindo as perturbações exteriores.

O estado dinâmico persistente em química  , examinaremos o da  reação entre dois corpos  ou a decomposição de um em mais de dois corpos.

Na Biologia :  A vida define-se como a troca  ao mesmo tempo gradual e  contínua entre  o organismo e o meio.

Para que o Ser esteja vivo deve  permanentemente manter o duplo movimento de  assimilação e de desassimilação. Tal estado de vida tende a persistir indefinidamente, resistido às perturbações exteriores. São estas perturbações,  estas influências   do meio exterior,  que colaboram para  a alteração da continuidade indefinida  da existência  do Ser vivo .      
          
Na Sociologia : Esta lei explica a continuação de um sistema político ou religioso que se tornou
retrogrado. Esta lei,  em suas aplicações  ao domínio da dinâmica social , explica desta forma o  prevalecimento de instituições retrógradas , que mantendo a  continuidade social até certo ponto, dificultam posteriormente a implantação da nova ordem que deve substituí-la.
Quando estamos   em Paz , é difícil sair da Paz; mas se estivermos  em guerra será difícil de sair dela.

Na Moral - O aperfeiçoamento da Natureza humana, pela Educação  é possível, devido à aplicação da lei da Persistência . A natureza humana é susceptível de aperfeiçoamentos  e nossos               maiores esforços devem convergir sempre  para o nosso melhoramento ,  moral , intelectual e prático, devido ao grau elevado de Modificabilidade  das nossas funções cerebrais. A repetição continuada do uso das  funções , que se pretende desenvolver  e a compressão aquelas que se deseja atenuar, criam um estado encefálico cuja  tendência  à  persistir, manifesta-se cada vez mais intensamente quando submetida a tais cuidados. Desta forma a tendência natural a persistência, colabora para facilitar o trabalho de educação e para melhorar a natureza humana.  Toda a pessoa que adquiriu  a disciplina religiosa , quer sob a forma Normal Positiva, quer mesmo sob uma das modalidades  provisórias  de religião,  resiste muito melhor às influencias perturbadoras  do meio  anarquizado.


7.4.11) 4.2) Lei da Coexistência ou da Independência de Movimentos -“Um sistema   qualquer mantém a sua  constituição  ativa ou passiva , quando  os seus elementos  experimentam  mutações simultâneas, contanto que sejam exatamente comuns” (Generalização Universal  do Principio de Galileu Galilei)

                Esta Lei é de grande importância intelectual  e social: sua  descoberta  veio abrir  novas  e amplas         diretrizes ao conjunto geral  dos conhecimentos abstratos  na idade moderna. Colabora         poderosamente para a inauguração dos estudos  que vem transformar  a orientação  de nossa      apreciação, no que diz respeito ao Mundo  e  ao Homem.  Deixa assim, tal  orientação, de ser          teológica e metafísica para  adquirir definitivamente  o caráter da verdadeira positividade ou cientificidade. 
Vamos, neste momento, evidenciar a universalidade da Lei da Coexistência, verificando sua presença em  todas as ciências positivas .


Na Matemática - Na matemática não é só a mecânica que nos oferece exemplos característicos e evidentes da aplicação da lei da Coexistência. Podemos notar na aritmética facilmente  a  aplicação desta lei  , quando apreciamos o processo de isomeria das frações, ou em geral quando provocamos mudanças de denominador nas frações      ordinárias.
Pretendendo tornar isômeras diversas frações, procuramos agir sobre elas  de modo a              obter este  resultado sem alterar os valores próprios a cada uma das frações consideradas. O conhecimento das leis numéricas  guiará a nossa ação sistemática de forma a atingir o resultado pretendido. No caso considerado as frações dadas formam            um sistema, e o nosso objetivo é o de provocar mutações  nesse sistema  de modo a conservar o valor, isto é , manter sua  constituição passiva. A ação simultânea  sobre  numerador e denominador  multiplicando-os por um mesmo fator, permite-nos  obter esse resultado.

Na      Astronomia: Nesta Ciência  observamos a Lei da Coexistência  em todos os estudos de  equilíbrio e de  movimento, não só do sistema solar  como em geral  de todo o Universo.  Foi a Astronomia que deu lugar  aos trabalhos de Galileu, dos quais resultou a   indução da Lei da  Coexistência dos movimentos e depois generalizada por Augusto Comte.

O estudo do duplo movimento da Terra  é a origem histórica  dessa Lei. O movimento de rotação da Terra  pode ser considerado como  não susceptível  de perturbação se o encararmos decomposto, ou seja , se apreciarmos  os  resultados do movimento  de cada ponto da superfície da Terra .Como todo movimento de rotação , é o  diurno da  Terra perturbador se ,  ao contrário considerarmos o movimento total do conjunto de seus pontos. Há variações de velocidade, decrescentes  da superfície para o interior e ,  na superfície , do equador para os polos. Mas se considerarmos  um ponto qualquer da superfície da Terra , este ponto , como consequência  do movimento diurno do planeta , move-se  segundo uma trajetória  circular,  como se  estivesse animado de movimento  de translação, não constituindo a rotação da Terra um movimento perturbador, toda atividade na sua superfície verificando-se como se a Terra  estivesse imóvel. Há perfeita consistência e independência  entre os movimentos realizados na superfície e os dois movimentos, o circular , que o ponto da superfície realiza em torno do eixo de rotação da Terra, e o movimento anual.

Mas  se considerarmos , o sistema formado  pelo conjunto de pontos  da superfície da Terra, vamos  encontrar as mutações  não mais obedecendo  à  condição  de serem exatamente comuns. Há diferença de velocidades  , em consequência  das variações dos raios  dos círculos  dos vários paralelos ; o que dá resultados de perturbações para o conjunto  de pontos  constitutivos  do sistema. Há ainda a inclinação  do eixo de rotação  da Terra em relação ao plano da eclíptica . É o caso,  das estações, que variam as suas condições climáticas  conforme a latitude , devido a diversidade de posição  relativa do Sol. Obedecem tais  fenômenos à  Lei da Coexistência, onde  são exemplos  de perturbação  quando as mutações  simultâneas não são exatamente comuns.

Na Física:  Em um  vagão restaurante,  de um trem , em cima da mesa, tem uma garrafa .O trem entra  em uma curva , a mesa e a garrafa acompanham o trem , isto é, se compõem com o trem ; dependendo do raio da curva e da velocidade do trem.

Na Química : Duas ou mais reações químicas , podem coexistir quando várias substâncias são postas em contato  em determinadas condições. Toda teoria química da composição e da decomposição, baseia-se fundamentalmente na Lei da    Coexistência. Figuremos por  exemplo o caso de dois compostos binários , colocados em condições físicas favoráveis para poderem agir um sobre o outro ,e produzirem a formação de dois outros compostos também binários, porém dotados de propriedades inteiramente diversas dos dois primeiros. Há, neste caso um movimento de decomposição do primeiro corpo com a separação dos seus dois elementos;  há ainda idêntico movimento em relação ao segundo corpo; finalmente dois novos movimentos  de combinação de um elemento do primeiro com um do segundo para dar lugar à formação  de duas novas substancias. Nessa reação, que parece tão simples  há pois , um conjunto de 4 movimentos independentes e coexistentes, cada um realizando-se como se os outros  cessassem.

Assim, em todo o domínio da química, desde os casos mais simples de análise e síntese dos compostos de primeiro grau, até os casos mais complicados, das substâncias instáveis, que aproximam do domínio da biologia,  temos sempre a verificação plena da Lei Universal da Coexistência. É evidente que, quanto maior for o grau de complexidade da substância   decomposta ou  sintetizada , tanto maior será o número de movimentos coexistentes.

Na Biologia : Consideremos a semente de uma planta ou o ovo de um animal .  Tanto a emente como o ovo , possuem  em porções  extremamente  diminutas, os componentes sólidos, líquidos e pastosos, do Ser que vai surgir e se desenvolver , crescendo até determinado limite, sem alteração da “ Vida  de Conjunto” .

Os diversos componentes constitutivos deste Ser, sofrem modificações que se  percebem pela vista, no próprio crescimento, e outras que só se verificam  pelo exame mais profundo e detalhado. Mas nenhuma destas modificações  ocorre isoladamente,    de modo que as mutações se tornam comuns e o sistema não sofre alteração. Casos há porem, em que circunstâncias estranhas impedem  as modificações em comum. Então, a existência do conjunto é perturbada, podendo até cessar    quando a perturbação se torna  assaz  intensa. Eis como veremos perecer  os seres vivos, quando a evolução se tornar desarmônica.


Na  Sociologia : Na Sociologia vamos fornecer dois exemplos, um na Estática e outro na  Dinâmica.
Na Estática Social: A constituição normal da família, em Sociologia Estática e as funções elementares  de cada um de seus componentes é um exemplo claro da Lei de Coexistência. As ligações Morais , Intelectuais e  Materiais entre  os  diversos indivíduos que compõem a família, exigem que  todas as mutações  simultâneas sejam exatamente comuns, para que o sistema não sofra alteração; estende-se este raciocínio à existência  dos outros dois  organismos sociais, a Pátria e a Humanidade.

Em toda a estrutura da sociedade  a divisão dos ofícios e  a convergência dos esforços, de acordo com a lei de Aristóteles ,  determina invariavelmente a formação de sistemas onde as  constituições ativas  ou passivas requerem,  para que não sejam perturbadas, ações  equivalentes  em todos os seus elementos.

Nos estados de perturbação social há sempre um desequilíbrio nestas mutações, provocando, como consequência as  alterações do sistema. Uma revolução social,  por  exemplo, é  sempre provocada por  mutação mais intensa  sobre um ou mais dos  elementos da sociedade,  de forma a romper-se  a estrutura fundamental, estática ou dinâmica , do Organismo Social.

Na Dinâmica Social  : Apreciaremos agora  as modificações próprias à archa normal  da evolução humana e as perturbações  consequentes aos  estados de transição revolucionária. Considerando  o Sistema social no seu Estado Dinâmico, vemos a evolução coletiva resultar de, mutações  simultâneas  produzidas em cada  um  dos elementos  deste sistema. Quando tais mutações conservam a devida proporcionalidade  de modo a se tornarem  exatamente comuns a todo o sistema , a evolução realiza-se  normalmente , e o resultado  destas mutações  é o aperfeiçoamento dentro de um dos estados provisórios de transição, ou a passagem de um  para outro estado  de evolução coletiva. Quando, ao contrário, nota-se um desequilíbrio nessas mutações. A sociedade entra logo em  período de transição revolucionária; as intensidades  com que se manifestam os diversos fenômenos sociais deixam de guardar as  necessária proporção e o  resultado vem imediatamente  refletir-se na estrutura da própria sociedade.

Na Moral - Iremos aqui  apreciar  a aplicação da lei da coexistência no que tange ao Sentimento e  à  Inteligência .
Sentimento: As funções elementares do sentimento, em numero de 10 sendo 7  egoístas e  3 altruístas, formam entre si um sistema do qual resultam todos os estados afetivos. O Sentimento é o móvel de todas as nossas ações, o Impulsionador, por isto mesmo, de todo o nosso trabalho Encefálico. Do   sentimento partem, primeiro sobre forma de desejo,  depois de vontade , os  estímulos  à  nossa atividade.

As 10 funções simples do sentimento, formam a estrutura que se apoiam nossas manifestações afetivas. As múltiplas combinações possíveis, com estes dez elementos fundamentais e as grandes variações de intensidade suscetíveis de apresentar os desenvolvimentos  tão variados  que podem adquirir  em cada caso individual , fazem do nosso  sentimento este domínio dificílimo e complexo. Os 10 Órgãos Cerebrais  do sentimento  constituem os elementos de um sistema que funciona sempre como um todo único, resultando as variações  em número quase que  indefinido , das inúmeras mutações de que é suscetível este sistema, que alia à máxima complexidade, também a máxima  Modificabilidade. Estas modificações, entretanto, obedecem completamente a Lei da Coexistência.

Há sempre, em qualquer manifestação afetiva, a colaboração das 10 funções elementares. Cada uma destas  apresenta-se como se  independessem de todas as outras; mas as reação mútuas  resultam sempre das íntimas ligações que estes elementos  apresentam para constituir um único sistema . 

Inteligência :As  funções Intelectuais ou da Inteligência, realizam-se    normalmente com a colaboração dos  5 órgãos da inteligência, cada    um deles funcionando com independência ,  porém correlacionados  para um fim comum , donde resulta a composição dos esforços parciais de cada um .

A inteligência pode ser considerada como constituindo um sistema cujos elementos são as funções simples {Contemplação Concreta - Contemplação Abstrata , Meditação Indutiva, Meditação  Dedutiva, e Expressão} , específicas de trabalho intelectual, quer de contemplação, de meditação ou de expressão, resulta sempre  da colaboração do conjunto das 5  funções  simples. Cada uma destas, entretanto, é coexistente e independente, sendo o trabalho intelectual uma resultante obtida pela composição das funções elementares nos  graus  e nas disposições especiais a cada caso concreto.

 O Trabalho intelectual realiza-se normalmente, sem alteração ,sempre  para ele convergem as 5 funções simples, e quando as mutações simultâneas forem exatamente comuns a todos os elementos do sistema  constituído , pelos órgãos correspondentes a estas 5 funções simples.

Segue dois exemplos do caráter concreto:

Constituição Passiva -. Um sujeito estava infeliz ou feliz por estar fumando. Se ele resolve deixar o fumar por razões  de benefício próprio ou por meio de terceiro  e  para  desviar ação  já marcante do vício por chupar  balas de hortelã ; por  não saber controlar os seus  Sentimentos,  ele se descobre preso a outro vício , que lhe trará menores malefícios, mas que lhe continuam lhe deixando infeliz ou feliz.

Constituição  Ativa - Um Elemento Humano, tendo-se  decidido estabelecer  o aperfeiçoamento de seu íntimo, busca auxílio em quem á conseguiu operar sobre si próprio este mesmo aperfeiçoamento e,  este experiente  vem a falecer. O ritmo do aperfeiçoamento do primeiro, não é alterado, para mais ou para menos, se ele encontra  um substituto.


7.4.12 ) 4.3) Lei da Mutualidade  ou Equivalência ou da Ação e da Reação -
                            “Existe, por toda parte,  uma equivalência necessária entre a reação  e  a ação; se a intensidade de ambas for medida conforme a natureza  de cada  conflito” -Generalização Universal Princípio de Newton  e Huyghens
                            Os Corpos podem  ser  encarados por dois aspectos: como Seres Isolados uns dos outros, ou como  agindo real ou virtualmente , uns  sobre os outros. No primeiro caso, supõe-se nenhuma dependência  existir  entre eles;  no segundo caso, consideram-se lhes as relações  recíprocas .
                            O conjunto destas relações  constitui  a mutualidade.
                            Estudando-as, Augusto Comte, formulou a Lei que a regula, generalizando o Teorema 
descoberto por Newton , para o caso especial  da reciprocidade mecânica.
         
Vamos, neste momento, evidenciar a universalidade
 da Lei da Mutualidade, verificando sua  presença em  todas as ciências positivas .

Na          Matemática : As operações básicas  por exemplo em aritmética, podem ser vistas  como uma ação e        reação :
                               A Operação de Multiplicação  apresenta uma ação cuja a reação é  equivalente a Operação de Divisão. A Operação de adição  representa uma ação  cuja reação  é equivalente  a Operação  de  Subtração.

Na      Astronomia: A lei da Gravitação Universal, descoberta por Newton, estabelece a   proporcionalidade  com que os astros gravitam uns para os outros, isto é,  as ações que
                            exercem entre si , e as reações  consequentes. Matéria atrai matéria, na razão direta das
                            massas e na razão inversa do quadrado da distancia. Todo o Sistema Planetário mantém  seus estados  estático e dinâmico devido às  ações e reações  mútuas que exercem os corpos celestes uns sobre os outros.

 Na                  Física  : Na barologia , isto é, no estudo do peso , a intensidade da gravidade seria  sempre a mesma,  se a Terra não tivesse movimento de rotação. Mas  a forma esférica  do  nosso    planeta aumentando o raio de  rotação , dos polos ao equador ,aumenta a intensidade            da força centrífuga,  que  age  em sentido contrário, diminuindo o peso dos corpos .              

                            Na Química : Na química  as ações  são  geralmente representadas  pelos fenômenos físicos ,    principalmente pelo calor, a eletricidade e a luz, sendo as reações de   composição ou de decomposição aquelas que  representam propriamente  os fenômenos químicos. Toda a reação    química de síntese ou de análise, isto é,  de composição ou de  decomposição,  é provocada  por uma alteração no meio , devido à  maior intensidade  em determinado fenômeno físico. Este aumento de intensidade  que provoca a reação química ,  é o que constitui , a ação . São       geralmente o calor e  a luz , ou a eletricidade, os principais elementos  necessários para a realização das reações químicas.

O movimento de análise ou de síntese em química é , por este motivo,  chamado              de reação porque constitui a reação provocada pelo aumento de intensidade do fenômeno
                            físico utilizado, ou ainda por outro qualquer modo  de formação de  um meio físico favorável. O fenômeno físico representa  pois , neste caso , a  ação;  e o fenômeno químico a reação equivalente.

                               Mas pode  a própria ação, como a reação, ser puramente química,  ou ainda  dar-se
o caso  de uma  ação direta  , de dois corpos  em condições normais , produzir a sua combinação e a reação ser representada, por exemplo,  pela produção de calor. Há corpos que se combinam  diretamente , em condições normais ,  sem exigir qualquer aumento de intensidade dos fenômenos físico, sendo necessário apenas a aproximação entre eles , para que se verifique espontaneamente , a reação . [ H2 (x%) + ar ]  gera combustão espontânea - liberando calor - com chama incolor,  cuja a temperatura é elevadíssima.

                            Neste caso, o fenômeno químico não constitui propriamente uma  reação  e sim uma  ação.
Pode em tais circunstâncias  o fenômeno químico provocar  o desenvolvimento de um fenômeno físico que representará então a reação. Corpos existem, por exemplo, que se combinam normalmente       produzindo calor ou luz, ou ainda a baixa temperatura pelo maior consumo de calor . Qualquer dessas alterações físicas  representará  a reação e será mais ou menos intensa segundo a maior ou menor  intensidade com que se produza  a ação química.. De um modo geral, em toda reação química, quer seja simples ou composta,  isto é,  quer se verifique uma ou mais vezes o duplo movimento de ação e reação, observa-se em qualquer caso , a lei universal em toda a sua plenitude, sendo sempre equivalentes a ação e a reação.

                            Na Biologia : A generalização da Lei de Newton, adquire máxima importância  em                          biologia. 
                            Quando qualquer ação, física ou química, é exercida sobre um organismo vivo, provoca reações mais   numerosas do que sobre um corpo inanimado, e  quanto mais numerosas , tanto mais complexa é a vida do  Ser . Esta atuação  pode ocasionar duas espécies de  alterações:

                                               a) a  Alteração da  composição dos tecidos vivos  ou

                                               b) a  Alteração do funcionamento dos órgãos.

                            Em outras palavras, podemos dizer que a reação pode ser anatômica  ou fisiológica.
Em ambos os casos, o conjunto do Ser reage restabelecendo ou tentando apenas restabelecer,  a integridade do Ser  ou das suas funções.
                              
          Sob  a influência da luz solar , as plantas por suas partes verdes decompõem o gás carbônico do ar, assimilando , carbono  e desprendendo oxigênio . Há ,pois ,  de um lado a ação do ar sobre a planta, e  do outro,  da planta sobre o ar . Se medirmos  as duas ações verifica-se que a  quantidade de carbono  com que o ar age sobre a planta, sob a influência da luz (fotossíntese) corresponde à  do oxigênio  com que a planta reage  sobre o Ar.

                            Um dos princípios do Pai da Arte da Médica, Hipócrates revela bem a equivalência da ação e reação:
                                    “Ad extremos morbos,  extrema remedia exquisite optima”.
               (Para grandes males, grandes  remédios)
                           
                            Na Sociologia :  A Ação  da Sociedade sobre a Família, quando anormalmente  colabora para diminuir  o poder material do homem  ou o poder espiritual da mulher, desenvolve como  reação imediata o enfraquecimento dos laços  domésticos.

                            Uma análise  sobre a Vida Política  das Nações Modernas mostra como a Lei da Ação e da  Reação verifica perfeitamente  todas as perturbações geralmente provocada pelos próprios      governos em suas ações empíricas.  ( ações ou concepções empíricas  , que não estão relacionadas  a nenhuma  doutrina  ou princípios explicitamente definidos e generalizados).           Ações estas realizadas sem nenhuma previsão, sem atingir ou visar os verdadeiros interesses da coletividade.

                            Exemplo o Conflito no  Oriente  Médio  :  Judeus versos Palestinos (1996 - 2015) ,com base no fanatismo,  inerente ou próprio ao caráter  teológico  dos povos em questão.

                            Os governantes muitas vezes dominados pelo orgulho superexcitado, como consequência do próprio exercício do poder, sem as luzes morais  e científicas  necessárias para a ação              sistemática ,  tendem logo , não só a invadir as  atribuições  espirituais, como também a desrespeitar  as maiores conquistas  sociais , realizadas pela nossa espécie, principalmente em relação às liberdades públicas .

                            Na MoralNesta ciência  a principal ação exercida pelo homem é aquela  que se realiza
                            pela  educação; e que, corresponde , como reação o aperfeiçoamento  da natureza Humana,  no seu tríplice aspecto , afetivo , intelectual e prático. 

                            É a Educação uma ação modificadora que se exerce sobre a nossa natureza  e , como toda ação provoca uma reação equivalente. Tal reação, que se manifesta por modificações mais ou menos profundas, da Natureza Humana, deve ser convenientemente prevista em seus resultados, o que constitui a máxima  dificuldade  no trabalho humano. Os meios de que  dispomos para a educação  correspondem à ação; os resultados  a que  devemos atingi  e que são devidamente previstos, constituem  a reação. A Virtude  é uma ação diretamente destinada  a provocar uma reação em favor de outrem.

                            Como a definiu Duclos, Moralista do Século XVIII, é a Virtude,  um esforço que o  indivíduo exerce  sobre si mesmo em favor dos outros. Está a Moral Positiva Prática baseada                especialmente no exercício da Virtude , que aperfeiçoa o coração humano , por meio de         atos  do  altruísmo , isto é ,  de atos inspirados  pelos  mais nobres sentimentos sociais de  Apego  (ou Amizade) , Veneração e  Bondade; que são aqueles  que nos  levam a  viver para outrem .

                            Quer o esforço realizado  venha beneficiar diretamente a determinado  indivíduo ,  ou ,
                            venha a diluir-se de modo geral , para que possa ser aproveitado,  com maior ou menor
                          intensidade  e precisão  por uma sociedade mais  ou menos extensa , em qualquer destes casos há sempre uma ação representada pelo esforço individual visando o benefício de outrem,  e   uma reação equivalente  representada  por este próprio  benefício.

                            "Um problema de ordem moral, tem que ser estudado, pela ação  e reação  moral,   com a análise das consequências  dos  atos  "- Augusto Comte



V)SEÇÃO MAIS OBJETIVA - 3º GRUPO - A MAIS SUBJETIVA QUE A PRECEDENTE 

- 5ª SÉRIE  -
A MAIS SUBJETIVA QUE A PRECEDENTE 

7.4.13) 5.1) Lei  da  Conciliação  ou da Conversão - “Subordinar   por toda parte, a Teoria do Movimento à da Existência, concebendo todo o Progresso,  como o  desenvolvimento da Ordem  correspondente, cujas as condições quaisquer, regem as mutações que constituem  a evolução”  (Augusto Comte / D’Alembert.)

A contemplação Geral da Natureza, leva-nos a conceber o Mundo, como  constituído de Seres  que  se Movem. Tudo em torno de nós é  constituído de  existência e movimento.

A Existência  é o  conjunto  dos fenômenos  que definem  cada  Ser  suposto parado,  sem se desloca , sem  mudar de posição.

                          Movimento é o fenômeno de deslocamento  dos Seres.

Por isto, o Movimento depende da existência , concebemos portanto , por abstração , que  existência sem movimento e nunca movimento sem existência, no entanto as duas propriedades universais  coexistem sempre.

Quando supomos o corpo parado, nem por isso deixa ele de estar ligado a movimentos  de outros corpos, quer produzidos pelo deslocamento  de elementos  que o constituem , quer pelo de outros corpos que o contém.

  A estátua de mármore que contemplamos na sala de um museu, aparentemente parada , participa do movimento geral da Terra em redor do Sol e do mais geral, do Sol para a constelação de Hércules, ou para a estrela Vega, da Lira. E, sujeitas à ação da gravidade, do calor, da Luz e de outros agentes físicos; os átomos que compõem as estruturas dos elementos químicos, que formam  a massa da estatua, tem alguns dos seus componentes  em movimento (elétrons).
                   A realidade é portant , existência e movimento.

   Qual é, a relação que existe entre estes fenômenos?

   Qual a lei que os regula?

                                   Respondendo estas duas perguntas, temos:

   É o principio da conservação, a Lei  da Conciliação, descoberta por Augusto Comte
   e antevista por D´Alembert , para o caso especial  da existência  e dos movimentos  mecânicos.

                   A Lei é :
   “Subordinar   por toda parte, a Teoria do Movimento à  da Existência  , concebendo
   todo o Progresso ,  como o   desenvolvimento da Ordem correspondente, cujas             condições quaisquer , regem as mutações  que constituem  a evolução”.

   A demonstração do grande principio  resulta da  apreciação  dos fenômenos  cósmicos, biológicos, sociais e morais ou psíquicos.

   Todos os Seres onde ocorre  a manifestação destes fenômenos, nós  codificamos que está ocorrendo uma transformação ,  quando se referem aos atributos físicos  e químicos;    desenvolvimento quando se referem as propriedades vitais; evolução , aos se relacionarem aos fatos sociais;  aperfeiçoamento ou progresso , se peculiares  aos  predicados Morais Positivos
ou Psíquicos Positivos.

   Essas mutações estão  sujeitas a Leis , conhecidas  ou desconhecidas, que revelam  a constância no meio das variações , quer  se trate  dos casos  normais , quer dos anormais ,  isto é,  dos fenômenos  regulares  ou dos que resultam  de alterações  na intensidade deles.

É o que ocorre com a  segunda  e a terceira  Lei da Filosofia Primeira.

   Os Seres inorgânicos e orgânicos, estão sujeitos a forças interiores , sendo que estas obedecem  também à Décima segunda Lei da Filosofia Primeira ; cada Ser quando se  desloca , experimenta imediatamente  a ação das três Leis  Naturais ou Universais : da Imutabilidade , da Modificabilidade e da Mutualidade.

   Apreciando  a passagem  dos Seres , de uma  a outra  situação, observa-se  que eles não permanecem  inteiramente fixos. Compostos de elementos interligados entre si, constituindo o que chamamos de um Sistema; os corpos brutos  ou inanimados , não se deslocam  sob  a ação  imediata  das forças  exteriores  que agem sobre eles , mas sobre  a influência da resultante dessas , com as forcas   interiores. De sorte  que o movimento  efetivo supõe  a anulação  de ações  e reações  internas depende da harmonia, do  equilíbrio  desses movimentos  recíprocos.

   Com efeito,  dadas ou imprimindo  às diversas  massas  suspensas , em uma  haste , que as  liga, formando um sistema ; e imprimindo-lhes  vários movimentos  ; elas não se movem  segundo os movimentos  impressos, mas  conforme os que resultam  deles, e dos   determinados pela ação  mutua das massas ligadas ;  de sorte  que o movimento  efetivo do sistema -  a haste com as massas suspensas ou ligadas-  difere  do movimento primitivo, impresso aos seus elementos, de uma quantidade  constituída por movimentos  interiores  que se neutralizam , forças  que se equilibram. Portanto o movimento total do sistema  sob a ação das forças  exteriores  está condicionado pelo equilíbrio  de seus elementos;  a sucessão fica dependendo  da simultaneidade; o movimento da existência.


  Como os vegetais os animais, a Sociedade muda de situação  no espaço , move-se ; e como eles e mais  do que eles , os seus elementos constituintes  guardam  nessa  mudança uma  invariável harmonia,  apesar de  todas as variações   que experimentam   no seu continuo movimento. assim   no meio de todas estas  manifestações , por que tem passado a Humanidade , através dos tempos, conserva-se  essencialmente  a  sua estrutura  Social;  constituída  pelos elementos  fundamentais  : Propriedade, Família, a Linguagem , o Governo e o  Sacerdócio.

 Em todos os lugares  e em  todas as épocas , desde de que haja animais vivendo em sociedade , especialmente o homem,  encontra-se sob varias formas, esses elementos básicos da existência coletiva. Podem estar embrionários, como nas coletividades pré-históricas do passado e nos civilizados  Silvestres - Índios ,  como nas sociedades ditas modernas ; em todas  encontram-se os mesmos elementos ; a única diferença , está no grau  de  desenvolvimento de cada um. Ao se apreciar este desenvolvimento , nota-se  que ele consiste  apenas nas variações   do estado de equilíbrio, que define cada elemento  fundamental  da Sociedade. A sequência destes estados  é que caracteriza  o movimento do organismo social;  é ela que constitui a evolução.

   Por isto, a sucessão é uma série de simultaneidades; a  mutação concilia-se  coma fixidez ; a variação com a harmonia; o movimento  com a existência.

   Com os seres Morais, que formam as espécies superiores, sobretudo a nossa,  os homens , considerados como não mais seres  animais  ou sociais, mas sim como  Indivíduos; animais que sofrem  não só a influência do meio  físico, com todos os entes vivos, mas também a ação do meio social, como ser coletivo ; mais uma vez se  verifica  a conciliação do movimento com a existência.

   O Homem individual  sofre  espontânea  e sistematicamente  a influência  do meio  social em que  vive , tornando-se  mais afetivo, mais inteligente e mais ativo,  e transmite  pela hereditariedade aos seus descendentes  os aperfeiçoamentos  adquiridos , após certos números de gerações ; até parece haver  antagonismo completo entre o homem primitivo , saído apenas da animalidade e o contemporâneo ,  mais afastado dela.  Mas a verdade é que, percorrendo todos os graus  da evolução individual, mudando  para melhor, aperfeiçoando-se , o Homem Moderno  é estruturalmente o mesmo homem primitivo, apenas  aperfeiçoado ; todas as modificações se processam harmonicamente ; o movimento moral , o aperfeiçoamento moral, combinam-se , conciliam-se  com a existência Moral Positiva e com o equilíbrio Moral Positivo.

   Como o conjunto  das simultaneidades , das harmonias e dos equilíbrios é que definem  as existências  nos seus vários estados ou graus   através do tempo, constituindo a ordem  - ordem física, ordem vital , ordem  social e ordem moral - e a sucessão dessas simultaneidades, dessas harmonias, desses equilíbrios , redundando  o movimento e o progresso -na Lei da Conciliação , formula-se em síntese ,  dizendo que todo o Progresso é o desenvolvimento da Ordem.

Em resumo, contemplando todos os   Seres  e as mutações  que eles experimentam , no espaço e no tempo, verifica-se  que os fenômenos  de que são a sede , estão sujeitos  a duas ordens de variações : variações simultâneas  interiores; e variações sucessivas exteriores  . As primeiras determinam o estado de equilíbrio, e as  segundas  as posições sucessivas destes estados ;  de sorte que  as Leis  Dinâmicas dependem  das Leis Estáticas ; toda mutação  é uma serie de equilíbrios;  a sucessão é uma sequência de  simultaneidades ; donde concluímos, a ocorrência da conciliação  do movimento com a existência. Não  passa o movimento senão  de estados  sucessivos da existência.

                                Por isto o Progresso  é realmente  o desenvolvimento da Ordem.

O Progresso é dito Espontâneo, quando se dá , sem nítida  e explícita  consciência do OBJETIVO a que se  destina ; e é dito Sistemático, quando este OBJETIVO é diretamente estabelecido como Meta. 
                           
Vamos, neste momento, evidenciar a universalidade da Lei da Conciliação ou da Conversão, verificando sua presença em  todas as ciências positivas .

  Na Matemática : Tomemos como exemplo, o cálculo;, em  matemática , tanto o aritmético como o  algébrico , onde a  Lei da Conversão , é apreciada  em evidencia  no estudo das Séries. Nas séries numéricas, seja, por exemplo , a série natural dos números inteiros , ou  a série  dos números  pares ou ímpares , ou ainda de um modo mais geral , as progressões aritméticas  ou geométricas ,onde  adquirimos  desde logo a ideia de movimento, se considerarmos  o acréscimo ou decréscimo sucessivo que  nos  representa  a  passagem  de termo para termo. Essa ideia de    movimento, entretanto, fica subordinada  à  existência  representada  pelos termos da série.

   Cada um desses termos  , considerados separadamente , representa  um elemento  de ordem, um estado estático. Fica em qualquer série numérica  evidenciada,  assim não  somente a subordinação  do movimento à existência , pela  concepção do progresso, como o  desenvolvimento da ordem , mas também a subordinação  desta  , as  condições   que regem as mutações  sucessivas , que dão lugar ao movimento.

Da mesma forma,  nas séries algébricas  , conhecida a lei da formação   de seus termos , estão  fixadas as condições  que regem  as mutações  representativas  da evolução. Cada termo da série, em separado, representa  um aspecto da ordem  ; apreciados estes termos  em conjunto , observamos o desenvolvimento da ordem e, portanto , o progresso.

Na Astronomia : Os problemas de movimento  quaisquer  dos astros , podem ser reduzidos  também a casos de equilíbrio, ainda de acordo com o  princípio de  D’Alembert (1717-1783) .Os estudos  astronômicos  são , conforme  a sistematização  positiva  de nossos conhecimentos, realizados sob o tríplice aspecto  matemático :  do número , da forma  e do movimento.
   A aplicabilidade da Lei da Conversão, que examinamos   para o domínio da matemática ,         estende-se  pois , à astronomia  principalmente  na apreciação da dinâmica celeste, onde  o princípio           de  Jean  et  Rond D’Alembert, encontra  completa  aplicação , de forma  a permitir  o estudo  dinâmico.

   Este princípio é uma ferramenta para  facilitar  as resoluções  dos problemas  de dinâmica fazendo-os recair  em problemas de  Estática.

   “Há  equilíbrio , a cada  instante  entre as  forças  exteriores , aplicadas a um sistema material , e as  forças  de  inércia  desse material,  ou melhor ; “o sistema  formado pela  reunião  das forças  exteriores  realiza  equilíbrio  a cada instante”
                                                  Fe + Fi  + Fj   = 0
              Sendo  Fe = força exterior ; Fi = força Interior  e Fj  força de Inércia.
 
  Na Física : Na  barologia  , onde podemos citar o exemplo do pêndulo , de valor   histórico , por corresponder ao problema de  Mersènne,  origem dos estudos   que conduziram  à indução  do  princípio de  D’Alembert.

   A primeira  parte  da Física , a Barologia  , que   está ligada  diretamente  aos estudos anteriores  da Matemática e da Astronomia , encara os problemas correspondentes de peso , que apresentam sempre  um aspecto  essencialmente  mecânico .A extensão  das leis mecânicas  ao domínio da Barologia,  mostra-nos  desde logo a aplicabilidade  da Lei da Conversão   a esse domínio. O estudo  do peso,  a  indução  de suas próprias leis específicas,  foi realizado  principalmente , com a utilização  do pêndulo ,  que representa  um dos  fundamentos essenciais  do Princípio D’Alembert . Foi com o estudo dos movimentos pendulares e a Solução do problema de Mersènne, no que tange a determinação  do centro de oscilação de  um pêndulo  composto,  o que permitiu uma série de trabalhos, que conduziram  ao Princípio de D’Alembert.

Em muitas outras partes da Física, apresentam a demonstração  da Lei da Conservação.

Na Química: Nesta Ciência,  é também facilmente   apreciável  a lei da  subordinação  do progresso  à   ordem , do movimento ao equilíbrio.

Em qualquer reação química, da qual resulte uma combinação  ou uma decomposição , há uma série de estados sucessivos, um movimento , representado pela troca  de elementos  necessários  à  transformação  que se processa.
Durante todo o tempo de duração da reação observamos em cada momento  um determinado arranjo , um estado dos corpos  que a provocaram  e dos  resultantes  dessa reação. As condições em que se processa os fenômenos químicos, determinam as mutações  nesses estados de ordem, dando lugar  ao seu  desenvolvimento , o estado dinâmico próprio da reação. 

Na Biologia: Um   Ser  vivo qualquer,  animal   ou vegetal , passa , enquanto  dura  a sua  existência , por uma série  indefinida  de estados  sucessivos   dessa  existência  , o que   constitui  a evolução. ( Movimento)

   Todo o Ser vivo apresenta  desde o nascimento até a morte , de acordo com a lei do desenvolvimento, uma fase de crescimento , quando a assimilação é maior que a desassimilação , uma segunda fase  estacionária,  de equilíbrio ; e uma terceira  e última  fase, de  declínio, quando  a desassimilação prevalece sobre a assimilação , e o Ser entra em decadência   até terminar na morte.

  Cada uma destas fases  é representada  por uma série   de estados  onde  as funções  orgânicas  apresentam inúmeras variações  de intensidade ,prevalecendo  ora  uma ora outra , e  dando  lugar  a aspectos  os mais diversos  de existência  do ser vivo.

Em cada momento da vida  , observamos sempre  o funcionamento  de todos os órgãos , colaborando  para a harmonia  vital .

O Ser Vivo representa , em cada um destes momentos,  um estado de ordem , uma apresentação estática   de sua existência.

Caso apreciemos  o conjunto  dos  inúmeros  estados de Ordem  sucessivos  que constituem  a vida de cada  Ser , temos  o desenvolvimento  dessa ordem  ,  o Progresso ,  isto é , a  noção dinâmica  da existência viva.

Na Sociologia : Como os vegetais  e os animais , a sociedade  muda  de  situação no espaço ,    move-se  ;  e como eles  e mais do que eles , os elementos da sociedade , guardam uma invariável harmonia nessas mudanças apesar de todas as  variações que experimentam no seu contínuo movimento.

No meio destas  contínuas modificações, por que tem passado , através dos tempos , conserva-se  essencialmente  a estrutura social , constituída pelos seus elementos  estáticos  e  fundamentais da Sociedade.
                                  A Linguagem
                                  A  Religião
                                  A Família
                                  A  Propriedade Material                                                                            
                                  O Governo Material
                                  O Governo Espiritual 
                   
Em todos  os lugares  e em todas as épocas  , desde  que haja  animais  vivendo  em sociedade , especialmente  o homem , vamos encontrar  , sob várias formas  , esses elementos   básicos  da existência coletiva. Podem estar embrionário, como nas coletividades pré-históricas  do passado  e nos selvagens do presente , ou adultos , como nas sociedades  modernas , em todas encontram-se estes elementos ;  a única diferença  está  no grau  de  desenvolvimento de cada um. Analisando esse desenvolvimento, conclui-se que ele consiste apenas  nas  variações  do estado  de equilíbrio , que define cada elemento fundamental  da sociedade. A  sequência desses estados  , é que  caracteriza  o desenvolvimento do organismo social; é  ela, que constitui  a EVOLUÇÃO .

   Assim  a sucessão é uma série  de Simultaneidades ; a mutação se  concilia-se  com a fixidez ; a  variação com a harmonia  ; o movimento com a existência.

É no domínio da sociologia  ,que as noções  de ordem  e de progresso  apresentam-se  com maior ou menor clareza  e precisão  , comparáveis  à ideia  mecânica  de equilíbrio e de movimento.

O fetichismo instituiu a Família. Existe, pois a família  como  elemento  estático da sociedade , desde  a mais  remota antiguidade. Se analisarmos  , a sua Constituição , as reações morais , intelectuais e materiais  que produz , a intensidade dos laços que a constituem , o grau  de duração  e a  estabilidade , com que se forma  e subsiste, a influência que exerce  sobre  as  associações  mais  extensas,  como sobre o aperfeiçoamento  do indivíduo, verificamos a multiplicidade, enorme,  de aspectos , dos mais variados, que assume  a célula  fundamental  da sociedade humana, embora  guardando sempre as mesmas características  estruturais.

Em cada momento da existência da família, temos um aspecto estático, de Ordem, dessa instituição social.

O conjunto desses estados sucessivos  de ordem, isto é, a sua  mutação com o tempo, representa o progresso, ou  pode por um descalabro representar o retrocesso - O Povo Russo neste momento  em que vivemos , e o brasileiro, como um todo, depois de  Getúlio Vargas é um retrocesso social.

Não é só  na família  que pode  evidenciar  assim com tanta  simplicidade e clareza  a harmonia entre a ordem e o progresso , pela subordinação  deste àquela.

Análise semelhante podemos fazer ,  relativamente à propriedade, à linguagem , ao governo , quer temporal quer espiritual .

O importante é que  , em todos estes elementos estáticos  , observamos  sempre  o progresso  como resultante  de uma  série  de estados  sucessivos , conduzindo  para o aperfeiçoamento cada  vês  maior  do ser Humano.

Na  Moral : Na  Moral  Positiva  , a apreciação  da evolução do Sentimento, da  Inteligência,  e da  Atividade, desde os tempos primitivos, vê-se , em   cada um  destes  elementos, sentimento, inteligência, e atividade que fazem parte da alma  humana, uma sucessão de estados  estáticos.
 A Apreciação  desta sucessão, tem resultado ,na  ideia de progresso Moral.

Em todas as épocas  da evolução humana  nossa inteligência  apresentou , sempre  a mesma constituição , resultante das funções   de cinco  órgãos elementares :

                                  Dois de  Contemplação  = Concreta e Abstrata
                                  Dois de Meditação         = Dedutiva  e  Indutiva  
                                 Um   de    Expressão

     A comparação  do trabalho intelectual, em cada uma das fases  da  evolução humana, mostram-nos desde logo , a grande diferença , não só de intensidade  geral  desse  trabalho , como também  de sua natureza  , consequência    do predomínio  ora de uma, ora de outra, das cinco funções elementares. A inteligência humana apresenta, pois, inúmeros estados  estáticos  diferentes, cujo o conjunto sucessivo , forma  o progresso  intelectual.

Não é só  a consideração  das fases intelectuais , do passado , que permite o exame  do progresso, naquele determinado setor ; também o estudo  , pelo conjunto do passado , permite prever  para o futuro  as tendências  da inteligência, de modo  a conhecermos as possibilidades, que o progresso intelectual apresenta , o  aperfeiçoamento intenso, que ainda pode  adquirir  a inteligência  humana.

Idênticos raciocínios  nos levam a reconhecer   a ordem e o progresso,  nos outros dois departamentos  da alma humana - nos referimos  ao Sentimento  e  a  Atividade.

Como os Seres Morais, que formam  as  espécies superiores , sobretudo a nossa , os homens , considerados não mais como seres animais  ou sociais , mas como indivíduos, isto é , animais que sofrem  não só a influência do meio físico, com todos os entes  vivos , mas  também  a ação  do meio social , como  Ser  coletivo , mais  uma vez , se verifica  a conciliação  do Movimento  com a  Existência.

Assim, efetivamente, o homem  individual , sofre  espontânea e sistematicamente a influência  do meio social  em que vive ,  tornando-se  mais  afetivo , mais inteligente  e  mais    ativo, e transmitindo  pela hereditariedade aos seus descendentes  os  aperfeiçoamentos  adquiridos ,      após um certo numero de  gerações . 

Parece até  ocorrer  um antagonismo , entre o homem da caverna  , o primitivo,  saído  da animalidade, e o  homem  contemporâneo , o mais afastado dela.  Mas a verdade é que, percorrendo  todos os graus  da evolução  individual , mudando  para melhor , aperfeiçoando-se, o homem  moderno é estruturalmente o  mesmo homem  primitivo ou muitas vezes, pior que ele, apenas aperfeiçoado; as mutações se fizeram  harmonicamente.   
        
   No terceiro estado, no positivo, a noção de progresso  adquire em sociologia  e  na Moral ,     um aspecto diferente , pois as modificações deixam de se realizar  na Estrutura  , para s            transformarem  no aperfeiçoamento gradual , cada vez com menor velocidade , e  tendendo para  um limite , representado  por uma organização  Social e Moral verdadeiramente  perfeita.

Depois de atingirem o terceiro estado , as evoluções  Social e Moral  , esta sob o seu tríplice aspecto - afetivo , intelectual e prático, adquirem   estrutura  definitiva , não havendo  daí  por diante ,nenhuma nova modificação, que atinja as  organizações correspondentes.

O Progresso, passa então  a ser representado pelo aperfeiçoamento- Exemplo ISO 9.000 na Tecnologia - e  as mutações  vão se processando  a princípio  com maior velocidade , para corrigir  todos os defeitos que tiveram origem, no estado de transição revolucionária , para  em seguida  verificar  o gradual  decréscimo desta velocidade.

Tal aperfeiçoamento se prolonga indefinidamente , tendendo  para  a instituição  de Ordens Social  e    Moral , o que constitui o limite  de toda  a evolução humana , o Estado Ideal do qual  a Humanidade  se aproxima, cada vez mais , sem nunca atingi-lo plenamente : o  Estado Normal. O que não podemos  esquecer é criar sempre algo que entusiasme o homem , para evitar   a depressão   e provocar       o desequilíbrio cerebral, para o lado  do suicídio.

Como o conjunto das  Simultaneidades  , das Harmonias e dos Equilíbrios , que definem  as existências, nos seus vários  Estados , através  do tempo  , constituem a Ordem  -  isto é, a Ordem Física *, a Ordem  Vital , a Ordem  Social  e a Ordem Moral Positiva -  e a sucessão destas Simultaneidades , destas Harmonias e, destes  Equilíbrios, promovem o movimento para o Progresso - por isto  a Lei da Conciliação  ,pode ser formulada em síntese  como: 

O  Progresso é o desenvolvimento da Ordem .

Contemplando todos os Seres  e as Mutações  que eles experimentam , no  espaço  e no tempo , verifica-se  que os fenômenos  onde  tem sua origem , ou sede , estão sujeitos  à  duas variáveis, que oscilam harmonicamente, no estado não patológico:

1)  Variações Simultâneas Interiores  -  que  determinam   os Estados de   Equilíbrio
2)  Variações Sucessivas   Exteriores  - que determinam  as posições sucessivas  desses  Estados  de  Equilíbrio

Assim as Leis Dinâmicas dependem das Leis Estáticas; toda Mutação é uma Série de equilíbrios  ; A Sucessão é uma sequência  de simultaneidades ; donde ocorre a Conciliação  do Movimento com a Existência . Não passa o primeiro senão de estados  Sucessivos  da segunda  , assim  podemos  afirmar que: O Progresso  é Realmente  o Desenvolvimento da Ordem.

7.4.14)  5.2)Lei das Classificações  “Toda classificação positiva procede segundo  a generalidade  crescente  ou decrescente , tanto objetiva  como subjetiva( Augusto Comte)
A contemplação dos Seres e dos fenômenos ou atributos, revelou ao Homem  Primitivo, como revela  ainda hoje, a criança , recém-nascida;  a desordem, a confusão , o caos. Só depois de muito tempo, mais ou menos longo,  é que  a Humanidade , começando a fixar a atenção  sobre os objetos  que a rodeiam , a notar lhes as propriedades , começou também a distinguir , entre eles certos aspectos que os aproximavam  ou os afastavam , uns dos outros, e principiou a formar  grupos  de objetos  consagrados por atributos  comuns.

   Desta forma estabeleceu desde  logo  a distinção  entre o Céu e a Terra ,  entre as coisas do Céu , como o Sol, a Lua, as estrelas, e as coisas da Terra, como o Solo, a Água e o Ar. Em seguida notou outra  distinção .

Tanto no Solo, como na Água como no Ar, há seres  que se movem, que mudam de posição, e outros  mais ou menos fixos, que só se deslocam  por um impulso  exterior. A rocha, o rio e a nuvem são exemplo de coisas do Solo,  da água e do ar  que mostram   a imobilidade ou a  mobilidade  espontânea dos Seres:  a rocha imóvel ; o rio e a nuvem  móveis. Para o observador  primitivo, são tais Seres dotados da mesma  mobilidade que o boi e o carneiro dos seus rebanhos, ou o milho e o  trigo das suas saras.  Por muito tempo  não se distinguiram  as  duas modalidades. Mas chegou o dia que se percebeu  que o movimento  do rio e da nuvem  não era como o do boi e do carneiro,  do milho e do trigo; que os dos primeiros  não dependia  de nenhuma  condição especial  alem da própria existência  comum  a qualquer ser  da Terra, ao passo  que o dos segundos  resultava de condições  só a eles  peculiares, constituindo  o que se chamou  mais tarde  a  organização e a  vida. Ficou  então  admitido que os corpos  terrestres  se bipartem em dois grandes grupos:  corpos  sem  organização e sem vida -- os  corpos brutos - os minerais , e os corpos com organização e vida - os corpos vivos.

   Notando-se após algum tempo, que entre os seres vivos, vivem uns  ligados  ao Solo, à Água e ao Ar , renovando a sua existência  com os elementos  obtidos exclusivamente  do meio sólido, líquido ou gasoso da Terra; ao passo  que outros  se mantinham  quase exclusivamente  de elementos  fornecidos pelos primeiros - formou-se a distinção  entre os seres  vivos , separando-os  em dois grupos: os que subsistem à custa dos  minerais , que são os  vegetais, e os que  subsistem  a custa   dos vegetais, e que  são os  animais. Constituiu-se assim  a serie ternária , Minerais, Vegetais e Animais .( Os protistas ou os micro organismos , fazem parte do reino dos animais  unicelulares ).

( Existem seres intermediários como por exemplo o protozoário Euglena.- ( - Vegetal e Animal ; o  Cogumelo - Não tem clorofila, nutrindo-se das mesmas meterias que os animais, porem a sua estrutura é muito mais próxima  do vegetal , no entanto libera CO2 , como os animais)
   Mais tarde verificou-se que  entre os últimos  havia , alguns , como os macacos e as aves , que viviam mais ou menos associados , formando organismos coletivos , que lembravam a vida  do ser  dos Seres , daquele que até então  se julgava   um ente a parte, para quem  tudo havia sido criado pelos  deuses - o Homem , e a  Humanidade. Foram então aqueles organismos coletivos  elevados à categoria  de humanidades  abortadas   e  destacou-se  do grupo dos animais ,  outro mais diferenciado,  o  das Sociedades,  incluindo-se  o homem  entre os animais sociáveis e constituindo-se  os seres vivos  sociais, como já havia  os seres  vivos vegetais   e os seres vivos animais.

Por último, os animais  competentes  dos seres vivos coletivos, experimentando  com o tempo  a ação  da existência  social ,  formaram nova modalidade da existência vital - a vida individual, a existência Moral peculiar ao Homem  e aos animais superiores  que mais intimamente  se lhe assemelham.

De modo que  do grupo dos Seres Coletivos , destacou-se  o dos Seres Individuais.

Completou-se, assim, a série dos Seres: Minerais, Vegetais, Animais, Sociáveis e Individuais.
Estudando  os corpos brutos e vivos, distingue-se entre eles  os que por mais que se decomponham  dão sempre a mesma substância ,( aqui codificados hoje em dia como elemento químico)(1); como o ouro,  a prata, o ferro , o cobre , o estanho , o zinco ; e outros que  decompostos , tais como as ligas  de bronze,  o latão  e compostos  químicos - substancias químicas(2)- como o Sal de cozinha - Cloreto de Sódio; ao se decomporem  dão cobre mais  estanho;  cobre e zinco e o ultimo sódio e cloro. Podemos ainda listar , para fazer do primeiro(1) , o oxigênio , o nitrogênio, o carbono e entre os segundos(2)  a água, o ar , o  álcool , o amido, o açúcar , a ureia etc.

Formam os corpos simples ou elementos químicos, os primeiros ( Ouro, Prata Zinco, Estanho) , e os  segundos corpos compostos ( Ligas e  Substancias Químicas- ).São eles o fundamento  comum  de todos, ou   quase  todos  os grupos  de seres , inorgânicos  e  orgânicos , brutos ou vivos.

   À  par da sucessão dos seres  ficou  também  constituída  a série  dos fenômenos .

Enquanto os minerais revelam  aos sentidos, por meio das sensações ,  mediata  ou  imediatamente os atributos  , matemáticos : de numero , de extensão e de movimento;  os físicos: de peso, calo, luz, som,  eletricidade, magnetismo, cheiro e sabor ; os  químicos : de decomposição  e de composição;  nenhum deles  possui organização  e vida. Estas propriedades somente aparecem  nos vegetais e nos animais.

Quanto à Sociedade, é predicado exclusivo dos animais superiores, e a moralidade é  apenas peculiar ao Homem  Individual e a animais  superiores  que lhe são intimamente  ligados.
Concluímos, que há  uma sequência de propriedades  paralelas à cadeia dos  Seres. À  Série - Minerais, Vegetais, Sociedades, Indivíduos, - corresponde a serie - número, extensão, movimento, peso, calor , luz, som, cheiro , sabor, eletricidade, magnetismo, composição, decomposição, organização, vegetal idade, animalidade, sociabilidade e moralidade.

Vislumbrando  o resultado  dessa elaboração  secular da Humanidade, nota-se  que objetivamente,  isto é,  em relação ao objeto examinado ou visualizado, que os seres mais gerais são os minerais e os  mais especiais, os indivíduos; e subjetivamente , isto é, em relação ao sujeito, que  examina,  ocorre ao contrário, os mais  gerais  são os indivíduos e os mais  especiais são os minerais.

Desta forma, “a generalidade objetiva - como disse Pierre Laffitte- constitui-se  por 3 caracteres: 1) a extensão  da propriedade a um número de seres  mais considerável; 2) o número maior  ou menor  de  condições  necessárias  à produção  do fenômeno; 3)  a constância maior ou menor , ou  a variedade mais ou menos   considerável do fenômeno”.

Por isso, as propriedades  peculiares aos  minerais, aos corpos  brutos são comuns  a todos os seres;  as condições da sua existência, independentes  das que  se  exigem  para a de  outros seres, como os corpos vivos ,  ao passo que as destes  dependem  daqueles:  qualquer ser vivo tem peso e calor, como o corpo bruto,  mas um corpo bruto não necessita de organização para existir.; finalmente , os caracteres dos minerais são  muito menos acentuados  que os dos seres vivos:  é mais fácil distinguir imediatamente , simples  vista,  um animal  de outro, que  um mineral  de outro mineral;  um cão de um gato, do açúcar de cana do sal de cozinha.

Assim objetivamente, são os minerais  os mais gerais dos Seres e as suas propriedades   revelam , as mais  gerais das propriedades.

Quanto à generalidade subjetiva, caracteriza-se pela coexistência no Ser das propriedades que  condicionam a existência  do  sujeito, do Homem, e da Humanidade Donde o ente humano, o Homem Individual, o indivíduo, ser subjetivamente o mais geral dos Seres ,  e o mineral  o menos geral de todos.

De fato, o Homem  Individual, possui  qualidades  Morais e Sociais , Biológicos (vida), atributos físico-químicos, de movimento e forma, existência numérica; é o resumo do Mundo, O MICROCOSMO, como lhe chama a sabedoria  Teocrática; nenhum ser possui este grau de generalidade subjetiva;  enquanto  o mineral se limita  a manifestar os  predicados inferiores  de composição e decomposição,  eletricidade, magnetismo, cheiro, sabor, som , luz, peso, movimento, forma e número. É o menos geral de todos , sob o ponto de vista subjetivo.

Sob o aspecto  Subjetivo, as propriedades Morais, são as mais gerais  e as físicas as menos.

Do exame  dessa distribuição dos graus de seres  e de fenômenos, que a Humanidade    foi realizando  desde os seus primórdios  até hoje, Augusto Comte , o supremo Interprete do Gran Ser (Família, Pátria e Humanidade), induziu a Lei correspondente , a Lei da Hierarquia, a Lei da Classificação.

 Descoberta a Lei , a sua  adaptação a todos os casos possíveis dá-lhe  o caráter  mais de Norma  ou regra do que de Lei Natural .  Mas como a Lei ou regra, é um principio universal  , que regula todas as Classificações dos Seres e Fenômenos (ou Atributos) ,  naturais ou artificiais , teóricos ou práticos, científicos  ou  industriais.

   Ao imaginarmos  a  aplicação desta Lei , em toda a sua plenitude , pode  formar-se a escala completa ,  de todos os seres   e de todos os fenômenos , abrangendo todos os graus possíveis , destes Seres e destes  fenômenos.

A Lei da Classificação é  essencialmente universal , porque se aplica  às mais  elevadas  e às mais rudimentares  cogitações  da  Inteligência ;  às mais grandiosas e mais humildes
operações  da atividade; às  mais sublimes  e  às mais  grosseiras   manifestações  do Sentimento.

    A cada passo da Vida  temos ocasião  de aplicá-la  para substituir  a confusão  e a desordem  pela regularidade  e pela ordem .

    É uma das mais belas descobertas  do gênio universal  de Augusto  Comte.

Na sistematização  de  todos os conhecimentos, sobre os seres e sobre os atributos , é observada  sempre a Lei do Classamento, nas distribuições abaixo.  

Nas  Belas Artes - Poesia - Música , Pintura, Escultura e  Arquitetura.
Nas Artes do Bom - Medicina , Educação, Sã Política e o Sã Dever .
Nas Ciências Positivas - Matemática , Astronomia, Física, Química,  Biologia ,  Sociologia  Positiva e a Moral Positiva.

Vamos nos deter nas ciências. Primeiramente abordaremos  a Sistematização  pelo conhecimento  Concreto(a)  e depois no domínio  da Abstrato.

(a)    Na sistematização de todos os conhecimentos  Concretos, sobre os seres  e sobre os Atributos ,  sempre se observa  a Lei do Classamento na  distribuição: Matemática,  Astronomia, Física, Química , Biologia , Sociologia Positiva  e a  Moral  Positiva.

                   Estas sete  ciências  são colocadas , nessa ordem  obedecendo  aos princípios
                universal de classificação . Pois é a matemática  a mais simples  e a mais  geral
de todas, é aquela que compreende  o estudo  abstrato dos fenômenos de numero, de forma e  de  movimento; os três atributos mais gerais , observados  em maior numero  de seres.

                   A maior generalidade dos atributos  matemáticos é ,  portanto objetiva.

A medida que subimos na escala , da matemática para a moral , passando pelos diversos patamares  intermediários, na ordem acima  enumerada , observamos  o  sucessivo decréscimo  de generalidade objetiva  ao mesmo  tempo que aumenta  a      complexidade dos fenômenos respectivos. Sob o aspecto subjetivo,  há , ao contrario , um aumento gradual de generalidade .  São os  fenômenos morais , subjetivamente considerados, os mais gerais de todos  e ao mesmo tempo os mais  dependentes.

Observamos  ainda na subida  da Matemática para  a Moral , um crescimento  gradual de dignidade.

O princípio da classificação obedece, a ordem  a seguir nas escalas das ciências, dispostas segundo a generalidade  objetiva  decrescente e  subjetiva crescente. Essa ordem  coincide com a de independência, de  dignidade e de  complexidade crescentes.

Da mesma forma  que na escala científica , isto é,  na distribuição  dos  conhecimentos  abstratos, também  na classificação dos seres  é  obedecido o  principio universal  que esta Lei  expressa. O domínio  da filosofia Terceira  ou o  conjunto  dos conhecimentos práticos destinados  à ação modificadora( tecnologia)  , é também dividido nas  sete categorias  correspondentes  às 7 ciências                  
.  
(b) No domínio Abstrato a Lei do Classamento  preside não somente  à hierarquia dos                 acontecimentos  em geral ,  na distribuição  dos sete graus  enciclopédicos, mas  também à     classificação interna  das  diversas partes  em que  se possam decompor esses  graus.

Se examinarmos a estrutura interna  de cada ciência , desde a matemática até à Moral  Positiva, observamos em todas elas  o principio da classificação  presidindo à disposição interna   de diferentes elementos que a constitui.

As partes  em que se divide cada uma das ciências , não estão colocadas  em  ordem  arbitrária qualquer , mas  dispostas segundo  a ordem de generalidade crescente  ou decrescente , objetiva ou subjetiva. E ainda mais, dentro de  cada parte  , em  qualquer ciência, há o mesmo critério na distribuição das  teorias que a constituem.

Forma assim toda a ciência  um conjunto , no qual obedece, em qualquer ponto de sua  extensão, em  todas as suas divisões internas , à  Lei do  Classamento Positivo.

Vamos, neste momento, evidenciar a universalidade da Lei da Classificação, verificando sua presença em  todas as ciências positivas .

Na Matemática - Na Lei da Classificação é verificável a  hierarquia interna da Lógica ou Matemática: aritmética, álgebra, geometria preliminar, geometria algébrica, geometria diferencial, geometria integral e mecânica. É o numero o mais geral de todos os  atributos da matemática , seguindo sê-lhe a forma  ou extensão  e depois o movimento. temos assim a sucessão - Cálculo, Geometria e  Mecânica -obedecida a Lei  Universal e Natural do Classamento. 

   Se considerarmos a decomposição do cálculo em aritmético ou dos valores ;  o algébrico ou das relações, e da  geometria em  preliminar, algébrica, diferencial e integral, passamos  daquela  divisão ternária  , para a divisão setimal da matemática:  aritmética, álgebra,  geometria  preliminar, geometria algébrica , geometria diferencial, geometria integral e mecânica. Nesta divisão  setimal observamos também a aplicação do principio do classamento, pois as sete partes  da matemática sucedem-se , segundo a ordem  de generalidade objetiva  decrescente e de subjetiva crescente; ao mesmo tempo  que na ordem de complexidade  crescente , partindo da aritmética  e terminando  na mecânica.

A Constituição  interior de cada um  dos sete  graus matemáticos , está sujeito a lei do
Classamento. Na  aritmética são classificadas todas as teorias  referentes aos valores  partindo das mais simples  e mais gerais , para as mais  complexas  e mais especiais.  Da mesma forma na álgebra percebemos os estudos  correspondentes  aumentarem  gradativamente  de complexidade  e diminuírem  de generalidade à  medida  que passamos das noções  mais simples , referentes as equações do primeiro grau , sucessivamente para as mais complexas  do segundo , terceiro   e quarto graus; dos três primeiros pares  de elementos  algébricos e  depois , das formações  exponenciais e logarítmicas.

 Mais exemplos poderão ser dados, para  realçar  esta ciência, a matemática. 

As três  partes  da Física - a Astronomia ou Física Celeste, a Física Propriamente dita e a química - tem  todas  as suas estruturas internas  organizadas  em obediência  rigorosa  a Lei da Natural da Classificação. 

Na  Astronomia , ou física celeste , iniciamos  pelos estudos mais simples e mais gerais , deste grau enciclopédico, pelos assuntos tratados  na astronomia  preliminar , para em seguida  passarmos sucessivamente , pela estrutura da geometria celeste , pela dinâmica  da geometria celeste , pelo estudo das previsões normais,  como  consequência dos até então realizados , e depois  pela lei  da gravitação e, finalmente  a dinâmica celeste; acompanhada da Astrometria, da Astrofísica, da Radioastronomia,  da Cosmogonia , da Cosmologia .

Na Físicaa Física propriamente dita, a Barologia,  a Termologia, a Óptica  a  Acústica e a  Eletrologia-- seguem exatamente  a ordem da generalidade, objetiva decrescente   e subjetiva crescente, ao mesmo tempo  que de simplicidade decrescente. Se  compararmos a divisão positiva da Física com a Classificação dos sentidos especialmente  ligados  a cada uma dessas partes, notamos  a correspondência  perfeita  com a classificação desses sentidos , que é  feita na ordem da generalidade  objetiva  decrescente e subjetiva crescente ao mesmo  tempo que do aparecimento  gradual  na série  zoológica.

Na Química, é a ciência que  mais usa o sistema de Classificação , com base na  Nomenclatura , tanto na química orgânica como na inorgânica. A Classificação  de: partículas , átomos, Elementos , Substâncias, Compostos , Tabela Periódica dos Elementos , etc.

Na Biologia, é onde  apreciamos  a aplicação da Lei do Classamento, não só na divisão geral dessa ciência como, principalmente  na instituição  da escala abstrata  dos seres vivos.
O estudo da Biologia  é realizado normalmente  , iniciando-se pela apreciação  da parte estática  ou  anatomia, onde  são estudados  primeiro os elementos , depois os  tecidos, os órgãos  e os aparelhos ; terminando a parte estática  pela apreciação da Biotaxia ou estudo da classificação dos Seres Vivos.

 Depois da anatomia passa-se ao estudo  da parte dinâmica ou Fisiologia , onde  é apreciada  primeiro a  vegetalidade  ou as teorias da renovação material, do desenvolvimento e da morte e da reprodução, e depois a animalidade, com as teorias da vida de relação, e as  leis do exercício, do  habito,  e do aperfeiçoamento.

O complemento da Fisiologia é formado pela teoria da hereditariedade, e o de toda a biologia  pelas teorias  do Meio e da Modificabilidade.

Em todos estes estudos ,  observada a ordem  acima  exposta , notamos  a perfeita aplicação do principio do Classamento.

 Este principio é ainda observado em qualquer das partes  acima  enumeradas da Biologia, devendo  ser lembrada especialmente  a Classificação Abstrata dos seres Vivos.  

Na Sociologia : vamos dividir a sociologia Positiva em Estática e Dinâmica.

A Sociologia Estática Positiva, apresenta-nos exemplos  bem característicos  de  aplicação  do principio das classificação na  sistematização  dos elementos  da ordem social  e na  estrutura  interna  de cada  uma de suas partes.

Se examinarmos a  constituição  dos estudos de estática social,  verificamos  nestes estudos que  as teorias estáticas se sucederem, na ordem de complexidade  crescente   e de  generalidade  objetiva  decrescente  e subjetiva crescente.

A sucessão  das teorias  da  propriedade  material, da família, da linguagem , do organismo social e da sua existência , revela  este gradual acréscimo de especialização e de complexidade.

Qualquer elemento estático da Sociedade , examinado separadamente ,  mostra a observação sempre  observada do principio do Classamento.

Na hierarquia das atividades  materiais, por exemplo, podemos observar na série - agricultura,  fabricação, comércio-serviço e banco -  um gradual aumento de complexidade  e diminuição de generalidade objetiva, assim como um aumento da dignidade respectiva.

A Sociologia Dinâmica Positiva, obedece também à Lei Natural do Classamento, evidenciada quando examinamos  o estudo das diversas fases  da evolução humana . Partindo dos estudos mais primitivos da civilização fetichista até a transição revolucionaria moderna,  observamos  estados cada vez mais  especiais   e ao mesmo tempo mais complexos. O estado Fetichista Primitivo  é o mais geral , por isso , que foi o  único verificado  em todos os povos da Terra. Enquanto alguns povos  ainda se conservam  nesta forma primitiva  de existência social, outros  progrediram  com  maior  ou menor rapidez , de modo  que se  foi  aos poucos   restringindo e complicando o núcleo mais   adiantado de  civilização. Tal a marcha segue naturalmente e empiricamente  pela Humanidade.

Observando na evolução natural de nossa espécie, as formas do fetichismo nômade , do  sedentário e do  Astrolátrico,  depois do politeísmo conservador,  do progresso intelectual e do social; a seguir  do monoteísmo e da transição  moderna - metafísica ,  observamos que todos estes estados , ainda  subsistem  até hoje em dia   em muitos povos, que progridem  com velocidade variável, sempre  menor  que o núcleo  ocidental,  constitutivo  da vanguarda da Civilização. Essa diferença de velocidade é a  causa  principal  das sucessivas   restrições  sofridas  pela  porção mais adiantada  da civilização humana.

Os diversos estados de evolução,  observáveis  , ainda hoje, desde os graus  mais rudimentares  nos povos  mais atrasados,  classificam-se  segundo  a ordem  de generalidade decrescente e de complexidade crescente.  O fetichismo  é o estado mais geral  , porque foi comum a todos  os povos da Terra e  conservou-se  longo período de nossa evolução. A transição moderna  preparatória para  o estado positivo futuro da civilização humana, é  ao  contrario, a mais restrita de todas , limitada aos povos  ocidentais na idade moderna. É ainda  o estado  fetichista  o mais simples e mais  espontâneo.

Durante   o longo período de transição , os conhecimentos adquiridos  e acumulados , o desenvolvimento gradual da tríplice existência humana,  os fatores de  ordem material instituídos pela Humanidade,  tornaram   a civilização  cada vez mais complexa.

Observa-se , portanto , em  sua  plenitude , a  aplicação do principio  do Classamento à evolução humana.

Na  Moral, a classificação  das três partes  da natureza humana , e em separado  as das funções  do  Sentimento Humano, da Inteligência e do Caráter,  demonstram  a aplicabilidade  da Lei  do Classamento  ao domínio abstrato mais elevado.

O estudo Sistemático da Moral Teórica  é procedido em perfeita obediência à Lei das Classificações .

 Os  Positivistas estudam  em  tal domínio,  sucessivamente  as Teorias Cerebral, Teoria do Grã Ser,  Teoria da Unidade, Teoria  da Vida ,Teoria do  Sentimento, Teoria da Inteligência e Teoria  da Atividade.

É  ainda no domínio  mais elevado  da Moral Positiva  que  encontramos  a aplicação  da Lei do Classamento  aplicada ao estabelecimento das escalas  dentro  de cada  um  dos estudos  acima  enumerados.

Tanto na Teoria Cerebral, como  em qualquer  das demais, podemos  observar  a sucessão de assuntos  cada vez mais  especiais , mais dignos e mais  complexos.

Tomemos para  exemplo , nesse  domínio  da moral positiva, a classificação  das nossas
funções  simples do sentimento. É a escala afetiva constituída dos  sete  instintos egoístas  e dos três altruístas , dispostos na seguinte ordem : Instintos Nutritivo, sexual, materno, destruidor, construtor, do orgulho, da vaidade, materno ;  já no altruísmo temos  o apego, a veneração e a bondade.  

Estas 10 funções afetivas, estão nestas ordens de classificação  segundo a generalidade  objetiva decrescente  e subjetivamente crescente , ao mesmo tempo que a ordem  de dignidade e de  complexidade crescentes. É cada vez menos a generalidade  objetiva , por isso que  encontramos o primeiro da série, o instinto nutritivo, em todos os seres da escala  zoológica , desde   os animais  mais  rudimentares   quando ainda não estão separados  os sexos, até  o Homem , enquanto  que os  últimos  elementos daquela série afetiva, os sentimentos  altruístas somente começam  a aparecer  nos graus mais elevados  da escala zoológica.

Para encerrarmos  a série de  exemplificações  da décima quarta Lei Natural da Filosofia
Primeira, vamos ao exame da instituição  hereditária  das classes  sociais, no estado  Normal Positivo.

   A constituição Normal da Sociedade - Estado Normal  - exige classes especiais  destinadas aos trabalhos relativos às três  partes da Natureza humana- Sentimento - Inteligência  e Atividade .

Deveremos então conceber que em toda sociedade Normal;  há existência de três classes   
encarregadas  respectivamente  do desenvolvimento do sentimento , da inteligência e da atividade.

O s trabalhos  materiais , entretanto , pela sua própria natureza  exigem  a divisão  da classe respectiva em duas;  destinada a primeira  `a direção destes trabalhos( Patronal ou Patriciado)  e a  segunda de Execução ( Proletária).

Haverá pois na Sociedade Normal quatro Classes ou providencias sociais que são : A Moral( Sentimento),representada pela  Mulher ;  a Intelectual , pelo Sacerdócio, que  participa de todos as atividades das Artes do Bom e supervisionadas pelas Artes do Belo; o Patriciado  que dirige o Geral , e pelo Proletariado , que executa  todos os trabalhos materiais. Estas três Classes, que na verdade são quatro, na ordem em que  as enumeramos,  obedecem o principio  do Classamento Positivo.

A Organização Temporal será governada por um Triunvirato Sistemático - Isto é, baseado em uma Doutrina.

Na Moral Prática Positiva ocorre o mesmo, quando se institui o Sistema Educacional do Aperfeiçoamento da Natureza Humana; sem bloqueio da Criatividade e do Desenvolvimento, mas com disciplinas, definidas por  “ranges”, para que haja ordem..

Os exemplos  apreciados , em todos  os domínios  científicos, desde a Matemática  até  ` a Moral Positiva, demonstram  a aplicabilidade  do principio  do Classamento à todos  nossos  conhecimentos abstratos.


7.4.15)5.3) Lei do Intermediário ou da Continuidade - “Todo intermediário deve ser subordinado a dois extremos,  cuja ligação opera” .(Augusto Comte / Buffon )



7.4.15)5.3) Lei do Intermediário ou da Continuidade - “Todo intermediário deve ser subordinado a dois extremos,  cuja ligação opera” .(Augusto Comte / Buffon )

A contemplação  dos Seres  e dos Atributos ou Fenômenos, que levou a descoberta  da Lei da  Classificação,  levou também ao  encontro do princípio  complementar   de que toda a Classificação, se reduz  essencialmente  a uma  Série  Ternária. Pode ser que de fato  se componha  de maior  número de termos; mas,  apreciando-os  minuciosamente , verifica-se  que  todos se condensam em três.
Assim se institui a Humanidade por vários grupos  de progressões  de  três termos. Entre eles destacam-se  alguns que  são peculiares  a  todos  os seres  e a todos  os fenômenos ou atributos , como os abaixo indicados:
                   1) Terra - Água - Ar ;
                   2) Sólido - Líquido - Gasoso ;
                   3) Mistura  - Dissolução - Combinação ;
                   4) Mineral - Vegetal  - Animal ;
                   5) Família - Pátria  - Humanidade ;
                   6) Coração - Espírito - Caráter ;
                   7) Linha - Superfície - Volume ;
                   8) Passado - Presente - Futuro.
Examinando-os,  verificamos que além  de  obedecerem  à Lei da Classificação , pois  se sucedem na ordem  de generalidade crescente  ou decrescente , tanto subjetiva como  objetiva , mantém sempre o caráter constante da  ternariedade. Todos eles formam uma  serie de três termos, em que o segundo é  objetivamente  menos geral  e subjetivamente  mais  geral , que o primeiro , e  objetivamente mais geral  e subjetivamente  menos  geral que o terceiro.
                   Vejamos:
1) A Água é menos geral objetivamente que a terra, por flui sobre a terra ; que sem   terra não há  Água ; e há  terras sem água  - os desertos ;  e mais geral subjetivamente , porque  o homem , o sujeito , depende mais da água do que da terra , suporta mais a fome do que a sede .
   O ar é mais geral subjetivamente  que a água, pois o homem , o sujeito , pode viver  mais sem água do que sem ar, sem beber , que sem respirar. Objetivamente é o contrario, o ar  é menos geral, já  que sem ele , se podem realizar fenômenos  que não dispensam a terra e muito menos a água ;  tal como a eletricidade e a luz.
   O Líquido é mais geral que o Sólido, sob o aspecto subjetivo, pois participa mais no homem,   no sujeito, que o Sólido, e menos geral  objetivamente , pois na Terra há mais sólidos  que líquidos.
   Observa-se o mesmo  com relação aos gases. A massa gasosa é  objetivamente  menos geral que a massa líquida, por que há no mundo mais líquido do que gás;  mas subjetivamente  é mais geral  pois o homem, o sujeito, depende mais da mistura gasosa , que do líquido, mais do ar do que da  água.
2) Os diversos graus de  união  material - mistura, dissolução e combinação - constituem um  novo exemplo  da série ternária.
   A mistura é a união material  em que os elementos  componentes  conservam a sua natureza                 específica ,formam um todo heterogêneo .- A mistura ou união de farinha com açúcar,  de azeite com vinagre, de pós de enxofre e ferro, de arroz com feijão.
A dissolução  é a união material em que as  substâncias , ou os componentes  conservam
a sua natureza  específica, formando um todo heterogêneo , mas  guardam entre si um limite  superior -  saturação, além do qual  cessa  a união. Água com açúcar; e água com sal; do ar  com a  água.
A combinação é a união material  em que os elementos componentes  perdem a sua natureza específica , formam um todo homogêneo e guardam entre si  dois limites , aquém ou além  dos quais  cessa a união , ou conservam proporções definidas.  A união de  duas moléculas de  hidrogênio  e de  uma molécula de oxigênio , para formar duas moléculas d’água. De um átomo de sódio e de  um átomo de cloro para formar o sal de cozinha ; de um átomo de enxofre e de uma molécula de     oxigênio, para formar o gás  sulfuroso; de 12 átomos de carbono, de 22 átomos de hidrogênio e  de 11 átomos de oxigênio para formar a sacarose- açúcar de cana.
Por estas definições os três termos da série - mistura, dissolução e combinação, temos logo a noção  de que o segundo , a dissolução  é mais geral objetivamente que o terceiro, e menos  que o primeiro,  por que  a sua existência  depende de menos condições  e abrange   maior número de casos  que o seguinte; e depende de mais condições   e abrange menor número  de casos  que o                precedente ; subjetivamente é o  contrario, a dissolução  é mais geral que a mistura  e mesmos que a       combinação, por que no homem , no sujeito, coexistem  mais combinações  que dissoluções e mais dissoluções que misturas.
3) A maior generalidade  subjetiva  da vegetalidade , com relação `a mineralidade, é intuitiva :   basta lembrar  que o vegetal  é um ser vivo como o homem , ao passo que o mineral  não tem a nossa modalidade de  vida.  E a animalidade relativa à  vegetalidade  resulta  logo da circunstância  de que no animal  colaboram  elementos  peculiares  ao homem,  que não existe no vegetal - o encéfalo, os nervos e os músculos, etc.
Quanto a generalidade objetiva , a do termo médio  é menor  que a do  precedente e maior que a do seguinte, porque o mineral  é comum  ao vegetal e ao animal, ao passo que a organização e a vida não se encontram nos minerais  e são comuns ao vegetais  e aos animais;  e o Sistema Moral, é peculiar apenas aos animais.
4) A Família é o Ser Coletivo Comum , a todos os animais  sociáveis, ao  passo que a Pátria e a Humanidade só surgiram  na espécie humana e mais  especialmente  nos povos superiores. 
Objetivamente é pois a Pátria um Ser menos geral que a Família , e mais geral que a Humanidade.
Subjetivamente é o oposto. A Humanidade é mais geral que todos os Seres, porque a todos resume, condensando  em si mesma   os  atributos  de todos. É a Pátria das Pátrias é a Família Universal.
5) O Coração ou  Sentimento , é o primeiro predicado do homem  individual,  estimulando o Espírito-isto  é, a Inteligência .É da Inteligência  que dependem as ideias ,que geram os Pensamentos.
   Por isto as   ideias podem ter origem em sentimentos maléficos ou benéficos.
   É por isto, que os sentimentos - coração-  é mais geral objetivamente  que o espírito- inteligência. 
   E como as ações dependem dos Pensamentos, originários  nas somas das ideias , incrementadas pelo caráter , fonte da ação . Este último é o menos geral dos atributos  humanos,  sob o aspecto        objetivo, enquanto o espírito- inteligência , é menos que o coração - sentimento,  e mais do que o caráter - ação.
                   Na ordem subjetiva, dá-se o contrário. Colaborando  para a Ação  mediante o impulso do sentimento e as luzes  da inteligência, o caráter é  a função  que se incorpora  todos os    predicados dos  indivíduos;  é portanto a função mais geral do sujeito, do homem,  sob o aspecto subjetivo.
                   Pela mesma razão segue-se lhe  na escala descendente, a da Inteligência   que  se pode             manifestar  sem o caráter ; e a do coração- Sentimento, que independe  do espirito e do caráter . O termo médio,  pois , o espírito- inteligência  é objetivamente mais geral que o caráter  e menos geral que o coração. E Subjetivamente  mais geral  que o coração e menos  geral que o caráter.
    6)  O espaço revela bem  acentuadamente  a serie ternária com a sua divisão  do  espaço  de 1(uma)  dimensão , ou linha ; de duas dimensões , ou plano ou superfície; e de três dimensões , ou  volume.
                   A linha é, objetivamente, o mais geral e o volume o menos geral  dos elementos do espaço, porque todos  os seres  e todos os fenômenos ou atributos só tem realidade  quando se apresentam pelo menos segundo  uma dimensão ; e porque o volume depende da totalidade das dimensões do espaço ; de fato existem seres e fenômenos  que por sua inacessibilidade , quanto  à tríplice extensão, não podem  ser apreciados  senão  quanto a uma ou duas delas, como certos astros e atributos correspondentes. Quanto a superfície , pela sua composição de duas dimensões , coloca-se naturalmente   entre a linha e o volume, como  menos geral  que a primeira  e mais geral que a segundo. Subjetivamente é o oposto que se verifica. O volume é o mais geral  e a linha  o menos geral  dos elementos do espaço , porque a extensão  tridimensional é que prevalece no homem, no sujeito; seus  órgãos , seus aparelhos , seus tecidos, mesmos as  células são volumes.
A superfície, por  motivo análogo , é mais  geral  que a linha  e menos geral que o volume.
   7) A trindade cronológica , é outro exemplo  decisivo da progressão  ternária. O passado é o tempo mais geral , objetivamente, porque abrange um número cada vez maior  de relação de sucessão ,   estende  o seu domínio  sobre seres e fenômenos  que aumentam dia a dia, e cuja realidade  é atestada            pelo número  cada vez maior  de gerações. O Futuro é sob  esse aspecto, o menos  geral, porque  se refere  a entes  e fatos  apenas possíveis, que ainda  não se tornaram  objetos reais e fatos reais.
   Quanto ao presente, é objetivamente  menos real  que o passado , porque abrange menor  número de objetos e mais que o futuro , cuja objetividade  é  de todo  inexistente.
   Sob o aspecto subjetivo é o passado o menos geral, porque seus elementos, dependendo embora só do sujeito atual, tiveram existência  objetiva  anterior , e o futuro o mais geral , porque a sua existência   é função exclusiva do sujeito . Quanto ao presente , é mais geral subjetivamente  que o passado , porque o abrange  e condiciona imediatamente  a existência do sujeito; e menos geral que o futuro, porque só este abraça  todos os tempos , como produto do passado e do presente , e só existe   porque existe o sujeito.
Os exemplos acima  citados, demonstram claramente  que os grupos  de Seres  e Fenômenos, além de sujeitos à Lei da Classificação,  formam  progressões ternárias. Tudo demonstra  que se trata  de serie  de três termos, que em cada caso representam  um todo,  que se  triparte.  Assim  é o conjunto dos corpos brutos, o mundo inorgânico, que se divide  em terra , água e ar, ou em solido, liquido e gases; depois vem  a união material das substancias, assumindo as formas  de mistura, dissolução e combinação; em seguida , é o mundo todo, a  natureza morta e a natureza viva, que se divide em minerais, vegetais e animais; segue-se o mundo social, compreendendo a Família , a Pátria e a Humanidade ; logo em seguida a Natureza Humana, o Mundo Moral , distribuído em coração , espírito e caráter; finalmente o espaço , tripartido em  linha, superfície  e volume; e  o tempo  em passado, presente e futuro.
   O termo médio  depende do inicial, que lhe serve de fundamento, e do final que o remata  ou limita.
   A água  depende  do meio terrestre e aéreo onde flui, fundando no primeiro  e sendo  limitada no segundo; a fluidez aérea é o limite da fluidez  aquosa.

   O estado liquido  depende do estado solido, cuja coesão  sofreu certo grau de  desagregação , e do estado  gasoso, que é o limite  dessa degradação.
A dissolução  depende  da mistura, porque  é uma mistura  em que a união se torna  homogênea, pela fixação de um limite superior de saturação;  e da combinação , porque é esta ,  uma dissolução              que além de um limite superior possui um limite inferior  de saturação.
O vegetal depende do animal, porque a sua organização  e a sua vida  não subsistem  sem a participação  das substâncias inorgânicas ;  e do animal porque  este limita  pela sua atividade  a                 existência do vegetal.
A Pátria depende da Família, visto como a Pátria resulta da colaboração das Famílias  sob o governo    comum; e  da  Humanidade , que lhe serve  de limite, reduzindo a extensão do seu domínio  a limitado                grupo   de homens e  terras , ao mesmo tempo  ligando a todos a uma livre e fraterna união espiritual.
O espirito ou Inteligência depende do sentimento, porque somente este inspira  as ideias,  que geram  os pensamentos  e do caráter que realiza as ações , limitando  as  divagações  do espírito.
   A superfície depende da linha, que é um dos elementos  da  constituição  e do volume  de que é limite.
O presente depende do passado, porque  dele provem  , e  do futuro , porque  o limita  segundo as leis  deduzidas do  passado.
Mas não  é somente  a subordinação  do termo médio aos dois  extremos  que se induz  do exame das classificações  ternárias, sínteses de todas  as classificações.  Descobre-se também  que o termo central  liga  o inicial ao final.
Se  a sucessão dos três  termos  representa  a marcha  espontânea dos seres e fenômenos , a sua constituição sistemática  implica   o predomínio final  do termo  intermediário sobre os dois extremos.
   Assim o  conhecimento sistemático  da água  se completa  depois  do conhecimento da terra e do ar;  o dos líquidos , depois  do conhecimento dos sólidos e dos  gases;  o do conhecimento da dissolução , depois do conhecimento da  mistura  e da combinação ; o dos vegetais  depois  do conhecimento dos minerais e dos animais; o da Pátria depois do conhecimento da Família e da Humanidade; o do espirito, depois   do coração e do caráter; os das superfícies , depois do conhecimento  das linhas  e do volume; o do  presente , depois do conhecimento do passado e do futuro.
Em resumo, a contemplação dos grupos  distribuídos segundo a Lei da Classificação revela : Primeiro, que se distribuem  essencialmente  em séries  ternárias; Segundo ,  que em cada serie o termo  médio  se subordina ao inicial  e ao final  e serve de laço  entre eles.
  
   Como a Lei do Intermediário  estabelece a continuidade, entre  os  termos da série - o médio ,  e os  extremos  - pode chamar-se  também de  Lei da Continuidade.

Vamos, neste momento, evidenciar a universalidade da Lei do Intermediário verificando sua presença em  todas as ciências positivas .
Na Matemática : Podemos  na Matemática ou Lógica , formular diversos exemplos  onde com clareza  é  apreciada  a subordinação  do intermediário aos dois extremos.  Cálculo , Geometria e Mecânica , onde são estudados  respectivamente o número, a forma e o movimento. Está  a  Geometria objetivamente subordinada  ao  Cálculo ,  do qual depende para ser  estudada  e   desenvolvida, e subordinada subjetivamente à Mecânica, que constitui o seu destino imediato .
Decomposto o cálculo em aritmético  ou dos valores  e algébrico  ou das relações  e a geometria  em especial  e geral ,  dividida esta em algébrica e transcendente, que   compreende por sua vez           em  a diferencial e a integral , fica a Lógica decomposta  em sete partes , passando da progressão    ternária  para a divisão setimal : em aritmética, álgebra, geometria especial ou preliminar,  diferencial    e integral , e mecânica.
   Analisemos os aspectos  parciais  dessa decomposição geral:
   Se  considerarmos a álgebra  na sua posição de intermediário  entre a Aritmética   e a  Geometria  notamos  sua dependência objetiva à primeira  e subjetiva à segunda. No domínio  da geometria , a algébrica preenche perfeitamente  todas as condições  de intermediário  entre a preliminar e a transcendente , às  quais estão subordinadas, participando  da natureza  elementar  da  primeira  e geral da última.
Podemos de a mesma forma apreciar  a condição de intermediário  da Geometria  Elementar  entre o Cálculo e a Geometria Transcendente , assim como  a desta última  entre a  Geometria  Elementar  e a  Mecânica.
As subdivisões  interiores  de cada um dos sete graus  matemáticos  fornecem  inúmeros exemplos  característicos  de aplicação  da Lei  do Intermediário.
Tomemos, por exemplo, na Aritmética, seu domínio fundamental, a numeração. É  a numeração evidentemente  o intermediário  entre a teoria subjetiva  dos números  e o cálculo fetichico, formados pelas  teoria da adição, da subtração  e da multiplicação .É  este cálculo  , por sua vez,  o intermediário  entre a numeração  e o cálculo teocrático  ou teoria da divisão. Em qualquer das operações fundamentais da Aritmética a decomposição , em casos , evidencia , e é sempre verificável  a Lei  do Intermediário.
O domínio  principal da  álgebra  elementar , constituído pela resolução  das equações  dos três  primeiros graus , apresenta exemplo frisante  da  Lei do Intermediário, quando considerarmos as equações do segundo grau  em sua  condição  histórica  e dogmática , de intermediário  entre  as equações  do primeiro  grau  e as  do terceiro.

   Na apreciação  dos três  problemas  geométricos referentes  às  retificações, de  cubaturas   e quadraturas ,  igualmente notamos a Lei do Intermediário .

A geometria  preliminar, em seu preâmbulo  geral,  oferece exemplo evidente desta Lei
Instituição  da media  dos ângulos  como intermediário entre   as teorias   da linha reta e do plano.
   Na mecânica  diversos exemplos são claros  para demonstrar a verificabilidade  da décima quinta  Lei Universal ou Natural. É a estática de um modo geral  o intermediário  entre a geometria e a dinâmica .  O estudo do equilíbrio  é  a ligação  entre o da composição das forcas  e o do movimento. Na  dinâmica  o movimento  de translação  une  o movimento  retilíneo  aos  de rotação.

   Na escala abstrata, apreciamos  separadamente  o domínio do mundo, e o do homem , onde temos no  primeiro , que é  constituído  pela Cosmologia, a progressão  formada  pela lógica  ou Matemática, Astronomia ou Física Celeste  e a Física Terrestre, compreendendo a Física propriamente dita  e a Química.  A Astronomia neste caso  é o intermediário entre a Matemática e a Física.. Ao considerarmos  separadamente a Física , celeste da terrestre,  esta ultima  compreendendo a Física e a Química; teremos na Física  propriamente dita  o traço de união  entre  a Astronomia e a Química.
De modo  semelhante  poderemos  considerar a Biologia  como elemento  de ligação  entre a Cosmologia  e a Sociologia, e ainda  na constituição tríplice da Moral , a Sociologia Positiva como  Intermediário  entre a Biologia  e a Moral Positiva.
Na Astronomia :  Nuvens Cósmicas gasosas - Estrelas -  Planetas
Na Física :  Na Física a  decima quinta Lei Universal ou Lei Natural, é claramente  verificada  em numerosos exemplos , entre os quais é evidente a consideração dos estado gasoso, liquido, sólido. 
A Física é dividida  em cinco partes,  de acordo com nossa  constituição sensorial, correspondendo cada uma das partes  a um dos nossos sentidos, , excluindo os 3 sentidos, o da gustação, o do tato e do olfato ,  que são pouco desenvolvido  na espécie humana. Ficando assim a Barologia, a Termologia,  a Óptica,  a  Acústica , a Eletrologia e a Radiologia.
   Estão essa  partes assim dispostas,  colocadas em ordem de generalidade objetiva decrescente  e de complexidade crescente . É  a Barologia  o elemento de ligação  da Astronomia  com o conjunto da Física,  assim como a Eletrologia  une  a  Física à Química.
As subdivisões  internas de cada uma das partes  da Física obedecem  também  aos princípios  universais, o da classificação  e o do  intermediário. Na termologia, por exemplo, o estudo da dilatação é o intermediário entre  o da  propagação do calor  e o  das  mudanças  de estado físico , assim como   nestes o estado  liquido constitui o intermediário entre o solido  e o  gasoso, participando da natureza  de  ambos  e a eles se subordinando objetivamente e  subjetivamente.
Na Química : Para que ocorra a reação química entre Hidróxido de Sódio e Acido Clorídrico , dando Sal de Cozinha ( Cloreto de Sódio)   e tendo  a água como  meio aquoso  é necessário  que :
                   1) Haja Solubilidade dos dois Reagentes no meio aquoso.
                   2) Definir a concentração do Reagentes
3) Definir as Condições Físicas para que ocorra a Reação- Temperatura e Pressão, etc.
2) está subordinado a 1, que por sua vez  3 depende de 2 ; sem 1 ser definido, não pode ocorrer
                                                  2); que é intermediário entre a ação 1  e 3.
Na Biologia : Em todo o conjunto das escalas  dos seres vivos , animais , vegetais e protistas observamos  com grande  facilidade a aplicação  desta Lei do Intermediário. Qualquer que seja o aspecto , geral ou particular , de apreciação daquelas  escalas, notamos  sempre ,  nos agrupamentos  de três elementos sucessivos, um deles  apresentando  as características  fundamentais  do intermediário, isto é,  a dupla subordinação  aos dois extremos , e ainda a participação  da natureza  de ambos para instituir  a ligação normal  entre eles a evidência do intermediário é tão importante .
O meio onde vive o ser vivo , é o intermediário entre  os Organismos  dos Seres Vivos  e a
Modificabilidade  ou melhor a suas Mutações . A teoria das mutações dos  Organismos dos seres Vivos, tem forçosamente  de ser preparada, pelo conhecimento do meio físico  em que se desenvolve  o Ser  que colabora  para as modificações  verificadas.
  
Na  Sociologia: Vamos abordar  a Lei do Intermediário  na Estática Social e depois na Dinâmica Social .
Na Estática  Social  diversos agrupamentos  ternários  dos elementos  sociais caracterizam bem esta  última Lei Natural .
São os elementos necessários da existência social: a propriedade, seguindo-se a   família,
 a linguagem   e o governo  temporal e espiritual.

Considerando-se os três elementos fundamentais - a propriedade, a família e a linguagem , temos ai representados , na existência coletiva, respectivamente  a atividade, o sentimento  e a inteligência.

Nessa progressão, representa a linguagem  o intermediário entre a propriedade  e a família , e desta    forma  aos  dois extremos. A sociedade, assim  representada  por estes três elementos  fundamentais,          evidencia  a lei  do Intermediário, que melhor  os coordena  e liga entre si.
Apreciando em conjunto os cinco elementos da  Estática Social , podemos  ainda verificar a posição da  linguagem como  intermediário entre  os dois  outros  elementos  fundamentais   e o governo ,tanto  temporal como espiritual. Temos assim  a progressão  cujos  três termos  são;
 o primeiro  formado  pelos elementos fundamentais- propriedade e família-
o segundo  central,  a linguagem , e
o terceiro final, a coordenação geral o Governo             
   Na  Organização Social,  a Pátria,  ocupa a posição  de intermediário  entre a Família e a Humanidade.
Três graus  sucessivos  oferece  a vida coletiva: Família a Pátria e a Humanidade.
A primeira  é a célula  social, o elemento  indestrutível , cuja estrutura  contém em máxima          intensidade  e a mínima extensão,  os três laços sociais- o apego, a veneração e a bondade.
A Humanidade representa  existência coletiva  em seu máximo de extensão, no tempo e no espaço , permitindo a apreciação conjunta  e sintética  de todo o organismo social . É  a Humanidade ,               definida por Augusto Comte  como  “ o conjunto dos seres humanos, passados, futuros e presentes”.
   Explicando a  acepção em que toma a palavra conjunto, diz logo a seguir: “ Esta palavra conjunto ,
   indica-vos  bastante  que não se deve compreender  aí todos os homens , mas  aqueles  que são
   realmente  assimiláveis,  por efeito de uma verdadeira  cooperação  na existência comum.”  -
   Catecismo Positivista Pag 72.

   A séria dificuldade de passagem do primeiro  para o ultimo desses graus , exigiu como intermediário a Pátria , Ser este  coletivo  que, participa  da Natureza  dos dois extremos, cuja ligação  opera,  e aos quais está  objetiva e subjetivamente   subordinado. Mesmo com esta Globalização Comercial Financeira, permanece o acima exposto.
Os Laços Sociais adquirem na Pátria maior extensão  que na Família, sem atingir  ao máximo; máximo este que se  verifica na Humanidade. Enquanto  a intensidade  é menor  na Família  e maior  na Humanidade , sendo esta, a última das  unidades de existência coletiva.
   A Formação da Pátria  torna-se por este motivo necessária à verdadeira compreensão da Humanidade            e à  extensão  dos sentimentos  sociais da  existência  domestica  para o conjunto  da espécie humana.
A Dinâmica Social  , os exemplos intermediários são numerosos e claros,  principalmente 
quando se consideram  as diversas modalidades, com que se apresentam  os três estados  gerais  da evolução humana.
Apreciemos  em primeiro lugar  a evolução da espécie humana, e nesta evolução, o aspecto intelectual . Já vimos no estudo da sétima lei (Lei dos Três Estados) , que cada entendimento oferece  a sucessão de três estados  - Fictício , Abstrato e  Positivo -  em relação as nossas concepções quaisquer. É o estado Fictício, aquele  que necessita  nossa inteligência  durante toda a fase preliminar de sua evolução , quando ainda não se  conhece as Leis  reguladoras  dos fenômenos. O estado  Positivo  representa a forma  definitiva  de nossas concepções , quando já estão estabelecidas , na nossa mente, todas as leis  ou relações  abstratas  que nos ensinam  a prever os acontecimentos. A  passagem do primeiro para o ultimo destes estados, poderia ser  realizado  diretamente , sem que ocorresse o estado abstrato ou metafísico, como intermediário; para tal fim subordinando os dois extremos , e  participando da natureza de ambos. Tal subordinação é objetiva  ao estado fictício  e subjetiva  ao  Positivo.
Vamos agora nos deter  e examinar em separado, o primeiro dos graus  de evolução      intelectual , o estado fictício . Como sabemos é este  decomposto  em  fetichismo e teologismo.
O Fetichismo  está  dividido  em  fetichismo primitivo  e fetichismo Astrolátrico. Assim o estado fictício está dividido em três  graus de evolução- Fetichismo - Astrolatria e Teologia - onde a Astrolatria oferece todas as condições  necessárias  de intermediário.
   Na divisão entre o fetichismo e o teologismo, se em vez de realizarmos  a decomposição  do primeiro em seus dois elementos , o fizermos  em relação  ao segundo , teremos  a progressão  fictícia  constituída  pelo fetichismo , pelo politeísmo e pelo monoteísmo. É neste caso  o politeísmo que representa   o papel de intermediário, entre o fetichismo e o monoteísmo, satisfazendo perfeitamente às condições  da  15 Lei da Filosofia Primeira.
Ao examinarmos  a evolução ocidental , encontraremos  a fase monoteica  decomposta  nos três  graus : Catolicismo (Teísmo), Protestantismo e Deísmo.
Temos condição de  irmos buscar   muitos outros exemplos de intermediários  na evolução intelectual da Humanidade.
Não é somente a marcha  do entendimento  que oferece exemplos  evidentes  de aplicação  da Lei do Intermediário. Também, os outros dois aspectos práticos  e afetivos, mostram  sempre  o intermediário  estabelecendo a ligação entre os dois extremos, e para isso  subordinando-se  a estes e  participando  da natureza deles.
Na evolução prática  o estado militar defensivo  é a ligação entre o militar  conquistador  e o industrial.  Na marcha social  a evolução cívica  une  entre si  a domestica  e a universal, pelos  mesmos motivos  porque a  Pátria  é , como vimos   o intermediário entre a Família  e a Humanidade.

Em qualquer sociedade bem organizada  a Classe Intelectual  ou  Sacerdócio  é o intermediário  entre as  outras duas , a Afetiva constituída pela Mulher  e a ativa ou Material.
   Assim como  a natureza humana  individual  é dotada  de Sentimento , Inteligência  e Atividade, também  a  existência coletiva  apresenta  os mesmos  três atributos. Existem no cérebro humano  os órgãos  das funções  afetivas ,  intelectuais e práticas. Da mesma forma  deve a sociedade apresentar órgãos  coletivos  destinados  ao exercício de tais funções .São estes órgãos  constituídos pela  Classe das  Mulheres Femininas, que exerce na vida coletiva  a função  Moral Positiva,, pela Classe sacerdotal,  encarregada das funções  intelectuais da Sociedade e pela Classe dos Práticos , subdividida  entre as dos dirigentes ou Patronal  e a dos  executores  dos trabalhos  materiais ou Proletários.
Na Moral: Na Moral Positiva , para exemplo da Lei do Intermediário, verifica-se  em                      qualquer das suas decomposições  ternárias.
O estudo da Moral  Teórica Positiva, abrange  as teorias : Cerebral , da Humanidade,  da Unidade,  Vital, do Sentimento, da Inteligência e da  Atividade. Estas setes Teorias  acima enumeradas , obedecem  ao principio do classamento. Se examinarmos  as condições  que podemos  realizar  para a concentração  em três   graus, obteremos   diversas modalidades  de decomposição  ternária  dos assuntos  próprios  ao estudo  da Moral Teórica Positiva  e,  em cada uma delas ,  observaremos a aplicabilidade  da Lei do Intermediário.
Por exemplo,  a apreciação  em separado , das três  teorias  da Alma  Humana- as do Sentimento, da Inteligência  e da Atividade - evidencia  desde logo  a posição da Teoria  da Inteligência como intermediário  e a inteira subordinação à decima quinta  Lei Universal ou Lei Natural.
Também dentro da estrutura dessas  teorias  poderemos  verificar  a lei do intermediário. No exame  do trabalho intelectual  o raciocínio  obedece  ao principio: “ Induzir para deduzir a fim de construir” .  Temos ai  expressos os três  elementos  do raciocínio - a indução, a dedução  e a construção.  É a dedução o elemento coordenador, que  une  os outros  dois  e confirma  nesse domínio a  décima quinta Lei.
Nota: Essencialmente  objetiva,  a Quinta Série  ternária  da Filosofia  Primeira , embora  menos  que a precedente , a quarta, a mais  objetiva de todas , forma  essa quinta  série,  a ligação peculiar à  sucessão   dos grupos  de seres  e fenômenos ,  regulando-lhes  a ligação , segundo   a sua distribuição  em séries,  onde os atributos  estáticos  se conciliam  com as propriedades dinâmicas , e em que cada termo  se sucede  numa  certa ordem  e se dispõe com determinado nexo. A Lei da Conciliação  rege em cada Ser  a conversão do movimento em equilíbrio; a da Classificação , regula a sucessão dos Seres e dos fenômenos;  a do Intermediário  preside a sua conexão. A Lei da Conciliação  é complementar da Lei da Mutualidade;  pois a conversão do  movimento  em equilíbrio, supõe a  equivalência  das ações mútuas. A lei da Classificação  é também complementar da lei dos  Três Estados: pois a sequência  das concepções , regulada  pela Lei da Evolução Mental ,  corresponde à distribuição dos fenômenos  e dos seres , segundo a Lei da Classificação . Por essas afinidades, acham-se mais diretamente ligadas, que quaisquer outras, as  três séries ternárias :
 a Terceira, a Quarta e a Quinta, isto é,  as leis Dinâmicas do Entendimento ( Lei dos Três Estados Mentais, Lei dos Três Estados Ativos,  e Lei dos Três Estados Afetivos),  as Leis do Movimento Universal ( Lei da Persistência, Lei da  Coexistência, Lei da Mutualidade)  e as Leis da  Distribuição dos Fenômenos e dos Seres ( Lei da Conciliação,  Lei da Classificação e Lei  do Intermediário).
Por isto, a metafísica não existe sozinha, a metafísica está subordinada à Teologia e  ao Positivismo.
A  Metafísica  oscila entre dois extremos -Teologia (Ficção)  e o Positivismo(Ciência ) .
Sendo a metafísica intermediária, ela pode estar mais próxima  de um extremo ou de  outro, mas sempre pinçando elementos dos dois extremos . A  Metafísica está em  nós concebermos como Substâncias   os Adjetivos, crendo que assim estaríamos expressando mais fielmente a realidade exterior . A Síntese Subjetiva no Positivismo, compreende  que haja  uma perfeita equivalência entre  a apreciação do Mundo e do Homem  em termos  de  Substantivos e em termos de Adjetivos; uma e outra destas duas  formas de considerar a realidade  são para os, positivistas, apenas a  expressão  mais pronunciada  da atividade peculiar  aos  dois Órgãos da Contemplação; o Orago da Contemplação Concreta que é o Órgão que nos permite   figurar a realidade  em termos de corpo ou de  seres ; e o Órgão da Contemplação Abstrata, que é o Órgão que nos permite figurar  a realidade  em termos  de fenômeno.
   Já o Positivista, diz  que existem corpos que possuem  determinados atributos, estes atributos, considerados em abstrato , formam  a definição  Positiva de Vida.  
   Todo Raciocínio ou  é Teológico , ou Metafísico  ou Positivo.
   A Teologia  é um sistema de ficção  e abstração  , e depois  substitui a ficção  e  abstração por  , leis naturais, aparecendo  neste momento , o conceito de leis naturais , as quais  temos nos dois extremos, a ficção  e  a Lei Natural . Sendo que esta última  regula, o  fenômeno  subjetivo  e o fenômeno objetivo - Leis Naturais  Abstratas  e Leis Naturais Concretas, como por exemplo estudam a topografia, a meteorologia, a navegação etc.  
   A escala enciclopédica é  indutiva - Induzir para  deduzir  a fim de construir . Nós temos que criar generalidades, para depois tirar conclusões .
   Eis aí, caro leitor,  esta obra , a Filosofia Primeira , que  Augusto Comte  só  elaborou  no final de sua vida , depois  de ter  escrito  os quatro volumes  da Política  Positiva .
   As 15 Leis Naturais da Filosofia Primeira também podem ser  grupadas   como segue
 abaixo , de acordo com anotações  anônimas encontradas em um exemplar  da Filosofia
 Primeira de  Reis Carvalho  - 1939 . 

                   I - Leis da Racionalidade  - lei 1 + 14  + 15 .
                   II - Leis da Subjetividade  -  lei  4 + 5 + 6 
                   III - Leis  da Evolução        -  lei  7 + 8 + 9
                   IV-  Leis da Estabilidade da Ordem Universal - lei 2 + 10 + 11
                    V -  Leis da Modificabilidade da Ordem Universal - lei 3 + 12 + 13

Após esta exposição complexa e detalhada, vamos proceder  á conclusão sintética  que  prepara  o leitor par o estudo  da  Filosofia Segunda , tal como  o exige  a sistematização positiva  que estabelece  o estudo da Filosofia Primeira  como um degrau  preparatório para a compreensão da Filosofia Segunda ,  e esta  , como um degrau para a compreensão da Filosofia  Terceira ou Tecnologia.
A cultura intelectual, segundo  a sistematização Positiva,  tem por principal objetivo dar
 à inteligência  os recursos necessários  para guiar a ação  modificadora  do Mundo e do Homem. O
Objetivo é, pois, conhecer o dualismo  Mundo e Homem , afim de  melhorar cada vez mais  a existência  Humana e  de Todos os Demais seres  que  com ela  Colaboram.
A Síntese  Subjetiva  é a base da Sistematização de Nossos estudos . Em cada ramo de
nossos conhecimentos ,  quando diversas lições  são necessárias para bem explaná-la  e
desenvolve-la ,  devemos proceder com um máximo cuidado , para que as minúcias  de um
assunto não desviem nossa atenção do espírito de conjunto, sempre sob o predomínio  da síntese Subjetiva. Pormenores muitas vezes viciosamente  apreciados podem reagir desfavoravelmente sobre o sentimento, excitando os  Instintos Egoístas  e consequentemente  prejudicando a Harmonia  dos trabalhos intelectuais  e dos trabalhos práticos. Todas as precauções  devem ser tomadas para evitar tais desvios , que podem prejudicar  totalmente a  educação Intelectual.

Compreendida a Filosofia Primeira,  abordaremos agora, a  Filosofia  Segunda com as definições Positivas de cada uma das Sete Ciências Positivas.

CONTINUA EM MANOBRE VOCÊ MESMO O SEU DESTINO - FILOSOFIA SEGUNDA - http://livrospositivistas.blogspot.com.br/2015/07/manobre-voce-mesmo-o-seu-destino.html



















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